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Esra Erol’da Evlen Benimle Programının Biçim ve Anlatı Özellikler

ÜÇÜNCÜ BÖLÜM

3. Gerçeklik Televizyonu Örneği Olarak İzdivaç Programları

3.3. İzdivaç Programlarına Özgü Özellikler

3.3.1. Esra Erol’da Evlen Benimle Programının Biçim ve Anlatı Özellikler

Durante um longo período da história do país, a identidade do povo brasileiro foi acentuada pelas várias interpretações de como se deu ou deveria se dar a “mistura” das diferentes raças/etnias que o constituíram. A miscigenação entre os índios já existentes no território, os portugueses, os negros trazidos pelos colonizadores como mão de obra escrava e os imigrantes italianos, alemães e japoneses fez do brasileiro um povo mestiço.139 Os ícones da cultura brasileira foram, por muito tempo, a mulata, o malandro, o gingado, o sincretismo religioso, a feijoada. Todos eles imagens resultantes, principalmente, da presença do negro no país, ou seja, da valorização da cultura negra como uma das bases da “brasilidade”. Uma nacionalidade fortemente marcada pela questão das raças.

Nesse aspecto, a questão racial sempre esteve relacionada à problemática da identidade brasileira. Ela própria já foi abordada de diferentes maneiras a depender da conjuntura política e histórica do momento, o que reforça o caráter posicional e conjuntural das identidades, ou seja, sua formação em tempos e lugares específicos (HALL, 2011). Vale relembrar que tanto o índio quanto o negro já foram mais ou menos destacados no processo de constituição de uma suposta “brasilidade”, fruto das manipulações frequentes de ordem política e/ou ideológica da memória.

Segundo Ortiz (2012, p. 7), “toda identidade se define em relação a algo que lhe é exterior, ela é uma diferença”, um contraponto com algo que nos é externo, mas que ao mesmo tempo nos constitui em relação: a relação do que nos é interno e externo. Em meados do século XIX, a importação da teoria evolucionista, que defendia que os povos primitivos evoluem naturalmente para as sociedades ocidentais, trouxe, de acordo com Ortiz (2012), problemas para os intelectuais brasileiros precursores das Ciências Sociais no Brasil140. Como posicionar o Brasil na história do progresso das civilizações sem justificar o porquê do seu estágio inferior em relação aos países europeus?

Tornou-se, portanto, necessário “explicar o ‘atraso’ brasileiro e apontar para um futuro próximo, ou remoto, a possibilidade de o Brasil se constituir como povo, isto é, como nação” !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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Destacam-se algumas das obras clássicas que, ao longo do século XX, procuraram explicar o Brasil e a sua constituição: Casa-Grande & Senzala, de Gilberto Freyre, Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda, O Povo Brasileiro, de Darcy Ribeiro.

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(ORTIZ, 2012, p. 15). Emerge daí a estratégia de se explorar as especificidades nacionais e compará-las às características da Europa. Segundo o autor, como alternativa foi ressaltado o determinismo dos aspectos meio e raça como fatores internos da identidade brasileira, ou seja, “ser brasileiro significa viver em um país geograficamente diferente da Europa, povoado por uma raça distinta da europeia” (ORTIZ, 2012, p. 17).

No período anterior à abolição da escravidão, há praticamente um silêncio sobre o papel do negro na mestiçagem brasileira. Contudo, com o fim do período escravocrata, “o negro aparece assim como fator dinâmico da vida social e econômica brasileira, o que faz com que, ideologicamente, sua posição seja reavaliada pelos intelectuais e produtores de cultura” (ORTIZ, 2012, p. 19). Com a inserção obrigatória desse elemento novo, a problemática racial se complexifica e torna-se recorrente a afirmação de que o Brasil se constituiu através da fusão das três raças: o branco, o negro e o índio.

No entanto, as teorias sobre a supremacia racial do homem branco faziam do negro e do índio verdadeiros obstáculos ao processo civilizatório. Segundo Ortiz (2012), a saída encontrada pelos intelectuais para sanar tal disparidade e solucionar o impasse brasileiro foi a de reforçar o elemento mestiço.

