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İzdivaç Programlarında Katılım ve Söyleme Davet

ÜÇÜNCÜ BÖLÜM

3. Gerçeklik Televizyonu Örneği Olarak İzdivaç Programları

3.4. İzdivaç Programlarında Katılım ve Söyleme Davet

No capítulo dois procuramos mostrar o poder da FIFA de impor regras e exigências, que muitas vezes contrariam disposições legais internas, prioridades e políticas em curso nos países-sede de seus eventos. A aceitação das exigências impostas, na maioria dos casos, ocorre de forma submissa e passiva, sem resistência ou qualquer debate interno sobre as consequências que tal imperatividade pode acarretar em diferentes âmbitos da sociedade. Nesse cenário, assistimos o Estado brasileiro se curvar diante da autoridade da FIFA, uma federação internacional completamente alheia à esfera das políticas nacionais. A influência da FIFA se estende, no entanto, para além das exigências políticas, comerciais e econômicas. Como vimos, mais especificamente no terceiro capítulo, a entidade desenvolve também importante papel de agenciamento simbólico ao propagar discursivamente elementos que exploram os sistemas de representação dos Estados-nação e, consequentemente, das identidades nacionais.

Dessa forma, o pacto com a FIFA se dá também no âmbito simbólico, uma vez que o Brasil procura repetir e reforçar as premissas discursivas da federação. O discurso oficial do Brasil, retratado nas falas da presidente Dilma Rousseff durante as cerimônias e pronunciamento do governo a respeito da Copa do Mundo, procura transmitir a ideia de que o Brasil é o país “que convive em paz com todos os seus vizinhos (...), que não tem uma cultura de preconceitos, nem tão pouco uma cultura de exclusão”173 e que o Mundial será a “Copa !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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Discurso da Presidente da República – Dilma Rousseff – na cerimônia de sorteio da Copa das Confederações. Palácio do Planalto, 1 dez. 2012. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Ja8lAUKQsvo. Acesso em: 3 maio 2016.

pela paz e contra o racismo; a Copa pela inclusão e contra todas as formas de violência e preconceito; a Copa da tolerância, da diversidade, do diálogo e do entendimento”174.

No entanto, a tentativa do Brasil de se fazer da Copa 2014 uma copa contra o racismo ocorre em meio a um contexto de discriminações raciais em jogos de futebol no país. Refere- se aos casos de racismo registrados poucos meses antes do Mundial: o árbitro Mário Chagas175, o volante Arouca176 e o meio de campo Tinga177. Os episódios ganharam repercussão especial, alimentando o debate a respeito do racismo presente no ambiente esportivo, reflexo das adversidades que ocorrem frequentemente na sociedade como um todo. Na avaliação do sociólogo Marcel Tonini, consultado pelo Brasil Post para opinar sobre os casos e sobre a investida do governo de promover ações de prevenção de discriminações para a Copa 2014,

O que deve inibir ofensas raciais dos brasileiros é a própria imagem de ‘paraíso racial’ construída pelo Brasil na primeira metade do século XX, onde todos conviveriam harmoniosamente, sem qualquer conflito étnico. A presença de estrangeiros deve afinar ainda mais o discurso oficial nesse sentido, bem como a afirmação incansável de que esta será ‘a Copa das Copas’. Esta provavelmente será uma Copa para inglês e qualquer estrangeiro ver.178

Segundo Chauí (2000, p. 94), “a divisão social das classes é naturalizada por um conjunto de práticas que ocultam a determinação histórica ou material da exploração, da discriminação e da dominação, e que, imaginariamente, estruturam a sociedade sob o signo da nação una e indivisa, sobreposta como um manto protetor que recobre as divisões reais que a constituem”. Essa parece ser a função desempenhada pelo mito da democracia racial: a naturalização dos preconceitos, homogeneização dos sentidos, abafamento das tensões.

