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I. BÖLÜM

3.1. Dokuzuncu S f Türk Edebiyat Ders Kitab nda Yer Alan Halk Edebiyat

3.1.2. Olay Çevresinde Olu an Edebî Metinler

3.1.2.1. Anlatmaya Ba Edebî Metinleri nceleme Yöntemi

3.1.2.1.1. Tema

5.1.12.1 Aspectos gerais

O art. 78 disciplina as penas restritivas de direitos no CDC:

Art. 78. Além das penas privativas de liberdade e de multa, podem ser impostas, cumulativa ou alternadamente, observado o disposto nos artigos 44 a 47 do Código Penal:

I- interdição temporária de direitos;

II- publicação em órgãos de comunicação de grande circulação ou audiência, às expensas do condenado, de notícia sobre os fatos e a condenação;

III- prestação de serviços à comunidade.

Conforme a letra da lei, as sanções restritivas de direitos podem ser aplicadas cumulativa ou alternadamente em relação às penas privativas de liberdade. Diante dessa redação e pelo fato de o CDC anteceder a Lei 9.714/98, que atualmente rege a sistemática dos mencionados arts. 44 a 47 do CP, há quem entenda que os crimes do CDC podem receber cumulativamente três penas: detenção, restritiva de direitos e multa. Para José Geraldo de Brito Filomeno, adepto da orientação em referência, o CDC resgatou no dispositivo retrotranscrito as chamadas “penas acessórias”, que eram aplicadas cumulativamente à privação da liberdade.

Há corrente doutrinária diversa quanto à questão, no sentido de que as penas restritivas de direitos não podem ser cumuladas com as privativas de liberdade, devendo ser aplicadas conforme a sua natureza autônoma e substitutiva, na forma da redação atual dos arts. 44 a 47 do CP.

Tem-se a segunda orientação como a mais acertada. Isso porque o CDC refere-se ao Código Penal, permitindo, desse modo, que lhe sejam transportadas as atualizações em seu texto. Assim, se o primeiro apregoa a observância dos arts. 44 a 47 do CP, não há dúvidas de

que as sanções restritivas de direitos tratadas no art. 78 do CDC são atualmente consideradas substitutivas e autônomas.

Ademais, aplicam-se ao CDC não apenas os arts. 44 a 47 do Código Penal, mas também os demais da parte geral que cuidam das penas restritivas de direitos, a saber: arts. 43, 48, 55 e 56. É com a inclusão destes últimos dispositivos legais que a sistemática das penas restritivas de direitos, totalmente aplicável ao CDC, se completa.

5.1.12.2 Da interdição temporária de direitos

Quanto às sanções restritivas de direitos em espécie, o inciso I do art. 78 do CDC menciona a interdição temporária de direitos, que pode constituir-se de uma daquelas previstas no art. 47 do CP, à exceção da constante no inciso III, atualmente revogada pelo Código Nacional de Trânsito.518

De acordo com o art. 47 do CP, as sanções restritivas de direitos são:

I − proibição do exercício do cargo, função ou atividade pública, bem como de mandato eletivo; II − proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício que dependam de habilitação especial, de licença ou autorização de poder público; III − suspensão de autorização ou de habilitação para dirigir veículo; IV − proibição de frequentar determinados lugares.

Para que se possa aplicar a sanção restritiva de direitos do inciso I do art. 47, é preciso que o servidor pratique um dos crimes definidos no CDC no exercício do cargo, função ou atividade pública, já que tal penalidade puramente em razão do cargo, sem vinculação com o crime, seria inadmissível. Seria a hipótese indicada ao caso de um gerente da Caixa Econômica Federal, por exemplo, que praticasse a conduta do art. 66 do CDC relativamente a serviços financeiros.

No tocante às sanções restritivas mencionadas no inciso II do art. 47 do CP, seriam casos a merecer a sua aplicação os advindos da atuação de profissionais liberais519, por

exemplo, que em sua profissão houvessem praticado crimes descritos no CDC. A vinculação entre a conduta delituosa e a profissão, atividade ou ofício que dependam de habilitação,

518 COSTA JÚNIOR; COSTA, Crimes contra o consumidor, p. 71. 519 FONSECA, Direito penal do consumidor..., p. 88.

licença ou autorização do Poder Público é essencial para que a reprimenda tenha a sua razão de ser. A norma em questão objetiva afastar das suas atividades laborativas aqueles que encontram em sua ocupação profissional propício para o cometimento de crimes.

