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2. Feminist Yaklaşımda Toplumsal Cinsiyet ve Aile

2.5. Türkiye’de Modern Ailenin Kuruluşu

Ao analisarmos a forma como a FIFA está hierarquicamente organizada em relação às demais associações nos dias atuais, é possível afirmar que ela possui domínio total em relação ao futebol profissional, ou seja, a entidade é detentora do monopólio do esporte e exerce influências desde as competições internacionais até os clubes locais (GIGLIO, 2013). O raciocínio é relativamente simples já que à FIFA estão filiadas praticamente todas as associações nacionais de futebol de todo o mundo. As associações nacionais são também filiadas e respondem hierarquicamente às confederações continentais e/ou internacionais, conforme apontado anteriormente. Concomitantemente, elas abrigam as confederações estaduais, a quem os clubes locais são obrigatoriamente vinculados e onde, por fim, na base desse organograma, encontram-se os jogadores profissionais. A FIFA está localizada no topo da pirâmide, com poderes para intervir em qualquer uma das instâncias caso alegue autoridade e competência sobre o assunto, segundo Giblio (2013). A estratégia utilizada normalmente é justificada por uma questão administrativa racional-moderna de descentralização, dada a crescente expansão dos eventos esportivos e a complexidade do novo cenário global de disputas.

No entanto, para manter o poder universal do futebol, a FIFA investiu nas associações dotando-lhes de autoridade no âmbito nacional. Em 2014, por exemplo, a FIFA deu início a um programa de assistência financeira para os seus membros associados. Ao fazerem parte do programa, as associações-membro que não possuem estrutura financeira consolidada recebem

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A título de curiosidade, foi também em 1970 que a cor da bola de futebol foi modificada. A bola que corria no gramado era marrom, no entanto, a introdução da tecnologia de satélite e a expansão das transmissões televisivas dos jogos fez com que a cor da bola fosse alterada para preto e branco para que as pessoas pudessem vê-las nas imagens de TV, ainda em preto e branco. Disponível em: http://www.dw.com/en/despite-image-problem-a-new- fifa-museum-glorifies-european-football/a-19082501. Acesso em: 26 fev. 2016.

assessoria da FIFA, por meio de uma auditoria realizada pela empresa internacional KPMG73. O objetivo é orientar as associações na revisão de seus processos administrativos, desde os financeiros até a contratação de recursos humanos e estrutura organizacional. Outra iniciativa da FIFA é o suporte às associações “menos privilegiadas” para que atinjam o “sucesso”, cujo foco principal de ação são, especialmente, os países da África e da Ásia. Ambos os programas são apresentados pela FIFA como uma forma de apoiar o futebol mundialmente através de uma ação de “solidariedade” para com as demais associações (FIFA, 2015b).

Outra forma encontrada pela FIFA para manter o seu domínio em todas as esferas do esporte refere-se ao sistema de controle das transferências de jogadores profissionais, mais conhecido no Brasil como “passe”. Na plataforma online Domestic Transfer Matching System (DTMS)74 estão cadastrados 6.500 clubes, das 209 associações-membro de todo o mundo, que gerenciam a atividade de transferência tanto nacional quanto internacional de jogadores através do sistema da FIFA. O cadastro no sistema é obrigatório desde 2010 e reúne informações sobre o perfil do jogador, detalhes do seu emprego, salário, taxas aprovadas, entre outras, com vistas a facilitar o mercado de transferências entre clubes. Dessa forma, a entidade possui um banco de dados completo com informações padronizadas sobre os jogadores profissionais, valores das transações e controle do mercado de futebol.