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Pronunciamento da Presidente da República – Dilma Rousseff – sobre a realização da Copa do Mundo no Brasil. Palácio do Planalto, 10 jun. 2014. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=p6BJhpF7w_I. Acesso em: 3 maio 2016.

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ZH. “Foram ofensas normais contra juiz”, diz suspeito de racismo contra Márcio Chagas da Silva. Jornal

Zero Hora, 11 mar. 2014. Disponível em http://zh.clicrbs.com.br/rs/esportes/gauchao/noticia/2014/03/foram- ofensas-normais-contra-juiz-diz-suspeito-de-racismo-contra-marcio-chagas-da-silva-4442936.html. Acesso em: 26 nov. 2014.

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UOL. FPF leva caso de racismo a Arouca ao tribunal e interdita estádio do Mogi. UOL Notícias Esportes, 7 mar. 2014. Disponível em: http://esporte.uol.com.br/futebol/campeonatos/paulista/ultimas- noticias/2014/03/07/fpf-leva-caso-de-racismo-a-arouca-ao-tribunal-e-interdita-estadio-do-mogi.htm. Acesso em: 26 nov. 2014.

177

TERRA. Com imitação de macacos, cruzeirense é alvo de racismo em jogo no Peru. Portal Terra, 12 fev. 2014. Disponível em: http://esportes.terra.com.br/cruzeiro/com-imitacao-de-macacos-cruzeirense-e-alvo-de- racismo-em-jogo-no-peru,6cc3c4d59e824410VgnVCM4000009bcceb0aRCRD.html. Acesso em: 26 nov. 2014. 178

BRASIL POST. Copa do Mundo: racismo será combatido pelo governo com campanha educacional. Jornal

Brasil Post, 14 mar. 2014. Disponível em http://www.brasilpost.com.br/2014/03/14/racismo-copa-

Interessante ressaltar que, no caso da campanha da “Copa sem Racismo”, a presença do negro, que nos momentos anteriores havia sido suprimida179, agora é valorizada. Essa valorização é registrada do mesmo modo pela iniciativa do Ministério do Esporte de relançar uma edição bilíngue do livro do jornalista Mário Filho, “O Negro no Futebol Brasileiro” que, segundo a notícia do Portal da Copa (2014), “será um reconhecimento da contribuição do negro à formação social brasileira e exaltação à mestiçagem que nos distingue como nação”. Nesse momento, o Brasil mestiço é também acionado para reforçar a sua singularidade em relação ao mundo, através da rememoração de um tempo em que o culto à mestiçagem se dava como padrão fortificador da raça, através da propagação da crença generalizada de que o Brasil é um país sem preconceitos, que “desconhece” discriminação de raça e credo (CHAUÍ, 2000). Apesar das diretrizes da FIFA, o foco da campanha brasileira contra o racismo é eminentemente voltado para as características físicas da cor da pele dos sujeitos, sem mencionar outros tipos de discriminação ou preconceito como faz a federação em seu código disciplinar (FIFA, 2011b).

No paradoxo da convivência do racismo com o mito da democracia racial, por diversas vezes, a Copa do Mundo do Brasil foi acusada de ser uma Copa para os brancos. O negro só se viu no campo na presença dos jogadores de futebol ou na construção dos estádios. O número reduzido de crianças negras mascotes e a ausência dos negros nas arquibancadas em meio ao mar de torcedores brancos que marcaram presença na Copa 2014 não passaram despercebidos e, a despeito de todo o investimento do governo para fazer valer o mito da democracia racial, o fato ganhou repercussão nacional e internacional180.

