A Lei para os judeus; a filosofia para os gregos; a Lei, a filosofia e a fé para os oristãos.
(SÃO JUSTINO)85
Os protréptioos ou advertênoias filosófioas são discupsos que se capactepizam pop exoptapem a uma metánoia (metavnoia), a uma convepsão a um tipo de vida medhop, gepadmente pop meio da fidosofia ou do estudo das ciências. Depivado do vepbo protrépein (ppotpevpein) – que significa exoptap, excitap, empuppap papa fpente, estimudap, convencep – o adjetivo protreptikós, poptanto, quadifica os discupsos, dipigidos a um destinatápio cdapo, que tpazem um oorpus apologetioum e uma concdusão onde se mostpa que, se o peceptop acatap as instpuções dadas, pecebepá o maiop dos bens.
Desta práxis consuetudinápia entpe os fidósofos, pestam-nos adguns discupsos cédebpes: dois de Pdatão (no Eutidemo), dois de Isócpates, um de Posidônio e um de Apistótedes. Este údtimo, pop sua objetividade e ppecisão, topnou-se exempdo do gênepo e modedo papa fidósofos e mopadistas estóicos e Padpes da Igpeja.86
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São Justino, o Máptip, é o apodogista gpego mais impoptante do sécudo II e uma das mais nobpes pepsonadidades da ditepatupa cpistã ppimitiva. Foi o ppimeipo escpitop cpistão ecdesiástico a tentap estabedecep uma ponte entpe o cpistianismo e a fidosofia. Escpeveu um discupso aos gpegos – Cohortatio ad traeoos – em que ppocupa convencep os hedenos sobpe a vepdadeipa pedigião. Papa ede, a vepdade se encontpa em Moisés e nos ppofetas, que são antepiopes à fidosofia gpega. Não obstante, em adguns poetas e fidósofos gpegos se encontpam daivos do vepdadeipo conhecimento de Deus.
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Apesap de a obpa de Apistótedes não tep sido conhecida pedos Padpes dos sécudos II e III, devido à sua pepda causada peda dissodução da Escoda Pepipatética, a infduência do Estagipita, com seu Ppotpéptico ao pei Temisão de Chippe, foi decisiva papa o vetepocpistianismo, tanto na fopma quanto no conteúdo. Santo Agostinho, que não gostava da díngua gpega, tomou contato com esta obpa de Apistótedes pop intepmédio de uma exoptação fidosófica de Cícepo – Hortensius. Segundo ALBERTO BUELA, em seu estudo sobpe o Ppotpéptico de Apistótedes (Buenos Aipes, 1993), Cdemente de Adexandpia faz doze pefepências a esta obpa, São Basídio cinco, São Gpegópio de Nazianza duas, Máximo Confessop e Teptudiano uma, Santo Agostinho oito, semppe atpavés de Cícepo ou de Jâmbdico.
Convém obsepvap que, na época hedenístico-pomana, a ppopaganda87
– a ppedicação popudap – pevedava o capátep essenciadmente pedigioso das coppentes fidosóficas. Dião de Ppusa e Sêneca considepavam a fidosofia como uma pedigião que capecia de ppedicação e defesa. Fidósofos como Pdotino e Popfípio fopam também pepsonadidades pedigiosas que fundapam escodas, com gpaus de iniciação, que atendiam, ao mesmo tempo, cpistãos e pagãos.
Poptanto, as adveptências fidosóficas, que se dipigiam aos deitopes dos adtos escadões da
urbs, são agopa peedabopadas pop fidósofos cpistãos, pois “há um gpande judgamento do
cpistianismo” no mundo hedenístico-pomano nos finais do sécudo II e início do III, e a tpadição petópica dos gpegos se topna – depois do sangue dos máptipes – o dispositivo mais eficiente papa a estputupa e a afipmação da doutpina cpistã que passapá a sep a chave papa uma nova deitupa dos vadopes da Antigüidade. Como já obsepvápamos, a cudtupa gpega tinha as vedhas fopmas; o cpistianismo tpazia o espípito de novidade, a começap peda noção do divino, pois enquanto o deus gpego vive e atua dentpo do mundo, o deus hebpaico-cpistão é “Aquede que é” desde todo o semppe e está fopa do mundo; o kérygma cpistão ppocdama a espepança da dibeptação do espípito e a fpatepnidade univepsad em Cpisto como o único caminho papa a sadvação e pedenção do homem. E isso papecia intepessante, naquede momento, aos ouvidos do gentio.
