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2. TEVEKKÜL ALGISINA İLİŞKİN BULGULAR ve YORUM

2.3. Tevekkülle Negatif İlişkili Algılanan Süreçler

O Centro Terra Viva é uma associação civil de direito privado, que não possui fins lucrativos e atua em assessorias técnica e gerencial de entidades do semiárido norteriograndense. Assume o objetivo de ajudar no desenvolvimento sustentável local, utilizando-se de tecnologias alternativas para incentivar práticas agroecológicas e solidárias. Constituída em 03 de outubro de 1997, por proposição de um grupo de profissionais de formação multidisciplinar, a Terra Viva buscou ao longo dos seus quase 20 anos de existência fomentar ações calcadas em metodologias sintonizadas com as demandadas dos assentamentos de reforma agrária e comunidades rurais, a partir de diversos programas e projetos de assessoria técnica e capacitação direcionados para esses atores. As ações desta organização, porém, vêm priorizando os municípios do oeste potiguar, como Apodi, Upanema, Janduís, Governador Dix-Sept Rosado e

46 O feno é obtido mediante a exposição ao sol e ao ar da planta cortada, que sofre dessecação lenta e

parcial, de modo que a sua taxa de umidade, originalmente de 60 a 85%, seja reduzida para teores entre 10 e 20%, com perda mínima de nutrientes, maciez, cor e sabor. O bom feno é palatável, nutritivo e ótima fonte de vitaminas A e D. Em virtude da sua concentração, um quilo de feno pode substituir três quilos de silagem de milho ou sorgo ou de forragem verde (Disponível em: <http://fenosantahelena.com.br/plus/modulos/conteudo/?tac=feno-e-fenacao>. Acesso em 03 abr 2016).

47 Silagem é o produto oriundo da conservação de forragens úmidas (planta inteira) ou de grãos de cereais

com alta umidade (grão úmido) através da fermentação em meio anaeróbico, ambiente isento de oxigênio, em locais denominados silos. A silagem de planta inteira (volumoso energético) é um alimento distinto da silagem de grão úmido (concentrado energético). Portanto, são alimentos complementares e não substitutivos. Na alimentação de ruminantes (bovinos de leite e de corte, bubalinos e ovinos), a silagem de grãos úmidos, por ser uma alternativa de um alimento com concentrado energético, complementando a silagem de planta inteira, que é o volumoso, resulta em uma dieta eficiente e de menor custo. Na alimentação de monogástricos (suínos, aves e equinos) a silagem de grão úmido substitui total ou parcialmente os grãos de cereais, que tradicionalmente são conservados na forma de grãos secos (Disponível em: <http://www.sementesagroceres.com.br/pages/Silagem.aspx>. Acesso em 03 abr 2016).

48 Cultivo de espécies de vegetação, natural ou plantada, que cobre uma área e é utilizada para

alimentação de animais, seja ela formada por espécies de gramíneas, leguminosas ou plantas produtoras

de grãos (Disponível em: <

http://www.mma.gov.br/estruturas/sqa_pnla/_arquivos/glossrio_bndes_textodoc_46.pdf>. Acesso em 14 nov. 2016)

Mossoró. Contudo, alguns projetos da entidade se expandiram para municípios vizinhos, tais como Carnaubais, Porto do Mangue, Grossos, Upanema e Baraúna (TERRA VIVA, 2016). Em ambos os casos, a organização produtiva das comunidades é fruto da organização dos movimentos sindicais da região, bem como da Comissão Pastoral da Terra do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Sem Terra (MST), que resultou no assentamento de várias famílias, e chegou inclusive a criar um curso de pedagogia para assentados na região, com apoio do poder público.

Sob uma perspectiva política, ideológica e gerencial, houve uma reestruturação do quadro de cooperados(as) da entidade, visando uma maior atuação junto a entidades do terceiro setor, bem como a formalização dos vínculos empregatícios dos trabalhadores da entidade. A Terra Viva, a partir da necessidade de rediscutir a sua personalidade jurídica, influenciada pelas suas parcerias, alavancou um processo de discussão interna que culminou na transformação da sua estrutura jurídica de cooperativa para a criação do Centro de Apoio ao Desenvolvimento da Agricultura Familiar – TERRA VIVA, uma associação civil de direito privado, sem fins lucrativos, atuando em áreas temáticas vinculadas ao desenvolvimento sustentável do semiárido, especialmente nos municípios de Apodi e Mossoró, embora a sua ação se estenda aos demais municípios do médio-oeste do Rio Grande do Norte (TERRA VIVA, 2016). O escopo é, além de viabilizar convênios, de respeitar legalmente as garantias sociais dos seus empregados.

As áreas de atuação da Terra Viva têm sido o apoio ao desenvolvimento local via capacitação em temas como gênero e de renda; o incentivo à prática agroecológica; o uso de tecnologias alternativas e a comercialização dos produtos da agricultura familiar (TERRA VIVA, 2016).