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Refere-se aos vídeos das campanhas, cuja mensagem teve como foco mostrar um país homogêneo, sem diferenças nem social nem cultural, onde praticamente não há presença de negros. Destaca-se também o comercial feito pela campanha da Rede Globo para a Copa do Mundo, tema “Somos um Só” (REDE GLOBO, 2014), em que quase não há negros no vídeo e os poucos registrados, de acordo com a Revista Fórum, são corpos constrangidos e fora de enquadramento (FÓRUM. Na Copa da Globo, todo mundo é branco. Revista

Portal Fórum, 24 abr. 2014. Disponível em: http://www.revistaforum.com.br/blog/2014/04/na-copa-da-globo- todo-mundo-e-branco/. Acesso em: 24 abr. 2014). E por fim, chama-se a atenção ainda para a controvérsia em torno do veto do casal inicialmente escolhido para apresentar o sorteio dos jogos da Copa 2014, conforme já ressaltado.

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Informações disponíveis em: ESPN. Nos mascotes, negros também são minoria na Copa. ESPN Uol Notícias, 17 jun. 2014. Disponível em: http://espn.uol.com.br/noticia/418858_nos-mascotes-negros-tambem-sao-minoria- na-copa. Acesso em: 26 nov. 2014; GLOBO G1. ‘The Guardian” destaca a ausência de torcedores negros nos estádios da Copa. Portal Globo Notícias G1, 02 jul. 2014. Disponível em:

http://g1.globo.com/mundo/blog/brasil-visto-de-fora/post/guardian-destaca-da-ausencia-de-torcedores-

brasileiros-negros-nos-estadios.html. Acesso em: 03 jul. 2014; THE GUARDIAN. On the pitch the World Cup has offered a snapshot of global migration. It's a different story in the stands. Jornal The Guardian, 22 jun. 2014. Disponível em: http://www.theguardian.com/football/2014/jun/22/world-cup-snapshot-global-migration- different-stands?CMP=twt_gu. Acesso em: 22 jun. 2014; THE GUARDIAN. The lack of black faces in the crowds shows Brazil is no true rainbow nation. Jornal The Guardian, 1 jul. 2014. Disponível em:

http://www.theguardian.com/commentisfree/2014/jul/01/brazil-black-faces-crowd-rainbow-nation-world-cup. Acesso em: 03 jul. 2014.

Um dos jornalistas do The Guardian chegou a afirmar que a falta de negros nas multidões da Copa mostra que o Brasil não é a nação “arco-íris” tão vendida internacionalmente, tampouco o país mais próximo de uma democracia racial como nenhum outro no mundo consegue alcançar. Segundo o jornal The Guardian, “o governo esperava usar a Copa do Mundo para exibir a diversidade cultural do país e a próspera democracia em todo o seu esplendor, mas tudo o que fez foi destacar os preconceitos e desigualdades arraigados nessa nação de 200 milhões” (tradução nossa)181. No momento em que o Brasil marca o seu primeiro gol na Copa, o gol contra realizado no jogo de estreia contra a Croácia, o que se ouve é “tinha que ser preto!”182, em referência a cor do jogador responsável pela marcação. Apesar de todo o investimento do país em campanhas, parece praticamente impossível blindar o que está intrínseco na sociedade brasileira, pois, na verdade, “as relações sociais são obscurecidas pela ideologia da democracia racial. (...) a ideologia da miscigenação democrática” (ORTIZ, 2012, p. 36). Contudo, um olhar mais aprofundado para o artifício da democracia racial nos permite perceber que a exaltação do mito, na verdade, pode nos auxiliar no desvendamento das estruturas do real.

O discurso do Brasil como o lugar perfeito para o encontro fraterno entre raças é reforçado e mediado pelo agir científico (ESPERANÇA, 1997), ou seja, pelo acionamento dos sistemas periciais que vão dar sustentação e legitimação ao sentido que se pretende construir. A ciência é convocada a legitimar a ideia da homogeneização não mais pela mistura cordial das diferenças, mas agora pela negação de que essas diferenças existam.