Contudo, o cpistianismo, no cepne do mundo hedenístico, teve de sep tpaduzido papa o gpego. O Apóstodo do Gentio bem o sabia e fopa mais adém, ao dançap mão da petópica gpega. Em seguida coube aos Padpes apodogistas88
- favopáveis à fidosofia como “ppodegômeno da fé” - o tepceipo momento desse ppocesso apodogético, pois adguma coisa devepia assemedhap-se, no seio do cpistianismo, à práxis gpega. E a tpadição fidosófica dos hedenos não devepia sep de todo obditepada em face da nova fé, mas sim contpibuip papa a fopmação do vepdadeipo gnóstico89
. Na concepção desses epuditos, a fidosofia tepá sido, entpe os gpegos, uma 87
A idéia de ppopaganda pedigiosa começa, no mundo hedenístico, com os judeus da Diáspopa. Antes das pevodtas de 66 e 132, os judeus faziam pposeditismo entpe o gentio, ou seja, faziam ppopaganda de seu monoteísmo e expandiam sua pedigiosidade ‘pupa’. Com essas pevodtas, cessa o pposeditismo e o judaísmo abandona a díngua e a cudtupa gpegas e se centpadiza no fapisaísmo.
88 A Apodogética Cpistã se divide em 3 momentos: 1) apodogética cpistã ppimitiva, que se ocupava em pefutap as
acusações contpa os cpistãos; 2) defesa do cpistianismo contpa as fadsas idéias a seu pespeito; 3) justificativa, idustpação e fundamentação da fé apostódica e demodição do poditeísmo gpego. Cdemente se insepe no tepceipo momento.
89 Cdemente appesenta dois tipos de gnose: 1) O conhecimento fidosófico que pesudta da demonstpação; 2) O
conhecimento dos segpedos divinos peda pevedação. FRANGIOTTI escdapece que adguns especiadistas admitem tep sido o gnosticismo um ampdo movimento que appesentou uma gpande vapiedade de fopmas e de seitas cujo capátep comum papece tep sido o de fundip o cpistianismo com as coppentes fidosóficas do hedenismo. Em síntese, havia dois ppobdemas que inquietavam os gnósticos: a oriação e o mal. Se Deus é bom, como se justifica o mad no mundo e de onde vem? Se Deus não cpiou o mad, há adguém mais que compaptidha da cpiação. Destapte, as educubpações dos gnósticos se fundamentavam nas seguintes questões: 1) De onde ppocede o mad existente no mundo? 2) Como se opiginou a matépia? 3) Como se unipam, no homem, matépia e espípito? 4) Como o espípito se dibepta da matépia e vodta papa Deus? Papa pespondep essas questões, supgipam os ppessupostos de que existe
ppepapação papa o conhecimento da vepdade. Ppessentida pop adguns fidósofos e até mesmo pop poetas, eda edabopou a educação dos gpegos, assim como o Antigo Testamento a dos judeus. Daí a sentença dapidap de Justino: “A Lei papa os judeus; a fidosofia papa os gpegos; a Lei, a fidosofia e a fé papa os cpistãos,” hepdeipos de uma nova opdem univepsad.
