2. MESLEKİ KİMLİK
2.6. Akademisyenlerin Mesleki Kimlik Algısını Etkileyen Faktörler
Todas as entrevistadas, de alguma forma, colocaram que a atividade não é correspondente àquelas que assumem uma masculinidade, nem a passividade àquelas que assumem uma feminilidade, já que mulheres femininas exercem o papel de ativa e mulheres masculinas, o papel de passiva: “ela é super-macho, e pra ela é relativo... ela é ativa e passiva’ (Marina, 23 anos).
Mas aí ocorre também o engano, que eu já conheci muitas mulheres ladies, verdadeiras ladies, que são mais macho que aquelas que se vestem mesmo de menino. [Mais macho você quer dizer o quê?] Mais masculinas, mais masculinas na cama, enquanto outras que se vestem de menino são verdadeiras ladies na cama. (Janaína, 47 anos)
Além disso, as entrevistadas disseram que não existe uma posição fixa para cada pessoa. Nas parcerias feitas, ambas assumem a passividade e a atividade de forma alternada, seja na mesma relação sexual, seja em diferentes relações sexuais. Elas dizem: “Mas pra mim
é assim: que as duas são ativas e passivas” (Eduarda, 18 anos); “Mas eu acho que é assim, relativo. Não é nem passivo nem é ativo, né? Acho que... o que se tem que fazer entre... Que nem, eu sinto prazer em fazer e receber” (Marina, 23 anos); “Mas no meu ver não existe, porque uma satisfaz a outra da maneira que uma achar que é melhor pra outra, [...] Sempre foi... dando que se recebe [muitos risos]” (Fernanda, 25 anos);
[...] eu acho que existe sempre uma que assume mais o papel realmente de ativa e uma mais o de passiva. Mas que hoje é passiva e amanhã pode não ser. De repente..., porque não existe só ativa e só passiva. Mesmo sendo as duas pessoas, as mesmas, as mesmas, às vezes hoje a pessoa é ativa e amanhã ela tá mais tranqüila, é passiva. E assim por diante. Hoje, vamos falar assim no português claro, hoje tá a fim de ficar por cima, amanhã tá a fim de ficar por baixo, depois tá a fim de ficar de lado, depois tá a fim de ficar de ponta cabeça. (Janaína, 47 anos)
Apenas Marcela se classificou como seguramente ativa. Ela ainda coloca como referência, pelo menos a cargo de exemplificação, o homem, para falar da atividade. Entretanto, como entende ativa como masculina, dentro do que se referenciaram as outras entrevistadas, Marcela acaba, ao fim de seu discurso, colocando-se também como passiva na relação sexual. Quando fala que não gosta de ser tocada, ela refere-se à penetração, porém permite e gosta que suas parceiras explorem seu corpo de outras formas:
Porque na hora, na relação eu sou ativa. [E o que é ser ativa?] Ativa é gostar de tocar, entendeu? Fazer a parte, vamos supor, do homem. Vamos falar assim. Eu penso assim, dessa forma. [E a parte do homem seria o quê?] Tocar a mulher, entendeu? [risos] Agora chegou numa parte... [risos] Então, mas é assim, eu penso assim, entendeu? Você fazer a sua parte, você tocar a pessoa. Que nem, tem menina ativa que gosta de ser tocada. Eu, no meu caso, eu não gosto. Eu sou uma pessoa muito assim, sei lá, não sei que cabeça que eu tenho. Se eu gostar de uma pessoa, em um beijo só que eu der nela já me realiza, sabia? Dependendo também do beijo, é lógico, né? Não vai ser um beijinho assim. Tem que ser um beijo! Mas tem gente que não. Tem gente que tem fantasias, tem mulher que gosta de usar aquelas cintas, aqueles papo todo de sex shop. Não vou falar que não é o meu caso porque eu tenho também. Quando falam que gostam, eu faço na boa. [Você quer dizer usar próteses?] É. Faço na boa, comigo não tem, sabe? [Esse tocar que você fala é tocar o corpo ou penetração?] Não, tocar corpo e... porque, uma mulher, pra ela chegar no êxtase dela ela não precisa nem ser tocada, assim, penetrada. [...] [E ser passiva é ser o quê?] Mulher passiva é tipo assim: uma mulher que gosta de homem. Ela é mais passiva. Como eu vou dizer pra você? Vou falar de mim que você vai entender. Os meus relacionamento é assim: eu toco e tal. Logicamente que a pessoa me toca também, mas nada de penetração em mim. A passiva já gosta de ser penetrada, tudo esses negócio. Então, eu penso assim: a passiva, ela gosta de mais coisa; a ativa gosta de fazer, a passiva gosta de receber, entendeu?
É meio complicada a minha cabeça, mas eu penso assim. [Mas você não gosta de penetração, mas a parceira pode te tocar?] Com certeza. Penetrar não. E já tem passivas que gostam. Logicamente que quando você está naquele auge, logicamente que vai rolar tudo. Mas, no meu caso, penetração em mim, não; pode fazer todos os outros negócio, só penetração não. (Marcela, 42 anos)
A importância de colocar no discurso o fato de que adota uma condição exclusivamente ativa, remete a uma posição de poder na sociedade, que privilegia a masculinidade e os homens, pois, aquele que se deixa penetrar (o passivo) assume uma condição inferior na visão machista – a própria condição de mulher submissa desse sistema. Fernanda – que diz que algumas pessoas a consideram masculina – não vê sentido das posições ativa-passiva em seus relacionamentos, mas já se deparou com discursos de lésbicas conhecidas suas. Ela resume uma conversa que teve com uma garota que estava paquerando. Segundo disse, a menina não conseguia entender como elas poderiam ficar juntas, por posicionar-se, com grande rigidez de papéis, na figura de exclusivamente ativa, baseando-se na penetração.