A sanção de proibição de frequentar determinados lugares (art. 47, IV, do CP) é cabível nas hipóteses em que o agente pratica delitos contra as relações de consumo em determinado local, havendo daí a necessidade de afastá-lo dali. Novamente, exige-se o vínculo entre o local e a infração.

5.1.12.3 Da publicação da condenação na imprensa

A publicação da condenação e dos fatos que a ensejaram na imprensa, à custa do condenado (inc. II do art. 78 do CDC) recebe, com razão, críticas severas da doutrina, que a considera lesiva ao princípio da humanidade das penas.520

Há, ainda, crítica que se deve fazer quanto à má técnica legislativa da penalidade em perspectiva, cuja previsão não se preocupou em condicionar a sua aplicação ao trânsito em julgado da decisão.521 Contudo, essa observação soa até de menor importância quando

comparada à inconstitucionalidade retroapontada.

Ademais, registre-se o absoluto descompasso da pena em comento com o atual cenário legislativo pátrio. A publicação da condenação constava da redação originária do Código Penal de 1940, que a registrava em seu art. 67, inciso III, como modalidade de pena acessória522, espécie hoje inexistente no ordenamento penal.

520 Fonseca expressa o confronto da pena em comento com o princípio da humanidade, na medida em que coloca

o condenado à execração pública (p. 89-90). Na mesma linha, Sérgio Guimarães registra que se trata de pena infamante, espécie de pena cruel e contrária ao art. 5º., XLVII, alínea e, da Constituição da República.

521 COSTA JÚNIOR; COSTA, Crimes contra o consumidor, p. 72. 522 Art. 67. São penas acessórias:

I - a perda de função pública, eletiva ou de nomeação; II - as interdições de direitos;

III - a publicação da sentença.

Confira-se a disposição sobre a aplicabilidade dessa última pena acessória no então art. 73: “A publicação da sentença é decretada de ofício pelo juiz, sempre que o exija o interesse público.

§ 1º A publicação é feita em jornal de ampla circulação, à custa do condenado, ou se este é insolvente, em jornal oficial.

§ 2° A sentença é publicada em resumo, salvo razões especiais que justifiquem a publicação na íntegra”. (http://www6.senado.gov.br/legislacao/ListaPublicacoes.action?id=102343&tipoDocumento=DEL&tipoTexto=P UB. Acesso em: 03 jan. 2011).

O Direito estrangeiro conhece a penalidade em questão, e, certamente, sua previsão pelo CDC foi influenciada pelos ordenamentos francês523 e espanhol.524 Contudo, não se vê funcionalidade alguma na importação de institutos jurídicos que não se ajustam ao ordenamento pátrio e tampouco à sociedade brasileira. A pena em comento é inconstitucional não só pelo vexame que acarreta ao condenado perante a sociedade, como também por sua desproporcionalidade. O princípio da proporcionalidade, no seu corolário último − proporcionalidade em sentido estrito − não recomenda penalidade cuja aplicação traz mais malefícios do que vantagens. Veja-se como pode ser intenso o prejuízo à honra e ao patrimônio do condenado diante da publicação da sentença condenatória.

Como manifestado por ocasião dos comentários aos tipos penais dos arts. 67 e 68 do CDC, as incriminações ali existentes poderiam ser descriminalizadas, já que a tutela extrapenal apresenta-se dotada de mecanismos eficientes para coibir as práticas ali previstas. Ademais, poder-se-ia criminalizar apenas a hipótese que trouxesse dano individual ao consumidor, a exemplo do que se fez no inciso VII do art. 7º da Lei 8.137/90. E, ainda assim, se o dano fosse expressivo.

5.1.12.4 Da prestação de serviços à comunidade

Trata-se de modalidade de pena alternativa à prisão bastante aplicada atualmente e disciplinada a contento no Código Penal. A única questão que se deseja registrar a seu respeito é que sua fixação pode provir do espírito criativo do juiz, de maneira que a sua execução pelo condenado possa promover os direitos do consumidor.

523 Art. 44 da chamada “Lei Royer”, de 1973. Confira em: GARCÍA PLANAS, Hacia um delito..., in: Estudios

Penales y..., p. 148.

524 O art. 282 do Código Penal espanhol criminaliza a publicidade enganosa, cominando-lhe, além de multa e

privação da liberdade, a pena de publicação da sentença em periódicos oficiais. Veja-se: LAGUÍA, La protección penal de los..., p. 01.