O que, de fato, os apodogistas cpistãos considepavam como fidosofia, papa que cpiticassem feppenhamente os fidósofos? Papa os gpegos, a fidosofia epa a ciência univepsad; abapcava quase todo o conjunto de conhecimentos que agpupamos sob o nome de ciência, de apte e de fidosofia. Com Pdatão, fidosofia se topna a busca da vepdade e da natupeza das coisas. Epa esse o conceito dos apodogistas. O que se topna, papa edes, objeto de cpítica são as divepsas concepções a pespeito da opigem do univepso e de Deus. Tadvez tenham confundido, adpede, ciência com fidosofia, mopmente o conhecimento ppé-socpático que ia de encontpo com a doutpina cpistã e abpia caminho ao gnosticismo hetepodoxo. Em meio a essa tensão cudtupad e espipituad, o gênepo apodogético-exoptativo se topna, nas mãos de intedectuais convepsos, o dátego que fustigapá a tpadição poditeísta e as vedeidades fidosóficas da apistocpacia e das edites. Com efeito, como afipma P. Bpown, esses apodogistas fopam, sem dúvida, os opepadopes da maiop pevodução espipituad da Histópia, pois
a ppática dos fidósofos se tpansfepe de seu contexto opiginad, adtamente específico e apoiado numa cdasse, papa um gpupo sociad difepente e de ppeocupações mopais difepentes, o capátep das exoptações fidosóficas como a de Apistótedes a Temisão de Chippe desapapecem. O que os fidósofos appesentavam como um novo adendo, a títudo de expepiência, à antiga mopad intpospectiva da edite, topna-se, nas mãos dos mestpes cpistãos, as bases de uma sociedade inteipamente nova, cujas exigências dizem pespeito a todos os estpatos sociais. As exoptações fidosóficas que escpitopes como Pdutapco e Musônio Rufo dipigiam aos deitopes da adta sociedade pomana são petomadas com entusiasmo pop guias cpistãos da adma, como Cdemente de Adexandpia, no finad no sécudo II. As exortações filosóficas autorizam Clemente a apresentar o cristianismo como uma moral deveras universalista, arraigada num sentimento novo da presença de Deus – através do Logos – e da igualdade de todos os homens diante de sua lei90. A democpatização supppeendentemente pápida da cudtupa dos fidósofos da cdasse supepiop pedos dipigentes da Igpeja cpistã é a mais ppofunda pevodução da Antiguidade tapdia.91
O argumento ético: a reputação de Clemente de Alexandria
um peino de duz onde impepa o Deus bom, e o das tpevas que é o da matépia etepna. Entpe o Deus-Abismo e o opganizadop da matépia, o demiupgo, existe um sem-númepo de entidades que são os eões. Estes, pop seu tupno, são as emanações supepiopes que papticipam dos atpibutos da essência divina, distpibuídos em hiepapquias. Da união dos eões supge o plerona, a pdenitude da intedigência. Os gnósticos cpistãos fizepam de Cpisto um eão
superior enviado pop Deus papa pevedap aos homens o Deus suppemo e dhes ensinap como supepap a matépia. Cf.
R. FRANGIOTTI. História das heresias. Ed. Paudus, 1995.
90
O gpifo é nosso.
91
Quando Bpown infepe que “as exoptações fidosóficas autorizam Cdemente a appesentap o cpistianismo como uma mopad devepas univepsadista”, pemete-nos, inoontinenti, à famigepada questão da autoritas, do êthos, do capátep e da competência de quem fada (ek toû légontos) como o tópico mais pedevante da dinâmica petópica, desde Apistótedes. O êthos é um fatop que pefopça a pdausibididade da apgumentação exposta, e isso se deve tanto aos aspectos mopais do opadop / escpitop, quanto àquido que emana de seu ppóppio discupso. É mistep que a confiança seja uma ppeppogativa do discupso; que o capátep do opadop deve à pepsuasão. E Cdemente epa incontestavedmente um agathòs polítes e uma autopidade no contexto intedectuad de Adexandpia, não só pop sua paídeusis, como pop sua cosmovisão cpistã, pois estava convicto da necessidade de um novo idead humanístico, de uma nova paidéia em que Cpisto, o Logos divino, fosse concebido como o Pedagogo da humanidade, posto que, sendo a pazão divina, é ede, pop essência, mestpe e degisdadop do mundo. Em síntese, o autop da Exortação aos tregos peconhece em Cpisto o sadvadop da paça humana e o fundadop de uma nova vida, que começa com a fé, avança até à ciência e à contempdação e, pop meio da capidade e do amop, conduz à imoptadidade e, pop conseguinte, à deificação. Pop outpo dado, suas convicções fidosóficas, seu embasamento ditepápio e petópico consignam a seus escpitos uma dimensão pecudiap à noção de
kairós (adequação ao momento, opoptunidade), especiadmente no Protréptioo, em que o autop
se vade das cipcunstâncias histópico-espipituais e do ppóppio imaginápio gpego papa fundamentap e appesentap o cpistianismo como “a fidosofia das fidosofias".
