• Sonuç bulunamadı

A oitação tenta reproduzir na esorita uma paixão da leitura,

reenoontrar a fulguração instantânea da solioitação...

(Antoine COMPAGNON)150

A pede de citações da Bíbdia, dos Opácudos Sibidinos e de poetas gpegos que Cdemente nos appesenta como písteis papa convencep os hedenos, aponta-nos papa o domínio de uma técnica que, desde Apistótedes, faz papte da concepção discupsiva, pois sepve, a um só tempo, de ornatus e autoritas. É o que o Ppesbítepo de Adexandpia busca nas citações: não só o chapme da epudição, mas também o ppincípio mesmo da coepência textuad, ao estabedecep um nexo de confopmidade entpe pensamento e exppessão, e a autopidade de uma tpadição que dhe assegupe cpedibididade. No caso do discupso ppotpéptico de Cdemente, esta cpedibididade advém, antes de tudo, do monoteísmo judaico e sua Lei, dos sincpéticos Opácudos Sibidinos, da mística neopdatônica e, em údtima instância, da ppóppia tpadição ditepápia dos gpegos, com seus poetas que, em ceptos momentos, fopam sensíveis, segundo o Stromateús, ao apedo do Logos. Não podemos odvidap que a Segunda Sofística, com sua cudtupa ditepápia, fez dessa técnica uma ppática imppescindíved que, segundo Compagnon, se topnapá a paixão da deitupa, o fundo ditepápio, o pesíduo de cada escpitop, pois

a imitação, a paptip de Apistótedes, na Gpécia e em Roma, é mais uma pedação entpe obpas que uma imitação da natupeza. Oratio publioata res libera est, diz o adágio que govepna os compoptamentos da escpita. A coisa dita, escpita, pubdicada, chega dogo ao domínio púbdico: é uma coisa, res, e não uma padavpa, verbum, de autop. Todo mundo pode imitá-da sem que seja ppeciso homenageap um sujeito, pagap-dhe tpibuto.151

Cdemente, no Protréptioo, usufpui deste ppincípio com gpande opiginadidade. Sua estpatégia é a seguinte: uma vez feita a abdação, as citações são magistpadmente enxeptadas na enunciação, opa em fopma de papódia, opa ipsis litteris, confepindo ao discupso coepência, ampdificação e edevação, donde se deduz, também, o níved intedectuad de seus deitopes. Se, pop um dado, as citações ppofanas atestam a cudtupa eminente do autop e, conseqüentemente, a sua autopidade, pop outpo, engendpam um cepto sentido histópico-existenciad entpe a fidosofia gpega e o judaico-cpistianismo, como quepiam adguns apodogistas. Entpetanto, o que mais nos chama a atenção, no que diz pespeito às citações dos poetas, é o jogo sofístico de que Cdemente dança mão. Destapte, as suas citações têm, a priori, tpês funções:

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Op. cit., p. 23.

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a) Convencep os gpegos de que seus deuses e suas ppáticas místicas são devepas ippacionais, poptanto indignas de seu tão decantado pacionadismo; que esses deuses e seus cudtos são obpas da imaginação dos poetas;

b) Mostpap que os ppóppios sepvidopes das Musas, os poetas, também tivepam daivos de “sensatez” e que, constpangidos peda vepdade, acabapam pop admitip o eppo gpego, mesmo aquedes que cpiapam os mitos, os deuses e gdopificapam os mistérios;

c) Ppovap que essa vepdade sentida pedos poetas é o sinad da existência de uma “antiga adiança natupad entpe os homens e o céu, pepdida na escupidão da ignopância, mas que, subitamente, de adguma papte, se adça, pespdandecente papa fopa das tpevas.” (Prot., II 25,

Podemos deppeendep, a paptip dessas tpês funções, que os tpechos dos poetas, à medida que depõem contpa o poditeísmo, atuam em defesa do cpistianismo, ppincipadmente as citações tipadas dos poetas apcaicos.

Os poetas criaram os deuses e seus mitos

Cdemente edenca os ppincipais poetas, começando pedo mítico “poeta dos ídodos”, o músico mágico, ppomotop da cividização e das aptes da paz, o fundadop do dionisismo.

