• Sonuç bulunamadı

Segundo todos os entrevistados, a caracterização estética do grupo é compatível com a já apresentada no trabalho, através das pesquisas de Laai (2008) e Bispo (2009). Para Hayley Williams, Mia/CW7, Amy Lee, Simple Plan, Gerard Way e Roberto Carlos são típicos do emo adereços como brincos, argolas, correntes, roupa preta, cabelo de cortes diferentes e extravagantes, franja comprida, maquiagem, roupa apertada, alargador, tênis All Star. Tanto esses objetos como as músicas se tornaram símbolos do Emocore: “Era um rótulo. Isso é coisa de emo, aquela roupa é do emo” (Mia/ CW7). Simple Plan ainda enfatizou a existência de uma identificação pelo cabelo; para ele, “sempre é o cabelo!”. Quando ainda era emo, por volta dos 14 anos, Hayley Willams disse que sua mãe reclamava com frequência do estilo de seu cabelo: “todo dia era ‘corta esse cabelo!’”. Já Mia/CW7 falou da vergonha que a mãe sentia em relação ao estilo dela: “Mãe tinha vergonha de andar comigo, senão ela ia ser conhecida como ‘a mãe da menininha dos ‘cabelo colorido’, entendeu? Mãe não gostava de andar comigo”.

De fato, a aparência do cabelo do jovem emo é diferente do convencional. Os cortes variam em repicados e moicanos, com franjas compridas irregulares que, por vezes, cobrem um lado do rosto. O cabelo é penteado de maneira super lisa e colorido nas cores fortes como verde, azul, roxa, rosa e vermelha. Gerard Way foi um dos entrevistados que disse nunca ter sido emo, mas que havia sido convidado pela supervisão da escola para conversar conosco em virtude de sua aparência. Quando perguntado se já havia sido chamado de emo por outras pessoas, respondeu que várias vezes o associaram ao grupo e que isso se devia ao seu corte de cabelo.

Segundo Roberto Carlos, a aparência do jovem emo “incita o medo” em outros sujeitos da sociedade. Mia/CW7 pontua que as pessoas discriminavam abertamente a sua aparência, quando ainda fazia parte do grupo: “Ninguém dizia que era emo, não, dizia que era doida, mesmo!”. Apresentam-se de tal maneira que sua diferença cria uma etiqueta/rótulo sobre sua imagem, reproduzindo-se como sinônimo de perigo e ameaça ao equilíbrio social. Forma-se, então, uma situação de estigma sobre o Emocore, que retira dele o seu crédito enquanto grupo de sociabilidade juvenil, de práticas não violentas. Para reiterar esse raciocínio tome-se ainda o depoimento de Roberto Carlos, para quem esses adolescentes são educados, de um nível de instrução considerável, polidos, sempre utilizando palavras como “por favor”, “com licença” e “obrigado”; mas a estética e a forma de se vestir é o que desvirtua os olhares das pessoas que estão fora do grupo. Afirma Roberto Carlos que,

A primeira coisa, quando a gente olha, tem aquela aparência que você se assusta. Você teme, querendo ou não. Porque é aquela coisa: é um cabelo puxado no meio, raspado do lado, moicano. O odor também é bem... Tem um odor bastante forte.

Aparecem, então, os indícios de atitudes relacionadas ao preconceito sobre o grupo. Para Amy Lee, “o primeiro preconceito é em casa”, com a falta de compreensão por parte dos pais e familiares sobre a nova configuração identitária do jovem. Os acessórios e a estética seriam os responsáveis pela segregação social do emo. A todo momento, a insatisfação da sociedade com a aparência dos integrantes do grupo se transforma em um discurso revoltado de não-aceitação da subcultura Emocore. Quando Roberto Carlos, o único adulto a ser entrevistado, conversa conosco, nota-se em suas palavras uma indignação na escolha dos jovens, tão diferentes de outros tantos que não

chamam a atenção e que seguem os valores estéticos admitidos pela sociedade reguladora. Veja as declarações de Hayley Williams e Amy Lee:

Um monte de gente tentava reprimir, além de grupos específicos e até em casa. Mas se tudo começa de casa! E em casa você escutava que “ah, na rua você vai ser apontado, você vai sofrer demais”. Em seguida no colégio e depois a cada esquina, você escutava “lá vai o emo”. – Hayley Williams

