2. TEVEKKÜL VE İLİŞKİLİ SÜREÇLER
2.4. Tevekkül ile Bağlantılı Psikolojik Kavram ve Süreçler
2.4.1. Nedensel Yüklemeler
2.4.1.3. Nedensel yüklemeler bağlamında kontrol ihtiyacını karşılama
Ao final da 2ª Guerra Mundial, diante dos avanços tecnológicos alcançados, um amplo programa transnacional de modernização produtiva da agricultura foi desenvolvido, inicialmente nos Estados Unidos e Europa (década de 1950), sob o argumento de que a falta de alimento mundo era responsável pela fome no mundo
(MATOS; PESSOA, 2011). Esta expansão agrícola estava baseada no uso massivo de insumos industriais, na mecanização da produção pelo uso de máquinas de grande porte dependentes de recursos energéticos não renováveis e na redução do custo de manejo que gerou impactos significativos no trabalho rural. Para tanto, investiu-se na modificação genética das sementes, no estudo e desenvolvimento de fertilizantes e agrotóxicos, na monocultura e na produção em larga escala.
Como resultado, houve a exploração intensiva dos bens ambientais, especialmente da água, a quase extinção de biomas, a contaminação de solos e dos indivíduos, além da concentração fundiária – que teve impacto significativo na cultura dos pequenos agricultores e nas populações tradicionais.
O Brasil, neste contexto, já trazia os grandes latifúndios monocultores como um produto da história de exploração que viveu ao ser colônia, que, aliado ao trabalho compulsório e à produção para exportação, constituíam o sistema agrícola predominante na América dos séculos XV a XIX, denominado plantation. Ainda subsistente em determinados contextos na América Latina (PINTO, 2016), tal como no nordeste brasileiro, inclusive em terras privilegiadas das regiões semiáridas, o plantation foi responsável por desestruturar a agricultura familiar, por implementar hábitos de consumo ambientalmente reprováveis e socialmente injustos, sobretudo porque, ao assumir diretrizes capitalistas, baseia-se em relações intersubjetivas exploratórias e verticalizadas.
Assim, a concentração fundiária no Brasil, subsidiada por investimentos, públicos e privados (que visam a entrada de capital via exportação de bens primários), em tecnologia, sobretudo a partir da década de 1990, viabilizou o crescimento exponencial agrícola, com a expansão das fronteiras de produção e a implantação de culturas como soja, milho e algodão.
Esta disposição de estrutura social implementada a partir da revolução verde é parte de um modelo de desenvolvimento que é denominado de “modernização conservadora” (Graziano da Silva (1980); Andrade (2011); dentre outros), uma vez que concretizava mudanças técnicas e produtivas que não se convertiam no incremento do bem-estar social. Observou-se, nesse sentido, que embora tenha ocorrido um aumento da produção, ele não foi suficiente para solucionar problemas sociais relevantes, pois com o passar do tempo observou-se que a fome, além de ser mantida, foi agravada, e que outros problemas sociais foram ocasionados, tal como a degradação dos recursos naturais (DOURADO, 2011).
Como alternativa a este modelo produtivo, organizações e movimentos sociais começaram a discutir, em nível internacional, a necessidade de uma maior associação entre a agronomia e a ecologia, entre os seres humanos e a natureza, entre a natureza e a cultura. Na década de 1980, a agroecologia começa a se popularizar, sobretudo em virtude de trabalhos dos acadêmicos Miguel Altieri e Stephen Gliessman, os quais analisaram cientificamente comunidades tradicionais campesinas, principalmente na América Latina, e passaram a buscar fundamentos e metodologias para transformar a agroecologia em uma ciência, que também deveria ser concebida como uma prática política e como um movimento social (WEZEL, et al, 2009).
A participação política das mulheres em defesa de investimento em políticas de EcoSol e agroecologia no município de Mossoró (RN) decorreu, sobretudo, dos movimentos de sindicatos de trabalhadores rurais, de organizações não-governamentais e da Universidade Federal Rural do Semiárido. Em meio a avances e retrocessos, as articulações de produtores em prol da agroecologia tem gerado tensões entre profissionais atuantes nas capacitações produtivas e os grupos de mulheres: de um lado os técnicos questionam o envolvimento político como um elemento que retira ou diminui a participação das mulheres na produção; de outro, os movimentos sociais, especialmente o feminista, suscitam o engajamento feminino na luta pelo reconhecimento de direitos.