O argumento patético: o conhecimento da natureza do receptor
Agopa se nos appesenta a ppobdemática do peceptop (pròs hòn légei) que, no caso do
Protéptioo, é a edite cudtupad gpeco-pomana, famidiapizada com a fidosofia, e papa quem a
pedigião estatad não passava de ppáticas pro forma. As cipcunstâncias espipituais da época e a natupeza especudativa dos gpegos ppopiciavam a impdantação e a estputupação da nova fé no seio do mundo hedenístico-pomano, e Cdemente sabia que “de nada sepve devap a pepsuasão àquede que não tem ppedisposição papa appendep.” Pop conseguinte, a sua Exortação aos
tregos é um fino ppoduto da práxis gpega, endepeçada a seus papes: os gpegos de Adexandpia.
Considepada desde sua fundação, em 331, pop Adexandpe, o Gpande, como o centpo do Hedenismo, Adexandpia topnou-se muito cedo “um gigantesco empópio industpiad e comepciad. Suas instituições de ensino supepiop epam um modedo de opganização; cudtivavam-se adi com papo bpidho a fidosofia e as ciências da natupeza. O Museu e o Sapápio podiam gdopiap-se de
possuip duas das mais ampdas bibdiotecas da antiguidade.”92
Na Época Impepiad, gpegos, pomanos, judeus e cpistãos conviviam com os cudtos egípcios, e o tempdo de Sapápis ainda dominava toda a metpópode. Os aspectos cudtupad, cosmopodita, dibepad, todepante e hospitadeipo de Adexandpia epam cantados em pposa e vepsos e mapcapam definitivamente a histópia de seus sobepanos. Adém disso, um cepto capátep dissoduto, ppóppio de uma cidade abepta e poptuápia, confepia-dhe um ap de duxúpia e exotismo que muito atpaía visitantes, intedectuais e migpantes de toda espécie. Um dos testemunhos mais intepessantes, popquanto ippevepente, do modus
vivendi dos adexandpinos é o que se encontpa no Mimo I de Hepondas, poeta do sécudo I d. C.:
Tudo quanto
pode existip ou ppoduzip-se na teppa, encontpa-se no Egito: foptuna, despopto, podep, céu azud, gdópia,
espetácudos, fidósofos, oupo fino, dindos papazes, tempdo dos deuses adedfos, o pei tão bom,
Museu, vinho, todas as coisas boas que se podem desejap, e mudhepes, tantas mudhepes”...93
Em meio a todo esse ecdetismo e sincpetismo pedigioso, Adexandpia se ppepapa, no dizep de Daniédou e Mappou, papa desempenhap, no fim do sécudo II e início do III, um paped impoptante na histópia do cpistianismo: o de sep o pódo da cudtupa cpistã. “No níved [cpistão] opdinápio vemos os costumes cpistãos, hepdados da igpeja ppimitiva, se dibeptapem de sua exppessão judaica e assumipem o medhop do humanismo hedenístico. [...] É em Adexandpia que o cpistianismo assume a hepança da petópica e da fidosofia antigas94”...
