1.4. ÖRGÜTSEL BAĞLILIĞIN SONUÇLARI
2.1.2. Üretkenlik Karşıtı Davranış Kavramının Boyutları ve Sınıflandırmaları
A senhora foi nomeada secretária de Urbanismo do prefeito Luiz Paulo Conde com a missão de reformular e modernizar a Secretaria. Quais foram suas principais iniciativas nessa direção?
Logo de início, chamei a Fundação Getúlio Vargas e a Secretaria de Desen volvimento Institucional da prefeitura para ajudar na reestruturação da SMU. Traba lhamos paulatinamente a descentralização da gestão urbana, reforçando as unidades locais e colocando juntas as equipes de controle urbanístico com as de planejamento. Cnamos Escritórios de Urbanismo por área de planejamento, aos quais estavam inter ligados outros departamentos do licenciamento urbano de edificações. Todas as uni dades foram ligadas em rede computadorizada, com sistemas integrados aos cadastros
centrais; a informática democratiza o acesso à informação, além de torná-Ia clara. Lançamos um Cd-Rom com o zoneamento urbano - até então a prefeitura não tinha publicação oficial de sua legislação urbana; iniciamos a informatização dos PAs e PALs e do sistema de licenciamento, pois alguns documentos manuseados diariamente têm até cem anos de idade Colocamos em meio magnético dados sobre o licenciamento - segundo um plano de gestão da informação; sobre as análises e aprovações de projetos; abrimos o site da Secretaria na Internet, explicando sua função, seus serviços e apresentando a questão urbana no Rio, desde sua evolução; detalhamos a forma de co brança de equipamentos urbanos e urbanização exigidos pela lei para empreendimentos acima de determinado porte, canalizando recursos para aumento de escolas e hospitais. Todos os Termos de Obrigação colocados no computador, de forma clara e visível.
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Em outra vertente, a Secretaria passou a oferecer cursos de aperfeiçoamento
profissional, abrindo espaço para os mais jovens e contribuindo para a inovação neces Íria à renovação. Descentralizei a análise dos projetos e dos problemas urbanos reali zando reunióes com as equipes das coordenadorias, nas áreas onde ocorriam esses projetos. A cada ano avaliávamos nosso plano estratégico para verificar o alcance de metas e seus desdobramentos Iniciamos o debate entre técnicos de planejamento e de controle, com vistas à revisão futura da legislação urbanística do Rio. Enfim, considero que movimentei a Secretaria para confem maior visibilidade às suas informaçóes, maior profissionalismo e introduzir inovações na forma de pensar e agir sobre a cidade. Criamos também o Instituto de Urbanismo, uma autarquia responsável pelo projeto urbano e por informações sobre a cidade, ligado à Secretaria de Urbanismo (o Instituto Pereira Passos, desmembrado da Empresa Municipal de Informática, o IplanRiol.
Ao longo de toda a sua gestão, a senhora sempre ressaltou a impotân cia da polêmica para discutir o futuro do Rio de Janeiro.
Ah, sim, eu fui muito polêmica. Poiem',zei mesmo, e não me arrependo. Logo que assumi, adotei duas linhas de administração: primeiro, o funcionáriO tem que ser res ponsável perante a sociedade, dos atos que aprova tem que prestar contas. Com a descentralização com responsabilização, o funcionário passou a assumir os ônus e os bônus de seus atos. HOJe também existem o Ministério Público, a ação civil pública, todos esses elementos que, bem tocados ou não, são exemplos da paticipação crescente da sociedade. Considero porém que precisam ser mais bem capacitados sobre o tema urba no e deixarem de ser guiados pela mídia
Segundo, trabalhei para melhorar o desempenho da máquina adminis1rativa, para driblar a visão compartimentada Antes, um grupo via o macro, o segundo via o mé dio, e o terceiro licenciava O que de fato sucede é que a cidade é mudada pelo licencia mento pontual (e inesgotável) de edificações; com isso, o pensamento sobre a porção macro e média da cidade estava sempre atrás, a reboque dos acontecimentos.