O mestiço é, para os pensadores do século XIX, mais do que uma realidade concreta, ele representa uma categoria através da qual se exprime uma necessidade social – a elaboração de uma identidade nacional. A mestiçagem, moral e étnica, possibilita a ‘aclimatação’ da civilização europeia nos trópicos. (...) Afirmar que a raça branca se aclimata nos trópicos significa considerar a existência de um fator diferenciador que deve ser levado em conta. É do resultado dessa experiência aclimatadora que se pode caracterizar uma cultura brasileira distinta da europeia. A temática da mestiçagem é neste sentido real e simbólica; concretamente se refere às condições sociais e históricas da amálgama étnica que transcorre no Brasil, simbolicamente conota aspirações nacionalistas que se ligam à construção de uma nação brasileira. (ORTIZ, 2012, p. 21)

Como se vê, são as necessidades internas do Brasil que guiam quais teorias serão ou não importadas e quais as adaptações indispensáveis para dar sentido ao que se pretende construir, ou seja, a possibilidade do Estado nacional como meta futura e não como realidade do presente. “O que propõem os intelectuais do período é a construção de uma identidade de um Estado que ainda não é. (...) A inferioridade racial explica o porquê do atraso brasileiro, mas a noção de mestiçagem aponta para a formação de uma possível unidade nacional” (ORTIZ, 2012, p. 34). Nesse caso específico, a valorização da miscigenação se deu com base na aposta da superioridade e hegemonia da raça branca, que em pouco tempo garantiria o branqueamento da população brasileira, capaz de tornar-se sempre mais clara a partir das gerações.

No século XVIII, Sérgio Buarque de Holanda destaca que o casamento entre branco e índio não era rechaçado pelo governo português, já que “algumas características ordinariamente atribuídas aos nossos indígenas e que os fazem menos compatíveis com a condição servil (...) ajustam-se de forma bem precisa aos tradicionais padrões de vida das classes nobres”. Alguns escritores reservavam aos índios “virtudes convencionais de antigos fidalgos e cavaleiros, ao passo que o negro devia contentar-se, no melhor dos casos, com a posição de vítima submissa ou rebelde” (HOLANDA, 1995, p. 56). Dessa forma, o casamento entre portugueses e indígenas não era malquisto, contudo nem o branco nem o índio poderiam se misturar com os negros. Ao negro era atribuída apenas a força do trabalho, a inferioridade do povo brasileiro e nada mais.

No jogo duplo da memória, lembrar e esquecer, a face obscura da história do Brasil – o tráfico de negros e a escravidão – permanece no “não dito” e no esquecimento até o momento em que o abolicionismo força a inserção do negro na construção simbólica da identidade brasileira. Com o fim da escravidão o negro passa a existir enquanto cidadão141 e há, portanto, uma mudança na abordagem da questão das raças. Emerge daí outro mito fundacional do Brasil: a ideia da existência de uma democracia racial, ou seja, a crença generalizada de que vivemos num país sem preconceitos (CHAUÍ, 2000). É na obra de Gilberto Freyre (2005), “Casa-grande e senzala”, que a triangulação étnica irá adquirir nova abordagem. O autor defende que a mestiçagem e o hibridismo seriam uma vantagem do Brasil, proclamando-a como algo positivo e elemento unificador do país.

Gilberto Freyre transforma a negatividade do mestiço em positividade, o que permite completar definitivamente os contornos de uma identidade que há muito vinha sendo desenhada. (...) A ideologia da mestiçagem, que estava aprisionada nas ambiguidades das teorias racistas, ao ser reelaborada pode difundir-se socialmente e se tornar senso comum, ritualmente celebrado nas relações do cotidiano, ou nos grandes eventos como o carnaval e o futebol. O que era mestiço torna-se nacional. (ORTIZ, 2012, p. 41)

Com a superação do racialismo, o estigma das raças se suaviza, fazendo sobressair o discurso ideológico não em termos raciais e seus determinismos, mas em termos culturais. Numa abordagem tão conservadora e elitista quanto a da teoria das raças, Gilberto Freyre preconiza uma percepção idealizada do negro numa sociedade ainda escravocrata, em que !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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A mudança no status social do negro é aqui simplificada para dar sentido ao argumento que se pretende construir. No entanto, tem-se conhecimento da complexidade de sua trajetória na sociedade brasileira e dos obstáculos enfrentados pela população negra, inclusive e principalmente, após a abolição da escravatura: exclusão do mercado de trabalho através da proibição de algumas profissões; má remuneração; dificuldade para a compra de terras; não igualdade de direitos e oportunidades; marginalização; preconceitos; etc. A abolição consistiu num ato político que não foi acompanhado no mesmo compasso e medida dos atos sociais.

