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II. KURAMSAL ÇERÇEVE VE ĠLGĠLĠ ÇALIġMALAR

2.2. Yetkinlik Olarak YaĢam Boyu Öğrenme

2.2.2. YaĢam Boyu Öğrenme Becerileri/Yeterlikleri

Neste mesmo dia, 7 de Março, pela tarde, Viotti foi à Câmara Municipal reunir-se com uma comissão do MDB que fora montada para propor um Substitutivo ao Projeto de Lei 31/79. A comissão era composta pelos vereadores Almir Guimarães, Altino Lima e Benedito Cintra. Nessa reunião, Viotti, além de descrever as condições de vida dos favelados, disse que os favelados gostariam de participar do Conselho Deliberativo do Fundo, proposto no Artigo 4º,

258 Notas Taquigráficas do Plenário da Câmara Municipal de São Paulo 239º Sessão Ordinária, 7 de Março de

1979, Caixa 307. Disponível no Arquivo Histórico de São Paulo da PMSP no Acervo Permanente no Fundo Câmara Municipal de São Paulo.

“para ajudar no controle da distribuição de verbas”259. Conforme pode-se ver no Quadro 5 -

Diferenças entre o Projeto de Lei 31/79 e a Lei 8906 de 1979, na página 112, esta foi uma das

alterações introduzidas. Por fim, ficou acertado que a Comissão realizaria reuniões com

organizações dos favelados “para colher sugestões que irão orientar as modificações a serem feitas no projeto original”260. Nos termos de Kingdon, podemos dizer que os membros dessa

Comissão, principalmente Benedito Cintra, foram empreendedores do Substitutivo, e, portanto, da Lei 8906/79. Isso porque essas reuniões, na perspectiva de Kingdon, são o soften up da proposta consubstanciada no Substitutivo.

Quatro dias depois, em 13 de Março, o movimento estava junto com os vereadores do MDB no protesto a favor da Emenda Benevides. Essa parceria do movimento com o MDB, sem dúvida posicionou o movimento dentro do conjuntos de interesses organizados considerados pelos membros do partido, principalmente os paulistanos, quando do cálculo da balança de forças políticas. No mesmo dia desse protesto, Antonio Rezk (MDB), então deputado estadual, deu início à curta campanha contra Setúbal, ao dizer publicamente que Eurípedes Sales, presidente da CMSP, deveria, no dia 15, entrar com um mandato de segurança e assumir o cargo de prefeito. Pouco depois, no início de Abril, quando essas pretensões da bancada de vereadores já estavam enterradas, o prazo para votação do Funaps estava praticamente esgotado. O que levou o prefeito a prorrogá-lo, para que a Câmara pudesse votar. A essa altura, além dos favelados do Butantã, a Comissão já havia se reunido com grupos de Ermelino Matarazzo, Vila Prudente, Itaquera, Guaianases, Freguesia do Ó e Americanópolis.

Nesse momento, Benedito Cintra já via algum mérito na proposta de Setúbal, sobretudo, porque a via como um paliativo. Segundo ele, se algumas alterações fossem feitas, de modo a que a proposta atendesse mais pessoas, ela poderia ser aprovada. O vereador, então, sugeriu as alterações necessárias ao projeto: a elevação do teto da renda familiar em função do número de membros da família (mudança 2, Quadro 5, página 112), a retirada do “prioritariamente” (mudança 1); a especificação de que as operações com recursos do Fundo realizadas pela Secretaria das Finanças deviam visar a valorização do próprio Fundo (mudança 4); que os lotes adquiridos com recursos dele deveriam se localizar próximos à área de origem das famílias atendidas (mudança 5); a eliminação da possibilidade de pagamento de mão-de-obra (mudança 6); a possibilidade de se fazerem melhorias nas próprias unidades de origem (mudança 7); a

259 FSP. Funaps não resolverá problemas. 8 de março de 1979. Local, p. 21 260 FSP. Funaps não resolverá problemas. 8 de março de 1979. Local, p. 21

inclusão de representantes dos favelados no Conselho Deliberativo (mudanças 8 e 9); e a necessidade desse Conselho manter a Câmara informada (mudança 10). Dessas alterações, ele disse, especificamente, que as mudanças 5, 7, 8 e 9 eram reivindicações das organizações dos favelados que o MDB resolvera atender261.