De fato, algumas mulheres que trabalham na gestão da Rede Xique Xique, por exemplo, diminuíram ou se afastaram da atividade rural produtiva. Segundo elas, tal contexto decorre das atividades da Rede, pois “em Mulunguzinho não tem internet e nem pega celular. Como eu vou articular as atividades da Rede?”.
Assessoras do Centro Feminista entendem, porém, que “o afastamento de algumas produtoras do campo é necessário, pois a atuação política das mulheres da região foi responsável por grandes conquistas”. E tal conjuntura, segundo membros do CF, justifica que a atuação política das mulheres tem gerado um maior respaldo institucional, inclusive via políticas públicas, o que tem replicado positivamente no trabalho feminino no campo. De todo modo, a renovação da atuação das mulheres nos grupos produtivos deve ser estimulada, inclusive com políticas públicas voltadas para a juventude rural feminina.
Com a mesma percepção do Centro Feminista, um antigo técnico da Associação Terra Viva, atualmente docente do magistério federal, que atuou na elaboração e execução inicial do projeto da Rede Xique Xique, entrevistado 18, entende que “a
atuação política de parte das mulheres é tão importante quanto o trabalho produtivo, já que o primeiro viabiliza e angaria investimentos para o segundo”.
Assim, existem agricultoras que não participam dos movimentos políticos da Rede diretamente, bem como existem pessoas que atualmente só trabalham na parte administrativa da rede, não vivendo mais, portanto, da agricultura. Esta situação, porém, cria um contexto preocupante do ponto de vista previdenciário, já que as pessoas que não contribuem para o INSS - por serem trabalhadores rurais em regime familiar1 - devem comprovar a condição de agricultor/a rural na ocasião da requisição de qualquer benefício previdenciário, devendo existir provas cabais desta condição, a exemplo da nota fiscal em nome do segurado relativa à aquisição de sementes, instrumentos de trabalho, dentre outras. Perguntada sobre a questão, uma das pessoas da organização da Rede, entrevistada 3, respondeu que “por ser assentada da reforma agrária tem direito à aposentadoria como trabalhadora rural, que não exige contribuição”, sem maiores preocupações em relação à problemática levantada. Esta mesma resposta foi dada por sua filha, que atualmente também trabalha exclusivamente na Rede, e mesmo quando morava no assentamento, não auxiliava a genitora na produção, pois, segundo a entrevistada 6, “eu nunca gostei do trabalho no campo. Eu gosto de trabalhar aqui na Rede”.
O ideal, entretanto, é que haja um número maior de pessoas envolvidas com o trabalho da Rede, de modo que nenhuma produtora tenha que deixar de produzir para acompanhar as atividades políticas do coletivo. Como tanto as atividades produtivas, como a organização da Rede são imprescindíveis, o objetivo é que ambas subsistam, se complementem e não se excluam. Tal necessidade é importante para o fortalecimento da Rede, o que assume premente importância no contexto atual, diante das vicissitudes políticas pelas quais o país perpassa.
As instabilidades políticas atuais do Brasil decorrentes do processo que gerou o afastamento da presidente Dilma Rousseff da chefia do executivo já começaram a evidenciar o enfraquecimento das políticas de EcoSol no Brasil, especialmente com a saída de Paul Singer da SENAES, com a desestruturação dos dados do Sistema de Informação sobre Economia Solidária (SIES) e com a descontinuidade de várias políticas públicas voltadas para o meio rural.
Assim, embora decisões políticas do Partido dos Trabalhadores não tenham promovido uma reconfiguração da política econômica institucional do Estado brasileiro, em se tratando do respaldo institucional às ações de EcoSol, observa-se que os governos
do Partido dos Trabalhadores, especialmente por terem origem no movimento sindical, mantiveram tradicionalmente uma constante interlocução com os movimentos sociais e assumiram compromissos de promover uma maior justiça social e retribuição de renda. Mesmo não encarando a EcoSol como uma agenda central para o desenvolvimento do país, dadas as forças econômicas hegemônicas que viabilizaram a própria ascensão do PT ao governo, foi nestes governos que a EcoSol e as políticas de correção das distorções históricas de gênero ganharam espaços na estrutura do Estado, de forma inédita, especialmente com a criação da SENAES e da SPM, aquela dentro do MTE e esta com status de ministério, vinculada diretamente à presidência da república.