No Brasil inteiro, as mudanças ocorrem pontualmente. Quando uma empresa grande compra uma gleba para implantar um empreendimento, há condição de exigir dela sua responsabilidade de urbanização, meio ambiente e atendimento aos parâmetros urbanos; o controle é mais visível. A mesma coisa não ocorre na soma de mudanças pro vocadas por ocupaçóes de pequeno porte - licenciadas ou não - que provocam altera ções difíceis de serem previamente controladas. Até porque a fiscalização é praticamente inviável numa cidade de porte e com o emaranhado de leis em vigor, como é o Rio de Janeiro. Controla-se muito pouco, e o licenciamento é fruto de uma ação reduzida: um grupo pequeno de funcionários exige as normas para um pequeno grupo de empresas cumprirem; o resto da cidade, as áreas pouco nobres ou que perderam o interesse para o mercado imobiliário, são submetidas a menos leis, a menor controle e muito menor atuação na melhoria urbana.
Hélia Nacif Xavier .
o máximo de exagero no licenciamento urbano eu Vi em Miami Beach: a prefei
tura definia a cor dos prédios, por causa da renovação do distrito ar! déco. Mas lá mo ram cem mil habitantes; é uma prefeitura bem estruturada, com muito dinheiro. Eles davam uma paleta de cor, e todos tinham que seguir. Agora, a Grande Miami, com dois milhões de habitantes e um monte de latinos pobres, imaginem, não controlava nada. E havia uma lei que dizia que a administração tinha que licenCiar ventilador de teto. Uma piada i Fui lá para ver os instrumentos de flexibilização, e não vi muitos.
Estes instrumentos de flexibilização são aplicáveis ao Rio de Janeiro?
Mudou o paradigma do urbanismo no mundo inteiro, então não adianta ficar com o discurso contra a globalização, contra o plano estratégico, contra instrumentos
urbanos modernos. A Lei Orgânica é super-elitista, fixa a altura de prédio colado na divisa, define coisas que não competem a ela. Aí vem o Plano Diretor, cujas partes de meio ambiente e habitação são ótimas, e engessa a pate urbana, num estilo totalmente volta do ao planejamento e controle total (da área nobre principalmente). Não adianta traba lhar com um grau de idealização e a cidade correr para outro lado.
Um exemplo: a ocupação de encostas tem regras que não condizem com o que se assistiu no Rio. Por que, então, não mudar? Os instrumentos que o Rio possui são rígi dos. Logo que assumi, enviei emendas ao Plano Diretor, introduzindo na operação urba na instrumentos mais flexíveis e largamente utilizados em Poto Alegre, Curitiba, São Paulo, para falar só no Brasil.
Qual foi a reação da Câmara dos Vereadores?
Fui alvo de uma CPI, pois a oposição alegou que queríamos retirar poder da Câmara e concentrar tudo no Executivo. Um dos vereadores chegou a mover ação contra a prefeitura, porque queria que o Conselho de Urbanismo licenciasse operações interliga das junto com a Secretaria. Mas esta ação era Inconstitucional, e o procurador geral do município obteve a ordem para a extinção do Compur, o Conselho de Política Urbana.
Mas não é impotante haver um conselho para discutir as linhas de polí tica urbana?
Acho que sim, o urbanismo tem que ter um conselho. Mas no Compur, a Secre taria de Urbanismo, que o mantinha, não tinha direito a voz; além disso, recusavam qualquer proposta da SMU e achavam que o tempo de decisão era infinito. Seguimos todas as determinações e enviávamos todas as propostas para eles, que não analisavam e eram contra. No mesmo dia em que foi extinto o Compur, mandei uma nova proposta
de Conselho Urbano, e o prefeito enviou à Câmara. Os vereadores jamais se pronuncia ram, contra ou a favor. Acho que estas pessoas trabalharam contra a cidade. Mesmo sendo contra a proposta, devem se pronunciar e apresentar alternativas, alimentar a discussão para se chegar a um resultado concreto.
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Foi também enviado à âmara um projeto de lei de uso do solo em 1997, não foi?
