Protection With Harvest Price Option – GRIP-HPO)
O GRIP é um plano de seguro que garante proteção contra uma contração inesperada da receita, em caso de redução de produtividade, declínio dos preços ou a combinação dessas situações. Segundo USDA (2008a), esse seguro combina as políticas de cobertura de produtividade do plano de risco grupal – GRP com a proteção de preços similar a do CRC ou RA, atualmente representadas pelo plano de proteção de receita – RP.
O GRP é um seguro de grupo que indeniza os produtores quando a produtividade média do município é inferior à produtividade garantida, que é determinada pela produtividade municipal esperada multiplicada pelo nível de cobertura escolhido pelo segurado. Os níveis de cobertura para essa política variam de 70% a 90% e a produtividade esperada para o município é ajustada pela tendência, com base no histórico existente. O plano é um seguro de produtividade e não de receita, portanto não será apresentado em detalhes nesse estudo.
É relevante destacar que o nível máximo de cobertura do GRIP (90%) é superior ao estabelecido para os produtos de renda individuais, como o RP que é de 85%. Isso ocorre porque o GRIP é um produto baseado na área (município) e, portanto, é menos suscetível a tentativa de fraude. Assim, um nível de cobertura mais elevado pode ser ofertado com menor preocupação quanto ao risco moral e à seleção adversa (USDA, 2008a).
Segundo Edwards (2011d), o GRIP é um plano que aprimora o GRP, incorpora a proteção de preços e indeniza os segurados quando a receita municipal não atingir a expectativa de receita segurada. Assim como no RA, CRC e RP, o GRIP utiliza-se dos preços futuros das commodities negociados em bolsa.
O GRIP dispõe também de cobertura para elevação de preços. Nessa situação, o plano de seguro funciona tal qual o RP, com os mesmos procedimentos de atualização do valor segurado. Os períodos de descoberta de preço para determinação dos preços base e de colheita coincidem com os estabelecidos no RP, são as médias dos meses de fevereiro e outubro, no caso da soja, e de fevereiro e novembro, para o milho.
Esse plano de seguro pode levar os segurados a receberem uma indenização mesmo que não tenham individualmente sofrido uma perda significativa. Por outro lado, eles podem não receber indenização, mesmo diante de perdas, se a média do município não tiver alcançado valor inferior ao segurado. Essa é a natureza dos seguros de grupo ou índice, tal como o GRIP e GRP.
A vantagem dos seguros de grupo é que eles têm um custo administrativo menor, considerando que as despesas do modelo individual de estimação das perdas nas fazendas e regulação do sinistro são eliminadas.
Seguros desse tipo são apropriados para produtores que tenham produtividade e expectativa de receita correlacionadas com a média do município. Por outro lado, deve-se ter presente, conforme apontou Roberts (2005), que os seguros de índice não servem para garantir proteção contra eventos como granizo, por exemplo, que apresentam ocorrência circunscrita a uma pequena área. Entretanto, ele é apropriado para riscos que ocorrem em área de abrangência maior, como uma seca.
O autor afirma haver interesse crescente por seguros de grupo ou índice, especialmente em países em desenvolvimento, em razão de oferecerem uma solução prática para muitas das barreiras do seguro clássico, como a produção em áreas dispersas e a reduzida escala de pequenas propriedades. Esse tipo de seguro endereça resposta às questões atinentes a: seleção adversa; risco moral; elevados custos de transação e de avaliação das perdas.
Outra diferença entre os seguros de grupo ou índice dos planos individuais é a não cobertura de replantio, plantio tardio ou plantio não realizado, como ocorre nos planos individuais. Todavia, segurados neste tipo de plano não precisam passar pelo processo de comunicação de sinistro, avaliação e regulação com vistas a requerer indenização (NCIS, 2011; EDWARDS, 2011d).
O valor segurado ou garantia do plano é dado pela multiplicação da produtividade municipal esperada, do nível de cobertura eleito, do número acres da área, pelo preço projetado. No caso da modalidade com cobertura de elevação de preços, GRIP-HPO, a fórmula acima é ainda multiplicada por um fator de ajuste de até 150% (multiplicador). Esse fator existe para dois propósitos: 1) diminuir a variabilidade da produtividade média municipal em relação à individual; 2) permitir que produtores com produtividade média inferior à municipal contratem o seguro a um nível de garantia (responsabilidade) maior.
Para USDA (2008a), o multiplicador ajuda os produtores a obterem um nível de cobertura mais condizente com suas expectativas de perda, sem, com isso, alterar o gatilho de receita/produtividade para a indenização e impactar a solidez atuarial do programa.
Depois de publicado o preço de colheita (safra), pela média dos preços diários de fechamento no mês de outubro, do contrato com vencimento em novembro, no caso da soja, a garantia do GRIP-HPO é recalculada, se o preço de colheita for superior ao preço projetado.
O valor da produção, que é a receita atual municipal, é obtido pela multiplicação da produtividade média municipal colhida, do nível de cobertura e do preço de colheita. E, no caso do GRIP-HPO, multiplica-se ainda a expressão anterior pelo fator multiplicador, o mesmo usado na determinação da garantia ou valor segurado. Se o valor da produção for inferior ao valor garantido, a indenização é devida no montante da diferença correspondente.
Outra peculiaridade desse plano de seguro está na forma de determinação das perdas, que são calculadas em termos percentuais sobre a receita segurada. Resumo das características do GRIP e GRIP-HPO pode ser analisado no Quadro 10, enquanto detalhes da forma de cálculo e exemplos são apresentados no Quadro 11.