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Yükseköğretim Politikaları ve Oluşturduğu Akademik Çalışma Ortamı

2. MESLEKİ KİMLİK

3.1. Yükseköğretim Politikaları ve Oluşturduğu Akademik Çalışma Ortamı

Sobre essa questão da fixidez de papéis, Eduarda falou: “Tem pessoas que não se permitem ser, que se bloqueiam, que ficam só isso e acabou, não se deixam sentir talvez”. Como ela aponta que a passiva é a que sente prazer, o que se explicita na frase acima é que algumas não se permitem entrar no papel de passiva, exatamente porque em raros momentos a passividade é vista como algo positivo.

Marina relatou que não discorda nem acha negativo que alguém assuma uma fixa atividade. Entretanto, a invariabilidade se torna complicada quando a pessoa acaba não vivenciando o prazer no ato sexual – por se assumir exclusivamente ativa, não se permite ser tocada pela parceira ou sentir prazer com ela, talvez entendendo isso como se submetendo a uma dominação. Gimeno Reinoso (2005) retoma, sobre isso, as relações butch-femme dos 1940 e 1950 nos Estados Unidos, nos casos em que as butches, masculinas e ativas, sequer tiravam a roupa na relação sexual, para não cair em qualquer tipo de comportamento passivo. Marina explica a experiência de uma amiga lésbica:

Até por causa do organismo, mesmo, né? A pessoa que faz ela sente tesão, né? Então ela sente a necessidade de pôr isso pra fora de alguma forma [risos]. Eu acho que tem algumas mulheres que fazem, né? Que eu conheço algumas mulheres de chegar e: ‘Ah, porque depois eu me masturbo’; e: ‘Por que não?’. Eu tive poucos relacionamentos que eu transei, assim que eu fui só ativa, assim de deixar por a mão. Mas eu nunca tive necessidade. Então a partir do momento que eu senti necessidade, eu deixei. Eu nunca tive esse lance de mesmo sentindo vontade. Mas eu conheço uma pessoa de eu até falar: ‘Meu, como cê agüenta, cara?’. Né? A pessoa chega em casa e se masturba? (Marina, 23 anos)

O que se percebe é que, quando a pessoa posiciona-se fixamente, seja na atividade ou na passividade, pode existir algum prejuízo, no sentido da experiência de prazer. Aquela que se assume como exclusivamente ativa pode não se permitir entregar-se à parceira receando uma imagem de dominação e até aprisionada pelo machismo, acreditando-se superior à parceira e em situação de dominação a ela, equiparando-se a um homem diante de uma mulher, na forma como esses são vistos pelas convenções sociais de sexos e gêneros bipolarizados; ou ainda, não permite que a parceira sinta prazer no experimento da atividade,

que pode ser a ela prazeroso. Em contrapartida, aquela que se diz exclusivamente passiva pode não oferecer prazer à parceira, não lhe permitindo que sinta prazer no experimento da passividade, que pode também ser a ela desejável. Deste modo, a rigidez de papéis acaba restringindo uma ampla gama de possibilidades de parcerias.

Ao questionar Marina sobre as possibilidades de duas ativas se relacionarem, ou duas passivas, nota-se a dificuldade de se assumir uma posição fixa na relação lésbica:

Nossa! Difícil! Como quê? Ah, eu acho que pela concepção que eu tenho de ativo e passivo, não, mas, sei lá, né? Pode rolar uns negócio assim. Meu, dois ativos, na concepção que eu tenho, não. [E duas passivas?] Geralmente quem é... não sei se existe só passivo, né? No começo. Geralmente é que nem eu falei, ninguém fica muito tempo. Mas eu acho que quem recebe acaba fazendo; quem faz é que eu acho que acaba não recebendo. Duas passiva ia ficar maluca pra ver quem é que ia primeiro [risos], e duas ativas ia ser uma luta de pau: ‘É, não, aqui não’. [risos]. (Marina, 23 anos)