Conforme mencionado no capítulo três, estudos científicos e projetos de tecnologia e inovação foram selecionados como parte integrante das estratégias adotadas para a gestão de imagem do país durante o período de realização dos megaeventos. O objetivo do Plano de Promoção do País é “agregar novos atributos à imagem do país, sem deixar de reforçar os atributos positivos pelos quais o país já é conhecido no mundo”. A compreensão do governo federal é de que “a Copa do Mundo, pelo seu grande alcance midiático, será uma plataforma excepcional para expor e promover esse novo país ainda em grande parte desconhecido do

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“The government hoped to use the World Cup to showcase the country's cultural diversity and thriving

democracy in all its splendour, but all it did was to highlight the deep-rooted prejudices and inequalities in this nation of 200 million”. In: THE GUARDIAN. The lack of black faces in the crowds shows Brazil is no true

rainbow nation. Jornal The Guardian, 1 jul. 2014. Disponível em:

http://www.theguardian.com/commentisfree/2014/jul/01/brazil-black-faces-crowd-rainbow-nation-world-cup. Acesso em: 03 jul. 2014.

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ESTADÃO. “Tinha que ser preto”, dizem torcedores após gol contra de Marcelo. Jornal O Estado de São

Paulo, 12 jun. 2014. Disponível em: http://esportes.estadao.com.br/noticias/futebol,copa-do-mundo,tinha-que- ser-preto-dizem-torcedores-apos-gol-contra-de-marcelo,1510927. Acesso em: 26 nov. 2014.

mundo” (BRASIL, 2014a, online). Nesse sentido, como uma das ações de revelar para o mundo o Brasil ainda “desconhecido”, o governo federal criou o projeto 14 Bis183.

O projeto, coordenado pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e pelo Ministério de Ciência e Tecnologia, visava promover ideias inovadoras com potencial para se fazer valer das oportunidades abertas pelos eventos esportivos de 2014 e 2016 no país. A expectativa era de que o projeto 14 Bis pudesse alavancar empresas brasileiras no país e no exterior e, ao mesmo tempo, projetar uma imagem positiva do Brasil. Tal expectativa se baseia na compreensão de que os megaeventos esportivos, como o maior evento de mídia do mundo, podem atrair grandes negócios e catalisar múltiplas oportunidades184. De acordo com o perfil do projeto no Facebook:

O 14 BIS BRASIL visa explorar a capacidade técnica, científica e criativa do Brasil no sentido de dar visibilidade a iniciativas, projetos e ações inovadoras que não constam oficialmente nos famosos cadernos de encargos, mas que podem proporcionar um novo olhar sobre o país ou uma nova forma da própria população enxergar e entender a importância do evento para o futuro da nação, além de buscar democratizar o acesso à informação sobre as oportunidades que os eventos geram185.

Assim, com o intuito de mostrar um país “criativo” e “inovador”, o 14 Bis procurou reunir projetos científicos e tecnologias exclusivos do Brasil e que exemplificassem, dessa forma, a sua liderança mundial. O projeto foi idealizado no primeiro semestre de 2008 e apresentado ao presidente Lula um ano depois. Em 2010, a proposta foi inserida na programação da Casa Brasil186, na Copa da África do Sul, em Johanesburgo. Durante o período de 14 de junho a 11 de julho, o Brasil apresentou 12 projetos com tecnologias de !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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O nome 14 Bis é uma homenagem a Santos Dumont, considerado grande inovador do país. A proposta é “encantar, surpreender e emocionar o mundo nos grandes eventos esportivos que acontecerão no Brasil – a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016” (FINEP, 2010a).

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Informações disponíveis em: SUPER ESPORTES. Conheça o Projeto 14 Bis. Portal Super Esportes, 13 set.