Nosso objetivo não é transcrever todas as estratégias administrativas e de gestão da FIFA de maneira exaustiva, mas chamar a atenção para o fato de que, através dessas ações, a entidade é capaz de disseminar um desenho de negócios próprio, cuja forma organizacional e financeira de todas as associações passa a ter modelo semelhante ao da FIFA. O que está posto nos programas mencionados é o reinvestimento da receita da entidade nas suas respectivas organizações esportivas ao redor do mundo para incrementar a geração de lucro. Além disso, a FIFA aumenta a sua influência e dependência do esporte em todo o mundo. As confederações continentais, por exemplo, operam como níveis médios de controle entre o !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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Chama-se a atenção para o fato de que a KPMG integra o grupo de empresas chamadas Big Four (KPMG, Deloitte, PricewaterhouseCoopers e Ernest & Young), as quatro maiores multinacionais que prestam serviços de auditoria, impostos, consultoria em gestão estratégica, assessoria financeira, além de serviços contábeis e terceirização. A KPMG, junto com as demais empresas do grupo, é uma das principais envolvidas no escândalo financeiro internacional de não pagamento de impostos. Além disso, a empresa é responsável pela auditoria da FIFA desde 1999 e em nenhum momento alertou em seus relatórios os problemas de contabilidade da federação, como os casos de corrupção e pagamento de propina. Informações sobre a KPMG disponíveis em:

https://home.kpmg.com/xx/en/home/services/audit.html e http://www.publico.pt/economia/noticia/policia- judiciaria-faz-buscas-na-consultora-kpmg-1725008; sobre o processo de auditoria da FIFA em: UOL. Auditoria da FIFA não percebeu irregularidades e agora sofre pressão. UOL Notícias, São Paulo, 5 jun. 2015. Disponível em: http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2015/06/05/auditoria-da-fifa-nao-percebeu- irregularidades-e-agora-sofre-pressao.htm; EXAME. KPMG revisa auditoria em relatórios da FIFA. Revista

Exame, 20 set. 2015. Disponível em: http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/kpmg-revisa-auditoria-em- relatorios-da-fifa. Acessos em: 2 mar. 2016.

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nacional e o global ao mesmo tempo em que garantem a inserção/expansão do esporte de maneira profissional em países menores ou menos expressivos em matéria de futebol, como as nações da África e da Ásia, alterando a dinâmica do esporte que passa a ter alcance mundial.

O discurso que fundamenta e justifica a expansão profissional do esporte para territórios da África e da Ásia é o da igualdade. Ou seja, no congresso da FIFA cada país membro possui um voto, independente do tamanho da associação, da cronologia de surgimento das entidades ou do número de títulos conquistados. Assim, a FIFA, como toda empresa multinacional, vem investindo cada vez mais na ampliação do seu mercado, no controle do seu produto e no aumento dos lucros, conforme apontado no item anterior deste capítulo, no que se refere aos direitos de transmissão dos jogos nos territórios da África e da Ásia. Contudo, a questão que ora pretende-se ressaltar é o investimento da FIFA em propagar o sentido universalista do esporte com base na divisão “geopolítica do poder futebolístico” (HOLLANDA, 2014), sob o critério de representatividade continental.

Analisar tal abordagem sob o ponto de vista da geopolítica implica considerar não apenas os interesses econômicos mas principalmente as relações de assimetria provenientes das disputas de poder entre os envolvidos. Nesse aspecto, a representação dos países não se dá em pé de igualdade, nem tampouco a relação com a FIFA, que possui alto poder de barganha, como veremos adiante. O aumento do poder econômico da Copa do Mundo, e a sua crescente mercantilização, transformou o evento em uma marca registrada, com faculdades inclusive para emitir uma espécie de selo de qualidade que atesta o “padrão FIFA” de exigência. Essas exigências acabam por provocar conflitos entre os objetivos da entidade e os locais onde ocorrem os eventos, já que desde o surgimento da Copa do Mundo, os eventos vêm sendo viabilizados com base em uma estreita relação com os governos dos países que os sediam.

Conforme sinalizado no primeiro capítulo, a vinculação da Copa do Mundo e dos megaeventos de maneira geral com os Estados-nacionais existe desde os seus primórdios. A FIFA busca parcerias com os Estados-nações e, sob o pretexto de que a Copa projeta os países internacionalmente, a entidade vem aumentando cada vez mais o seu poder de barganha ao fazer com que os países assumam compromissos que vão desde a isenção de impostos, alteração da legislação local, intervenções urbanas e segurança especializada até a construção de estádios compatíveis com os padrões exigidos, e que nem sempre estão de acordo com a realidade local, conforme já ressaltado.

