3. MOBİL NUMARA TAŞINABİLİRLİĞİNİN BAŞARISINI ETKİLEYEN
1.2. Türkiye Mobil Telekomünikasyon Piyasasının Tarihçesi
A trajetória do movimento negro até o período do TEN, liderado por Abdias do Nascimento, não tinha muita proximidade com partidos políticos. Mas, foi no período de abertura democrática que os temas relacionados a relações raciais e relação com a África foram considerados por alguns partidos políticos, atendendo à demanda do Movimento Negro. Durante esse processo de aproximação do movimento negro com os partidos, foi notório que os partidos de esquerda foram os primeiros a considerar em seus programas a demanda do movimento.
Em 1960, mesmo Jânio Quadros defendendo a solidariedade com os povos africanos, no momento em que iniciava-se à descolonização de alguns países daquele continente, a União Democrática Nacional (UDN)68 foi contra o projeto, principalmente
na parte referente ao apoio a descolonização. Durante a ditadura militar, havia um silêncio em relação a essas questões. Com a democratização, volta-se a pauta acerca das relações raciais no país. Todavia Tancredo Neves, em 1985, propunha manter a mesma política do Itamaraty em relação ao continente africano. Em 1989, a coligação liderada pelo PT69 considerava manter a mesma política com a África já realizada pelo
governo de José Sarney, porém, sem reconhecer países que mantivessem políticas racistas, como o apartheid. Já o candidato Fernando Collor de Melo do Partido da
68 A UDN ajudou a eleger Jânio Quadros.
Reconstrução Nacional (PRN) sequer aludia a África em seu Programa de Governo. Em 1994, o programa do PT inclui mais propostas de aproximação e cooperação com o continente africano, bem como pela relação Sul-Sul (China, Rússia, Índia e África do Sul) e com os Países de Língua Oficial Portuguesa (PALOP)70. Em 1998, a
coligação “União do Povo Muda Brasil”, considerava fortalecer as relações do Brasil
com os países da América Latina, África Meridional e os países de expressão portuguesa. Já o programa de reeleição do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) tinha como intenção ampliar relacionamentos com novos parceiros internacionais, incluindo os países da Ásia e também África Meridional.
De maneira geral, podemos considerar que, mesmo de maneira ínfima, foi em 1985 que os principais candidatos à presidência da república fizeram propostas em suas plataformas de governo considerando a relação com a África. Porém, na maioria das agendas sobre a política externa no Brasil, as campanhas presidenciais ou ignoraram totalmente a possibilidade de relação com o continente africano ou apenas traziam referências inexpressivas sobre o tema. Porém, a proposta do Programa de Governo que elegeu Luiz Inácio Lula da Silva(Lula) em 2002 pode ser considerada inédito em relação às plataformas anteriores e em relação à proposta de outros candidatos, por considerar a igualdade racial, luta contra o racismo no Brasil e uma ideia de relação mais profunda com a África (GALA, 2006).
Contudo, vale ressaltar que o Partido Democrático Trabalhista (PDT) foi o precursor em considerar, no seu programa, questões externas e internas no que refere-se ao racismo e foi o primeiro a assumir compromisso com a causa dos/as negros/as. E foi o precedente lançado pelo PDT que reverberou no Programa da Coligação Lula Presidente.
Conforme enunciado por Gala (2006), o Partido dos Trabalhadores (PT), desde a sua fundação, explicitava nos seus documentos a opção pela solidariedade com as consideradas massas oprimidas e aos movimentos de libertação nacional. E, na época da redemocratização, o PT estabeleceu alianças com segmentos organizados da sociedade, dentre eles, o movimento negro.
No Brasil, conforme abordado por Gala (2006), já havia um histórico relacionado às relações diplomáticas entre Brasil e países africanos, todavia nem se
compara à gestão do Presidente Lula, pois foi nessa gestão, que a aproximação com a África tornou-se mais vigorosa. Anterior à gestão de Lula, haviam sido realizadas cinco viagens presidenciais a países africanos, sendo elas feitas por presidentes diferentes (João Figueiredo, em 1983; José Sarney em 1986; Fernando Collor, em 1991 e Fernando Henrique Cardoso em 1996 e 2000) e o intercâmbio bilateral somava pouco mais de US$ 5 bilhões. Esses quatro presidentes estiveram em apenas dez países africanos. Na gestão de Lula, de 2003 a 2006, no primeiro mandato, foram realizadas seis viagens com 17 escalas no continente africano e foram gastos em torno de US$ 13 bilhões em intercâmbio bilateral.
