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D- Yargılamanın Gösterdiği Özellikler

VIII. Vakfın Dağıtılması Davası

A mídia televisiva e os amigos, em especial, mostraram influenciar diretamente a opção pelo longa-metragem, sendo a emissora Rede Globo e o contato com outros jovens, caminhos fundamentais para a informação sobre o produto e sua significação. Entendemos, pois, que a busca por um filme pouco comentado nos circuitos por onde perpassa não faz parte do sistema de valores deste grupo. O desejo de ter acesso a produtos audiovisuais alternativos aos dominantes foi notado em apenas uma das jovens dos grupos focais, embora tenha sido recorrente entre os estudantes da rede estadual que participaram das oficinas Vídeo-Interatividade (segmento que avaliamos

como mais interessado pelo campo artístico de uma maneira geral). Contudo, dado o panorama histórico da oferta, a configuração do repertório da maioria dos jovens pesquisados baseado essencialmente nos longas-metragens de Hollywood não surpreeende.

Por outro lado, analisando as meninas do grupo 1 – a que estudava teatro no grupo Nós do Morro e aquela cuja tia e avós trabalhavam/apreciavam as artes –, percebemos a relevância dos familiares e da educação na formação de valores artísticos. Estes casos revelam, também, uma certa mudança em curso no contexto cultural da favela, por conta de projetos de organizações não governamentais que vêm sendo implementados. Além de ambas terem tido contato com produção audiovisual no Ensino Fundamental através de um curso de multimídia, elas eram as únicas do universo pesquisado que se relacionavam com profissionais da área cultural. Vimos que estudar teatro no contexto propiciado pelo Nós do Morro levava a jovem do Vidigal a tomar conhecimento e a assistir a uma série de filmes que ela não procuraria por conta própria. Segundo informou, o contato continuado com documentários, por exemplo, fez com que hoje aprecie esse gênero. Foi freqüente também mencionar que desejava ver determinados filmes brasileiros porque seus professores os haviam recomendado – ou mesmo participado da produção. No caso da outra jovem, o fato de a tia trabalhar com teatro e dos avós terem grande interesse por cinema levava-a a ter um repertório mais amplo do que a maioria dos demais jovens, bem como uma visão crítica aguçada. Assim, a jovem da Zona Sul e a da favela, embora não pertencessem à mesma vizinhança, construíam relações com grupos culturalmente afins, cuja influência na formação de seus gostos e opiniões se revelou fundamental. Portanto a possibilidade de convívio com grupos ligados ao campo artístico favorece a aproximação cultural de sujeitos que vivem em contextos socioeconômicos

historicamente diferentes. Comprovamos com esse caso a relevância das instituições formadoras para o desenvolvimento de uma visão crítica sobre a arte.

Por outro lado, compreendemos que o uso frequente das redes sociais e demais ferramentas de comunicação online – como o MSN – permite o convívio em outro espaço, potencializa a relevância das redes de amigos na formação das opiniões e favorece encontros que independem do território. Lembramos que a interação nas interfaces virtuais foi uma das atividades mais citadas pelos jovens quando indagamos sobre o que fazem no tempo livre. De todo modo, a possibilidade de ampliar as referências sobre cinema mediante a troca com sujeitos/grupos com os quais não se convive nos lócus de sociabilidade “físicos” pareceu explorada, de fato, apenas por uma jovem – a mesma que revelou valorizar produtos diferentes “do que esses que todo mundo fica falando”. Os demais parecem utilizar este meio como mais uma forma de se conectar com seus grupos. Quando desejam informações sobre cinema, acessam os grandes portais. O cadastro na mala direta dos grupos exibidores que conhecem foi uma das iniciativas apontadas por diferentes participantes.