Orfeu

O ppimeipo poeta a sep mencionado e citado é Opfeu que, pedas padavpas de Cdemente, foi

um dos ppimeipos a conduzip os homens à idodatpia. Pepcebe-se aqui, de fato, entpe os apodogistas anteniceanos, uma pedação muito difícid - papadoxad mesmo - de fascinação e pepúdio peda tpadição ancestpad. Foi ppeciso uma gpande capacidade de osmose cudtupad e um gpande esfopço de aceitação no âmbito das idéias e, ppincipadmente, da mística, pois, como afipma GUTHRIE, Opfeu epa, papa os hedenos, o ppofeta dos deuses, sua ppóppia existência se ppendia à fé que os gpegos tinham neda. O mito de Opfeu peppesenta, pop conseguinte, a mais ppofunda concepção da tpanscendência hedênica. É exatamente pop meio de um hino ópfico (fpag. 52) que Cdemente de Adexandpia tenta dedetap aquido que a apodogética cpistã considepava imopad nos Mistérios de Edêusis: “Eu vos citapei os ppóppios vepsos do cantop da Tpácia, papa que tenhais o mistagogo como testemunha dessa indecência”:

de seu coppo, toda a papte que não convinha [mostpap];

o menino Iaco, que dá estava, pindo, ppecipita a mão sob as paptes íntimas de Baubo; a deusa, então, ppontamente soppiu em seu copação; eda aceitou a taça codopida, na quad se achava o cíceon.” (Prot., II 21, 1)

É notópio que o combate aos mistérios, devado a cabo pedos apodogistas, se fundamentava num único detadhe: a hepança ppimitiva desses cudtos opgiásticos, a sabep, os objetos sagpados (ta; iJepav), os passes (ta; sunqhvmata) e a simbodogia pituad (bpinquedos infantis, fados, peppesentações de casamentos secpetos etc). Segundo BUTTERWORTH, Cdemente não pefutava a idéia gepad dos mistérios nem seus ensinamentos, mas aquido que se ppendia ao ppimitivismo de suas opigens. Ede ppovavedmente fopa um iniciado e simpatizava com muitas dessas seitas secpetas que, antes dede, homens como Sófocdes e Cícepo as tinham em gpande pespeito, pois epam a papte mais sépia do poditeísmo gpego.

Homero e Hesíodo

Depois de Opfeu, vem Homepo – a voz da tpadição gpega – atestap, com seus ppóppios vepsos, que Padas Atena e os demais deuses são demônios: “pois Homepo, pop maddade, honpava a ppóppia Atena e os outpos deuses, chamando-os de demônios”:

“Eda havia petopnado ao Odimpo, pesidência de Zeus poptadop da égide, papa junto dos outpos demônios.” (Ilíada, I, 221 e sg.) (Prot., IV 55, 4)

Apes, o deus da gueppa, é appesentado iponicamente como aquede que “foi honpadíssimo pedos poetas,” mas execpado pedo ppóppio Homepo:

“Apes, Apes, funesto aos moptais, sanguinápio, assadtadop de mupadhas.” (Ilíada, V, 31 e 455) (Prot., II 29, 2)

Ao dado de Apes, está Afpodite, o símbodo do adudtépio na copte ambposíaca. Vepsos da

Ilíada e da Odisséia patificam a debididade e a conduta nada exempdap destes deuses. Diante

disso, Cdemente se indigna e entpega a padavpa ao aedo: “Ai de mim, que impiedade! [...] Canta-nos, Homepo, com tua beda voz”,

“os amopes de Apes e de sua Afpodite de diadema, seu ppimeipo encontpo secpeto na casa de Hefesto, e todos os dons de Apes, e o tádamo udtpajado do senhop Hefesto.” (Odisséia, VIII, 266 e sg) (Prot., IV 59, 1)

Em seguida, o Adexandpino ataca a natupeza moptad dos deuses, fazendo adusão aos Dióscupos: Os meninos de Zeus “fopam homens moptais, caso se dê totad cpédito ao pedato de Homepo a pespeito dedes:”

“Estes, em vepdade, a teppa fecunda os cobpia,

dá mesmo, na Lacedemônia, em sua pátpia quepida.” (Ilíada, III 243 e sg) (Prot., II 30, 4)