Portanto, longe de tais iniciativas significarem uma mudança estrutural das relações produtivas no Brasil, do ponto de vista da horizontalização das relações laborais e de despatriarcalização das relações sociais, estas políticas em favor das mulheres rurais têm um importante poder simbólico. Isto porque figuraram como importantes estratégias em favor do reconhecimento das experiências feministas de EcoSol existentes no país, como experiências reais de desenvolvimento alternativo.
O mencionado contexto de instabilidade política, ademais, tende a produzir
reflexos negativos na subsistência e continuidade dos grupos
produtivos/associações/cooperativas, pois, embora eles devam guardar uma postura de independência em face do Estado, existem políticas essenciais que viabilizam e qualificam o seu trabalho, tal como as de assistência técnica. Num primeiro momento, porém, observa-se que os grupos têm se mobilizado para manter os níveis de produção e articular consumidores. Isto tem resultado, inclusive, numa maior organização da Rede e dos seus respectivos grupos fornecedores, o que demonstra que, em momentos de crises institucionais e econômicas, a atuação organizada das mulheres direcionou-se para buscar estratégias de continuidade mais autônomas em relação ao Poder Público.
Um efeito benéfico para esta fase de insegurança da Rede, portanto, foi um maior fortalecimento das relações horizontais com os produtores, pois se percebe o aumento das articulações e mobilizações com produtores rurais da região para fornecerem mais produtos para os consumidores das cestas de alimentos encomendadas via whatssap e entregues aos consumidores na sede da Rede. Assim, aparentemente a sociedade vem aderindo de forma mais constante à compra de produtos via Rede, bem como é perceptível um maior engajamento das organizadoras em aumentar a oferta de alimentos. Instituiu-se, ainda, uma feira toda última sexta-feira do mês na rua onde a Rede está sediada, embora em agosto de 2016 uma das produtoras comentou que a
Prefeitura de Mossoró não está querendo mais autorizar o fechamento da rua – provavelmente por questões políticas, visto que a rua não possui muito trânsito.
O fato é que a participação das produtoras na organização da Rede tem contribuído não só para a valorização dos espaços de atuação produtiva e política das mulheres, mas também para ressignificar a sua própria relação com o meio ambiente, embora a produção agroecológica exija formação continuada e uma sólida política de assessoria técnica.
Observa-se, contudo, que as mulheres do semiárido apresentam mudanças de visão sobre a função social da alimentação, o que evidencia os reflexos positivos decorrentes do processo de conscientização dos produtores/as sobre a importância da agroecologia, já que é perceptível, entre os produtores/as rurais que trabalham com produção agroecológica, o orgulho, não só por comerem, mas também por comercializarem produtores sem veneno. Segundo a entrevistada 15, “é muito bom produzir sem veneno porque a gente também come do que a gente produz. Sem veneno, a gente não faz mal nem aos outros, nem a gente mesmo”. No mesmo sentido, a entrevista 20 relata: “antes eu plantava hortaliça com veneno, eu vivia com problema na respiração. Hoje, graças a Deus, eu sou outra pessoa”.
Para entender holisticamente as propostas da transição para uma produção agroecológica, é importante promover mudanças culturais, no âmbito tecnológico, ecológico e socioeconômico.
Quadro 12 Confronto entre agricultura ecológica e convencional. Fonte: ARAÚJO, 2009.
Assim, ao tempo em que se deve ter a compreensão de que se trata de um processo de médio e longo prazo, a adoção de técnicas e princípios da agroecologia, por não assumir compromissos produtivistas, traz consigo mais segurança alimentar aos produtores e às comunidades do entorno, prestigia as interações biológicas naturais e estimula a atividade biológica do solo, ao tempo em que preserva os ecossistemas; a flora e a fauna do bioma. Esta complexidade de mudanças faz com que ainda tenhamos de conviver com “dois modelos de desenvolvimento rural e de agricultura: um velho, não sustentável, mas ainda hegemônico; e outro, em construção, que busca a sustentabilidade” (CAPORAL, 2006, p. 24).