Sim, mas ele é antigo, e como decorre do Plano Diretor, engessava totalmente a ação. Chamei um grupo de fora da Secretaria, demos os parâmetros e pedi que estu dassem propostas. Mandei não só essa lei, como todas as previstas no Plano Diretor e mais os PEUs; o material sequer entrou em pauta para análise. E isso porque as coisas ficaram muito complexas. Para vocês compreenderem como é complicado o número de PEUs previstos no Plano Diretor, o Conde fez um concurso pelo IAB para a elaboração dos PEUs de Calmpo Grande, Taquara e Méier. Levaram dois anos fazendo o trabalho, e só no final da minha gestão consegui enviar os três à Câmara. Como exigir que os verea dores analisem um projeto de lei complementar em dois minutos?
t
difícil. Por isso, re afirmo que ficou mUito complexo regular a questão urbana. O esforço de simplificar lels, torná-Ias mais flexíveis e traduzir a informação dos técnicos e funcionários públicos é básico para ampliar a participação da sociedade de forma positiva.Que instrumentos de flexibilização foi possível implementar?
Aqueles que já existiam na legislação do Rio, mas que não tinham uma sistemá til clara na aplicação. Por exemplo, na Barra da Tijuca, exige-se para áreas de urbani zação nova, que atingem 500 "habite-se" , a construção de uma escola, além da urba nização da área - está previsto no Código de Obras do Zoneamento de 76. Acontece que essas áreas eram subdivisóes de uma grande gleba, e diversos proprietários respondem por parcelas dela. O certo é que se cobre o percentual relativo a cada parte, mas o que estava ocorrendo é que se abria mão dessa obrigatoriedade, porque uma só empresa não atingia 1 00% da gleba. Resultado: fizemos um decreto, que o prefeito assinou, obrigan do cada empresa ao pagamento em conta aberta pelo Tesouro Municipal, de percentual relativo à sua construção, os recursos passaram a ser aplicados na construção de escola padrão.
O Conde trouxe a inovação da forma de gestão público-privada, recuperou o conceito e ação dos projetos urbanos na cidade. A cidade inteira teve obra do Conde. Não é só um projeto grande, quem circula na cidade, vê. Trouxemos uma descentrali zação administrativa, uma forma de ver a cidade juntando quem planeja com quem executa a lei, trabalhamos juntos, mas delegando e desconcentrando o poder.
Isso significou uma mudança na cultura institucional?
Sim, e nós começamos a fazer; agora espero que o Alfredo Sirkis continue SO Eu fazia reunióes constantes com essas equipes descentralizadas e reforcei o pessoal do planejamento, os novos quadros. O licenciamento tem que ser menos burocrático, mais ágil e mais transparente. Procurei trazer instrumentos modernos, não só para a adminis tração, mas para a forma de pensar e fazer a legislação. Conseguimos traduzir a ope-
50 o vereador Alfredo Sirkis (V-RJ)
assumiu a Secretaria Municipal de Urbanismo em janeiro de 200 1 .
Hélia Nacif Xavier .
ração urbana presente nos Códigos, em instrumentos viabílízadores de um planejamento
responsável e transparente,
Por exemplo: com a evolução tecnológica, a Light pode reduzir ou embutir suas linhas de alta tensão que ocupam uma faixa de terra bastante extensa, o que beneficiaria
Madureira, Ora, seria ótimo conseguir um espaço liberado no centro de Madureira, onde
poderiam ser construídas habitações, entremeadas com comércio, com praças, Então, foi leito um estudo de operação urbana, onde o espaço liberado pela Light poderia ser alvo de negociação em que todos ganhariam: cidadãos, prefeitura, empresa, Na hora em que as negociações das operações forem assinadas em termos claros e estiverem disponíveis no computador, elas passam a ser instrumentos negociais e que preservam o interesse público,
Houve discussões com a população?
Ainda não. Por enquanto, foi só uma proposta enviada à Lighl. Se a empresa tiver interesse real em diversificar a ocupação da área liberada, ai sim, deverá haver conversas intensas,
Uma iniciativa que tomamos, mas não funcionou porque o Crea não quis, foi fazer um convênio para que a população pobre pudesse ter acesso a arquitetos e enge nheiros para construir suas casas, preços baixos para legalizar sua habitação, O processo de licenciamento é muito caro, e é ele que permite que, depois, o imóvel seja incluído
no Registro de Imóveis. Então, seria muito bom ter um arquiteto a quem a população
com menos poder aquisitivo pudesse ter acesso: ele faria uma planta, orientaria a constru ção de forma que ela pudesse ser aprovada pela prefeitura, A operação urbana é isso, é juntar o interesse privado, o interesse público, o interesse da população e fazer chegar a
um objetivo coletivo.