É como se a sociedade tivesse impondo à galera ser do jeito que eles são. Não aceita, aí quer reprimir pra tudo voltar como era, mas não vai ser assim. Quanto mais reprimir, mais a tendência é crescer e gerar revolta. – Amy Lee

Os dois depoimentos acima podem ser tomadas dentro de um contexto de preconceito contra o grupo Emocore. Ambas citam o ato de reprimir como algo negativo. Na perspectiva de Hayley Williams, a reprodução dos discursos preconceituosos seguia a ordem casa-sociedade. Os membros familiares reprimiam predizendo o que seria ouvido das outras pessoas, fora de casa. E assim acontecia, quando na escola ou no espaço público o jovem também era reprimido e tachado de “emo”. Antes fosse assim nomeado de uma maneira positiva e construtiva, mas o que ocorria era o oposto: a expressão “emo” ganhou uma conotação pejorativa, que no universo juvenil se refere ao que é bizarro e homossexual, especialmente entre os garotos.

Nas palavras de Amy Lee, citadas acima, a orientação de “reprimir” se associa com a busca doo retorno estético dos adolescentes aos padrões sociais. Contudo, isso apenas aumenta a ira e a revolta. A parte grifada de sua resposta recebe uma atenção especial neste momento da discussão uma vez que o “é como se”, do início da frase, soa como uma maneira sutil de descrever a realidade, tanto em teoria como em prática.

Poderíamos – ainda sutilmente – reescrevê-la: “Parece que a sociedade está impondo à galera ser do jeito que eles são...”. Dizer “parece” ou “é como se” é tentar ser imparcial, quando, na verdade, a sociedade está impondo modelos estéticos e de identificação à juventude contemporânea. Talvez Amy Lee esteja ainda despertando para seus discursos de revolta à opressão; talvez estivesse querendo se afastar da responsabilidade e capacidade contestatória e “ser sutil”.

Outro ponto de discussão acerca do preconceito contra o Emocore, como já referido, encontra-se nas questões sobre a sexualidade do grupo, muitas vezes associado à homossexualidade. Grande parte das formas de cyberbullying encontradas durante pesquisa pela internet tinha a ver com o senso comum de que emos são homossexuais. Eram xingamentos, piadas e apelidos que geralmente se referiam às opções sexuais, especialmente dos garotos.

O que se pode afirmar sobre a questão é que esse pensamento foi sendo construído em face das demonstrações públicas de afetividade do grupo, que esboça sentimentos de carinho e afeição para como os seus pares, sem discriminação de sexo. Roberto Carlos diz que quando os jovens se encontravam no estabelecimento era sempre com muita alegria, ficavam felizes, abraçavam-se, beijavam-se e sorriam, dando as boas-vindas aos amigos. “É um pessoal muito amoroso”, completa Hayley Williams. Essa demonstração de carinho entre garotos tem sido interpretada como expressão de tendência homossexual, já que no modelo social padrão a afetividade é parte de um construto do universo feminino, cabendo ao homem expressar virilidade, força e racionalidade. Segundo Pais (2012, p. 58), “(...) a sexualidade contribui para reproduzir sistemas discriminatórios difíceis de contrariar”. Em um dos grupos de entrevista, exploramos essa questão:

Existe uma regra de que emo tem que ser homossexual? – Pesquisador Não. – Hayley Williams

Só que a maioria é. – Avril Lavigne

É que o povo acha mais que o emo é homossexual, porque ele se cuida. A questão do cabelo, a pele... – Mia/CW7

Fica se beijando, de mãos dadas. Aí, é isso. – Avril Lavigne

Eu andava de mãos dadas com umas amigas minhas. Até o ano passado, o povo dizia que eu era sapatão, só que eu não sou. – Mia/CW7

A gente quer mostrar para as pessoas o nosso carinho “entre si”. A gente é carinhoso. – Avril Lavigne

E era só atenção que o pessoal dava. – Hayley Williams Uma grande afetividade dentro do grupo... – Pesquisador

Isso. Meio que não existia sexo, sabe? Todo mundo era uma coisa só. Emo. Já dizia tudo o nome “emo”. – Hayley Williams