Ou seja, se o movimento de favelados, para Setúbal, era um grupo de interesse que se podia desconsiderar, para os vereadores do MDB ele não era. Ainda mais naquele momento em que esse movimento ganhara visibilidade e estava apoiando o partido na sua principal ação do momento, a Campanha pela Emenda Benevides. Nesse contexto, a oposição do movimento de favelados à proposta de Setúbal fazia com que a balança de forças organizadas, percebida pelos vereadores do MDB, pendesse contra a proposta de Setúbal. Isso levou ao descarte dela e à introdução do Substitutivo.

Evidentemente a introdução desse substitutivo não era o descarte por completo da proposta de Setúbal. Contudo, não podemos dizer que o Substitutivo é a proposta de Setúbal, pois as mudanças são significativas. Mesmo não sendo exatamente a sua proposta, as mudanças introduzidas no PL para a criação do Substitutivo não impediam que o Fundo fosse utilizado no sentido original concebido pela Administração, o do desfavelamento. Apenas permitiam que ele também fosse utilizado em outro sentido, não previsto pela Administração, mas previsto na Lei, qual seja, na consolidação de uma favela através de melhorias nas unidades habitacionais originais.

É por ver o Substitutivo como uma nova versão de sua proposta que Setúbal, em 3 de Abril, prorroga o prazo para a apreciação do projeto na Câmara. Caso a direção nacional do MDB, na prática, não se posicionasse a favor da permanência de Setúbal, dificilmente adiantaria o prefeito prorrogar o prazo de apreciação do Projeto de Lei 31/79. Pois a oposição do MDB da Câmara continuaria. Ele o fez, porque sabia que a derrota dos vereadores na direção nacional inviabilizava completamente uma oposição radicalizada do partido na Câmara. Por outro lado, caso Setúbal se recusasse a aceitar as mudanças propostas, ele estaria criando uma situação favorável aos emedebistas que o quisessem atacar, pois eles o teriam que fazer. Não em nome de seus próprios interesses, tal como acusava veladamente as direções nacional e regional, mas em nome dos interesses dos favelados.

Ao aceitar as mudanças introduzidas pelo MDB, fato que se pode inferir da unanimidade na aprovação do Substitutivo num dia de Casa cheia, a administração Setúbal estava desarmando vereadores do MDB interessados em arranjar uma justificativa para um confronto. Maluf atuou à época no mesmo sentido, esfriar o clima, não dar motivos aos emedebistas interessados no confronto. Ele, que vinha prometendo enviar a indicação de Reynaldo de Barros no início de Abril à Assembleia, mudou de ideia, e no início de Abril passou a dizer que não tinha pressa em oficializar a indicação de Reynaldo. Inventou um governo itinerante, passando a denominar

as cidades do interior que o recebiam de “Capital Honorária”. Chegou, inclusive, a aventar a

mudança da Capital do estado de São Paulo para o centro geográfico dele.

Assim sendo, podemos dizer que Setúbal também foi um empreendedor da Lei 8906/79, pois ele utilizou os recursos de que dispunha para promover essa solução. Essa solução, como vimos, não atendia plenamente aos interesses do movimento de favelados, porém não era uma total desconsideração destes, tal como no PL original. Ao mesmo tempo, eram mudanças que não acarretavam mudanças organizacionais ou financeiras, logo sua inclusão não engendrava a necessidade de uma reavaliação profunda da nova proposta pelo Executivo, o que a retiraria da agenda.