Em relação a isso, Eduarda coloca que, entre as ativas, uma delas teria que ceder à passividade, “se permitirem sentir”; e, no caso das passivas, uma delas, em algum momento teria quer se permitir à atividade, “quem que vai agir?”:

Eu acho que vai da permissão a si mesma que cada uma se der, porque... [risos]. É... se elas não se permitirem sentir, se elas não se permitirem a um pouco de passividade, vai ficar difícil se relacionarem, porque tem que ter os dois momentos, tem que ter, né? A mesma coisa com duas que se dizem só passivas, então digamos. Por que, quem que vai agir? Então é complicado. Eu acho que as pessoas têm que se permitir as coisas, porque senão, nada acontece. (Eduarda, 18 anos)

Fernanda também conclui, com embaraço:

[...] você acha que duas ativas conseguem se relacionar?] Acho que sim. [Como?] Sei lá. Acho que não... Não, eu acho que sim. Deixa eu pensar. [pausa] Eu acho que sim, mas eu não saberia te responder como que... acho que sim. Porque aí vai de como elas vão conseguir se satisfazer, entendeu? Mas acho que rola sim. [E duas que se dizem passivas?] [Risos altos] Nossa, deu um nó. Apesar de eu não, acho que sim, cada uma vai achar uma maneira de se satisfazer. (Fernanda, 25 anos)

Essa dificuldade de Fernanda reflete a ambigüidade do significado da atividade e passividade na relação lésbica. Ao fim de sua elaboração, ela chega na satisfação, ou seja, no prazer na relação, independente da forma como esse é alcançado, destruindo o entendimento tradicional de ativa-passiva. Para algumas entrevistadas – quando questionadas se duas

mulheres que se dizem ativas podem se relacionar, bem como duas mulheres que se dizem passivas – mesmo “se dizendo” ativa ou passiva, uma acaba assumindo o “papel da outra” em algum momento. O que os relatos sugerem que o ideal na relação é que ambas sintam prazer, seja pela atividade, pela passividade ou, mesmo, por ambas. Muitas vezes, sentir prazer, está exatamente na entrega, na passividade, naquela posição que quase ninguém assume. Por outro lado, a atividade, muito mais assumida verbalmente, também pode proporcionar satisfação sexual, não precisando existir penetração como o senso comum exige, mas participando com o corpo de formas diversas. O investimento está, portanto, em não ficar “sentindo vontade”, conforme relato de Marina sobre a amiga que, por não ter orgasmo na relação sexual, se masturba ao chegar em casa.

Janaína fala de “haver sentimento” para que as pessoas consigam destituir-se de uma fixa posição. Talvez, o que ela queira dizer, seja a visão de igualdade de uma parceira pela outra, de forma que dominado/dominada não mais importaria, pois, ao final, o prazer é vivido por ambas:

[E duas ativas se relacionam?] Ah, vai ter que ter sentimento. Se tiver sentimento, sim. Se não tiver, não consegue. Porque, se tiver sentimento, vai haver a troca; se não houver, não vai chegar no acordo. Porque, quando há sentimento, sempre existe o acordo, sempre existe uma forma de se relacionar, sim. E, sem sentimento, você não consegue. [...] porque, se os dois forem passivos ou os dois forem ativos... eu digo isso, na intimidade, eles vão ter um pouco de dificuldade. Não que não dê certo, você entendeu?

(Janaína, 47 anos)

Sobre isso, Heilborn (2004, p. 26) afirma a necessidade de um sentimento de autonomia para o estabelecimento de relações de igualdade:

A igualdade que funda a configuração moderna ou individualista firma-se na

indiferenciação. A igualdade, condição de detenção de um mesmo valor, aplaina as diferenças e, desse modo, mina a possibilidade do englobamento e da inversão hierárquica, mecanismos característicos da hierarquia.