O Programa71 de Governo de Lula tinha como uma das justificativas para
intensificar a relação com a África o fato de o Brasil ser o segundo país com a maior população negra no mundo. No capítulo “A política Externa para Integração Regional e Negociação Global” estava contida a proposta de diálogo com a África de uma maneira mais universalista e considerava que o Brasil iria conduzir as relações com o continente africano explorando os laços culturais e étnicos existentes e criando relações comerciais entre os países de acordo com suas áreas de expertise.
Gala (2006) entrevistou o ativista do Movimento Negro Unificado e do PT, Edson Cardoso72 que afirmou que a referência a África no Programa de Governo do
PT tem a ver com mais de duas décadas de diálogo com o movimento negro. O entrevistado enfatiza que desde a criação do PT, no início da década de 1980, dois anos da criação institucionalizada de uma das organizações do movimento negro, formaram-se comissões no partido para garantir o diálogo com o movimento social. Considera, também, que mesmo algumas comissões desfazendo-se, fragmentando- se e algumas lideranças do movimento retirando-se, mesmo assim, o PT manteve um diálogo com o movimento negro. Isso teria possibilitado a abertura para que houvesse um Programa de Governo que considerasse a ideia de Voltar-se a África e das ações
71 Para ter acesso ao programa: http://www2.fpa.org.br/uploads/programagoverno.pdf
72 Edson Cardoso, entrevista concedida em 17/3/2006. Edson Lopes Cardoso é natural de Salvador
(BA), Doutor pela USP e editor do jornal Ìrohìn. Ativista do Movimento Negro, foi coordenador da Comissão do Negro do PT-DF e membro da Executiva Regional de 1984 a 1987. Foi chefe de gabinete do Dep. Florestan Fernandes (PT-SP), de 1992 a 1995, e assessor de relações raciais dos parlamentares petistas Ben-Hur Ferreira e Paulo Paim (na mesa diretora da Câmara e do Senado). Foi membro da executiva nacional do MNU (1989 a 1995). Editou os jornais Raça & Classe (1987) e Jornal do MNU (1989-1995).
como a inclusão da História da África nos currículos escolares, a criação de uma Secretaria de Políticas de Promoção de Igualdade Racial.
Conforme apontado por Gala (2006), o compromisso do governo Lula com o movimento negro tinha duas referências, uma explícita que seria à volta a África e outra implícita
O compromisso passou a ser, portanto, o de estreitamento das relações com o continente africano de modo a atender às expectativas tanto dos que buscam, na Mãe-África, sua história, sua referência identitária e os valores de sua autoestima, quanto daqueles que procuram o reforço das parcerias, inclusive no plano internacional, para a luta contra os efeitos da escravidão e da exclusão que incidem sobre os africanos e seus descendentes na Diáspora. (GALA, 2006, p. 84)
Independentemente de ser implícito ou explicito, o que é fato é que o compromisso da gestão a partir de 2003 contribuiu de maneira significativa com a inserção do tema nas agendas políticas internas e externas e, com isto, o desenvolvimento de ações sobre as quais ainda não se tem um balanço da sua real abrangência e impactos.
Para o desenvolvimento dessas ações, foi muito importante o endosso da coligação Lula Presidente com as posições do movimento negro no que se refere aos documentos preparatórios da Conferência de Durban.Com isso, houve um comprometimento do Governo para implementar o Programa de Ação de Durban. O movimento negro, quando assume a agenda de Durban, assume também uma agenda nacional de natureza pública e coletiva. Se desde o final da década de 1970 o movimento negro já considerava a defesa dos direitos humanos, defesa de ações de redistribuição, e o combate às desigualdades raciais, todavia foi a partir de Durban, em 2001, que essas ideias começam a se concretizar.