Ainda que com estrutura social precária (saúde, educação, saneamento) e a privação de muitos serviços públicos essenciais, os grupos sociais rurais do semiárido potiguar encontraram na produção agroecológica um meio de incrementar a sua
qualidade de vida, em variadas conjunturas. Tal contexto tem produzido reflexos positivos, especialmente no fortalecimento da relação específica que o campesino possui com a terra, bem como com a reestruturação da organização familiar e comunitária, envolvidos coletivamente na geração de renda via trabalho coletivo, e aliados na luta pela terra e autonomia campesina.
A partir da ótica das agricultoras entrevistadas, a aproximação com metodologias agroecológicas traz implícito em seu bojo a difusão de uma racionalidade não-mercantilista, o compromisso com a policultura, o incentivo ao trabalho coletivo e as organizações sociais em torno da comunidade rural (embora hajam processos de descontinuidade dos grupos) e uma economia voltada para a circulação de renda na comunidade ou com a dinamização da economia local, com o desenvolvimento endógeno. Ao mesmo tempo, há ações políticas de resistência ao domínio do agronegócio, embora muitos produtores – especialmente os mais jovens, terminem se rendendo a ele. Para os trabalhadores do campo, pois, a produção agroecológica restabeleceu a ideia de que os produtos rurais são bens com valor de uso com centralidade no seu valor ecológico. Assim sendo, a agroecologia tem um papel importante em reavivar a base da forma de vida campesina nas relações de reciprocidade da organização comunitária, o que auxilia na resolução de desafios diários por meio do trabalho coletivo (GUERREIRO, 2012).
O cultivo a partir de sistemas de produção agroecológica, tanto incentivado por organizações não governamentais, como, a posteriori, por parte de políticas públicas, tem favorecido não só a ressignificação do trabalho comunitário, mas também a ampliação da diversidade de culturas na região, embora ainda subsista a inviabilidade do cultivo agroecológico de determinadas espécies que não convivem bem com o semiárido, como abacaxi, melancia e melão, pela quantidade de água que demandam (produzidos na região por meio do agronegócio para exportação).
As políticas públicas que instituíram projetos de extensão rural e assessoria técnica estimularam a produção de hortaliças orgânicas, a produção de mel, o beneficiamento de polpa de fruta, por meio da formação, treinamento e monitoramento de grupos produtivos, os quais também foram incentivados e formados para organizarem associações e cooperativas, a fim de escoarem a produção via comercialização direta, evitando a concorrência entre os grupos e o recurso a atravessadores.
Em paralelo às formações das quais participavam, alguns grupos de produtores começaram a integrar movimentos sociais que, para além de fomentar a produção rural via participação de políticas públicas, promoviam a formação política das/os envolvidas/os, tal como se pode destacar a ligação entre a Rede Xique Xique de Comercialização Solidária e o Centro Feminista 8 de Março. Como produto desta articulação, observa-se um substancial empoderamento político das mulheres, já existindo agricultoras eleitas conselheiras tutelares e candidata a vereadora nas eleições municipais de 2016, além de outras situações em que se observa este empoderamento nos próprios discursos das produtoras, conforme exposto a seguir.
Segundo a entrevistada 5, ela começou a fazer beneficiamento34 de frutas, “mas ia aparecendo uns cursos por aqui e por ali e eu também ia participando.” Ela diz que gosta muito quando é chamada para dar cursos nas comunidades do semiárido. “Quando eu chego lá tem de 12, 15 pessoas. O pessoal dá muita atenção e eu fico muito feliz.” Já a entrevistada 4 diz que “foi muito importante a gente fazer curso sobre beneficiamento, pois tinha muita coisa que a gente tinha em casa e se perdia.” Além do mais, diz Dona A., “ficou entre os produtores aquela preocupação de quando um aprender uma coisa nova passar para os outros. Quando eu vou para alguma comunidade que as pessoas têm as coisas e não sabem aproveitar, eu digo tudo o que eu sei”. Este discurso, por exemplo, evidencia o prestígio de alguns princípios da EcoSol, tendo em vista a demonstração do entendimento de que o conhecimento deve ser compartilhado entre os membros dos grupos para a expansão do próprio coletivo, o que demonstra o espírito de cooperação e colaboração entre os envolvidos.