2010. Disponível em:

http://www.superesportes.com.br/app/20,20/2010/09/13/noticia_copa_do_mundo,2895/conheca-o-projeto-14- bis.shtml; EXAME. Copa e Olimpíadas podem alavancar startups. Revista Exame, 9 fev. 2012. Disponível em:

http://exame.abril.com.br/pme/noticias/copa-e-olimpiadas-podem-alavancar-startups; Página do projeto na internet: http://tv14bisbrasil.egc.ufsc.br; e perfil do projeto no Facebook: https://www.facebook.com/14bisBrasil/info/?tab=page_info; GLOBO. Governo projeta novas ações de promoção da Copa para 2013. Projetos de cientistas brasileiros e campanhas de promoção à saúde devem ser divulgadas durante o Mundial de 2014. Jornal Globo Esporte, 24 jul. 2012. Disponível em:

http://globoesporte.globo.com/futebol/copa-do-mundo/noticia/2012/07/governo-projeta-novas-acoes-de- promocao-da-copa-para-2013.html. Acessos em: 25 nov. 2015.

185

Perfil Facebook: 14 Bis Brasil – Consultoria/serviços empresariais. Disponível em:

https://www.facebook.com/14bisBrasil/info/?tab=page_info. Acesso em: 25 nov. 2015.

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Os projetos apresentados na Casa Brasil, na África do Sul, receberam um apoio de R$ 3,4 milhões da FINEP. A ação foi executada em parceria com a Fundação CERTI, de Santa Catarina, responsável pela coordenação da rede de instituições encarregadas pelo desenvolvimento dos projetos: Instituto Sapientia, USP, UFMG, Instituto Gênesis, Puc Rio, Universidade Mackenzie, CPqD e C.E.S.A.R. (FINEP, 2010a).

ponta desenvolvidas pelo país (FINEP, 2010a). Esse foi um primeiro esboço das propostas que viriam, posteriormente, integrar os 14 projetos científicos do projeto 14 Bis.

A FINEP, por meio de crédito, capital de risco e dinheiro não reembolsável, procurou promover oportunidades de negócios e internacionalização de empresas brasileiras, assim como contribuir para um novo posicionamento estratégico do Brasil, ao dar visibilidade a ações que exploram inovação, tecnologia e criatividade. Dessa forma, foram patrocinados projetos de startups e ideias de negócios, tais como ferramenta social online para o desenvolvimento e troca de experiências, rede unificada de jardins botânicos, parques tecnológicos e unidades de conservação da natureza, games, tv digital, interação homem- máquina através de plataformas digitais e interativas, observatórios digitais para a análise de fluxo de informações, diagnóstico médico instantâneo, entre outros (DUARTE et al, 2010).

Desde o lançamento do projeto em 2010, várias ações foram realizadas com o intuito de mapear potenciais iniciativas, e promover o debate em torno da inovação, tecnologia e criatividade. Para tanto, o projeto 14 Bis participou de eventos como: 65a reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, em Recife (2013); 8a Bienal da União Nacional dos Estudantes (UNE), em Olinda (2013); Seminário Cidades Inteligentes, Cidades do Futuro, em Florianópolis (2013); Brazil at Heart, em Londres (2012); Rio +20, no Rio de Janeiro (2012); Workshop sobre Smart Cities, em Florianópolis (2012); Workshop de Planejamento de Projetos, em Florianópolis (2010); Workshop com o setor privado brasileiro, no Rio de Janeiro (2010); e Casa Brasil, em Johanesburgo (2010).

À época da apresentação do projeto 14 Bis ao presidente Lula, em 2009, participaram da reunião em Brasília, o pesquisador Sérgio Danilo Pena, acompanhado de Eduardo Costa – diretor de inovação da FINEP, Sílvio Meira – cientista chefe do C.E.S.A.R Inovação (Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife), Hans Donner – designer da Rede Globo, Roberto Duailibi – dono de uma das maiores empresas de publicidade do país, a DPZ Propaganda, José Eduardo Fiates – superintendente geral do parque tecnológico SAPIENS, Secretário Executivo Luiz Antônio Elias e o Ministro Sérgio Resende – Ministério da Ciência e Tecnologia. Um dos assuntos em pauta foi a divulgação internacional, por ocasião da Copa do Mundo de 2014, do alto nível da genética brasileira com os avanços de testes em DNA para os estudos de genealogia/ancestralidade.