Outra coisa: a revisão de PAs onde as ruas não serão ampliadas As ruas de Santa Teresa serão alargadas? Claro que não, porque o bairro é tombado pelo Patrimônio, Assim, revoguei todos OS PAs de Santa Teresa, Se é uma área tombada, para que prever alargamento de rua? Este é um caso em milhares de áreas da cidade onde os PAs devem ser revistos. Outra situação era a construção em lugar previsto para recuo: o proprietário não quer demolir, e a prefeitura fica cerceada se não desapropriar, O código que define a propriedade é dos anos 30: ele defende a propriedade, não deixa o poder público demolir nada dentro da propriedade privada.
Em outras cidades do mundo, como está evoluindo esse problema? Há "séculos " se faz isso, há "séculos"! Desde a década de 70 já chegou a nós na Coppe o questionamento a esse tipo de plano rígido. Barcelona já flexibilizou há muito tempo a ação urbana, a Espanha toda, aliás; Portugal também Essas áreas de renovação
urbana fazem parte de uma operação, Portugal não fez a Expo 7 Aquela área foi objeto
de operação, as empresas privadas financiando a maior parte, Aqui no Brasil não, o poder público financia sozinho ° mercado imobiliário, toda a operação urbana.
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Agora á em discusão o Estatuto a Odade.51 Como a senhora o avalia?
Hoje, avalio diferentemente de antes de ser secretária de Urbanismo. Certas pre visões do Estatuto vão contribuir para engessar mais ainda a gestáo urbana. Tem aspedos positivos, claro, mas prciso analisá-lo a partir de mInha experiência na SMU, ver se ele contém formas de captação de recursos, através da atividade imobiliária, que flexibilizem o zoneamento rlgido e tragam dinheiro para se fazer ações de melhoria na cidade: metrô, trem, conjunto habitacional, saneamento.
É
muito importante para a ci dade ter instrumentos de captação da operação urbana, porque isso é que vai contribuir para melhorar o que falta nas áreas pobres.Acho que o Ibam poderia atuar mais, ensinando sobre cidade e seus instrumen tos de gestão, porque o que se recebe de consultas ou de requerimentos burocráticos totalmente equivocados dá pena; é muito esforço gasto para nada. O cidadão precisa ser mais informado para poder reivindicar melhor. Muitas vezes, a pessoa pede ao estado uma coisa que é do município, e vice-versa.
A questão urbana sempre foi muito fechada, privilégio de espeCIalistas, políti cos, empresários e máquina administrativa. O máximo que a Zona Sul do Rio - que se julga bem informada - assimilou, foi gabarito e intensidade de uso; não conheceu outros parâmetros definidores da ocupação e guardou o discurso generalista, e equivocado, dos institutos acadêmicos do Rio.
Além disso, o discurso foi muito ideologizado, nã01
Muito, pois no meio disso tudo está a universidade, que usa a ideologia da forma que lhe convém. Se pudesse - tentei fazer isso com a MultiRio -, eu teria uma
instituição só para educar sobre a cidade: programas sobre cidade e cidadão, para demo
cratizar as informações sobre questões que são de difícil compreensão, aparentemente. O que precisa é explicar, traduzir e simplificar.
É
só querer. Agora, é interessante saber até que ponto os politicos realmente querem que a sociedade seja informada; quanto maior a desinfonmaçãO maior a possibilidade de manopulação.Como a senhora analisa a evolução das cidades brasileiras, do ponto de vista urbanístíco1
Infelizmente, sou obrigada a concluír que o que vemos hoje no Brasil é a falên cia do urbanismo. Todas as cidades brasileiras cresceram de uma forma muito feia; contra todos os planos de organização, o que se vê é uma desorganização generalizada. A praia da Boa Viagem em Recife, por exemplo, não pode ser aterrada para ampliação, por causa dos arrecifes. Entretanto, a orla é pontilhada de prédios altos que fazem sombra na praia às três e meia da tarde. Não que eu seja contra o prédio alto; apenas depende de onde ele é erguido. Na lagoa Rodrigo de Freitas, ali na altura do cote de Cantagalo, os prédios vinham seguindo um certo gabarito; de repente, apareceu um que sal da linha de contorno do morro. O Morro da Urca foi escondido pelos prédios em sua volta.
