6. GEÇERLİK VE GÜVENİRLİK
6.3. Araştırmacının Rolü
Muitas dúvidas cercam as explicações dos integrantes da Rede na ocasião de explicarem a sua estruturação. Quais os órgãos que a compõe? Quantos são? Qual a
função que cada órgão assume? Como eles se subdividem? Assim, foi necessária a realização de uma pesquisa documental, baseada na análise de atas das assembleias e encontros promovidos pela REDE, como também a busca em cartórios dos documentos registrados em seu nome para aclarar como formalmente a Rede foi instituída.
Ao construir um organograma da entidade, chegamos à seguinte estrutura:
CO
Figura 14: Organograma da Associação de Comercialização Solidária. Fonte: Arquivo próprio da autora.
A associação é composta por 2 tipos de membros: os produtores/as, que têm direito a voto nas deliberações da assembleia geral; os consumidores, apenas com direito a voz nas discussões do grupo. O conselho de ética da associação deve ser composto por 15 membros, todos indicados pela Assembleia Geral, dos quais 10 serão produtores, 3 técnicos e 2 consumidores.
Há também, como visto, um conselho de certificação, que tem a atribuição estatutária de deliberar sobre o Sistema Participativo de Garantia (SPG). Tal sistema consiste em validar e certificar que os produtos produzidos e comercializados são
Conselho de certificação
Coordenação Conselho Fiscal
Produtor es Técnico Consumidor 2ª Coord Financeir a 2ª Coord de secretaria 1ª Coord de secretaria Associação de Comercialização Solidária Xique Xique Assembleia Geral Conselho Diretor Conselho de ética (mandato
efetivamente orgânicos. A partir de inspeções regulares do conselho nas produções, a organização adquire um selo emitido pelo Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica (SisOrg), criado pelo Art. 29 do Decreto Nº 6.323/07. Este conselho deve ser composto por 3 produtores, 1 assessor técnico e 1 consumidor, os quais devem ser indicados pelos núcleos que compõem a associação.
Na prática, verifico que a Associação Xique Xique não obteve até então este selo, de modo que legalmente não há o reconhecimento de que os produtos que ela comercializa são orgânicos. Como dito anteriormente, a REDE supõe que os produtores praticam os princípios sob os quais ela se sedimenta, mas a partir puramente de relações de confiança, de modo que ao participar das políticas públicas na região, o seu produto não pode ser encarado como orgânico, já que lhe falta o selo do SisOrg. Tal situação, porém, não impede a venda direta dos bens como produtos agroecológicos, mas a legislação sobre produção orgânica somente possibilita este tipo de comercialização (venda direta) como produto orgânico, por ausência do selo.
Quando a REDE foi criada, se vincularam a ela várias cooperativas, tais como a COAFAPI43 e a COOPERCAJU44. Nenhuma delas, porém, discute o feminismo desde a sua instituição, tanto que eram lideradas por homens, em sua maioria. Ademais, para não perderem o direito de se aposentarem como trabalhadoras rurais tinham que criar uma cooperativa composta tão somente por agricultores familiares que trabalhem exclusivamente no âmbito rural. Diante desse contexto, criaram, em 2012, a COOPERXIQUE, responsável pela manutenção financeira da REDE, já que a cooperativa tem direito a 15% sobre o preço dos produtos que comercializa, percentual bem menor do que os cobrados pelos atravessadores.
Segundo o Estatuto da associação, para integrar os seus quadros é necessário ser indicado por um sócio, ser aprovado pela assembleia, pagar a anuidade e ser membro de um dos núcleos da REDE. Os seus recursos, conforme o estatuto, advém de auxílios
43 COAFAPI – A Cooperativa da Agricultura Familiar de Apodi foi fundada em 4 de janeiro de 2001, por
20 sócios, todos/as agricultores/as familiares de comunidades e assentamentos do município de Apodi. Atualmente é formada por 252 pequenos/as agricultores/as de 30 comunidades rurais e por assentados/as de 16 assentamentos da reforma agrária de Apodi () (RN) (Disponível em: <http://www.caatingacerrado.com.br/cooafap/>. Acesso em 1 abr 2016).
44 COOPERCAJU – A Cooperativa dos Beneficiários Artesanais de Castanha de Caju está situada no
município Serra do Mel (RN), e foi fundada em junho de 1991. Sua atividade principal é a coleta, o beneficiamento e a comercialização de amêndoas de castanha de caju. A cooperativa possui 170 associados e 450 famílias envolvidas. Sua produção mensal chega à 15 toneladas de castanha de caju. O destino dessa produção vai além das fronteiras brasileiras e estão sendo exportadas para Suíça, Áustria e Itália; Ao longo desses anos a cooperativa vem conquistando as bases do comércio justo e solidária, e já possui certificação orgânica.
financeiros, políticas públicas, convênios, subvenções e contribuições. Na prática, como a sede da Associação da Rede funciona no mesmo local da COOPERXIQUE, as receitas da cooperativa representam o principal aporte financeiro da associação.
Quanto à estrutura da cooperativa, ela se organiza do seguinte modo:
Figura 15: Organograma da COOPERXIQUE. Fonte: Arquivo próprio da autora.
Na prática, observa-se que a REDE tem um grupo específico e restrito de produtores que se dedica mais de perto à sua estrutura, de modo que muitos membros da COOPEPRXIQUE não entendem a lógica cooperativa do funcionamento da comercialização via Rede, o que é essencial para que a sua estrutura seja fortalecida. Por outro lado, os produtores/as já tinham a dinâmica de participar de feiras locais, e a Rede não pode ser um mecanismo de enfraquecimento do comércio local; ao revés, deve estimular a dinamização da economia das diversas localidades do Estado onde seus produtores/as estão domiciliados. Tal contexto, porém, gera vez por outra impasses entre organizadores da Cooperxique e seus cooperados, que são os proprietários do empreendimento, pois as pessoas que atuam mais ativamente na Cooperxique defendem
COOPERXIQUE
Coordenação Assembleia Geral Cooperados
Secretaria
Fundo de Assistência Técnica, educacional e social (FATES)
Conselho Fiscal Conselho de Administração Coord. Geral Coord. Financeira Coord. Administrativa Coord. Comercial Vogal
que toda a comercialização dos produtos produzidos pelos cooperados seja feita via Rede, o que, para os cooperados, muitas vezes, se torna inviável, sobretudo porque a participação em feiras envolve menos custo de logística e o pagamento é à vista.