tanto a casa-grande quanto a senzala constituíam os seus pilares. Interessante ressaltar o destaque dado ao negro ao longo da obra, que chega a supor, em alguns momentos, sua superioridade moral, técnica e artística em relação aos índios e, às vezes, em relação aos brancos. “A formação brasileira foi beneficiada pelo melhor da cultura negra da África, absorvendo elementos por assim dizer de elite que faltaram na mesma proporção ao sul dos Estados Unidos” (FREYRE, 2005, p. 382). Uma tentativa de suavizar a escravidão brasileira ao compará-la com a experiência dos norte-americanos.

Não se trata de entrar nos pormenores das críticas direcionadas nem ao método nem à visão do autor, considerada nostálgica e romântica em demasia, mas de chamar a atenção para a clara investida em tentar mudar a percepção que se tinha do negro na sociedade brasileira. Segundo Freyre (2005, p. 390) “os escravos vindos das áreas de cultura negra mais adiantada foram um elemento ativo, criador, e quase que se pode acrescentar nobre na colonização do Brasil; degradados apenas pela sua condição de escravos”. Ao ressaltar a importância do negro na constituição da cultura brasileira, o autor afirma que:

O Brasil não se limitou a recolher da África a lama de gente preta que lhe fecundou os canaviais e os cafezais; que lhe amaciou a terra seca, que completou a riqueza das manchas de massapé. Vieram da África “donas de casa” para seus colonos sem mulher branca; técnicos para as minas; artífices em ferro; negros entendidos na criação de gado e na indústria pastoril; comerciantes de panos e sabão; mestres, sacerdotes e tiradores de reza maometanos. (FREYRE, 2005, p. 391)

É na abordagem da vida privada e nas relações de fórum íntimo estabelecidas entre a casa-grande e a senzala que Gilberto Freyre irá construir seu argumento enaltecedor das positividades da mestiçagem: “a miscigenação que largamente se praticou aqui corrigiu a distância social que de outro modo se teria conservado enorme entre a casa-grande e a mata tropical; entre a casa-grande e a senzala” (FREYRE, 2005, p. 33). Segundo o autor (ibidem), “a índia e a negra-mina a princípio, depois a mulata, a cabrocha, a quadrarona, a oitavona, tornando-se caseiras, concubinas e até esposas legítimas dos senhores brancos, agiram poderosamente no sentido de democratização social no Brasil”.

A complexidade e ambiguidade presentes no processo histórico das relações entre o homem branco e o negro durante o período da sociedade escravocrata vão muito além da imagem que Gilberto Freyre procura construir. A obra acaba por abrandar a relação violenta e a forte hierarquia presente entre o senhor e o escravo, entre o homem da casa-grande e a mulher subalterna, que em nada se assemelha às relações fruto de uma democratização social. Contudo, o que nos interessa aqui é, antes de qualquer coisa, fazer sobressair a historicidade

do termo mestiçagem e os contornos que ele vai ganhando ao longo do percurso da história social, política e econômica do Brasil.

A presença do mito da democracia racial no Brasil é tão marcante, nacional e internacionalmente, que, na década de 50, a Unesco incentivou uma série de pesquisas sobre as relações raciais no país, conformando uma agenda de estudos para as Ciências Sociais. Vale destacar que, em meados de 1950, o Projeto Unesco, como ficou conhecido, pretendia fazer uma investigação sobre a questão racial na Bahia com vistas a defender a tese de que o Brasil era o país da democracia racial e que deveria servir de modelo para o restante do mundo. O tema das relações raciais era caro ao contexto internacional da época, uma vez que o racismo havia acabado de assumir aspectos de uma política de Estado na Alemanha nazista. O objetivo era, a partir da experiência do Brasil, fazer emergir um modelo que se tornasse universal, em meio a um cenário de profunda crise da civilização ocidental após a tensão racial vivida no holocausto durante o período de guerra mundial.