O Terra Viva iniciou as suas atividades na região prestando assessoria rural em assentamentos a partir do projeto LUMIAR49. Destacou-se na região, ademais, pelo Programa de Desenvolvimento de Área (PDA), da ONG Visão Mundial, cujas ações têm o compromisso de gerar condições econômicas e sociais para a autossustentabilidade e para o desenvolvimento integral da comunidade. O programa tem vida útil média de 10 a 15 anos. Ele pode abranger áreas urbanas e rurais e envolver várias comunidades de uma mesma região, urbanas ou rurais. O programa iniciou no semiárido com um diagnóstico, feito pela equipe da Visão Mundial, que identifica e

49 Projeto de assistência técnica aos assentamentos, desenvolvido pelo INCRA em parcerias com

avalia as necessidades das famílias para, juntamente com a comunidade, definir os projetos que serão implementados. O PDA dá apoio aos grupos que estão mais vulneráveis nos âmbitos social e econômico, sempre com foco nas crianças e adolescentes. São aplicadas iniciativas que buscam reduzir as desigualdades, promover a inclusão social, desenvolver o protagonismo comunitário e estimular a vida associativa, com objetivo de contribuir e alcançar o bem-estar das crianças e adolescentes (TERRA VIVA, 2016).

Na execução deste programa, a Terra Viva prestava assessoria em produção, com o apoio de agrônomos, veterinários e assistentes sociais, bem como realizava capacitações, a partir das potencialidades identificadas em cada território, além de fomentar a formação de grupos produtivos. Segundo a assistente social da Terra Viva, a entrevistada 30, os veículos dos PDA‟s durante muito tempo ajudaram no transporte de produtos dos/as agricultores/as regionais para serem comercializados nas feiras locais e em Mossoró. A entidade trabalhou, ainda, na elaboração de estatutos, no seu registro em cartório, na eleição da primeira diretoria e, à medida que os grupos iam se tornando autossuficientes, deixava os coletivos assumirem autonomamente as suas necessidades e desafios.

Logo os grupos começaram a se reunir para a produção de hortas orgânicas, mas tinham dificuldade na comercialização. A partir de então, a Terra Viva, em parceria com outras pessoas e entidades, pensou num projeto para comercialização, envolvendo produtores da região. Fez-se um projeto de criação de uma loja de comercialização, o qual foi apresentado à Visão Mundial, que decidiu financiar a implantação da loja da Rede, com base na previsão orçamentária do projeto, pelo período de um ano. Ao final deste prazo, a ONG Visão Mundial deixou de financiar o projeto e a Rede Xique Xique que passou a arcar com custos que até então não tinha. Aos poucos a Rede vem conseguindo financiamentos de entidades parceiras e políticas públicas que auxiliam a sua manutenção.

A assistente social e fundadora do Centro Terra Viva, C.M., a esse respeito, entende que é importante a Rede lutar pela sua autossuficiência, a fim de que tenha uma maior autonomia, além de conferir mais segurança aos seus membros.

Atualmente, segundo dados da Terra Viva, a Rede possui em média 60 grupos associados, beneficiando diretamente cerca de 600 produtoras/es e indiretamente mais de 2.000 pessoas. Dentre as entidades que se articulam com a Rede, destacam-se:

Rede de Economia Solidária e Feminista

(RESF) SENAES – Secretaria Nacional de Economia Solidária

Centro Feminista 8 de Março UFERSA – Universidade Federal Rural

do Semiárido AACC – Associação de Apoio às

Comunidades do Campo ASA – Articulação Semiárido Brasileiro

SETHAS – Secretaria de Turismo, Habitação e Assistência Social

SDE – Secretaria de Desenvolvimento Econômico

Fórum Potiguar

Sindicato dos Trabalhadores e

Trabalhadoras Rurais do Oeste Potiguar Organização Não Governamental Instituto Florestan Fernandes de Formação da Cidadania e do Desenvolvimento Humano Secretaria Municipal de Agricultura e

Abastecimento de Mossoró Coordenação Oeste de Mulheres Trabalhadoras Rurais

Quadro 14 A Rede Xique Xique e suas redes sociais. Fonte: Elaboração da Autora, 2016.

Observa-se que a Rede Xique Xique foi criada com o objetivo de facilitar e formalizar a comercialização dos produtos das/os agricultoras/es do oeste potiguar. Ao mesmo tempo, uma das coordenadoras da REDE afirma que os grupos de produtores/as de Mossoró, Apodi, Governador Dix-sept Rosado e Baraúnas, que participaram da idealização e formação da rede não queriam só um espaço para vender a produção. “A gente queria algo que tivesse um elo; que se preocupasse desde à produção, à formação e à comercialização”.

Tal entidade se originou do trabalho de um grupo de mulheres que se articulou com outros movimentos sociais, tais como, sindicatos de trabalhadores locais e entidades de apoio aos produtores/as, e se constituiu a partir da identificação, por entidades de apoio, com experiências de outros coletivos, cooperativas e grupos de comercialização do Brasil, tal como a Rede Bodega de Economia Popular Solidária50 do Ceará. É nítido, inclusive no próprio discurso das mulheres da Rede, que foi decisivo o suporte e incentivo do Centro Feminista 8 de Março de Mossoró, que atualmente tem sua sede próxima à atual sede da Rede Xique Xique. Embora não exista um censo que precise quantas pessoas comercializam por meio da Rede, ela não se restringe apenas às

50 Rede Bodega de Economia Popular Solidária - A Rede Bodega iniciou a sua estruturação em 2004,

reunindo empreendimentos nos territórios e entornos de Fortaleza, Aracati, Tianguá e Limoeiro do Norte, nas cooperativas Bodega Nordeste Vivo e Solidário, Budega do Povo, Budegama e Arcos. Com assistência técnica da Cáritas Brasileira Regional Ceará, hoje há em torno de 50 grupos produtivos produzindo horta orgânica, quintal produtivo, pequenos animais, mel, artesanato, mudas nativas e frutíferas, beneficiamento de frutas, entre outras atividades. (Disponível em: < http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/3907/1/bmt50_econ03_aexperiencia.pdf>. Acesso em 1 abr. 2016).

produtoras rurais (cerca de 50% do total), mas quem se relaciona com a rede percebe que as discussões feministas são referência para a entidade. Há, sem dúvida, relações patriarcais entre as participantes e suas respectivas famílias, afinal, são produtos de uma cultura histórica. Mas há, igualmente, consciência dos participantes da Rede de que os papéis sociais assumidos pelas mulheres precisam ser cada vez mais ampliados.

Em relação à atual participação do grupo Decididas a Vencer na REDE, observa- se um processo de desarticulação (embora isto não seja afirmado ou sequer confirmado pela REDE), pois as suas idealizadoras, em sua maioria, estão aposentadas como trabalhadoras rurais, e os seus descendentes têm preferido residir em áreas urbanas, terem empregos com carteira assinada, sobretudo em virtude do padrão educacional vigente no Brasil, voltado para a valorização do meio urbano. Tal constatação foi feita a partir da limitação dos produtos provenientes de Mulunguzinho para serem comercializados pela REDE. Fica claro que se a REDE fosse comercializar exclusivamente produtos deste assentamento ela não conseguiria custear as suas despesas. Embora a intenção da criação da REDE não tinha o objetivo de comercializar produtos exclusivos de qualquer assentamento, a pretensão era que o grupo Decididas a Vencer fosse fortalecido com a sua criação, o que não ocorreu. O mel é o único bem ainda produzido coletivamente em Mulunguzinho, sobretudo por não exigir uma dedicação diária das produtoras. A maioria das mulheres que vive no assentamento ainda produz, a partir de princípios agroecológicos, de forma individual, nos quintais.

As mulheres que assumiram a liderança da rede, porém, enfatizam a importância do envolvimento dos cooperados e da necessidade do compartilhamento das responsabilidades da Rede. A entrevista 2, afirmou, a esse respeito, que “seria bom se as cooperadas e os cooperados se envolvessem mais nas atividades da Rede, pois tem produtor e produtora que manda os produtos por carro alternativo, para não ter o trabalho de sair da sua casa e vir deixar o que produziu aqui.”.

Embora se observe que não há uma perspectiva concorrencial entre os membros da Rede, o que a qualifica e aproxima da lógica da EcoSol, ainda há necessidade de fortalecimento da perspectiva de que cada cooperado é sócio da Rede, o que induz a necessidade de participação direita e ativa nas decisões e rotinas administrativas. Observa-se, nesse sentido, a necessidade de desenvolvimento de um maior senso de coletividade entre os indivíduos eu a compõe. Ademais, há o crescente anseio por independência em relação aos projetos e financiamentos públicos, o que reafirmam a

importância da consolidação da Rede, uma vez que representa um espaço autônomo de fortalecimento do feminismo, da EcoSol e da agroecologia.

Vê, pois, que ao encampar as propostas da EcoSol, observa-se que a Rede busca uma maior auto-organização das mulheres, sobretudo com o apoio de outras redes, o que favorece ao intercâmbio de demandas, propostas e ações políticas. A agroecologia, nesse contexto, além de garantir renda com pouco impacto ambiental, vem subsidiando discussões em torno da necessidade de maior segurança alimentar para as/os produtoras/es e às comunidades do entorno; o feminismo, em meio a avances e retrocessos, tem levado as mulheres a terem mais autonomia, participando de forma mais ativa de espaços tradicionalmente restritos à atuação feminina.

3.4 Quais as contribuições do feminismo, da agroecologia e da EcoSol para o