II. KURAMSAL ÇERÇEVE VE ĠLGĠLĠ ÇALIġMALAR
2.3. Yükseköğretimde YaĢam Boyu Öğrenmenin Yeri
2.3.2. Öğretmen YetiĢtirme Programları ve YaĢam Boyu Öğrenme
O professor Stefano Rolando defende a existência de três estágios evolutivos da comunicação pública. No primeiro, que ele chama de
comunicação anagráfica, “a administração pública adquire o direito à palavra
(...)”. Segundo seus argumentos “é uma fase em que agem – de forma não- homogênea – estruturas experimentais, legitimadas por vértices políticos que instituem a necessidade de mudança” (ROLANDO, 2011, p. 24). O segundo é o da comunicação de serviços, no qual “a administração pública organiza a palavra partindo da cultura da demanda de seus complexos usuários” (ROLANDO, 2011, p. 24); enquanto o terceiro estágio é definido da seguinte forma:
Um terceiro estágio é o da comunicação para a identidade
competitiva e solidária, cujo escopo é acompanhar a sociedade
para enfrentar necessidades evolutivas. Administração pública e empresa descobrem que entre elas não existe um fosso, mas um território no qual ambas têm direito à cidadania. É o
território da utilidade pública, aquele que contém alguns traços
da contemporaneidade, o que muda a noção de “público”, adjetivo de todos, em certas condições. Nessa fase, a lista das responsabilidades envolve mais vértices políticos e administrativos, mas oferece a entrada, no campo da
responsabilidade social, a muitos outros sujeitos, assegurando,
em contrapartida, uma parcela de codecisão (ROLANDO, 2011, p. 25).
Para Rolando, ao longo da história a comunicação pública foi associada a ações negativas: “propaganda, manipulação, excitação das massas, acompanhamento das guerras e da destruição do inimigo, criação de leis injustas, discriminação social e ética, poder pessoal, humilhação da democracia” (ROLANDO, 2011, p. 25). Hoje, no entanto, a comunicação pública não seria usada unicamente como um instrumento do poder. É um espaço “em que muitos sujeitos (mesmo se confrontando) buscam interesses legítimos e usam a informação e a comunicação não tanto para vender algo, mas para apresentar sua identidade, sua visão e seus objetivos” (ROLANDO, 2011, p. 26).
No entendimento de Matos, em países como o Brasil as noções de comunicação pública têm passado por transformações representativas. Tais transformações seriam consequências da própria retomada da democracia.
Antes sustentada pelos conceitos de propaganda política, comunicação governamental, comunicação institucional, marketing político e eleitoral (que marcaram o período da ditadura militar (...) de 1964-1985 e da consolidação democrática), a comunicação pública passou a desvincular-se do papel exclusivo de comunicação entre governo e cidadão, repercutindo as transformações políticas, sociais e econômicas no Brasil nas três últimas décadas (MATOS, 2011, p. 40). Isto quer dizer que a comunicação pública não pode ficar restrita àquilo (mensagens) que os governos direcionam aos cidadãos. De maneira coerente, a pesquisadora defende que ela (a comunicação pública)
deve ser pensada como um processo político de interação no qual prevalecem a expressão, a interpretação e o diálogo. É preciso salientar que o entendimento da comunicação pública como dinâmica voltada para as trocas comunicativas entre instituições e a sociedade é relativamente recente (MATOS, 2011, p. 45).