De fato, havia dentro da organização uma imagem positiva do país em matéria racial. Numa época em que a Unesco procurava tornar inteligível o genocídio nazista, no intuito de impedir que o fenômeno viesse a repetir-se, a instituição assumiu como um dos seus principais objetivos criticar e, com isso, eliminar a validade científica do conceito de raça. Neste caso, o Brasil apresentava- se como um “laboratório socioantropológico” privilegiado para desqualificar a importância conferida aos constructos raciais em nome da promissora experiência de miscigenação e assimilação (MAIO, 1999, online).

A simpatia à ideia de uma democracia racial por parte da Unesco era evidente, já que, não por acaso, Gilberto Freyre veio a se tornar o primeiro brasileiro a ser convidado para ocupar o cargo de Diretor do Departamento de Ciências Sociais da Unesco.142 Contudo, o andamento dos estudos no Brasil não seguiu necessariamente o curso tão esperado pela Unesco. Pesquisadores brasileiros e estrangeiros contra-argumentaram, criticando os procedimentos metodológicos que seriam adotados. Eles afirmaram que um estudo dessa natureza, realizado apenas na Bahia (proposta inicial), não seria representativo para todo o país, uma vez que a situação do negro naquele estado era diferenciada do restante do território brasileiro, e defenderam a hipótese de que existia sim racismo no Brasil, principalmente, em grandes cidades como São Paulo, onde a pesquisa deveria ser também realizada, além de outros lugares. Questionamentos de outra natureza também surgiram ao longo da investida da Unesco, ancorados no argumento de que o preconceito no Brasil é muitas vezes velado, !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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É sabido que o conceito de democracia racial não foi proposto por Gilberto Freyre, no entanto, sua obra contribuiu em muito para o desenvolvimento de tal noção, uma vez que Casa-grande & Senzala ressaltou e enalteceu que as relações entre brancos, índios e negros eram eminentemente harmônicas.

camuflado por ações sutis e de difícil registro por técnicas de pesquisa que privilegiam apenas o questionário. Por fim, “na esperança de encontrar a chave para a superação das mazelas raciais vividas em diversos contextos internacionais, a agência intergovernamental teria acabado por se ver diante de um conjunto de dados sistematizados sobre a existência do preconceito e da discriminação racial no Brasil” (MAIO, 1999, online).

De acordo com Ortiz (2012, p. 43), a difusão do mito das três raças na sociedade ocorre num momento em que o país buscava “adequar as mentalidades às novas exigências de um Brasil ‘moderno’”. O autor afirma que as qualidades negativas, próprias à raça mestiça, como “preguiça” e “indolência”, são substituídas por uma ideologia do trabalho. Procurava- se, na época do Estado Novo, alçar um pensamento que tinha na força do trabalho143 um valor fundamental da sociedade brasileira.

A memória é imanentemente ambígua, uma vez que evocar e lembrar é ao mesmo tempo selecionar, olvidar, esquecer. O esquecimento é algo constitutivo da memória e ambos os processos – lembrar e esquecer – são dinâmicos, complexos, intencionais e políticos, no que se refere ao modo como se prepara o discurso sobre a ideia do que é o Brasil e como podemos entender o nosso patrimônio a partir dessa construção. Nesse sentido, os fatos que são ressaltados no contexto dos megaeventos possuem sempre uma articulação valorativa com o presente, na medida em que são trazidos à tona com o intuito de reconstituir as várias possibilidades de reflexividade. Se o sentido atual que se atribui à conservação/preservação da memória nacional é o da manutenção da ordem simbólica da conformação de uma determinada sociedade, o processo de reflexividade “consiste em promover a visibilidade pública dos objetos, dos locais, dos relatos fundadores da [sua] estrutura simbólica” (JEUDY, 2005, p. 22).

Tal reordenamento da memória social, que antes procurou reforçar os traços de miscigenação da sua cultura, hoje faz sobressair o aspecto homogeneizador a partir da negação da existência científica das raças, como será detalhado mais adiante. Refere-se aqui às circunstâncias do passado e à aceitação, por parte dos pensadores brasileiros, de que a presença do negro na nossa cultura e formação era algo bem quisto; às obras de arte de Tarsila do Amaral e de Cândido Portinari, artistas plásticos reconhecidos pelo país e que sempre !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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Elemento que também será resgatado durante a Copa 2014, conforme é possível verificar num dos trechos da trilha e locução do comercial “Isso é Ser Brasileiro essa é a Copa das Copas Governo Federal Brasil 2014” do governo federal voltado para o público interno do país: “Quando te perguntarem o que é ser brasileiro, diga um