As conformações discursivas, que organizam a política e as ações públicas articuladas com o objetivo de intervir no tecido social, são constantemente impactadas pelas grandes

transformações que atuam diretamente na lógica organizadora do território e do espaço, tais como a emergência da chamada era global e as políticas ditas transnacionais. Nessa concepção, certas estruturações do global passam a habitar o que historicamente era concebido, reconhecido e institucionalizado como território nacional, causando uma desnacionalização parcial de alguns componentes antes ditos específicos do Estado-nação.

Ainda que inseridas nos territórios nacionais, não significa que a existência dessas redes transfronteiriças seja ordenada por marcos regulatórios dos países. Nesse tocante, é preciso ter em mente a presença de outro tipo de agente no cenário nacional: os chamados atores transnacionalizados, que atuam em escala global, concentrando atomizadamente vastas parcelas de poder e/ou de produção de sentido. Acredita-se que algumas organizações internacionais desenvolvem papéis de concentração e determinação do poder, enquanto outras tentam, de alguma maneira, digerir e viabilizar o discurso de uma ação internacional fundamentada em uma política padronizada de alcance mundial, isto é, uma conformação de prioridades e implementação de agendas políticas transnacionais.

Interessante ressaltar que tais transformações desestabilizam a hierarquia tradicionalmente centrada no Estado-nação (SASSEN, 2007), mas sem necessariamente ocasionar um enfraquecimento ou desregulamentação do governo nacional. O que ocorre, na maioria das vezes, é uma reconfiguração do Estado nacional, seguida de transformações internas que sofrem influências das redes de globalização ou redes transnacionais, que acabam por causar uma crescente internacionalização das políticas locais. Por conseguinte, o local passa a ser constantemente construído em relação, tensão e negociação com o global (MASSEY, 2008), provocando uma reorganização do espaço e das relações que o constituem. A FIFA se caracteriza como um promotor do espetáculo esportivo em escala global que estabelece relações com os promotores na escala local, como as associações nacionais e o poder público local. No Brasil, essas relações foram regulamentadas pela Lei n. 12.663, mais conhecida como Lei Geral da Copa (BRASIL, 2012), assim como a lei que instituiu o Regime Diferenciado de Contratações Públicas (RDC) – Lei n. 12.462. Nesse caso, a esfera do poder político e instituído foi organizada segundo a operacionalidade discursiva da lei, que normalmente tem seu cumprimento zelado pelo aparelho do Estado e suas instituições responsáveis. Sua força assenta na capacidade representacional e operacional do discurso da lei, cuja retórica foi capaz de mediar as intricadas relações entre o local e o global, fazendo prevalecer, na maioria das vezes, a diretriz global representada pela FIFA, em detrimento do poder público local.

Isso não significa dizer que as diretrizes globais foram impostas sem resistência ou contra-argumentação por parte dos atores locais. No entanto, a legislação brasileira foi em diversos momentos suprimida, deitada fora, instaurando um verdadeiro estado de exceção nos termos propostos por Giogio Agamben (2010) e Vainer (2011), esse último especificamente sobre a “cidade de exceção”.

O pensamento político de Giogio Agamben fundamenta-se em uma arqueologia do direito para observar o sentido da democracia nos dias atuais. O método adotado, segundo o autor, se atém às dicotomias estruturantes da cultura, mas não com o objetivo de ressaltar as partes contrárias desse processo. O intuito é o de compreender como essa divisão de opostos se transforma “em campos de tensões polares, entre os quais é possível encontrar uma via de saída”. Agamben propõe superar a lógica binária ao tentar “transformar cada vez mais as dicotomias em bipolaridades, as oposições substanciais num campo de forças percorrido por tensões polares que estão presentes em cada um dos pontos sem que exista alguma possibilidade de traçar linhas claras de demarcação”. A proposta dele consiste em examinar o que é relativo a ambos os polos, ou seja, para que se possa observar o sentido da democracia é preciso compreender o que se põe em jogo quando o fascismo está em causa. (AGAMBEN, 2006 in COSTA, 2006).