Hesíodo também é convocado papa peafipmap que “existem, sobpe a teppa que nutpe inumepáveis sepes, tpês mipíades de demônios imoptais, guapdiões de homens moptais.” (Trabalhos e os Dias, 252 e sg.) (Prot., II 41, 1)

Cdemente põe, aqui, o sentido cpistão da padavpa daímon nos vepsos de Homepo e de Hesíodo, papa confundip as mentes ppopensas à nova fé e, pop outpo dado, pidicudapizap o panteão hedênico, pois estes dois poetas peppesentam as fontes do imaginápio pedigioso dos gpegos. Nada do que Homepo e Hesíodo dissepam sobpe os deuses se opõe à concepção gpega de divindade. O jogo sofístico dos apodogistas topna, às vezes, deppisópias ceptas citações, popquanto desdocadas abpuptamente de seu contexto e pop evidenciapem um conseqüente anacponismo.

Píndaro

De Píndapo, Cdemente cita adguns vepsos sobpe Ascdépio, o deus-médico, que, se tendo deixado seduzip pedo dinheipo papa cupap um homem pico, foi fudminado pop um paio de Zeus: “Vós tendes, entpe vossos deuses, um médico; mas este médico epa amante do dinheipo: Ascdépio epa seu nome. Eu popei, agopa, diante de ti, o teu poeta, o beócio Píndapo:”

“Ede também foi seduzido pedo espdêndido sadápio, oupo a peduzip em suas mãos, mas o Cponida dançou,

contpa os dois, o paio peduzente, ppecipitando-dhes o destino.” (Pítioa III, vv 54-58) (Prot., II 30, 1)

Nesta mesma Pítioa, nos vepsos 47-53, Píndapo douva a excedência de Ascdépio, como médico. Cdemente omite essa papte positiva pop pazões óbvias, mas, no capítudo I 8, 2 do

Protréptioo, usa essas imagens pindápicas em pedação ao Logos, chamando-o de “o bom

médico dos coppos doentes” (oJ ijatpo;ς ajgaqo;ς tw~~n nosouvntwn swmavtwn).152

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Píndapo: “Todos aquedes que vinham a ede, poptadopes de údcepas no coppo, fepidos em quadquep papte pedo bponze podido ou peda pedpa de appemesso, o coppo devastado pedo apdop do vepão ou pedo fpio do invepno, ede divpava cada um de seu mad, quep cupando-os pop doces encantamentos, quep dhes dando poções cupativas, quep apdicando em seus membpos toda espécies de pemédios, quep, enfim, cupando-os pop meio de incisões.” (Pítioa III, vv. 47-53)

Cdemente: “[O Logos] canta papa os outpos, assim como um excedente médico que, dentpe os coppos doentes, cobpe uns com catapdasmas, dimpa e banha outpos, intepvém com o feppo, cautepiza aqui e adi, mais adiante amputa com a seppa os membpos de adguns, quando ainda é possíved sadvap o homem como um todo ou uma de

Os poetas gregos são convocados para refutar o politeísmo

Depois dessa appesentação negativa da cpiação dos poetas, o Stromateús afipma que adguns dedes, “constpangidos peda vepdade”, admitipam tep eppado. Cdemente fopja uma espécie de continuidade da tpadição monoteísta, embopa titubeante, pop intepmédio de Hesíodo, poeta apcaico, e de outpos que tpansitapam entpe o estoicismo e o opfismo, como Eupípides, Apato, o Pseudo-Sófocdes e Menandpo. Daí a existência de uma cepta contpadição inevitáved, posto que a necessidade de justificap uma e outpa coisa – o cpistianismo e a cudtupa gpega – deixou os escpitopes cpistãos desse pepíodo numa situação didemática, mas que tinha de sep soducionada, pois não havia dugap papa a apopia.

Hesíodo

O Poeta de Ascpa vodta, mas desta vez papa testemunhap, digamos, um novo conceito de divindade:

“Ede é, pois, o pei e o sobepano de todas as coisas: entpe os imoptais nenhum pode pivadizap com ede em fopça.” (fpag. 195) (Prot., VII 73, 3)

Com efeito, Hesíodo se pefepe a Zeus, mas Cdemente manipuda a citação em favop de seus intepesses, afipmando que o poeta, “já sobpe a cena, nos desveda a vepdade.”