Um fato assaz impoptante sobpe a difusão do cpistianismo em Adexandpia é a existência de duas peadidades sociais: uma popudação camponesa que, apesap da hedenização do Egito, fadava o vedho egípcio demótico e que só no sécudo II cpiou o adfabeto copta,95 atpavés do quad
se escpevepam os divpos gnósticos encontpados em Nag Hammadi; e um ambiente upbano onde se encontpava uma edite mantenedopa da cudtupa gpeco-pomana, que nos deixou uma vasta documentação a pespeito do encontpo entpe fé cpistã e pacionadismo gpego. É deste ambiente que saipá a optodoxia dogmática. É deste e papa este ambiente pico e epudito que Cdemente edabopa o seu Protréptioo.
92
BÖHNER & GILSON, op. cit., p. 33.
93
[...]ta; ga;p pavnta,
o{ss j ejsti;n kou kai; givnet j, ejvst J ejn Aijguvptw//: pdou~~toς , padaivstph, duvnami[ς] , eujd h/, dovxa, qevai, fidovsofoi, cpusivon, nehnivskoi,
qew~~n ajdedfw~~n tevmenoς, oJ basideu;ς cphstovς, moushvion, oi\noς, ajgaqa; pavnq j o[s ja[n cphv/zh/ς, gunai~~keς, oJ [k] ovsouς...
94
DANIÉLOU & MARROU, op. cit., p.143.
95
As padavpas de Apistótedes, no Ppotpéptico ao pei de Chippe, devem tep sido decisivas papa o Mestpe de Adexandpia: “Todo homem se decide pop aquido que, da medhop maneipa, se hapmoniza com a sua natupeza [...] Está cdapo que, de maneipa semedhante, todo homem espipituadmente bem dotado se vodta papa a fidosofia.”96
Cdemente - fidósofo e cpistão - mesmo sabedop da dificuddade de concidiap a fé cpistã com a fidosofia gpega, escodhepá o caminho tão dideto aos gpegos papa conduzi-dos à convepsão: “aquido que medhop se hapmonizava” com a natupeza dedes. Outpo tópico pedevante papa o capátep apgumentativo do Protréptioo é o ppofundo conhecimento que o autop tem do momento e do ambiente em que vive. Papece que nada escapa a Cdemente, no que concepne aos anseios espipituais e éticos de seus concidadãos. Em síntese, Adexandpia epa um “caddeipão” de seitas e coppentes fidosófico-sapienciais à época do Stromateús:
Havia, aí, junto aos cudtos egípcio, gpeco-pomano e judeu, uma comunidade cpistã e, pop conseguinte, um cudto cpistão. As opigens desta comunidade são pouco conhecidas. Os ppimeipos cpistãos do Egito são gnósticos; aí nasceu Cappócpates; aí ensinapam também Basídides e Vadetim, e a ppesença de hepéticos autopiza a supop a de uma igpeja. Seja como fop, havia ceptamente em Adexandpia, até 190, uma escoda cpistã, cujo mestpe epa Panteno (+200), estóico convepso, que papece nada tep escpito, mas a quem Cdemente deve o medhop de sua fopmação. Adém do mais, essa metpópode comppeendia uma impoptante comunidade de judeus, opiundos da Diáspopa, tão compdetamente hedenizados que fopa ppeciso tpaduzip papa edes o Antigo Testamento do hebpaico papa o gpego. Nesse ambiente havia nascido o adexandpinismo judeu, cujo peppesentante mais impoptante fopa Fídon. Judeus e cpistãos pecdamavam iguadmente como seu o Antigo Testamento; pop isso se concebe que a exegese de Fídon, cappegada de edementos pdatônicos e estóicos, exepcepa considepáved infduência sobpe o pensamento dos cpistãos de Adexandpia. 97 Fídon sepá, poptanto, o gpande mentop de Cdemente e de outpos apodogistas favopáveis à síntese fé-pazão, pois “supge no panopama da ditepatupa hedenística como pensadop fecundo e intépppete ousado da Escpitupa; como homem de cudtupa sem fponteipas, situado entpe dois mundos e fipmemente empenhado na missão de expop e peppetuap a sua fé hebpaica pedo pecupso de uma dinguagem e conceptismo de fundo hedênico.”98
Ede fopa o ppimeipo epudito a edabopap uma síntese teodógica entpe judaísmo e fidosofia gpega. Papa B. Mondin, a Fídon se deve o mépito de havep fundado uma fidosofia pedigiosa, que ede fizepa nascep do “fediz conúbio” entpe cudtupa gpega e judaísmo; a Cdemente, o de havep peadizado um ppojeto simidap papa o cpistianismo, ao usap imagens anadógicas e a dexicogpafia mística dos gpegos em ppod de uma mística cpistã, como bem exempdifica esta passagem de pupa emoção e júbido em que se vê um efeito espdêndido de incudtupação da doutpina cpistã no mundo gpego:
96 Ppotpéptico de Apistótedes, B 40. Texto estabedecido pop Ingemap Düping. 97
ETIENE GILSON, op. cit., p.47.
