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1.4. ÖRGÜTSEL BAĞLILIĞIN SONUÇLARI

1.4.3. Yüksek Örgütsel Bağlılık

-,

A gestão de Luiz Paulo Conde na Secretaria de Urbanismo, entre t993 e 1996, conferiu mais peso político ao cargo, não?

Sem sombra de dúvida ! O Conde retomou a polêmica sobre a cidade, questionando os caminhos que lhe haviam imposto Achei isso interessante. O Conde teve a coragem de denunciar a burocratização no trato da questão urbana no Rio, teve

a coragem de trazer à discussão os temas que eu estava percebendo de diversas formas

e que nunca tive oportunidade de explicitar de forma mais ampla. Ele começou a apontar todas as incoerências do planejamento utópico da cidade, a gestão urbana desordenada, o processo louco de crescimento, e da forma mais feia do mundo. Isso não estava levando a nada. O Plano Diretor e a Lei Orgânica do Municlpio engessaram a cidade na pate dos instrumentos urbanos, embora sejam reconhecidos como inovadores e propositivos na parte de habitação e meio ambiente.

A senhora paticipou das discussões sobre o Plano Diretor?

Não, eu estava no Ibam e também não comungava com o pensamento urba­ nístico daqueles que onduziam a elabrão do Plano. Nessa época, trabalhei muito com

o sul do Brasil, porque os financiamentos para o meio ambiente vinham muito para o sul. Por isso, tive oportunidade de acompanhar um pouco as discussões sobre a elaboração do Plano Diretor de Porto Alegre, aquele sim, considerado inovador, e há muito tempo: trabalha com as vertentes do planejamento, da prevenção e com instrumentos de

• Administrando o quotidiano: O dia-a-dia do urbanista

operação urbana, transferência de potencial construtivo, operação interligada Vi esta conduta em Porto Alegre, feita de forma clara e eficiente.

o engessamento do Rio de Janeiro pode ser uma conseqüência da ocu­

pação desenfreada de outras épocas?

Realmente, há um trauma muito grande, em virtude da intensidade das edifi­ cações, principalmente na Zona Sul e na Barra da Tijuca; foi muito predatória a ocupa­ ção. Uma cidade com uma fragilidade tão grande no quadro ambiental e urbano, mais a fragilidade da história que se desenrolou aqui nesse territÓriO O Rio de Janeiro foi

muito violentado, devastado, a despeito de continuar lindo. O Rio de Janeiro continua lindo Mas quando se olha para a orla ocupada da Lagoa, por exemplo, e se vê um prédio que sai totalmente do skyine, ali na curva do Cantagalo, e interfere no desenho da paisagem, sentimos os efeitos de uma ocupação não tão harmônica quanto a e�ube­

rância da beleza canoca exigia

Outro exemplo é a ocupação da Barra da Tijuca, para a qual foi feito um plano, que é seguido. Aqueles prédios altíssimos já estavam previstos no Plano Lúcio Costa e eram projetos do Niemeyer, Eles já estavam lá. Não fOI igual a Brasília, em que o Juscelino Kubitschek chegou, desapropriou tudo, comprou a gleba e tornou tudo espaço público. A Barra da Tijuca estava lá, cheia de terrenos privados; o Plano propôs algumas ocupa­ ções e estabeleceu parâmetros para edificação onde não havia nada já fixado. O Plano é seguido e reflete nas construções um partido urbanístico adotado. A Secretaria de Urba­ nismo deveria enfrentar um ajuste nas suas definições, mas a verdade é que os prefeitos temem mexer com o Plano da Barra, talvez por receio do que possa vir da Câmara dos Vereadores Até o Conde, que se mostrou um administrador ousado, explicitando suas divergências quanto ao estado do urbanismo no Rio, teria dificuldade de enfrentar uma revisão do Plano Lúcio Costa.

Por que Luiz Paulo Conde adotou a idéia da gestão. se é homem de pojeto? Porque já havia feito esta avaliação sobre as limitações da Secretaria de Urba­ nismo, como arquiteto que licenciava projetos e como Cidadão do Rio. Ele também via as falhas do licenciamento de edificações, e pediu para que o ajustasse à modernidade. Sempre considerou equivocado o pensamento estreito em que se transformou a linha dos que passaram a atuar em planejamento urbano, e com toda a razão. A ação sempre ficava secundarizada pelo processo de longas discussões. Enquanto isso, as cidades se­ guem seu rumo espontâneo

Quando me convidou para ser secretária, declarou que precisava melhorar a Secretaria, ter uma outra forma de pensar a cidade. Só que ele tinha a idéia de trans­ formar a Secretaria num instituto igual ao Ippuc de Curitiba, colocando lá dentro todas as funções de urbanismo, mas acontece que nem o Ippuc é assim. Depois, as funções de linha têm que ser mantidas no primeiro escalão; quem aprova, quem tem o poder de polícia administrativa é a secretaria, que é um órgão do primeiro escalão.

Quais foram as principais diretrizes de Luiz Paulo Conde na Secretaria de Urbanismo?

o Ippu.. Instuto de qua e Planejamento Urbano de Curitiba, foi cnado em 1966, após a aprova�o do

Pllno Preliminar Urbanfstico de Curitiba,

ellborado para substituir o Plano

Agache. e 1 942 Transformado em

umJ

autarquia. o Ippuc pasou a ter como objetivo acompanhar o prcesso de crescimento da Cidade de um modo planejado Ver dados sobre o Ippuc no website httpJlwww.ippuc pr.gov.br

HéJia Nacif Xavier .

Primeiro, juntou a ação no IplanRio com a SMU. Lançou o Rio Cidade, o Favela­

Bairro, programas de impacto. São intervenções urbanas cujo grande mérito foi o de tra­ zer o projeto ao debate, além das melhorias fisicas e sociais de que o Rio de Janeiro neces­ sitava. Anteriormente, as coisas se passavam assim: um prefeito fazia o Rio Orla; o outro vinha e realizava obras no Complexo do Alemão; um terceiro construía a Linha Amarela. O exemplo da Linha Amarela é interessante - vou avançar um pouco para a gestão do Conde como prefeito. O César Maia construiu a Linha, e o Conde garantiu os acessos aos bairros atravessados por ela. Essa é a visão de um urbanista: não basta uma via passar apenas cortando um bairro; é importante construir acessos, para beneficiar aquele lugar também, não é mesmo? Os acessos abertos permitiram o crescimento do Grande Méier, de uma forma fantástica, maravilhosa. A CIdade tem que melhorar, ela toda; não é só a zona sul que tem que morar bem, todo mundo tem que ter esse direito. Enfim, o Conde trouxe a polêmica como ação, explicou que o planejamento e a gestão não estavam enfrentando a realidade, e o Rio estava num impasse O novo para­ digma passou a ser maior flexibilidade na gestão urbana e ação com resultados na me­ lhoria dos espaços, requalificando-os, devolvendo a rua, o espaço público ao cidadão.

Espero ter contribuído para democratizar a gestão