De acordo com o objetivo do estudo participaram no estudo duas professoras, a professora Ana e a professora Sara, de Matemática do 9.º ano que tinham nas suas turmas alunos com adequações curriculares a Matemática. A caracterização dos docentes foi realizada com base na análise de um questionário aplicado às mesmas (anexo 3). A tabela 4, apresenta a caraterização das professoras.
Tabela 4 – Caraterização das professoras
Professores Idade Tempo de serviço Profissional Situação Turmas que lecciona no presente ano lectivo Ana 34 8 Contratada 9.º ano e 12.º ano (cursos
profissionais)
Sara 41 17 Contratada 9.º ano, 8.º ano e CEF
Por observação da tabela 4, a professora Ana tem oito anos de tempo de serviço e a professora Sara dezassete anos. Conforme as fases de desenvolvimento profissional de Huberman (2007, p. 41), os professores nesta fase, fase de diversificação, entre os sete e os vinte cinco anos:
Lançam-se, então, numa pequena série de experiências pessoais, diversificando o
do programa, etc. (…) Os professores, nesta fase das suas carreiras, seriam, assim, os mais motivados, os mais dinâmicos, os mais empenhados nas equipas pedagógicas ou nas comissões de reforma (oficiais ou “selvagens”) que surgem em várias escolas.
A professora Ana não tem formação na área de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) mas considera importante a formação e atualização na área das TIC. No entanto, utiliza ferramentas tecnológicas nas suas aulas, tais como: Processador de texto, apresentação multimédia, folha de cálculo, programas de geometria dinâmica e calculadora. Sempre que possível estimula os seus alunos a trabalharem com recurso às ferramentas tecnológicas. Ao longo da sua carreira já ensinou seis alunos com necessidades educativas especiais. Não tem formação na área das TIC aliada ao processo de ensino aprendizagem de alunos com necessidades educativas especiais, nem formação na área das NEE.
A professora Ana refere que o ensino diferenciado “é um ensino no qual se diversificam as metodologias/recursos de acordo com as necessidades de cada aluno. Tendo em conta as especificidades de cada aluno, o professor tem de articular, por vezes, diferentes tipos de trabalho, na sala de aula”. Esta professora utiliza as ferramentas tecnológicas como ensino diferenciado com os alunos com NEE.
A professora Ana despende, em média, doze horas por semana a preparar recursos didáticos para o 9.º ano e duas horas a adequar os recursos didáticos para o aluno com NEE. Utiliza os seguintes tipos de adequações com os seus alunos com NEE: adequações relativas à metodologia e à didática; adequações relativas aos modos de avaliação; adequações relativas à prioridade de objetivos e conteúdos e adequações nos materiais/recursos. Costuma construir recursos multimédia/informáticos que facilitam a aprendizagem dos alunos com NEE porém nunca consultou sites com recursos para alunos com NEE.
A professora Sara também não tem formação na área TIC e não considera importante a formação e atualização nesta área. Assim, raramente utiliza ferramentas tecnológicas nas suas aulas, tais como: apresentações multimédia e calculadora. Não tem por hábito estimular os seus alunos a trabalharem com recurso às ferramentas tecnológicas. Ao longo da sua carreira já ensinou dez alunos com necessidades educativas especiais. Não tem formação na área das TIC aliada ao processo de ensino
aprendizagem de alunos com necessidades educativas especiais, nem formação na área das NEE.
A professora Sara, refere que o ensino diferenciado é:
Aquele que promove a evolução natural e progressiva das aprendizagens, procurando o crescimento máximo do aluno e o seu sucesso individual, portanto, um desenvolvimento global do aluno ao nível académico, sócio-emocional e pessoal. Este é um método cujo ensino se centra mais no aluno de modo a responder às suas necessidades individuais. Não é um ensino individual, porquanto se procura fomentar a autonomia e não menospreza o trabalho de outros alunos, em simultâneo, no mesmo espaço.
Esta professora utiliza, raramente, as ferramentas tecnológicas como ensino diferenciado com os alunos com NEE.
A professora Sara despende, em média, dez horas por semana a preparar recursos didáticos para o 9.º ano e uma hora a adequar os recursos didáticos para o aluno com NEE. Utiliza os seguintes tipos de adequações com os seus alunos com NEE: adequações relativas à metodologia e à didática; adequações relativas aos modos de avaliação; adequações relativas à prioridade de objetivos e conteúdos, adequações na temporalização; introdução e/ou eliminação de conteúdos e adequações nos materiais/recursos. Não costuma construir recursos multimédia/informáticos que facilitam a aprendizagem dos alunos com NEE e nunca consultou sites com recursos para alunos com NEE.
As duas professoras têm em comum as seguintes características: são contratadas; leccionam a turmas do 9.º ano; encontram-se na fase de diversificação (fase de desenvolvimento profissional de Huberman); não têm formação na área de TIC; as ferramentas tecnologias que costumam utilizam nas suas aulas são as apresentações multimédiae a calculadora; não possuem formação na área das TIC aliada ao processo de ensino aprendizagem de alunos com NEE; nem formação na área das NEE e nunca consultaram sites com recursos para alunos com NEE. Ambas utilizam os seguintes tipos de adequações com os seus alunos com NEE: adequações relativas à metodologia e à didática; adequações relativas aos modos de avaliação; adequações relativas à prioridade de objetivos e conteúdos e adequações nos materiais/recursos. No entanto a professora Sara também utiliza os seguintes tipos de adequações: adequações na temporalização e introdução e/ou eliminação de conteúdos.
A professora Ana despende mais tempo a preparar o material para o 9º ano e a adequá-lo aos alunos com NEE do que a professora Sara. A professora Ana costuma construir recursos multimédia/informáticos que facilitem a aprendizagem dos alunos com NEE enquanto que a professora Sara não. A professora Ana usa mais ferramentas tecnológicas do que a professora Sara. A professora Ana considera importante a formação na área das TIC, a professora Sara não partilha dessa opinião. A professora Ana estimula os alunos a trabalharem com recurso às ferramentas tecnológicas e a professora Sara não.
Em suma, a professora Ana está mais familiarizada com as ferramentas tecnológicas e promove um ensino recorrendo a estas.