II. KURAMSAL ÇERÇEVE VE ĠLGĠLĠ ÇALIġMALAR
2.2. Yetkinlik Olarak YaĢam Boyu Öğrenme
2.2.4. YaĢam Boyu Öğrenme Süreci
O Quadro 9 abaixo sintetiza e localiza as principais explicações utilizadas nas aplicações do MSM3 no caso analisado neste capítulo:
Quadro 9 - Síntese das explicações mobilizadas no Capítulo 3
A primeira aplicação visa explicar a entrada do problema do atendimento habitacional e o Funaps como solução para isso na agenda decisional da administração Setúbal. Um caso de sucesso, onde há a ocorrência do mecanismo principal do MSM, o alinhamento dos fluxos na presença de um empreendedor. O Fluxo dos Problemas no t1, no início da administração, estava fechado, pois se considerava que o atendimento via Vila de Habitação Provisória, seguido da entrada num financiamento de um lote urbanizado da Cohab-SP, era a solução para o atendimento da população favelada removida. As informações advindas do monitoramento desse atendimento, ao longo da administração, mostraram que apenas essa solução não dava conta do problema, o que abriu o Fluxo dos Problemas. O efeito desse mecanismo de retroalimentação, foi potencializado por eventos do Fluxo da Política. A campanha da APASSP
e as denúncias de “exportação de favelados” em plena campanha eleitoral, que colocaram o
problema do atendimento habitacional dos favelados em evidência. O Fluxo da Política sempre esteve aberto durante a administração Setúbal, pois foi uma época politicamente muito conturbada, porém esses eventos, de certa forma acentuaram essa abertura no que se referia ao problema do atendimento habitacional dos favelados. Enquanto no início da gestão o clima político favorece mudanças em geral, no final ele favorece mudanças especialmente no que se refere à questão das favelas.
A reforma administrativa, que transformou Sebes em Cobes, é muito importante na explicação da entrada do Funaps na agenda decisória da administração. Por um lado, ela criou o ambiente propício à difusão das soluções há tanto utilizadas, mas, antes, por um órgão central, e agora, graças à reforma, por cada uma das Surss. Por outro lado, ela instalou na chefia do Setor indivíduos com amplo trânsito com Setúbal. Atores centrais na administração, diferentemente
explicação condicionante situação dos
condicionantes no t1 mecanismos auxiliares
situação dos condicionantes no t2 ocorrencia do mecanismo principal Fluxo dos Problemas fechado retroalimentação aberto
Fluxo das Soluções fechado consenso emergente aberto Fluxo da Política difusamente aberto campanhas de grupos de interesse aberto Empreendedor presença fraca reforma administrativa presente Fluxo dos Problemas aberto aberto
Fluxo das Soluções aberto aberto
Fluxo da Política aberto mudança na balança dos interesses organizados fechado
Empreendedor presente presente
Fluxo dos Problemas aberto aberto Fluxo das Soluções fechado incorporação de interesses do movimento de favelados aberto Fluxo da Política fechado derrota dos vereadores do MDB na direção nacional aberto
Empreendedor presente presente
Situação dos Condicionantes, mecanismos auxiliares e ocorrência do mecanismo principal nas aplicações do MSM ao Caso da Introdução do Funaps entrada da proposta original na agenda decisional da administração sim não entrada do PL 31/79 na agenda decisional da CMSP não entrada do Substitutivo na agenda decisional da CMSP sim
de Leopoldina. A familiaridade desses atores com as soluções propostas no Projeto de Lei 31/79 foi engendrada pelo ambiente resultante da reforma. Assim sendo, essa reforma instaurou o ambiente que explica o consenso emergente que surgiu, sobretudo, entre os decisores da administração quanto às soluções propostas.
A reforma também é importante para a explicação de uma presença clara de empreendedores no t2. As evidências dão a impressão de que havia, mesmo no início da administração (t1), indivíduos, do aparelho estatal, interessados em investir seus recursos na promoção de uma solução para aquele problema baseado em diferentes formas de atendimento. A experiência pregressa do Setor, apontada por Rosseto, indica essa direção. Assim como o amplo consenso quanto ao uso dos recursos a fundo perdido. Entretanto, não foram encontradas evidências claras dessa presença. Diferentemente do t2, onde a presença de Luís Felipe Baptista e Celso Hahne no Codeso é uma clara evidência da presença de empreendedores.