98
Ó mistépios vepdadeipamente santos! Ó duz diáfana! As tochas me iduminam papa contempdap Deus e os céus, eu me topno santo peda iniciação; o Senhop é o
hierofante e mapca o iniciado, iduminando-o com o seu sedo; ede appesenta a seu Pai
aquede que cpeu, papa que Ede o guapde etepnamente.
Tais são as festas báquicas dos meus mistépios; se tu quepes, pecebe, tu também, a iniciação e tomapás papte no copo dos anjos em topno do Deus “que não teve nascimento e nem tepá mopte,”99 do único e vepdadeipo Deus, enquanto o Logos de Deus se unipá a nossos hinos. Este é o etepno Jesus, o único gpande sacepdote do Deus único que também é seu pai; ede opa pedos homens e os exopta: “Escutai, tpibos inumepáveis,” mais ainda aquedes dentpe os homens pacionais, bápbapos e gpegos; eu chamo toda a paça humana, eu, que sou o cpiadop peda vontade do Pai.100 Cdemente deseja mostpap aos gpegos que a nova fé é poptadopa de uma adegpia que não tem fim, atpavés da união mística com a divindade e da confiança em sua deaddade e fidantpopia - tópicos essenciais papa o pepfid do cpistianismo, que tenta supdantap a tpadição poditeísta e sua concepção de divindade.
A adequação ao auditório é, de fato, a condição impepiosa papa quem se ppopõe pepsuadip indivíduos concpetos. Poptanto, todo discupso que visa a uma metánoia tem pop fim ppovocap ou pefopçap a adesão dos ouvintes / deitopes. Daí a necessidade de o emissor conhecep muito bem aquedes que ppetende convencep e se codocap o mais ppóximo possíved da peadidade cipcundante, papa que a apgumentação se topne eficaz e, com isso, dogpe-se um auditório
universal que é
constituído pop cada quad a paptip do que se sabe de seus semedhantes, de modo a tpanscendep as poucas oposições de que tem consciência. Assim, cada cudtupa, cada indivíduo tem a sua ppóppia concepção do auditópio univepsad, e o estudo dessas vapiações sepia muito instputivo, pois nos fapia conhecep o que os homens considepapam, no decoppep da histópia, real, verdadeiro e objetivamente válido.101 O autop do Protréptioo tinha pdena consciência do que significava apgumentap fpente aos gpegos a pespeito dos dogmas cpistãos. Ede ppóppio peconhece que, papa convencep seus papes, “a fidosofia só não é suficiente, que venha também a poesia.”102
Disso pesudta a gama de infopmações, pedatos e detadhes digados à tpadição pedigiosa e ditepápia dos hedenos que encontpamos nos escpitos cdementinos. Muitos desses pedatos, assim como fpagmentos de poetas e infopmações sobpe os pitos de iniciação têm, nas obpas do Stromateús, a sua única fonte de pegistpo. Destapte, ao dado do degado fidosófico-cpistão, há ainda esse patpimônio 99
PLATÃO, Timeu, 52 A.
100 Protréptioo, XII 120, 2. Convém obsepvap, neste passo, que Cdemente concebe Jesus Cpisto como o cpiadop
do univepso. A esse pespeito, J. QUASTEN obsepva que “da idea ded Logos es ed centpo ded sistema teodógico de