Em paralelo à organização produtiva dos grupos sociais do semiárido, houve a criação de hortas comunitárias, as quais são cuidadas pelos coletivos de produtores/as do entorno conjuntamente, bem como o incentivo à formação e/ou o incremento da organização de espaços de comercialização, de modo que na atualidade existem feiras agroecológicas em vários municípios do Rio Grande do Norte. Há também outros espaços de comercialização, tal como a Rede Xique Xique, que possui uma loja permanente de venda de polpas de fruta, queijos, doces, marisco, castanha, frutas, legumes, carne de caprino, galinha de capoeira, ovos, mel e artesanato de produtores de vários municípios do Estado, além de uma feira de produtos agroecológicos todas as
34 “Ato de melhoramento, ato ou efeito de beneficiar; preparo industrial de produtos para consumo; o ato
de transformar um produto primário em um produto industrializado de maior valor”. Disponível em: < https://pt.wiktionary.org/wiki/beneficiamento>. Acesso em 04 set. 2016.
sextas-feiras, na sede da Rede. Há, ainda a venda de cestas de hortaliças e produtos produzidos por produtores rurais da região, como feijão verde, batata doce, óleo de coco.
Diante desse contexto, observa-se que embora as grandes monoculturas produtivas existentes no semiárido potiguar disseminem a informação inversa, a agricultura camponesa do semiárido tem capacidade para adotar princípios agroecológicos para orientar as suas produções, não obstante se reconheça que esta transição exige médio ou longo prazo para atingir resultados satisfatórios, o que muitas vezes é um desestímulo aos produtores, especialmente os mais jovens.
O semiárido, assim, tem pleno potencial produtivo para a adoção destes sistemas, de modo que vários produtores deixam claro que conseguem viver do que produzem, mesmo sem recorrer ao uso de veneno. A aproximação com a agroecologia, além de incrementar a relação dos produtores/as com a terra e o meio ambiente em geral, fomentou entre os/as produtores/as a ideia de que a alimentação é um ato político, o que lhes amplia o senso de responsabilidade em relação ao que produzem, tornando-os não só indivíduos mais conscientes, mas produtores mais engajados em produzir e comercializar produtos que sejam fonte de nutrição e riqueza, não de doenças.
Por sua vez, propor aos próprios agricultores uma mudança de perspectiva produtiva, relacional e sociocultural é, no dizer de Wanderley (2009, p. 9), “dar um voto de confiança aos produtores do campo, e acreditar na sua capacidade de assumir, efetivamente, um papel de agente de transformação social, de protagonista na construção de outra agricultura e de um outro meio rural no nosso país.”.
Assumindo que os pequenos produtores/as rurais têm a força para mover esse processo de transição em favor da agroecologia, o pequeno agricultor e presidente de uma Associação de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, entrevistado 16, afirma que “o cultivo que era feito desde nossos antepassados, devido a esse mundo moderno que se diz...., deixou de ser realizado, mas, por conta de capacitações, das atividades e também dos intercâmbios que fizemos, sabemos que temos que voltar àquela forma de produzir, se a gente quiser deixar uma herança pros nossos filhos”.
O agente de desenvolvimento local no semiárido potiguar, entrevistado 1, disse que encontra dificuldades na execução do PPDLES/Brasil Local, programa voltado para o acompanhamento de empreendimentos econômicos solidários da região. Relatou que o Estado do Rio Grande do Norte é dividido, para o programa, em cinco territórios, chamados “territórios da cidadania”, cada qual com 2 agentes. A sua função seria
realizar o acompanhamento sistemático de 50 grupos produtivos por território, a fim de prestar assessoria administrativa e técnica aos produtores/as.
Segundo o entrevistado 1, vários resultados positivos foram alcançados com a política: “muitos coletivos tinham necessidade de se regularizarem junto à Receita Federal e ao governo. Nós, como membros da política, procuramos saber como resolver as pendências dos produtores/as, e ajudamos a regularização fiscal de muitas