povo feliz e muito batalhador. Gente forte e firme, que pega no batente, que não abre mão do que já conquistou. Que cria, que sonha. Que entra em campo e faz o seu papel. Que vence as fronteiras e tem talento pra ganhar o céu. Eu quero cantar pro mundo inteiro, o que é ser brasileiro”. Comercial publicado no canal YouTube em 24

abr. 2014, e que teve menos de 11 mil acessos. Disponível em:

ressaltaram a identidade mestiça do povo brasileiro em suas telas; e, em especial, ao governo Vargas, que valorizou a capoeira, reconheceu o samba como música brasileira e a feijoada como prato típico da culinária do país, dentre outros momentos também importantes (CAVALCANTE, 2005). No entanto, a investida atual se dá para além dos esforços de se fazer passar por um país urbanizado, sofisticado, cosmopolita – uma tentativa de aproximar as cidades brasileiras às capitais do “mundo civilizado” –, o Brasil em tempos de Copa do Mundo procura sustentar o discurso da unicidade genética e da igualdade social. Isso porque a imagem que se quer construir e oferecer é a de um lugar onde é possível haver o encontro de todas as culturas de maneira harmoniosa.

Em vista dos aspectos destacados, chama-se a atenção para a controvérsia em torno da já mencionada suposta troca de casais responsáveis pela condução da cerimônia oficial de sorteio dos grupos da primeira fase de competição da Copa 2014. Previsto para acontecer no dia 6 de dezembro de 2013, pouco menos de duas semanas antes da realização do sorteio que organizaria os 32 times classificados para o Mundial, os apresentadores responsáveis pela condução do evento ainda não haviam sido confirmados, segundo o Portal Terra144. Com duração de 1h30, a cerimônia foi transmitida ao vivo para 193 países, e contou com a presença de 1.300 convidados, além de 2.000 profissionais da imprensa. A expectativa era de que o sorteio fosse assistido por cerca de 500 milhões de telespectadores. Dentre os convidados, estiveram presentes técnicos e membros das delegações das seleções que garantiram vaga para a competição, ex-jogadores representantes dos países campeões mundiais que auxiliaram o secretário-geral da FIFA, Jérôme Valcke, na execução do sorteio, membros do Comitê Organizador Local (COL), além de outros jogadores, políticos e autoridades, como a presidente Dilma Rousseff e o presidente da FIFA, Joseph Blatter.

A notícia foi de que a FIFA teria, supostamente, vetado a indicação dos atores negros Lázaro Ramos e Camila Pitanga145 e exigido a presença do casal Fernanda Lima e Rodrigo Hilbert no sorteio final da Copa do Mundo por uma questão racial (ver figura 5, a seguir). A polêmica foi retratada por uma sequência de notas veiculadas pela revista Veja, que insinuou uma provável rixa entre a Rede Globo, o COL e a FIFA. Em nota a coluna Radar online, a Veja informou: “Depois de rejeitar a ideia da Globo de pôr Lázaro Ramos e Camila Pitanga para apresentar o sorteio das chaves da Copa, a Fifa bateu o martelo. O casal Fernanda Lima !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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TERRA. Fifa confirma casal global como apresentadores de sorteio da Copa. Portal Terra, 25 nov. 2013. Disponível em: http://esportes.terra.com.br/futebol/fifa-confirma-casal-global-como-apresentadores-de-sorteio- da-copa,576a847c83f82410VgnCLD2000000dc6eb0aRCRD.html. Acesso em: 15 mar. 2014.

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VEJA. Ideia rejeitada. Revista Veja, coluna Radar online, 21 set. 2013. Disponível em:

http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/futebol/fifa-rejeita-ideia-de-colocar-lazaro-ramos-e-camila-pitanga- do-sorteio-da-copa/. Acesso em: 15 mar. 2014.

e Rodrigo Hilbert fará este papel no evento do 6 de dezembro, na Bahia”146. Três dias depois, o mesmo blog da Veja divulgou a justificativa do COL para a rejeição do casal Lázaro Ramos e Camila Pitanga: “Isso aqui não é um programa da Globo, é Copa do Mundo”147. Vale chamar a atenção para o fato de que os atores haviam acabado de protagonizar a novela Lado