Sexo em que sentido, diferenciação...? – Pesquisador

Dentro de emo tinha tudo: tinha amor, tinha bissexualidade. Enfim, no geral. Não que você fosse só sentir atração por outra pessoa, mas sem aquele preconceito de dizer “ah, não posso nem encostar nela, senão vão me chamar de sapatão”. – Hayley Willliams

Como vê-se, a questão da sexualidade não ficou restrita apenas aos garotos, mas também se estendeu às garotas. Mia/CW7 comenta que, ao andar de mãos dadas com suas amigas e apelidá-las com gírias carinhosas, era considerada gay por outras pessoas fora do grupo. Embora isso acontecesse, para ela “o menino sempre vai ser agredido, a menina, não”. Apesar de assumir que era chamada de “sapatão” por ser afetiva e carinhosa com suas amigas, não traz relato de agressão sofrida: a demonstração de afeto entre meninas é aceitável, pois cabe à mulher a expressão do amor; entre homens, o pudor emocional é parte da construção indentitária da masculinidade, e a afetividade será inibida em sua expressão (Pais, 2012).

No outro grupo de entrevista, a temática surgiu espontaneamente logo nos primeiros minutos de conversa. Quando indagados sobre o que tinha sido o movimento emo para eles, responderam:

Eu acho que umas pessoas do cabelo grande e franja, que são meio afeminadas e sentimentais. – Gerard Way

Emo, para mim, nada mais é do que a galerinha que quer ser gay e não tem coragem. Todo mundo que eu conheço que é emo é porque é gay. Quando estourou o movimento emo é porque fulano era gay, aí não tinha coragem de dizer à mãe, aí: “sou emo”. – Amy Lee

Dentre as palavras de Gerard Way, surge a retórica do visual andrógino. Retorna-se, também, à caracterização principal do emo: cabelo e afetividade, além de uma referência sobre a sexualidade. Amy Lee é mais abrasiva, discute a relação emo versus homossexualidade. Ela coloca em cheque durante todo o diálogo que a configuração atual do Emocore tem a ver com “ser gay”. Inclusive, afirma que muitos deixaram de ser emos porque “tiveram coragem de ‘se assumir’”. Esta é uma das questões que permeia a convivência grupal, à qual Bispo (2009) recorre ao se referir aos emos “das antigas” e aos posers de emo. Segundo o autor, os jovens da configuração tradicional do Emocore não remetem às questões da homossexualidade e que esta seria uma tendência dos atuais emos, ou posers de emo. De fato, o que se sabe é que originalmente o movimento não se associou em nenhum momento com a questão da homossexualidade, muito embora sua expansão nos anos 2000, com a consequente reformulação do padrão estético e comportamental, associado aos novos padrões sociais de liberdade sexual, permitiu que assim também fosse vivida a afetividade.

Apesar de estarmos em uma sociedade bastante avançada em relação aos tabus que envolvem a opção sexual, muitas dificuldades ainda permeiam essa decisão. Seja

diante de amigos ou da família, assumir a homossexualidade ainda é tabu em nossa sociedade. Para alguns jovens, identificar-se como emo pode ter ajudado em sua afirmação sexual, utilizando o grupo como facilitador nesse momento transitório e de aceitação, a exemplo do que afirma Amy Lee, que quando não se tinha coragem de dizer aos pais que era gay, então dizia ser emo.

De acordo com os jovens entrevistados, o preconceito social sofrido pelo movimento Emocore foi um dos fatores de sua dispersão. O fato de atrair a atenção da sociedade levou a que o emo fosse também reprimido por outras subculturas e tribos juvenis da cidade, que eram muito intolerantes para com os membros do grupo. Gerard Way conta que em festas presenciou brigas entre emos e punks. Quando perguntado sobre o porquê do desentendimento, ele respondeu: “Eu não entendia, não! Eles se batiam, não sei por que”. Na compreensão de Hayley Williams, “O pessoal pensava que só porque a gente era emo não podia ser sociável, não podia viver com outra pessoa que fosse totalmente diferente”.