Ao analisar alguns dos eventos fundamentais da história política da modernidade, como a declaração dos direitos, assim como outros elementos que marcam a entrada definitiva da vida nua na política, Agamben (2010; 2007) afirma que o estado democrático atual possui semelhança com os campos de concentração e os estados totalitários. Isso porque, segundo o autor, a indistinção entre zoé e bios75, divisão existente no mundo clássico, no caso da sociedade moderna “entra agora em primeiro plano na estrutura do Estado e torna-se aliás o fundamento terreno de sua legitimidade e da sua soberania” (AGAMBEN, 2007, p. 134). Nesse aspecto, o poder soberano estaria no cerne das democracias modernas.

Já a análise de Vainer (2011) se dá especificamente sobre o Rio de Janeiro e as concepções de cidade e planejamento estratégico que passaram a reger as principais transformações no tecido urbano nas últimas décadas na capital carioca. Essas transformações têm como base atender um paradigma de governo fundamentado no projeto neoliberal de gestão do espaço, de forma autoritária e não participativa, ainda que em contextos de regimes ditos democráticos. Para o autor, a realização dos megaeventos no Rio de Janeiro e o modo como eles vêm sendo implementados é um exemplo significativo da redefinição das formas !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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Entre a vida animal (zoé), isto é, a vida dada por Deus, portanto sagrada; e a vida política (bios), ou seja, a vida em sociedade.

de poder na cidade através da afirmação e supremacia direta do capital. O projeto tem inspiração no modelo de Barcelona e recebeu, inclusive, consultoria catalã na primeira investida do governo local, em 1994, para candidatar a cidade a sede olímpica em 2004.

No entanto, na visão de Oliveira (2012),

(...) não é produção do espetáculo esportivo que instaura a exceção, mas, de forma inversa, é a exceção que, ao se estabelecer como paradigma de governo atrelada ao modelo econômico neoliberal, cria as condições para a conversão da busca pelos megaeventos esportivos em estratégia de desenvolvimento. Uma vez instalada, tal estratégia vem, por sua vez, possibilitar uma radicalização da exceção que poderá se estender para além da realização dos eventos. (OLIVEIRA, 2012, p. 270)

O argumento que se pretende explorar por ora é o defendido por Oliveira (2012, p. 23), ao afirmar que as condições de autoritarismo em que os megaeventos são produzidos só se viabilizam “graças à crescente autonomia política e jurídica gradualmente conquistada pelo campo de produção do espetáculo esportivo na medida em que se submete ao campo econômico”. A autonomia política e jurídica é dada aos principais protagonistas dos megaeventos esportivos, como o COI e a FIFA, que visam única e exclusivamente defender os interesses por eles representados.

No caso do Brasil, a constituição do campo autônomo dos megaeventos se deu, jurídica e politicamente, conforme mencionado, em diferentes âmbitos e níveis, restringindo inclusive direitos já garantidos pelas legislações nacional e internacional. A investigação se concentrou, principalmente, no regime jurídico-financeiro instaurado para a realização da Copa do Mundo no país e nas principais mudanças sofridas na legislação nacional. Isto é, através de uma pesquisa documental, foram analisadas as alterações legislativas efetuadas pelo governo federal com o intuito de cumprir com as garantias financeiras, políticas e jurídicas dadas às organizações esportivas internacionais.

Além dos documentos já mencionados, como a Lei Geral da Copa e a lei que instituiu RDC, foram também consultados: o documento que contém as 11 garantias governamentais apresentadas na carta-compromisso entregue à FIFA para que o país pudesse se qualificar a receber a Copa do Mundo (CBF, 2007); a Lei n. 12.350, de 20 de dezembro de 2010, que dispõe sobre as medidas tributárias referente à realização das Copas das Confederações e do Mundo no Brasil (regulamentada pelos Decretos n. 7319 – Recopa – e n. 7578); e a Lei n. 10.671, de 15 de maio de 2003, que dispõe sobre o Estatuto de Defesa do Torcedor.