A utilização desta referência mostrou também que os jovens valorizam o mercado de salas de exibição como fonte de informação, embora a maioria não tenha o hábito de frequentar cinemas. Obviamente, o valor atribuído pelo grupo ao filme novo (ao produto que está sendo lançado em determinado momento) justifica o interesse em pautar-se pela programação dos cinemas. Ao compartilharem referências dessa mídia, a variável da localização contribui para criar diferenças, particularmente entre as jovens que residem em Copacabana e os demais. Elas mostraram conhecer produtos menos divulgados nos meios massivos e se referiram algumas vezes ao cinema Roxy para exemplificar como ficam sabendo dos filmes – a revista semanal publicada por esse grupo exibidor é também procurada pelas jovens. Compreendemos

que a sala que mais frequentam (Roxy) tem particularidades que faltam ao Kinoplex NorteShopping e ao Multiplex Caxias Shopping – cinemas que disseram frequentar os jovens da escola de Manguinhos e de Duque de Caxias – e favorece um conhecimento mais vasto e diversificado sobre os filmes. As meninas de Copacabana fizeram referência também à programação de cinemas dos bairros adjacentes. Geridos por redes locais (Grupo Estação e Arteplex/Mais Cultura), essas salas ofertam predominantemente filmes pequenos e médios (isto é, lançados com menor investimento no mercado), e poucas produções norte-americanas de caráter comercial. Por outro lado, o fato de essas jovens terem se mostrado mais assíduas às salas de cinema do que os demais torna essa mídia mais acessada. Lembramos também que os participantes que estudavam na mesma escola que elas não conheciam o cinema dessa região. Os que vivem em Bonsucesso disseram que frequentam o Kinoplex NorteShopping, e a jovem que mora no Vidigal não revelou frequentar qualquer sala (embora tenhamos visto que ela tem especial ligação com cinema por estudar teatro).

Verificamos também que a exibição do trailer de um longa-metragem na TV aberta dá-lhes a impressão de que se trata de uma obra valorizada socialmente – o que fica nítido nos depoimentos de alguns, quando associam uma certa “evolução” do cinema brasileiro ao fato de uma quantidade grande de obras terem começado a ser divulgadas na Rede Globo. De toda forma, essa estratégia promocional precisa passar pelo crivo dos grupos de convívio para efetivamente levá-los a buscar o filme no mercado. O fato de alguém com quem se tem afinidade ter assistido e gostado assegura o valor do produto – isto é, seu potencial de produzir sentido, de dialogar com seus valores. O consumo de muitos dos filmes brasileiros citados por eles é resultado desse quadro, o que indica que, para optarem por uma obra dessa cinematografia, é importante terem uma referência mais forte, e que esta referencia é

buscada na mídia televisiva e nos grupos de convívio. Voltaremos a esse ponto no próximo tópico, ao discutir a recepção do cinema brasileiro.

Além da publicização das estreias nas estações locais – especialmente na Rede Globo –, não há dúvidas de que os temas e informações debatidos nesse meio subsidiam grande parte das representações que estes jovens fazem do mundo. Entretanto notamos que, de um modo geral, as produções da TV aberta tampouco apareceram como favoritas, e, com exceção dos programas voltados para jovens, os conteúdos aos quais assistem nesse circuito foram considerados pouco interessantes. Os comentários indicam que esta programação é tida como “fora de moda”, ultrapassada. As telenovelas são muito assistidas, mas os jovens assinalaram que não é um programa em que se reconhecem e que não há motivação para assisti-las. É apenas parte de um hábito cotidiano que, como ficou claro pela forma que abordaram o tema, tem importância para se posicionarem dentro de um universo compartilhado pela família. Não obstante, evidenciou-se o gosto por um certo padrão/tipo de cinema produzido pelos grandes conglomerados internacionais e que costuma ser oferecido nas estações locais (filmes de ação, filmes com lição de moral etc.).

A programação de canais da TV por assinatura em que se incluem obras dos estúdios de Hollywood se mostra, na mesma medida, especialmente atraente, indicando que, embora eles tenham acesso a uma oferta ampla, suas escolhas centram-se em produções da indústria dominante. Os canais por assinatura ganham ainda mais valor pelo fato de constituirem-se em um circuito em que a estreia é feita mais cedo do que nas estações da TV aberta e apresentarem uma programação variada, que inclui produções claramente voltadas para jovens. Como também oferecem outros gêneros produzidos pelas multinacionais e não veiculados na TV aberta, o interesse cresce. Contudo, concluimos que a programação produzida pelas

emissoras nacionais ocupam lugar importante na cultura cinematográfica desses jovens e como fonte de informação, apesar de os gêneros apresentados raramente seduzi-los.