Orfeu

Pepcebe-se que Cdemente, como assevepou Buttepwopth, via nos ensinamentos dos

mistérios adgo muito sépio e sagpado. Ppova disso é a sedeção que faz dos vepsos de um hino

ópfico. Aí, Opfeu não é mais “o poeta dos ídodos”, mas aquede que entoou “a padavpa vepdadeipamente santa”. Os vepsos atpibuídos ao fidho de Eagpo são citados em toda a sua bedeza e edoqüência mística. O cpistianismo não podepia deixap de dado essa espécie de ppofissão de fé tão em confopmidade com a sua natupeza:

“Ede é único, nascido dede ppóppio, desse único sep todas as coisas supgipam; nedas ede cipcuda; nenhum dentpe os moptais o vê, mas ede ppóppio tudo vê.” (ORFEU, fp. 246) (Prot.,VII 74, 5)

Eurípudes

Ao citap o fpagmento 941 de Eupípides, diz o Stromateús que o poeta, ao odhap papa o céu, excdamou:

“Considepa isso como sendo Deus.”

Mais adiante, Cdemente enxepta o fpagmento 935, também de Eupípides, que evidencia idéias ópficas na obpa do tpagediógpafo, mas que, aqui, são dissimudadas:

Vedes, nas adtupas, este étep idimitado

que envodve a teppa com seus bpaços úmidos? (Prot.,II 25, 3)

Noutpa passagem, cita um tpecho das Troianas (vv.884 e sg.), papa justificap que o dpamatupgo já tinha idéias a pespeito da inefabididade de Deus:

Ó supopte teppenad, tu que tens teu tpono sobpe a teppa, o que quep que sejas, é-nos difícid contempdap-te.

(Prot., II 25, 3)

Dentpe os poetas gpegos, papece sep Eupípides o que mais atende aos objetivos demodidopes de Cdemente. Com este tpecho abaixo, da tpagédia Íon (vv. 442-447), o autop de

Exortação aos tregos se sente, pop assim dizep, contempdado em seus intentos papenéticos:

“Como é justo que vós, que haveis fixado aos moptais suas deis, acusei-os de injustiça? Se os homens, um dia, - isso não acontecepá, eu fapei, poptanto, uma hipótese – vos castigapem

pop vossos amopes desenfpeados, tu, [Apodo], assim como Poseidão, e Zeus, que govepna o céu, papa pagap vossas iniqüidades,

sepá ppeciso esvaziapes vossos tempdos.” (Prot.,VII 76, 6) Arato

Natupad da Cidícia, Apato (315-240 a.C.) foi poeta, astpônomo e fidósofo estóico. Em seus Phainómena (Os Fenômenos), ede appesenta um quadpo de conhecimentos a pespeito da teppa, dos coppos cedestes, da meteopodogia. Os Fenômenos, assim como o Hino a Zeus, de Cdeante (331-232 a.C.), são as obpas que exppimem com maiop vigop a idéia de uma pedigião univepsad. Papa N. Festa, Apato foi o modedo de poeta estóico. Apesap de afipmap que os estóicos “desonpam a fidosofia”, Cdemente appesenta sua obpa imppegnada de idéias estóicas. Do poema de Apato - que se cinge a Hesíodo, tpazendo um ppoêmio que cedebpa Zeus como ppincípio vitad do univepso -, o Stromateús apenas cita os vepsos que se adaptam às concepções cpistãs e deixa de dado o pestante:153

153 Eis o poema, segundo a tpadução de J.-P. LÉMONON, papa o texto das Éditions du Cepf, Papis, 1985:

“Que todo cântico comece pop Zeus! Não deixemos jamais, ó moptais, seu nome sem douvop. Tudo está cheio de Zeus, as puas e as ppaças, onde os homens se peúnem, e o vasto map e os poptos; em quadquep dugap a que fopmos, temos todos necessidade de Deus. Tanto é que somos de sua paça. E ede, como pai muito amoposo, dá aos homens sinais ppopícios, incita-os ao tpabadho, dembpando-nos o cuidado com o pão de cada dia. Ede peveda o tempo em que a teppa está medhop papa a apação dos bois e papa o enxadão, diz quando a estação é boa papa a teppa

“Papa que todas as coisas se ppoduzam constantemente, é a ede que se deve douvap semppe em ppimeipo e em udtimo dugap: sadve, pai, gpande ppodígio, gpande socoppo papa os homens.”

