2. MESLEKİ KİMLİK
2.3. Kimlik Kuramı
Costa (1992) sugeriu que, a respeito da postura “feminilizada/feminina/afeminada” de muitos homens homossexuais, a sociedade não oferece outros modelos aos jovens para se identificarem na economia de socialização dos prazeres, senão se “parecerem” com homens “femininos” para que saibam que eles são gays.
Da mesma forma, em relação à masculinidade como código identitário para as mulheres, Marina relatou que, antes de assumir sua lesbianidade, com aproximadamente 16
cuidadosamente ocultados. De la existencia lésbica apenas existen rastros. De hecho, casi cualquiera sería capaz de nombrar a una lesbiana anterior al siglo XX, excepto quizá Safo. [...] ¿Por qué nos exige probar a nosotras aquello para lo que bastan indicios en el caso de los hombres?” (GIMENO REINOSO, 2005, p. 35- 40).
62 Minha versão do original em espanhol: “Es la orientación sexual de los hombres que se nos describe como
fija e inmutable, porque la heterosexualidad de los hombres siempre se ha querido fija e inmutable, no hay ningún cambio de discurso. Cuando, por el contrario, se hace un discurso sobre la identidad sexual de las mujeres, éste es siempre dubitativo y deja tantos flancos sueltos que al modelo se le puede ver claramente el armazón” (GIMENO REINOSO, 2005, p. 210).
anos, se deparou com o “estereótipo referência” da sapatão. Isso ocorreu em um churrasco promovido por seu irmão, onde presenciou um casal de lésbicas, sendo que uma delas era extremamente masculina, a ponto de Marina achar inicialmente que era um menino. A moça “era bem máscula assim, boné, bermudão, regata e chinelo”. Essa masculinidade nas mulheres lésbicas acaba por se tornar, ao menos no processo de descoberta de Marina e Eduarda, uma marca identificatória para si e para os outros. Ou seja, mostrar-se diferente do padrão mulher-feminina era mostrar-se lésbica, uma identificação para que outras mulheres lésbicas pudessem notá-la nessa identidade e, assim, ocorrer um possível encontro. Nota-se, portanto, uma atitude de identificação/sedução, bem como fazer com que essa identidade estivesse visível aos olhos de qualquer outra pessoa, como um caráter de enfrentamento, afirmação de si e transgressão.
Quando eu me aceitei eu tive uns três meses de por boné, calça assim de um jeito, acho que assim, pra me impor. Agora que eu tou mais arrumadinha... porque era uma coisa assim meio que choca. Não que se eu tiver vontade de me vestir daquele jeito eu não vou me vestir. Não que eu ache ruim, eu acho legal, eu uso até hoje, boné, tal... Mas eu acho que tem um lance, o lance comigo foi assim: ‘Eu sou, e eu quero que as pessoas saibam sem eu falar.’ [...] quando eu comecei a usar bermudão, boné, essas coisas assim que eu falei pras pessoas perceberem, era pras meninas também perceberem!