51 Em julho de 201. o Esao da
Cidade foi aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo presidente a
RepÚblica (lei n° 10 257, de 10 de
jultll
de 2001) A medida estabelece normas de ordem pública e interesse social queH�lja Naaf xavier ·
Sou contra a proibição de ocupação das encostas, porque isto favoreceu a ocu pação ilegal, tanto por população de baixa renda, como pela de alta renda. Não consi dero a favela a melhor solução encontrada; a melhor seria morar no plano, com água, esgoto e transporte: sem risco. Agora, temos que enfrentar o poblema gerado, porque ele já é a nossa realidade. Mas ninguém vai me convencer de que é bom morar nos píncaros, onde todas as soluções são mais complicadas: acesso, água, esgoto, a própria construção. O financiamento das ações é caro. O correto seria oferecer transporte público muito bom e barato para que a classe trabalhadora pudesse morar bem, em qualquer lo cai, mas com infra-estrutura e saneamento Para mim, esta seria uma política acertada. E foi nesa linha que trabalhamos, até onde foi possível O Rio de Janeiro é uma cidade surpe endente; cada parte é um universo: não se pode ter um pensamento urbano generalizado.
o urbanismo poderia ser o espaço de uma grande discussão sobre a
cidade?
O que me parece é que ele é um espaço mal ocupado pelos profissionais que se preocupam em prever e ajustar o desenvolvimento urbano Assim, fica mais direcio nado para o uso político que gera votos: leis urbanas voltadas aos interesses do mercado imobiliário, execução de projetos que conferem grande visibilidade ao governante, reurbanização de áreas degradadas, principalmente em assentamentos populares. O planejamento e a gestão urbana não Interessam tanto ao governante e aos vereadores, a nenhum politico, porque não é uma moeda forte de troca. Por sua vez, a legislação e a estruturação da cidade, a criação ou reforço de áreas de exclusão social (ou inclusão) são peças fundamentais para o jogo político, de poder e de negócios.
Para citar um exemplo: o trabalho de regularização de loteamentos irregulares e clandestinos, que a Fundrem propõs em 84 com o luperj. Na época, o arquiteto Edgard
Gonçalves da Rocha, que presidia o IplanRio, pegou a idéia e a implantou, e até hoje está em vigor no Rio de Janeiro. Quando trabalhei no Ibam, eu apresentava esta experiência como a única política pública do Rio de Janeiro que não sofria interrupção. Hoje consigo entender por quê: não sei se é ou não um mérito, mas cheguei à conclusão de que ela não pára porque interessa a quem está governando, é uma grande máquina de votos. Não estou aplicando juízo de valor, apenas constato.
A estratégia dos governos na área urbana é realizar projetos, seja de recuperação, novas áreas, habitaçao, equipamentos de lazer.
É
o caso dos Cieps, do Favela-Bairo, do Rio Cidade, do Baixada Viva; faz-se um marketing com isso. Têm grande visibilidade e são compreendidos pela população, principalmente a grande massade excluídos. Vejam bem, esses projetos são necessários para atacar o caos em que se transformaram as cidades nestes últimos 2S anos, mas o que quero salientar é que deve existir também uma estratégia para que os políticos permitam a ação preventiva, assim como a atualização e a maior eficiência do planejamento do desenvolvimento urbano.
Concluindo, acho que conseguimos avançar, mostrar que as coisas podem e devem ser feitas de outra forma e não ficar trabalhando para só um grupo social. Uma
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cidade democrática é isso. Procuramos devolver à população uma cidade com uma administração moderna e mais eficiente na questão urbana. As reações vieram e VIrão, sem sombra de dúvida; é o preço da mudança, da inovação. Leva algum tempo para absorver. Esperamos ter contribuldo para aumentar a crença de que seviço público pode ser eficiente, democrático, ético, que possa atender aos anseios do conJunto de moradores de todas as categorias e grupos sociais e políticos .