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1. BÖLÜM: E-TĠCARET VE E-ĠġLETME ANLAYIġINA GEÇĠġ SÜRECĠ

1.3. E-Ticaret Araçları

1. As unidades domiciliares amostradas no município de Conceição dos Ouros são predominantemente comandadas por casais de baixo nível de escolaridade, de idade de mediana entre 46 (para mulheres) e 55 anos (para homens), de origem local e com histórico de vida na região. Os casais são, em sua maioria, proprietários das terras em que residem. Grande parte dos homens sobrevive dedicando-se a trabalhos agrícolas em tempo integral. Os descendentes homens, jovens, agricultores tendem a permanecer nas unidades familiares. Os descendentes não residentes nas unidades domiciliares, de ambos os sexos, dedicam-se predominantemente ao exercício de atividades não agrícolas, desenvolvidas principalmente no município. Os dados apontam para a ocorrência de reposição de mão-de-obra agrícola nas unidades domiciliares (51%). A migração é relativamente significativa (44%) e sutilmente maior entre as mulheres.

2. As atividades agrícolas têm, atualmente, fornecido aos agricultores pouco retorno financeiro, o que pode causar significativo abandono de sua prática. Nesse sentido, recomenda-se a formulação de políticas públicas que visem à valorização da cultura rural e à fixação dos jovens no campo, assegurando-lhes um retorno financeiro mais justo advindo dessas atividades.

3. Os espaços de cultivo mantidos pelos agricultores são relativamente diversos e desenvolvem importante papel econômico e social. Os quintais abrigam espécies usadas para distintas finalidades e são fontes de alimentos para as famílias. Exercem ainda relevante papel de socialização, na medida em que alimentos são doados para amigos e parentes. Os mandiocais e as roças, além da diversidade que mantém, são importantes para a subsistência das famílias e atuam significativamente na complementação da renda familiar.

4. Os agricultores ourenses vivenciam uma situação de transição no tocante ao seu modelo de produção, que mistura técnicas tradicionais e convencionais de manejo. Essa situação também se reflete no raso conhecimento local sobre os recursos vegetais e sobre as técnicas de manejo que detêm.

5. Os recursos mostram-se heterogeneamente distribuídos entre os entrevistados. Os membros mais velhos, de ocupação agrícola e que destinam sua produção para a fabricação do polvilho mantém maior diversidade de plantas em relação aos mais

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jovens, aos não agricultores e àqueles que não produzem para polvilho. Isso indica a influência de fatores sócio-econômicos sobre a manutenção da agrobiodiversidade. 6. Os espaços de cultivo são sítios potenciais para a prática da conservação on farm da

agrobiodiversidade. Entretanto, tal ação somente será eficaz com o envolvimento dos agricultores, especialmente os mais jovens, além do fornecimento de incentivos para que os agricultores continuem a plantar.

7. O acervo de etnovariedades de mandiocas mantido pelos agricultores é reduzido, se comparado ao mantido por populações tradicionais e é constituído predominantemente por etnovariedades mansas, consideradas “locais”, bem como etnovariedades “melhoradas”. Baixo consenso sobre a toxicidade das etnovariedades “melhoradas” foi encontrado. São encontradas poucas etnovariedades mantidas por vários agricultores, bem como etnovariedades raras, as quais poucos agricultores possuem. Etnovariedades locais, usadas para consumo familiar, são plantadas em pequenas áreas. Já as usadas para polvilho, ocupam áreas maiores. Nota-se certo nível de especialização da produção da mandioca destinada ao polvilho, o que acarreta a substituição de etnovariedades “locais” pelas “melhoradas” para esta finalidade.

8. O sistema local de classificação da mandioca é principalmente baseado nas características das raízes, que são usadas para nomeação. A grande maioria das etnovariedades possui nomes gerais, pouco detalhados, o que pode ser indicador de perda de conhecimento sobre as mesmas, sobre suas formas de reconhecimento, ou mesmo, ausência de uma percepção mais aguçada do agricultor.

9. As redes de circulação encontram-se ativas e atuam predominantemente nos níveis local e regional. A circulação do material ocorre principalmente entre amigos e parentes, por motivos relacionados à produção de polvilho, envolvendo trocas em massa. O consumo também estimula as trocas, porém movimenta quantidades inferiores de rama. Em ambos os casos, há a busca por novas etnovariedades ou novas ramas de “qualidades” já existentes. Agricultores-chave, responsáveis por grande disseminação de material de cultivo, são encontrados nas redes de circulação e são peças fundamentais a serem consideradas em programas de conservação da agrobiodiversidade.

10. Alto nível de diversidade genética foi encontrado nas etnovaridades de mandioca manejadas pelos agricultores, o que pode ser resultado da ativa rede de circulação de ramas, ou mesmo, da possível incorporação de indivíduos advindos de reprodução sexuada ao acervo local.

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11. Maior diversidade genética é encontrada entre etnovariedades “locais” quando comparadas às “melhoradas”, o que pode ser resultado de um processo de seleção dirigida mais intenso sobre estas últimas. Quintais e mandiocais são espaços altamente diversos, apesar de superior diversidade ter sido registrada nos quintais. Isto porque, mandiocais tendem a abrigar um maior número de etnovariedades “melhoradas”, usadas na produção do polvilho.

12. O sistema local de classificação correspondeu à identidade genética do material analisado, indicando solidez do conhecimento local sobre mandiocas. Entretanto, este se mostra superficial quando comparado ao apresentado por outros grupos humanos. Além disso, parte da variabilidade genética é subestimada pelos agricultores, fato evidente pela atribuição de um mesmo nome a indivíduos diferentes de mandioca. 13. Em suma, podemos afirmar a existência de considerável diversidade de espécies e

variedades manejadas e de ampla diversidade genética de mandioca sendo mantida pelos agricultores do município de Conceição dos Ouros. Entretanto, o conhecimento local associado aos recursos vegetais mostra-se vulnerável, susceptível à erosão, o que pode ser resultado de sua desvalorização no local, bem como das pressões advindas com a adoção do modelo convencional de produção. Neste contexto, para uma efetiva conservação da agrobiodiversidade, faz-se fundamental a valorização do agricultor familiar, do modo de vida rural, bem como do conhecimento local. Programas de conservação on farm da agrobiodiversidade devem ser elaborados levando em consideração não somente a eventual vulnerabilidade do recurso, mas também do conhecimento local a ele associado.

14. Estudos como o presente são fundamentais para conhecer a realidade de sociedades rurais em transição, tão comuns no Brasil de hoje. Entender como esses grupos populacionais respondem às pressões da agricultura “moderna” fornece-nos subsídios para a proposição de modelos de conservação mais adequados à realidade local. Além disso, tais estudos exercem importante papel na documentação e na valorização do conhecimento local junto aos agricultores.

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