O normal e o estigmatizado não são pessoas, e sim perspectivas que são geradas em situações sociais durante os contatos mistos, em virtude de normas não cumpridas que provavelmente atuam sobre o encontro. Os atributos duradouros de um individuo em particular podem convertê- lo em alguém que é escalado para representar um determinado tipo de papel; ele pode ter de desempenhar o papel do estigmatizado em quase todas as suas situações sociais, tornando natural a referência a ele, (...) como uma pessoa estigmatizada cuja situação de vida o coloca em oposição aos normais. (Goffman, 2008, p. 149).

No auge do movimento Emocore alguns jovens punks, góticos ou metaleiros acusavam o emo de ter se apropriado de elementos de suas subculturas, como os pinos, os spikes, os rebites e o estilo dos cabelos. Daí a reação com estigmas, etiquetas, rótulos

e atos extremos de violência. Hayley Williams confessou já ter sido trancado no banheiro da escola por outros alunos, até que fosse retirado de lá por um funcionário. Disse também que era frequentemente xingado por ser emo e que casos de violência “era o que tinha mais pra relatar. Mas a gente não relatava, porque não tinha jeito”. Também disse saber de agressões a outros colegas emos, um dos quais foi morto em decorrência da intolerância de outros grupos. Nas palavras de Simple Plan, essa situação “começa já dentro de casa pra depois se agravar nas ruas. Aí, das ruas é que chega o ponto grave, que é onde vem o espancamento e até mesmo a morte”.

A maioria do pessoal era super inocente. E não era à toa que tava todo mundo saindo, assim, na capa do jornal como, sei lá, “emo foi morto”, porque acreditava que ao se aproximar do metaleiro ele não ia fazer mal pra você, mas na verdade ele tinha nojo de você. – Hayley Williams

As consequências desse estado de coisas foram tais que, como explica Hayley Williams, pouco a pouco “as pessoas de fora foram vencendo”. O menosprezo, o estigma, o preconceito e a violência levaram a que o movimento Emocore fosse se desfazendo, com seus integrantes se dissipando e adotando outras identificações juvenis. Segundo Goffman (2008, p. 18), “É uma questão do que é com frequência, embora vagamente, chamado de ‘aceitação’”. As pessoas e grupos estigmatizados tendem a tentar corrigir a sua condição através de ações que venham a redimi-los diante do meio social.

Todo aquele preconceito de quatro anos atrás resultou nisso. Hoje em dia, você mal vê emo. Você vê pessoa o quê? Você vê pessoas normais, entre aspas. Tanto que, no caso, até eu. Tem dia que eu digo: “Nossa... Como eu to normal, entre aspas”. – Hayley Williams

E por que, diante da violência e dos estigmas e preconceitos, ainda assim o jovem insiste em se identificar com o grupo? Amy Lee, Hayley Williams e Mia/CW7 afirmam que a identificação e coesão Emocore se dão por meio das amizades, a exemplo do que acontece com grande parte dos grupos juvenis. Os amigos influenciam a opção por um certo grupo, assumem papel fundamental no processo adolescente de ampliação do campo de socialização: “A maioria dos meus amigos eram emos. Aí, eu acabei indo na onda deles”, conta Mia/CW7.

Além de “ir na onda”, aparece também um desejo de pertencimento, de destaque e/ou de poder nas relações grupais. Segundo Pais (2004), entre jovens as experiências trocadas com seus amigos se assemelham com as condutas das tribos, de adoção de roupas, comportamentos, preferências. Essa ligação também fortalece muitos conceitos do indivíduo, de ideologias a padrões estéticos. Fazer parte do grupo, estabelecer laços fraternais, de confiança e cumplicidade entre os pares, é parte da formação social e individual dos adolescentes. A atuação na tribo possibilita visibilidade e distinção social. Os depoimentos de Hayley Williams e de Amy Lee dão mostras das relações afetivas e da identificação profundas entre os membros do seu grupo emo:

Eu dizia: ‘ah, nossa! Como ela é o máximo. Eu tenho que andar com ela e a gente tem que viver junto até morrer’. Meio sádico. Meio exagerado. Se eu precisar parar de respirar por você, eu faço – Hayley Williams

Quando você vê uma tribo dessas que chamam mais a atenção, você quer ser daquilo. Você quer, tipo, como se você quisesse ser o chefe daquilo. Daí, você vai tentar chamar a atenção, você vai querer ter o jeito deles, você vai querer ter o trejeito da galera. Você quer ser da galera! – Amy Lee