Quanto à aproximação com a África, tem-se duas perspectivas: uma culturalista, considera que a volta a África é romanceada, que pode ser atualizada por meio da valorização de valores estéticos, culturais e históricos considerando as próprias referências identitárias. A outra considera a África como parceira para o desenvolvimento das ações firmadas em Durban, isto é, articular ações considerando até o contexto mundial no que tange às reparações para combater os efeitos do colonialismo, escravidão, globalização etc. (GALA,2006)
No primeiro ano do primeiro mandato do presidente Lula, dez novas embaixadas foram implantadas na África, o número de diplomatas foi ampliado, manteve-se apoios para os processos de pacificação, perdoou dívida de alguns países para com o Brasil, concedeu crédito para várias áreas (VINSENTINI& PEREIRA, 2014). Quanto à educação, o governo brasileiro ampliou o PEC73 e
estendeu-o para a pós-graduação, com bolsas brasileiras.
No período da segunda gestão de Lula, o Brasil tornou-se presidente da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e com isso contribuiu de maneira efetiva nas gestões diplomáticas para a reconstrução da democracia de São Tomé e Príncipe. Houve também uma ampliação das relações já existentes com Angola em áreas diversas. E com Moçambique além do estreitamento de laços comerciais, estabeleceu cooperação em diversas áreas, dentre elas, a agropecuária. O governo brasileiro favoreceu também a ida de empresas brasileiras que tinham interesse em instalar-se no continente africano, sobretudo as empresas exportadoras de serviços.
No início do segundo mandato, o presidente Lula realizou sete viagens a África. Ele estava acompanhado de empresários dos setores de energia, construção civil, indústria aeronáutica e finanças. Para além dos acordos bilaterais, dentre outras coisas, o presidente assinou um instrumento de cooperação técnica nas áreas de educação, medicina tradicional e saúde. Dos 53 países africanos, visitou 19 e, alguns deles, mais de uma vez. Desde o início do primeiro mandato até antes de concluir o segundo, as exportações brasileiras triplicaram.
Atualmente existem 37 embaixadas brasileiras na Àfrica, dessas, 19 foram abertas nos ultimos dez anos. O Brasil é um dos cinco países que mais tem embaixadas no continente africano, na ultima década, assim como mais embaixadas brasileiras foram abertas no continente africano. A reciproca também aconteceu: das 34 embaixadas africanas instaladas em Brasília, 18 delas foram abertas após 2003.
Desde o ano de 2003, novas estratégias para ampliar e fortalecer os laços de cooperação com a África estão sendo criadas. Foi criado o Grupo Técnico de Estudos Estratégicos de Comércio Exterior (GETEX) para a África. Esse grupo desenvolve
73O Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G) oferece oportunidades de formação
superior a cidadãos de países em desenvolvimento com os quais o Brasil mantém acordos educacionais e culturais
estudos, elabora propostas sobre a política de comércio exterior para o continente e coordena as iniciativas de cooperação e de fomento ao comércio e investimentos. O Plano de Desenvolvimento da Cooperação Brasil África com diversas vertentes74 foi
uma das ações desse grupo75.
A aproximação do Brasil como continente africano tem apresentado grande importância para a política externa do país, contudo algumas avaliações, conforme Visentine e Pereira (2014), como avaliações superficiais por parecer paradoxal um país em desenvolvimento, como é caso do Brasil, estimular seus esforços diplomáticos para/com parceiros pobres e com pouca influência no contexto geopolítico global e baixa participação na balança comercial brasileira. Segundo Visentine e Pereira (2014), é de suma importância avaliar os movimentos de internacionalização e de algumas tendências políticas e econômicas aceleradas pelo processo de globalização.
Cabe considerar a importância do Itamaraty como um ministério substancial para desenvolver tais políticas. Para isso, um dos desafios é lidar com o conservadorismo histórico do espaço considerado aristocrático, masculino, branco e de elite. Nesse contexto, a relação com a África pode ser considerada um dos motivadores para a implementação da política de ação afirmativa no IRBr?
A maneira que o Itamaraty foi constituído, como foi consolidada a instituição e a abertura para conceber temas novos, tanto na estrutura interna do órgão quanto para ser discutido como pauta externa importante para a nação. São aspectos importantes a serem explorados para compreendermos como acontecem as mudanças em um espaço tido como conservador. O que contribuiu para que um Ministério considerado o mais tradicional do Governo fosse um dos primeiros a efetivar uma política de ação afirmativa? Quais foram os ganhos e as perdas para a o MRE no processo de mudança?
74 Humanitárias, saúde e educação.
75 Informações retiradas do site do Ministério de Relações Exteriores, disponível na página