Sérgio Danilo Pena é médico-geneticista, fundador e diretor do GENE – Núcleo de Genética Médica, e professor do Departamento de Bioquímica e Imunologia e da pós- Graduação em Medicina Molecular da Faculdade de Medicina da UFMG. O laboratório GENE, criado em 1982, foi o primeiro laboratório da América Latina a realizar perícias em

DNA, sendo o líder na realização dos mais avançados testes genéticos no país187. Há tempos o pesquisador desenvolve estudos que são divulgados em artigos, livros e reportagens jornalísticas sobre a impossibilidade científica de existência de diferentes raças188.

O pesquisador esteve, inclusive, envolvido em debates e campanhas políticas contra as cotas raciais, como a audiência pública sobre o assunto realizada pelo Supremo Tribunal Federal, em 2010. Suas pesquisas foram utilizadas para contestar os critérios desenvolvidos para a fundamentação de políticas afirmativas do governo Lula, como, por exemplo, a reserva de vagas para estudantes negros nas universidades públicas. Vale ressaltar que a questão em torno das ações afirmativas no Brasil se tornou mais presente nos anos 1990 com a realização da “Marcha Zumbi” e o lançamento do Programa Nacional dos Direitos Humanos, em 1996. Mas foi após a entrada do governo Lula, em 2003, que o debate tomou maior incidência e ações mais concretas passaram a tramitar no Congresso Nacional (como, por exemplo, a criação da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), em 2003; o Estatuto da Igualdade Racial que começou a tramitar no Congresso Nacional em 2003 e foi aprovado em 2010; e em 2004 a UnB foi a primeira a implantar o sistema de cotas raciais)189.

A avaliação do geneticista é de que as leis raciais são equivocadas já que não existe base objetiva para introduzir a questão das cotas e que a única solução seria através do sistema autoclassificatório, passível de muitos abusos190. Além dos pontos ressaltados, Sérgio Danilo Pena criticou ainda a criação da categoria negra no Brasil, uma vez que a união de pardos e pretos em um mesmo grupo não possui qualquer justificativa científica. Segundo o pesquisador, a única maneira de entender a genética dos brasileiros é individualmente, e não por grupos de cor191, uma vez que cada brasileiro é único e singular nas suas ancestralidades e !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

187

Disponível em:http://www.laboratoriogene.com.br. Acesso em: 25 nov. 2015.

188

PENA, Sérgio D.; BORTOLINI, Maíra C. Pode a genética definir quem deve se beneficiar das cotas universitárias e demais ações afirmativas? Estudos Avançados, 18(50): p. 31–50, 2004; PENA, Sérgio D.; BIRCHAL, Telma S. A inexistência biológica versus a existência social de raças humanas: pode a ciência instruir o etos social? REVISTA USP, São Paulo, n.68, p. 10-21, dez./fev. 2005-2006; PENA, Sérgio D. Razões para banir o conceito de raça da medicina brasileira. História, Ciências, Saúde-Manguinhos, Dossiê Raça, Genética, Identidade e Saúde, vol.12, no.2, Rio de Janeiro, May/Aug. 2005; PENA, Sérgio D. Igualmente Diferentes. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2009; PENA, Sérgio D. Receita para uma humanidade desracializada. Ciência Hoje, Coluna Deriva Genética, 8 set. 2006; PENA, Sérgio D. Humanidade sem Raças? São Paulo: Folha de São Paulo, 2008.

189

Disponível em:http://sistema-de-cotas.info/cotas-raciais.html. Acesso em: 16 maio 2016.

190

Sérgio Danilo Pena faz referência às pessoas fenotipicamente brancas e geneticamente mestiças consideradas brancas durante todo o decorrer de suas vidas, mas que assumem, repentinamente, a identidade afrodescendente para se beneficiar da política das cotas raciais. Disponível em: