4. ARAŞTIRMA BULGULARI ve YORUM
4.1 Tek değişkenli sorulara ilişkin bulgular
Queremos saber, O que vão fazer Com as novas invenções Queremos notícia mais séria Sobre a descoberta da antimatéria e suas implicações Na emancipação do homem Gilberto Gil
Já foi dito que um projeto de pesquisa dessa natureza sempre apresenta motivações políticas e ideológicas muito evidentes. Uma dessas motivações é a crença de que a atividade científica deve dispor de uma franca função social. O comprometimento político também se revela no interesse em atuar sobre o contexto de um serviço público (em nosso caso, a Educação, mas igualmente acompanhamos trabalhos acadêmicos que realizam intervenções na área da Saúde Pública, Assistência Social, Segurança etc.).
O posicionamento, que pessoalmente aqui é assumido, rejeita a ideia de que a academia possa debruçar-se exclusivamente sobre as elucubrações teóricas – principalmente, talvez, no campo das Humanidades –, ignorando a realidade social em que a instituição está inserida. Em se tratando de uma instituição pública de ensino superior, esse compromisso se torna ainda mais necessário.
Numa época em que as grandes indústrias e empresas são compelidas a desenvolver projetos sociais, educacionais, ecológicos, nos municípios em que se instalam, a produção científica de um país com graves desigualdades como o Brasil estaria, no mínimo, na contramão do progresso social e econômico se se dedicasse prioritariamente à teoria pura.
Em razão desse posicionamento, cumpre-nos refletir sobre quais contribuições concretas o projeto pôde oferecer à realidade social e educacional em que atuou. Porém, temos consciência de que alguns desses resultados não são mensuráveis, por exemplo, se nos questionamos: algum aluno desenvolveu realmente o gosto pela leitura, em razão da oportunidade que lhe oferecemos? Algum aluno passou a ler mais? Se a leitura oferecida não mudou seus hábitos, pelo menos contribuiu no seu desenvolvimento intelectual, cultural, afetivo? E as professoras envolvidas no projeto, o que aprenderam de fato com os encontros de formação? Quais ganhos a escola pode computar em consequência do projeto nela
desenvolvido? E, por fim, o professor-pesquisador pôde colher resultados para seu desenvolvimento profissional e intelectual?
Pensando primeiramente na condição dos alunos, é essencial acreditarmos que a experiência estética oferecida pela leitura é um acontecimento importante na formação dos seres humanos. Mas para avaliar a experimentação estética no universo complexo da recepção, contamos apenas com os indícios da apreciação dos leitores diante das obras e, a partir daí, inferimos a ocorrência do triplo prazer definido por Jauss: o prazer criativo (poiesis), o sensitivo (aisthesis) e o emancipatório (katharsis). Por outro lado, considerando o postulado de Jauss de que o prazer não é um ato desinteressado, mas alia-se ao conhecimento e dele depende para a compreensão, pode-se supor de que modo as dificuldades de leitura (verificáveis nos registros escritos e orais e declaradas nos questionários socioeconômicos) prejudicam a fruição estética.
Por essa razão, notamos as dificuldades em se promover a leitura no contexto escolar, ambicionando voos emancipatórios dos jovens alunos. Ainda que o projeto alcançasse uma segunda etapa, na qual se pensaria em intervenções mais diretas no desenvolvimento da competência leitora (buscando amenizar as dificuldades de leitura identificadas), há de se conformar que as meras ações de qualquer projeto, sozinhas, não bastariam. A diversidade de pesquisas sobre o assunto aponta para a complexidade de um projeto amplo para uma efetiva promoção da leitura na escola, devendo envolver diversas linhas de ação: formação de docentes; bibliotecas bem estruturadas (incluindo a formação do bibliotecário) e abastecidas de um acervo de qualidade; educação de base eficiente (garantindo, por exemplo, a alfabetização de todos os alunos até os sete anos), incentivos para a leitura em casa e para a valorização do livro fora da escola. Mas, além de tudo isso, parece iminente uma rediscussão sobre o lugar da literatura não apenas na escola como também na sociedade.
Duas recentes publicações, Literatura em Perigo, de Todorov (2009), e Literatura para quê?, de Compagnon (2009), manifestam preocupações sobre o lugar da literatura na sociedade contemporânea, e seus autores chegam a tocar em questões ligadas ao ensino. Ainda que ambos discutam o problema de um modo, ao meu ver, um pouco distanciado da realidade das escolas, a publicação desses dois livros e sua tradução para o Brasil revelam como a questão é ainda muito premente, reforçando a justificativa das pesquisas na área.
Ainda sobre os resultados do projeto em favor do desenvolvimento dos alunos envolvidos, lembremos que alguns deles confessaram nunca haver lido um livro inteiro
e a chance de fazê-lo em sala de aula (algo que, é claro, não necessitaria de nenhum projeto acadêmico para se realizar), pelo menos a chance oferecida por iniciativa dessa pesquisa, pôde adquirir talvez algum significado pessoal à formação desses leitores. Para mencionar um fato que motiva essas conclusões, recordo-me de uma fala de um dos alunos, simples, mas valiosa para o humilde orgulho de um docente.
Pesquisador: (...) o que vocês acharam da ideia de trazer um livro para ler
na sala de aula? quem vai responder? M6c?
M6c: da hora.
Pesquisador: o que é da hora M6c? M6c: a história que você trouxe.
Pesquisador: o que você achou da ideia de escolher um livro não do livro
em si ainda depois a gente fala do livro o que você achou do professor trazer um livro para vocês lerem?
M6c: nova porque ninguém tinha feito isso com a gente ainda.
A atividade de docência no ensino público nos acrescenta um importante sentimento humanitário, que estimula ações para a transformação não do sistema (algo que implica em ações políticas e administrativas), mas dos indivíduos com quem nos relacionamos mais diretamente. Isto é, almejamos a transformação de cada aluno, individualmente. Assim, um aluno apenas por quem o docente possa se sentir responsável direto em sua emancipação intelectual pode ser estatisticamente um dado insignificante, mas pessoal e profissionalmente é o que, muitas vezes, renova as nossas convicções educacionais e humanitárias.
A contribuição que se pretendeu oferecer à escola e seus docentes da área era modesta: implementar o currículo do Ensino Fundamental com uma proposta à disciplina de Leitura e Produção de Textos. Procurava preencher algumas lacunas, seja no preparo das professoras para o trabalho com a leitura, seja no currículo oficial que, como foi exposto, traz uma indesculpável obliteração das narrativas literárias.
Por fim, creio ter demonstrado neste trabalho uma dupla perspectiva: a do professor, que vivencia a realidade da escola pública e que, no labor cotidiano da sala de aula (em nenhum momento interrompido), investe nas suas convicções em favor de um ensino público de qualidade; e a de pesquisador, que procura na atividade científica o desenvolvimento profissional, porém ratificando a necessidade cada vez mais premente de que a produção científica ofereça soluções reais e imediatas para a sociedade.
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ANEXO A: Resenha de Luís Augusto Fisher, publicada na Folha Teen, de 3 de julho de 2000, na seção “Estante”.