A segunda aplicação do MSM visa explicar a não-entrada, ou melhor a saída, da proposta de Setúbal (Projeto de Lei 31/79) da agenda decisória da Câmara Municipal de São Paulo. Logo, um caso de fracasso. Como se pode ver no Quadro, consideramos que no t1, desta aplicação, o Fluxo da Política estava aberto. Isso porque, quando o PL 31/79 deu entrada, no dia 23 de Fevereiro, o clima ainda não estava tão conflitivo quanto ficou já em meados de Março. Note- se como o andamento do PL 31/79 foi rápido nas Comissões. Foi depois da radicalização interessada da bancada vereadores do MDB e da aliança deles com o movimento de favelados, na Campanha pela Emenda Benevides, que o PL 31/79 parou e foi substituído. A nosso ver isso se deve a uma mudança na percepção dessa bancada quanto à balança dos interesses organizados.
A realização do protesto em frente ao Gabinete do prefeito mostrou e deu força ao movimento dos favelados. Seu apoio à Campanha pela Emenda levou a que seus interesses passassem a ser contabilizados quando do cálculo da balança de interesses organizados por parte daquela bancada. O que levou à inviabilização política da proposta de Setúbal em sua forma original. A nosso ver, essa mudança no Fluxo da Política é suficiente para explicar a não entrada do Projeto de Lei 31/79 na agenda decisional da Câmara. Note-se como todas as demais condições estavam presentes em t2. Havia um empreendedor, Setúbal, disposto e com recursos. A questão do atendimento habitacional dos favelados era vista como problema. Havia uma proposta na Mesa, ou, melhor, na Lista, que era considerada adequada pelos especialistas. O problema foi
que os vereadores do MDB não a queriam aprovar porque ela afetava negativamente os interesses de um grupo aliado seu.
Por fim, a terceira e última aplicação do Modelo nesse caso visava explicar a entrada do Substitutivo na agenda decisória da Câmara Municipal. O cerne da explicação aí, como vimos, está na reabertura do Fluxo da Política e no surgimento de uma proposta, vista como adequada pelos especialistas e politicamente viável pela bancada do MDB. Uma mutação por combinação gerou a proposta que atendeu a essas condições. Alterou-se alguns pontos e introduziu-se outros, tudo a partir de preocupações e propostas de certos atores. As mudanças não implicavam alterações de custo ou organizacionais. Houve, certamente, mudanças quanto aos aspectos valorativos da proposta, aquela atenuada no caráter desfavelizador que comentamos, contudo, nada que afetasse a aceitabilidade valorativa da proposta. Isso, muito dada a abertura e certa ambiguidade do texto, que apontamos ao início do capítulo. Foram mudanças que não implicaram na saída da proposta da agenda para ser reavaliada pelos especialistas, mas que incorporaram interesses do movimento dos favelados, desacentuando o efeito negativo que a proposta original (Projeto de Lei 31/79) tinha sobre seus interesses. Desta forma, enquanto, na percepção dos vereadores do MDB, a balança de interesses organizados pendia contra o PL
31/79, ela, pelo menos, não pendia contra o Substitutivo, afinal, era apenas um “paliativo”. Tal
como o próprio prefeito, às vezes nas entrelinhas, assumia.
Entretanto, mesmo resolvido o problema da oposição do movimento de favelados à proposta, ela poderia não ter prosperado caso o clima geral na Câmara não tivesse mudado. Este, como vimos, estava diretamente relacionado à possibilidade de Euripedes Sales se tornar prefeito devido a uma possível derrubada da indicação de Reynaldo de Barros na Assembleia Estadual. Entretanto, como vimos, isso só interessava a Euripedes e seus aliados diretos, muitos dos quais vereadores. Com a paulatina inviabilização disso, orquestrada pelos outros atores, e cuja derrota na direção nacional foi o principal evento, o clima na Câmara foi voltando ao habitual. O que reabriu, no geral, o Fluxo da Política, e especialmente para propostas, como a do Substitutivo, apoiadas tanto por arenistas quanto emedebistas.
Apontada a localização dos mecanismos utilizados nas explicações propostas, passemos ao detalhamento da dimensionalidade desses mecanismos. Abaixo, temos um quadro sintético:
Quadro 10 - Dimensionalidade dos mecanismos auxiliares mobilizados no caso do Capítulo 3
Como se pode ver, o Quadro 10 acima aponta o nome de cada mecanismo auxiliar mobilizado, o condicionante para qual esse mecanismo foi mobilizado para explicar uma mudança de situação, a dimensão em que o mecanismo se engendra e a dimensão em que o mecanismo tem seu efeito mobilizado com fins explicativos. O mecanismo de retroalimentação que mobilizamos tem origem ambiental e efeito cognitivo. Ou seja, são informações que mudam a percepção de algo porque indicam mudanças no mundo, no ambiente.