Quando os jovens foram perguntados sobre como ocorriam as identificações, os encontros e como vinham a se conhecer, apontaram a internet como principal ferramenta de diálogo, difusão da subcultura, veículo de divulgação do grupo. Hayley Williams apontou o Orkut56 como um dos grandes ‘pontos de encontro’ de emos em Natal. Através da rede social, os jovens entravam em contato com outros jovens da mesma subcultura, marcavam encontros e estabeleciam laços de amizade. Em contrapartida, da mesma maneira que as comunidades do Orkut serviam como espaço de socialização, inúmeras outras eram usadas com o objetivo de denegrir a imagem da subcultura Emocore e de seus membros57.

Era assim, era o máximo! Na época, o Orkut era tudo que existia de mais moderno para você se encontrar. Você entrava na comunidade, criava uma comunidade e ia quem se sentia atraído pela comunidade. Começava a conversar e se identificava, marcava ‘vamos sair e tal’. Chamava outras pessoas e acabava formando um grupo. Esse grupo formava outros. – Hayley Williams

Durante a conversa que tivemos com Roberto Carlos perguntamos se ele compreendia o sentido de andar em grupo, dos jovens emos. Ele não citou as questões de identificação grupal, mas fez uma interessante referência à sensação de proteção decorrente do estar em grupo. Segundo ele e baseado em sua experiência, os emos precisam estar em bandos por uma questão de segurança, já que são diferentes e, por isso, discriminados socialmente.

56 O Orkut é uma rede social que foi bem difundida e popularizada entre os jovens na primeira década do século XXI. Após a criação e expansão do Facebook, uma nova rede social que oferecia um serviço diferenciado, o Orkut deixou de ser utilizado por grande parte dos jovens, já que a nova ferramenta de socialização era a mais nova tendência. É interessante sinalizar que o Facebook ganhou notoriedade e a preferência do público após o lançamento do filme hollywoodiano The social network (A rede social, em português), que conta a história da criação da rede social em questão pelos jovens universitários Mark Zuckerberg, Eduardo Saverin, Dustin Moskovitz e Chris Hughes.

Não sei nem dizer o porquê de andar em grupo. Mas acredito que até pela segurança deles, porque hoje existe grupo de tudo, né? É grupo anti-nordestino, ou porque é evangélico ou porque é católico. Há uma segurança melhor na questão deles. É segurança deles mesmos andarem em grupo. – Roberto Carlos

Como apontado diversas vezes ao longo do estudo, o Emocore adota uma padronização estética e comportamental que expressa sua identidade. Contudo, como também ressaltado, sua identidade não é estática, se atualizando ao sabor das transformações que o mercado fonográfico impõe à música emo. Trata-se de uma identidade fluida, passível de mudanças definidas externamente ao grupo. Como chamou atenção Roberto Carlos, revelando conhecimento sobre o grupo, emos “são pessoas que têm uma cabeça hoje e outra amanhã”. São adolescentes que, nesse caso, se deixam cativar pela diferença chocante, pela afetividade, pelo sentimentalismo e pela música – que tem esses ingredientes. Ainda no seu depoimento, afirma Roberto Carlos que,

O emo, na verdade, são pessoas que, realmente, quando estão em grupo, a gente vê que são pessoas afetivas. Não tem violência no meio deles. A única questão que eles gostam mesmo, eu acredito que pra eles... Para gente pode ser chamar atenção, mas para eles é ser diferente do comum, do normal. Na cabeça da gente pode ser ‘ó, lá vai um palhaço ali querendo aparecer’, mas para eles não! É a forma de ele ver a vida dele e de querer hoje ser aquilo dali, mais na frente ter uma evolução, porque a gente nunca vai viver na mesma. Chega lá na frente, a gente vai querer mudar novamente, e acredito que assim seja com eles. Até porque eu nunca vi emo de 50 anos. A gente vê emos novos, estourando 25 anos. Ele pode ir para outra denominação, querer fazer outra coisa, mas não ser mais emo. – Roberto Carlos

Mia/CW7, por exemplo, foi emo por volta dos quatorze anos de idade, devido à