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Superior de Pla

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amento Urbano. Como era sua composição?

o Conelho foi pioneiro no Brasil por sua composição, em que o governo era minoritário; só éramos membros eu, o secretário de Obras e o procurador-geral. E tlnha­ mos dez outros membros, escolhidos a dedo entre a melhor gente do Rio de Janeiro; chamei Lúcio, Roberto Burle Marx, Haroldo Graça Couto, construtores, arquitetos e pro­ fessores universitários.

Um dia, lancei na mesa para discussão a questão de São Comado, que estava começando a ficar uma coisa terrível, e incumbi Lúcio de fazer uma sugestão para nós. Marcamos a reunião seguinte num belvedere que havia no alto do Hotel Nacional. á de

cima, lúcio espiou, espiou, e deu a sugestão. A estrada da Gávea. A direita da estrada

da Gávea, o prédio que existisse seria respeitado, e as casas jamais poderiam ser transfor­ madas em edifícios.

A

esquerda, lúcio propôs a construção de prédios soltos das divisas e com gabarito de 1 5 andares, para não repetir Copacabana. Idéia do Lúcio.

O Conselho trabalhava a longo prazo, como nesse caso de São Camada, mas tamém atuava ad hc. Um dos membros fazia uma denúncia, o Conselho estudava e recomendava uma solução ao governador, que quase sempre acatou. Por exemplo, co-

únel Dois Irmãos

Francisco de Mello Franco .

meçava a ser construído um prédio na rua da Quitanda, o Ninho das Águias. Tinha 52

andares, vários deles de garagem e dava acesso por uma rua; um negócio impossível, que ia acabar com o Centro do Rio. Tinha sido todo vendido, e corruptamente aprovado. Chagas saltou de pára-quedas dentro da Secretaria de Obras, demitiu responsáveis, ins­ talou uma comissão de inquérito, que verificou a corrupção e impediu a construção. Em

várias ocasiões o Conselho agiu assim, ad hoc. E ao mesmo tempo organizava-se para

dar sugestões normativas, de alteração da legislação em vigor.

Após a fusão, o Conselho foi extinto.

Sim, porque ele era muito incômodo. A idéia era essa mesmo, gerar um incô­ modo para o poder público, porque a legislação existente era muito curiosa. Dizia mais ou menos assim: " Estão aqui os prismas de ventilação, os afastamentos, os gabaritos a que você tem que obedecer, estão aqui todas as regras para você construir." Em seguida, vinha um atigo dizendo: " Entretanto, se seu projeto for considerado um projeto especial pelo governador, não há necessidade de obedecer a nada disso." Ou seja, qualquer pes­ soa que tivesse boas relações com o governador - e nessa cidade-estado todos os pode­ rosos tinham acesso a ele - e quisesse plantar um espigão no meio da avenida Rio Branco, procurava o homem e pedia que ele considerasse aquilo um prédio especial. O governador ficava numa situação terrível.

Foi com esse argumento que convenci Chagas a aceitar o Conselho, porque ele era procurado pelos homens mais poderosos do Rio, pedindo projetos especiais. E isso era muito mais incômodo do que um Conselho que negasse coisas, e ele pudesse dizer: "Gostaria de atender ao seu pedido, mas este Conselho terrível me impede." Era um anteparo para evitar desgastes para o governador.

Como era um colegiado composto de homens ilustres, entre 60 e 70 anos,

todos vitoriosos em suas atividades, era mais fácil reuni-los para estudar um caso como o de São Conrado, do que conseguir que eles se sentassem numa sala e trabalhassem durante dois meses elaborando una nova legislação. Por isso, começamos a pensar que talvez devêssemos seguir o caminho dos países anglo-saxões, que criam o seu direito

consuetudinariamente. Ou seja, através de intervenções ad hoc o Conselho daria as

sugestões, que passariam a prevalecer para a cidade inteira. Tenho certeza de que o Rio seria outra coisa hoje, se o Conselho tivesse sido mantido.

o Conselho tomou alguma decisão impotante em relação à Barra da Tijuca?