O mecanismo consenso emergente que utilizamos difere do que Kingdon usa, e também da nossa releitura do dele. Lá ele tinha base relacional e efeito ambiental, qual seja, as características das redes de comunidades de especialistas causam um efeito exponencial na velocidade de difusão de uma proposta considerada adequada, gerando um consenso emergente que a leva à Lista. Aqui consideramos que características ambientais levaram ao consenso emergente, o qual levou a proposta considerada adequada à Lista. Características estas constituídas pela reforma administrativa que transformou a Sebes em Cobes.
O mecanismo Campanhas de grupos de interesse é de base ambiental com efeito cognitivo porque utilizamos essas campanhas para explicar uma maior atenção dos decisores quanto à questão do atendimento habitacional dos favelados removidos. Lembremos que este efeito desse mecanismo estava profundamente relacionado a sua ocorrência num período eleitoral. Foram acontecimentos do mundo, do ambiente, que mudaram a atenção dos decisores com relação a um determinado problema. Veja-se, eles não explicam porque os decisores viam a questão como problema, eles explicam uma maior atenção, uma maior evidência, de um problema. Por isso o mecanismo está no Fluxo da Política e não no dos Problemas.
O mecanismo reforma administrativa foi utilizado para explicar o surgimento de determinados empreendedores da solução apresentada no Projeto de Lei 31/79. A reforma explica isso porque ela mudou a relação de determinados atores, Luis Felipe Baptista e Celso Hahne, com determinadas formas de atendimento. É porque eles conheciam e usavam amplamente essas
mecanismo condicionante dimensão de origem dimensão de efeito retroalimentação Fluxo dos Problemas ambiental cognitiva consenso emergente - ambiental Fluxo das Soluções ambiental ambiental campanhas de grupos de interesse Fluxo da Política ambiental cognitivo reforma administrativa Empreendedor ambiental relacional mudança na balança dos interesses organizados Fluxo da Política cognitiva cognitiva incorporação de interesses do movimento de favelados Fluxo das Soluções ambiental cognitiva derrota dos vereadores do MDB na direção nacional Fluxo da Política ambiental relacional
formas, que eles dispuseram-se a empreender seus recursos na institucionalização delas. A base do mecanismo é ambiental, mas o efeito importante para a explicação é relacional. Referente à relação de determinados atores com determinadas formas de atendimento há muito utilizadas. O mecanismo mudança na balança de interesses organizados é totalmente cognitivo porque ele é uma alteração numa percepção que leva a uma alteração de uma outra percepção. Não importava se a balança real dos interesses organizados havia mudado ou não no dia 7 de Março de 1979, o importante para a explicação é que na percepção da bancada emedebista ela havia mudado. No caso, devido à inclusão do movimento de favelados nela. E ela mudando, mudou o resultado do cálculo. Resultado este que também é uma percepção.
O mecanismo que denominamos de incorporação de interesses do movimento de favelados foi utilizado para explicar o surgimento da proposta do Substitutivo. Nos termos do Fluxo das Soluções, o problema da proposta corporificada no Projeto de Lei 31/79 foi um erro quanto à expectativa de receptibilidade por parte dos decisores eleitos (RD). As alterações feitas nessa proposta, que assim geraram o Substitutivo, são, no seu principal, a incorporação dos interesses do movimento de favelados à proposta original. Isso deu receptividade por parte dos decisores eleitos à proposta, sem alterar as demais condições (AV, CT, ET, AP). Essa incorporação dos interesses do movimento é uma característica do Substitutivo que altera a expectativa que se tem com relação à receptividade dos decisores eleitos a ela. Decisores estes que têm poder de veto, diferentemente do movimento de favelados.
O último mecanismo mobilizado foi o derrota dos vereadores do MDB na direção nacional. Nele propusemos que o que explica a reabertura do Fluxo da Política é essa derrota, uma vez que ela colocou os vereadores do MDB numa situação difícil, pois eles não poderiam manter a oposição ferrenha na Câmara. Ou seja, essa derrota mudou a relação dos vereadores com a Administração, trazendo-a, de volta, para o clima de entendimento que havia perdurado durante quase toda a gestão de Setúbal. Ela realizou essa mudança porque mudou as características do ambiente político. Antes havia um determinado curso de ação que era possível, polêmico, mas algo ainda aberto. Dada a derrota, com a decisão da direção nacional de que seria mantida a decisão da direção regional, de que o MDB só queria a PMSP se fosse por via eleitoral direta, aquele curso antes possível se inviabilizou. Essa mudança do ambiente político da bancada dos vereadores do MDB levou-os de volta à relação “normal” com a Administração.