(Marina, 23 anos)
Às vezes que eu me mostrava assim mais masculina, nas roupas; essas coisas . Ah, e eu também preguei umas fotos de homens e mulheres no meu quarto [risos] de mulheres sem sutiã, sem a parte de cima, e de homens, homens e mulheres. E isso foi o fim do mundo! Coloquei uma frase, preguei uma frase gigante, ‘É preciso trocar a normalidade pela felicidade’, porque eles me diziam que isso não é normal. [risos] [Você queria mostrar pra eles?] De certa forma eu acho que sim! [risos] [...] No começo eu acho que sim. Não sei, no começo talvez, quando eu me descobri, talvez eu tivesse, assim como quando eu colei a frase, as fotos, de querer mostrar quem eu sou: ‘Olha, eu sou assim e acabou! Eu sou diferente!’ Mas, depois, se esse sentimento continua, eu acho que não é uma coisa de querer se mostrar pros outros. Agora, pras outras mulheres, eu acho que tem uma coisa de talvez sedução, de talvez querer chamar atenção, chamar atenção nesse sentido assim... É o que eu estou tentando dizer, que no início talvez seja identificação para as outras lésbicas: ‘Sou lésbica!’ (Eduarda, 18 anos)
Também a masculinidade pode ser vista como marca identificatória das lesbianidades para outrem, sem a pretensão de quem a performatiza:
[E a sua mãe sabia que você estava com a menina?] Ah, de um certo modo sim. Percebia que era só a menina. E pelo fato de eu jogar bola também,
andar que nem moleque. Andava só de shortão, camisetão, e boné... nunca gostei de boneca, entendeu? (Fernanda, 25 anos)
As entrevistadas não fixam a masculinidade como algo inerente às lesbianidades. Ao contrário, se referem a ela como pertencente a um código identitário, devido ao estereótipo das lesbianidades sócio-histórica e culturalmente construído, e que, muitas vezes, conduz ao engano. Por exemplo: “tem mulher que não é lésbica, né, e que tem, que eu acho que não é, né? Porque, geralmente na hora que a gente olha a gente fala que é! [risos] Mas é um jeito meio... meio masculino” (Marina, 23 anos). E: “que geralmente a mulher masculinizada, que tem esse jeito mais masculino, ela se destaca mais, já olhou já percebe [Que é lésbica?] É, que é lésbica. E aquela... ou que às vezes nem é, só tem o jeito, mas nem é. Às vezes as pessoas se enganam” (Janaína, 47 anos).
A masculinidade, assim, traz visibilidade às lesbianidades:
O uso de códigos e atributos masculinos é também percebido como uma maneira de tornar visível a existência lesbiana. Nesse sentido, uma certa homenagem pode ser prestada às figuras de caminhoneiras63 [sapatões] e de
‘butch’ que, historicamente, expuseram esta identidade nos períodos de forte repressão, contribuindo, dessa forma, para o desenvolvimento de uma cultura lesbiana, pelo simples fato de terem visibilidade. (PERRIN; CHETCUTI, 2002, s.p.)
Sobre isso, Marina relatou que, especialmente por ela ser feminina: “Tem gente que me fala: ‘Ah, você não fala que é lésbica’, como se toda lésbica tivesse que ser...[masculina]. Eu acho que eu passo despercebida em alguns lugares”. Portinari (1989) acrescenta que a ciência contribuiu para essa imagem masculinizada das lésbicas, quando os estudiosos do século XIX e XX chamavam de “verdadeiras lésbicas” ou “autênticas” apenas aquelas que exibiam traços de masculinidade. Baseados nisso, os autores que, na metade do século passado, patologizavam as relações homossexuais entre mulheres (e entre homens), corroboravam suas pesquisas com a explicação de que uma mulher feminina que sente desejo sexual por outra mulher não seria uma lésbica autêntica, mas uma pessoa que foi “corrompida” pelas verdadeiras lésbicas, “aliciadoras” e “perigosas”, as mulheres masculinas (CAPRIO, 1960).
Janaína ainda aponta como, ainda atualmente, a lésbica feminina não é reconhecida como uma “autêntica” lésbica: “E aquela que é bem lady mesmo, às vezes as pessoas perguntam: ‘Será que é? Será que não é? Nossa! mas será que é mesmo?’. E mesmo se as
63 Na tradução das autoras, caminhoneira foi outro termo utilizado no senso-comum para referir-se às lésbicas
pessoas falarem que é, às vezes falam: ‘Ah, mas não é não, não tem o jeito’. Perrin e Chetcuti (2002, s.p.) corroboram:
Ao contrário, as aparências consideradas mais femininas tornam a identificação difícil, ou seja, a pessoa é classificada de imediato, fora da categoria lesbiana. [...] Nesse tipo de situação, em que as aparências dão indícios percebidos como contraditórios com a identidade reivindicada, o pertencimento a uma categoria deve ser verbalizado, ou tornado visível por meio do próprio casal lésbico. (PERRIN; CHETCUTI, 2002, s.p.)