Por sua vez, Haswani acredita ser a comunicação pública,
indispensável à sobrevivência da sociedade, é capaz de cobrir um universo quase ilimitado, a partir dos seus espaços de origem. Essa sobrevivência alcança equilíbrio a partir das bases legais que, disciplinando os diferentes setores, caminha na direção da garantia de direitos – a única ideia-força capaz de manter os elos em 360 graus” (HASWANI, 2011, p. 94). Com o pensamento muito próximo ao de Haswani, Bueno enfatiza:
a comunicação pública ou de interesse público não pode ser transgênica, mas plural, social e culturalmente diversa; não pode ser cínica como as mensagens de recall e nociva como as propagandas de fast-food, mas transparentes e comprometidas com a credibilidade nas relações de consumo e com a qualidade de vida dos cidadãos (BUENO, 2009, p. 150). Em concordância com Matos, é possível dizer que, quando ocorrem prestações de contas por parte dos governos, os cidadãos podem, sim, ser motivados a emitir suas opiniões e marcar posicionamentos acerca dos problemas da coletividade. Todavia, ainda não é possível, apesar de todo o alargamento da Comunicação Pública, afirmar que as ações comunicacionais dos governos sejam capazes de levar esses mesmos cidadãos ao engajamento cívico. A razão? Os sujeitos sociais não podem encarados como meros destinatários das ações do governo. Devem, na verdade, passar a ser encarados
como parceiros moralmente capazes de formular, expressar e defender seus pontos de vista em processos deliberativos e decisórios. Mudar o status dos cidadãos envolve mais do que estratégias de convencimento, publicização de feitos e regulação social. Assim, é preciso investir no diálogo e na busca coletiva pelo entendimento, visando à solução de questões de interesse público (MATOS, 2010, p. 108). Argumento que a comunicação pública deve ser pensada como um processo político de interação, no qual prevalecem a expressão, a interpretação e o diálogo construídos em uma esfera pública inclusiva e participativa. É preciso salientar que o entendimento da comunicação pública como dinâmica voltada para as trocas comunicativas entre instituições e a sociedade é relativamente recente. Por isso, a ideia norteadora do conceito de “comunicação pública” visa incluir os atores sociais emergentes na esfera pública (...) (MATOS, 2010, p. 108 e 110).
As atuais tecnologias de informação e comunicação, diz Matos (2010), vêm provocando importante discussão a respeito, por exemplo, dos avanços e conquistas que a internet pode ou não conferir à democracia e à participação cidadã. Isto porque, argumenta a autora, os espaços de debate disponíveis em
sites, sejam ou não institucionais, nem sempre são capazes de promover e dar
vasão às manifestações críticas tecidas pelas sociedades. Em grande parte, os sujeitos acessam esses endereços não visando a participação e o engajamento cívico, mas com o intuito de descobrirem “como fazer para pagar impostos, exercer direitos ou obter informações sobre serviços públicos (MATOS, 2010, p. 114).
Entretanto, é preciso considerar que o potencial democrático contido no uso da internet pelas municipalidades não se concentra nos dispositivos: a internet não é, em si mesma, geradora de democracia, mas depende de uma série de fatores ligados aos usos e conteúdos propostos pelas interfaces virtuais. Nesse sentido, o potencial democrático oferecido pela internet não pode ser medido pelo acesso à informação ou ao voto. Este último é o resultado da expressão da vontade política e requer a realização e a compreensão de um longo processo de debate público. Os fatores de acesso às comunidades discursivas, a velocidade de circulação, a interação, a proximidade entre cidadãos e decisores, não são suficientes para afirmar que a internet permite a criação de espaços verdadeiramente democráticos (MATOS, 2010, p. 116).
Em certa comunhão com Matos, Gomes (2011: 39) chama atenção para o fato de que estudos recentes confirmam que, se vistos de maneira genérica,
os sujeitos que acessam a internet nem sempre estão interessados em participar da vida política. “Mais que isso: confirmam ainda que nem sequer estão particularmente interessados em política, em bases normais”, porém, contraditoriamente, “há sólida documentação de que esses usuários podem participar da política de modo extremamente relevante em algumas situações específicas (...)” (GOMES, 2011, p. 39). Por isso, salienta
que iniciativas e recursos digitais voltados para assegurar os requisitos para uma vida democrática relevante, como liberdade e informação (controle cognitivo da política e do Estado), são tão importantes quanto iniciativas destinadas a promover formas de participação política (GOMES, 2011, p. 41).