Porque é tipo assim, todo mundo me acha masculina, só que pra mim, transa assim, penetração comigo não rola. Não, rola, só que eu gosto também, entendeu? E tem gente que julga sabia? Tem gente que fala: ‘Você deixa?’. E eu falo: ‘Deixo, uai, eu sou mulher! E daí?’ [Quem julga?] Ah, algumas amigas minhas. [Conta uma história.] Quer ver... Eu tava paquerando uma menina. Daí ela virou e falou assim: ‘Você me vê com você?’. Eu falei: ‘Sim! Por quê?’. Aí a gente resolveu falar de sexo, e ela falou assim: ‘Ah, eu não deixo penetração’. Aí ela perguntou: ‘Você deixa?’. Eu falei: ‘Eu deixo’. E ela: ‘Mas como você deixa?’. Aí eu falei: ‘Ué, eu sou mulher! Tenho desejo também’. Entendeu? Esse tipo de conversa. Acho que pelo fato de ela se achar... não sei. Não consigo entender o porquê não. É uma macheza. Tipo, ninguém toca em mim! [Tipo: ‘ninguém me penetra’.] É. É certo um tipo de preconceito com ela mesma! (Fernanda, 25 anos)
Da mesma forma como muitos homens heterossexuais (e também muitos homossexuais) não permitem que os julguem passivos – subtendidos como “mulherezinhas” e, portanto, inferiores –, algumas mulheres podem assumir a mesma postura. Fernanda e Marina relataram que conhecem algumas lésbicas que afirmam posição de exclusivamente ativa, contudo nenhuma das entrevistadas comentou sobre alguém que afirme posição exclusivamente passiva. Segundo Portinari (1989, p. 54),
A passividade, todos podem desejá-la, mas ninguém a quer, isto é, ninguém quer trazê-la como marca estampada sobre a testa. Daí acontece que, no discurso da homossexualidade feminina, a bela [a lady, a lésbica feminina] é supostamente um objeto de desejo, mas é a fera [a sapatão, a lésbica masculina] que encarna a imagem do ideal.
Heilborn (2004, p. 45-46) pontua que a tônica interpretativa dos atos homoeróticos vem se constituindo em dois sistemas classificatórios, no qual o “modelo tradicional, orquestrado por uma oposição de gênero [...] admite somente para o passivo a classificação estigmatizante. O modelo moderno preconiza a dissolução da distinção de gênero, postulando simetria entre os parceiros”. Marina relatou que antes de se relacionar com mulheres, não sabia que existia um sistema ativo-passivo entre mulheres, mas, ao vivenciar a lesbianidade, inicialmente assumia sexualmente apenas a postura ativa, não deixando as suas parceiras tocarem seu corpo, mais especificamente nos órgãos sexuais:
Sou ativa, sou passiva, depois que eu fui descobrir que não tinha essa de ativa, passiva. Então tinha: ‘Não, de todas as formas eu sou ativa; passiva, não!’. Então, na verdade, assim, todas as mulheres que eu dormi antes de namorar, nunca relaram em mim, eu nunca deixei. Tanto é que eu namorava pouco tempo, né? [risos] Ia querer e eu ‘Não...’ [risos] Na verdade, eu acho que eu fui descobrir mesmo e me auto-afirmar depois da primeira relação, [...] [Você acha que esse lance de passividade e atividade corresponde à masculinidade e à feminilidade?] Sim. Eu acho. Começando por mim, assim, quando eu comecei a ficar com mulher, que eu era só ativa, tinha uma coisa, assim... não que ‘Eu sou um homem’, mas assim: ‘Eu fico com uma mulher, então elas são as meninas, e eu sou...’, assim, mas eu acho que tem esse lance de masculino. [...] Assim... tem gente que é, né? Não sei. Foi aquilo que eu falei. Vale tudo. Mas eu acho que é assim, relativo. Não é nem passivo nem é ativo, né? Acho que... o que se tem que fazer entre... Quem nem, eu sinto prazer em fazer e receber. Então eu não acho que tem esse negócio de passivo e ativo. [Você acha que não tem alguém que é só ativa ou só passiva?] Não, eu acho que não. Tem gente que deve fazer assim, mas eu acredito que não. Pessoas que casam, mesmo, eu acredito que sejam os dois. Eu acho que não dá pra uma relação ficar com muito tempo se tiver alguém só ativo ou só passivo. (Marina, 23 anos)
Nessa vivência de Marina, a divisão entre atividade e passividade não permitia relacionamentos prolongados. Por um lado, pode-se dizer que assumir a fixa postura ativa é estar presa a rígidos padrões de gênero; por outro lado, pode-se dizer que é assumir socialmente uma posição de dominação/controle, ou de não ser dominada/controlada, no novo tipo de subjetivação de sua sexualidade. Com o passar do tempo, talvez considerando a igualdade subjetiva – além do corpo físico – entre as envolvidas, essa divisão não mais fazia sentido na relação, baseada no respeito mútuo de decisão/acordo de quem se posiciona
temporária e alternadamente nas diversas formas de relacionar-se. Atualmente, multiplicidades são possíveis para ela, entendendo a ativa como a que age, e a passiva como a que recebe.