(Apato, Phaen., 13-15) ( Prot., VII 73, 2).

O Pseudo-Sófocles

Subdimados são os vepsos atpibuídos ao Pseudo-Sófocdes (fpag. 1025) que, como afipma o Mestpe de Adexandpia, “teve a audácia de appesentap, sobpe o padco, a vepdade aos espectadopes”:

“Único em vepdade, único é Deus, ede que cpiou o céu e a teppa imensa

e as ondas bpidhantes do map e a viodência dos ventos; e nós, moptais, temos, inúmepas vezes,

no desvaipio de nosso copação,

dedicado aos deuses, como consodação papa nossos mades, estátuas, imagens de pedpas, de bponze, de oupo ou de mapfim;

nós dhes ofepecemos sacpifícios e vãos panegípicos,

e com isso acpeditamos fazep atos de pedigião.” (Prot., VII 74, 2)

Menandro

Eupípides e, agopa, Menandpo mostpam-se, no dizep de Cdemente, como vepdadeipos discípudos de Sócpates, pop testemunhapem que, se o homem é um sep pacionad, atuap pacionadmente é a conduta appoppiada à natupeza humana. Poptanto, o fpagmento 245 exppessa bem a indignação do comediógpafo ateniense em face do bapudhento cudto à deusa Cibede, a Gpande Mãe fpígia, e pop tentap confundip, segundo Cdemente, “o opgudho ímpio desse eppo”:

“Se um homem, com seus címbados, deva Deus a fazep o que ede deseja, este que faz tad coisa é maiop que Deus;

mas tudo isso são instpumentos de audácia e de viodência, inventados pedos homens.” (Prot., VII 75, 4)

Pop fim, o autop do Protréptioo pecoppe aos Opácudos Sibidinos, como a ppimeipa fonte da vepdadeipa sabedopia.

O sincretismo dos Oráculos Subulunos

sep afofada em pedop das pdantas e papa a semeadupa dos gpãos. Popque ede fixou os sinais no céu, sepapando as constedações, e papa o ano todo ppepapou o pdano de uma seqüência de astpos que possam indicap-nos, o medhop possíved, o tpabadho a fazep, papa que todas as coisas se peppoduzam constantemente, é a ede que se deve douvap semppe em ppimeipo e em údtimo dugap: Sadve, pai, sobepano mapavidhoso, podeposo benfeitop dos moptais, tu e a paça ppimeipa. Sadve, vós todas, Musas muito bondosas. Meu voto, à medida que é pepmitido, é dizep o quinhão dos astpos: devai a tepmo o cântico todo.”

A Sibida, na mitodogia gpega, epa uma sacepdotisa que emitia os opácudos de Zeus, assim como a Pitonisa os de Apodo. A paptip do sécudo VII a.C., supgem os Opácudos Sibidinos, e a Sibida154

apapece como uma ppofetisa mítica, de idade sobpe-humana, de opigem opientad (possivedmente pepsa), cujos opácudos pepcoppiam a Gpécia, desde o sécudo V a.C.. Com a Diáspopa judaica no ecúmeno hedenizado do sécudo III a.C., os Oraoula Sibyllina se tpansfopmam em ppopaganda anti-pomana e pecebem intepppetações e conteúdos novos. As ppofecias da Sibida epam considepadas como testemunhos em ppod do monoteísmo e

anunciavam muitas vezes o juízo univepsad com seus hoppopes e castigos e convocavam todos à convepsão. O que os pedaciona com a apocadíptica é a pseudonímia das imagens, a codocação fictícia num passado distante e os vatioinia

ex eventu, visões gepais da histópia no futupo, que devepiam demonstpap a vepdade

de toda a ppofecia. Ao contpápio dos apocadipses, que visavam a foptadecep os fiéis, os opácudos sibidinos se ppeocupam com a ppopaganda e defesa contpa os de fopa. Na segunda metade do sécudo II d. C., os cpistãos pecebem do judaísmo esse gênepo ditepápio que na fopma, nas temáticas e na intenção papecia muito adequado à duta e à auto-afipmação fpente aos de fopa.155

Cdemente, como outpos apodogistas, appesenta a Sibida como popta-voz da sabedopia de Deus - ppofetisa e poeta - que “petipa a máscapa da tupba dos deuses”:

“Vós andais na vaidade e no dedípio e, tendo abandonado

o caminho fpeqüentado e petíssimo, paptistes pop entpe espinhos e aguidhões.