A análise, no entanto, não se restringiu ao conteúdo objetivo das normas e leis. Ela parte dos conteúdos de tais documentos, mas leva em consideração que esse conteúdo é fruto

de uma conjunção de interesses e fatores históricos do contexto de sua implementação, bem como produz efeitos nas relações sociais. Dessa forma, complementam as análises os estudos do impacto social da Copa do Mundo, ponto que será explorado no capítulo cinco. Além dos documentos oficiais e dos estudos que chamamos aqui de “vozes dissidentes”, foram utilizadas reportagens de jornais e portais de notícias da internet.

Os pontos primordiais englobam alterações nas leis orçamentárias e obras superfaturadas realizadas com recursos públicos e não pela iniciativa privada, como havia sido anunciado no momento da candidatura do Brasil como país-sede; renúncia fiscal à FIFA e desoneração tributária aos seus parceiros; custos de reforma e construção dos estádios que foram privatizados; mudanças na legislação e nas regras básicas de políticas sociais, como o direito à moradia e segurança pública; regime diferenciado de licitação e contratação; ajuste no calendário de sistemas de ensino; mudanças na legislação que rege as práticas dentro dos estádios em dias de jogos; concessão de vistos para entrada no país sem restrições; e a instalação do “território FIFA” com regras e legislação própria em torno dos estádios em dias de jogos76.

Vale ressaltar que a imposição da FIFA sobre o Brasil só é possível uma vez que os interesses políticos e econômicos em curso na época da candidatura do país a sede da Copa do Mundo visavam fazer uso da estratégia dos megaeventos como forma de autoafirmação. Chama-se a atenção para o fato de que o casamento só é possível quando ocorre um arranjo ou negociação dos interesses de ambas as partes. Contudo, a despeito da correspondência dos interesses dos governantes, empreiteiros, empresas nacionais e multinacionais, não deixa de ser impressionante a capacidade da FIFA, uma entidade privada sem fins lucrativos, de compelir suas condições aos Estados soberanos. É importante salientar que a FIFA, juntamente com o COI, através de suas diretrizes e regras requeridas aos países-sede, atribui amplo suporte governamental no respaldo à realização dos megaeventos esportivos, tanto no aporte jurídico quanto de recursos financeiros advindos do orçamento público.

A primeira questão que se colocou nas mudanças jurídicas foi a condição imposta pela FIFA para que o país tivesse o direito de sediar a Copa do Mundo: isenção de impostos nos contratos firmados para a realização do evento (MARINHO et al, 2014). Todavia, a imposição por parte da FIFA é controversa, uma vez que a entidade afirma que não foi exigida renúncia fiscal total para patrocinadores e organizadores, e sim descontos e !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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Cobertura jornalística do Portal UOL apresenta um “balanço do sacrifício brasileiro em nome do Mundial”: UOL. Em nome da Copa. UOL Notícias, jun. 2014. Disponível em:

concessões em taxas de importação para equipamentos, produtos e materiais imprescindíveis à organização do evento e que não são vendidos no país. De fato, ao que tudo indica, essa foi a primeira vez em que um Mundial foi realizado nessas condições. Nas duas edições anteriores, por exemplo, a Copa não foi realizada da mesma maneira.

Na África do Sul, em 2010, foi formada uma “bolha de isenção fiscal” (“tax-free bubble”) que continha organizações indicadas pela entidade, tais como filiadas, subsidiárias, licenciadas, emissoras de radiodifusão e os direitos de transmissão das agências, prestadores de serviços, entre outras concessões que envolviam mercadorias e serviços fornecidos diretamente do site oficial da FIFA. No entanto, foram cobrados impostos sobre a venda de ingressos e sobre os ganhos e prêmios dos jogadores. Já na Alemanha, em 2006, nenhum tipo de concessão foi dado à FIFA ou à associação alemã de futebol, que pagou vários impostos sobre as atividades exercidas durante o torneio. Foram normalmente tributados os jogadores não residentes e os técnicos estrangeiros, sob a alegação de bônus e ganhos comerciais por participarem da Copa do Mundo, como o aparecimento em anúncios. Apenas algumas