Lúcio Costa era o consultor-chefe da Barra e membro do Conselho, de modo que não havia por que o Conselho formular um plano para a região. Mas nunca tivemos qualquer dúvida sobre coisas da Barra, nas reuniões do Conselho; quando propus, por exemplo, construir o autódromo, Lúcio aprovou imediatamente, porque ele queria era ocupar aquelas áreas. Foi com sua bênção que fizemos o autódromo, o projeto do Riocentro, e terminamos a segunda galeria do túnel Dois Irmãos. Para o Conselho, a Barra era uma zona plenamente atendida e com planejamento suficiente, posto que prevalecia o Plano do Lúcio. A idéia de desenvolver a Barra era mais minha, como secre­ tário de Planejamento, do que do Conselho, pois eu tinha preocupações que ultrapassa­

vam s aspectos urbanísticos, eu tinha responsabilidades estratégicas de governo do estado.

• Novas experi�nàs em urbanismo: Barra da lljuca e Coredor Cultural

Entre os dois governos Chagas Freitas, houve a fusão entre a Guanabara e o estado do Rio, promovida pelo governo Faria Lima. Durante esse período, a Barra da Tijuca deixou de ser prioridade?

Não s6 a Barra, como todo o Rio de Janeiro Logo que assumiu o governo, o

almirante Faria Lima deu uma entrevista afirmando que o Rio era um municlpio como outro qualquer, nesses termos. Não posso nem dizer que ele tinha raiva do Rio; a maior justiça que posso lhe fazer é dizer que ele não entendia nada de Rio de Janeiro E como não tinha escolhido o prefeito - Marcos Tamoio foi indicação do general Golbery, chefe da casa civil de Geisel -, resolveu criar uma prefeitura hipertrofiada, cheia de responsa­ bilidades, aliviando o orçamento do governo estadual. Assim, transferiu todos os encar­ gos de educação e saúde para o município, para ficar com o dinheiro e menos obri­

gações. Faria Lima não se sentia comprometido com a cidade. Além disso, quis fazer a fusão entre uma cabeça e um corpo que não tinham nada a ver um com o outro; foi o executor de uma idéia torta. Não teve remédio S3

Como o senhor avalia a gestão de Marcos Tamoio na prefeitura do Rio? Deixei com ele 20 volumes escritos sobre o planejamento estratégico do Rio. Ele executou o Riocentro, concluiu o autódromo. Não sei se via as coisas exatamente como eu, mas não antagonizou. Apenas quanto ao porto de Sepetiba, Tamoio não se interes­ sou, e o porto era decisivo Uma coisa que lhe pedi muito, ele não fez, que não deixasse demolir o Palácio Monroe. Naquele tempo, o prefeito não tinha onde trabalhar, e ele fixou-se na idéia de comprar a embaixada inglesa. Eu considerava inacreditável o prefeito se ocultar numa casa de luxo na Zona Sul, achava que o prefeito tinha que estar no meio da cidade E disse ao Tamoio: "Não faça isso! Pegue o Monroe. Você vai ficar ao lado do Obelisco, na porta da avenida Rio Branco, no coração da cidade". Não se interessou, e Geisel mandou derrubar. N6s tlnhamos gastado um dinheirão para passar com o metrô tangenciando o prédio, para não ameaçar as fundações ... Colocaram tudo abaixo

53 Sobre o governo Fana Lima, ver a entrevista do mesmo em Marly Motta

Carlos Eduardo Sarmento (or95 ) 201.

o Palácio Monroe era o pavilh�o

1

brasileiro na Exposição Internacional d'

Saint LOUlS, Mlssouri (EUA) em 1 908; l

seguida, foi desmontado

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no Rio de Janeiro De 1 91 4 1 1921

abrigou a Omara ds Deputados Em

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intgrou o conjuno de pavilhões da Exsião Internacional do Centenário Independênda De 1925 a 1 960 al

o Senado Federal e foi demolido em

1 976, teoricamente para viabilizar as obras do metrô

Cabia ao governo fazer do Plano Lúcio Costa um program