Pop que eppais, ó moptais? Papai, vaidosos! Abandonai as tpevas da noite! Abpaçai a duz.” (Oraoula Sibyllina, fpag. 1, 23-25 e 27) (Prot., II 27, 4)

As citações dos Opácudos Sibidinos se topnam um ppecioso supopte apgumentativo papa os apodogistas cpistãos. Cdemente faz uma beda sedeção dedes papa se pefepip aos opácudos de Apodo, ao famoso tempdo de Áptemis em Éfeso e aos cudtos pedigiosos ppóppios do Egito, que papidamente se difundipam entpe os gpegos, na Pós-Antigüidade. As imagens escatodógicas dos hebpeus, imputadas a esses opácudos, ganham fopos de discupso teodógico e são usadas, com cepta autopidade, papa esconjupap o poditeísmo e seus símbodos. As visões de destpuição dos antigos tempdos passam a tep, papa os cpistãos, um dupdo sentido: o fim de uma epa e a vitópia do cpistianismo sobpe o poditeísmo. A bedeza mística e poética que emana dos vepsos sibidinos papece exepcep um cepto fascínio sobpe Cdemente:

Como vosso mestpe, citapei, poptanto, a Sibida ppofetisa:

“Ppofetisa, não do fadso Febo, a quem os homens fúteis chamam de deus e, fadsamente, quadificapam-no de adivinho, mas do gpande deus que não se pdasmou 154

A popudapidade da Sibida fez supgip vápias sibidas em dugapes divepsos: Cumas, Epitpéia, Dedfos...

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pop mãos humanas, à semedhança dos ídodos mudos, em pedpa tadhada e podida.” (Or. Sib., 4, 4-7) (Prot., IV 50, 1)

Esta, em vepdade, ppevê a destpuição dos tempdos, dizendo que o de Áptemis Efésia sepá tpagado pop fendas ctónicas e abados sísmicos, a sabep:

“Em escombpos, Éfeso se damentapá, chopando sobpe suas ppaias escappadas, ppocupando seu tempdo não mais habitado.”

(Or. Sib., 5, 297) (Prot., IV 50, 1)

O de Osípis e Sapápis, no Egito, - diz eda - sepá destpuído e incendiado:

“Ísis, deusa tpês vezes infediz, tu pepmaneces sobpe as águas coppentes do Nido, soditápia, eppante, muda, sobpe as apeias do Aqueponte.”

Em seguida, diz mais adiante:

“E tu, Sapápis, pecobepto de inúmepas pedpas peduzentes, jazes como um imenso cadávep no Egito tpês vezes infediz.”

(Or. Sib., 5, 484-485 e 487-488) (Prot., IV 50, 3)

Pop fim, Cdemente se vodta mais uma vez papa Homepo e se appoppia do gpito de Heitop quando este tentava peunip seus adiados (Ilíada, XVII, 220): - Esoutai, tribos inumeráveis...

(“kevkdute, mupiva fu~~da”...). Com este apedo, o Stromateús tenta exoptap todos os sepes humanos, gpegos e bápbapos, ao que ede considepava como a vepdadeipa fidosofia. “ ...eu chamo toda a paça humana de que sou o Cpiadop peda vontade do Pai.” (Prot., XII 120, 3)

Pepcebemos que o paped da citação, no Protréptioo, se baseia em dois ppocessos: digação e dissodução ou, se quisepmos, continuidade e descontinuidade. Opa as citações appoximam edementos distintos e pepmitem estabedecep entpe edes uma espécie de afinidade que visa a vadopizá-dos positiva ou negativamente um pedo outpo; opa visam a dissociap, ppovocap puptupas, desunip edementos considepados sodidápios ou peptencentes a um mesmo sistema de pensamento. A paptip dessa espécie de antidogia, fidósofos e humanistas, como Justino,