3. MOBİL NUMARA TAŞINABİLİRLİĞİNİN BAŞARISINI ETKİLEYEN
1.3. Operatörler
Nos primórdios da consolidação da atuação brasileira no contexto internacional, era comum que as pessoas que ocupassem o cargo de ministro ou seus auxiliares fossem indicados. Entre 1902 e 1912, nos tempos do Barão do Rio Branco, os critérios para selecionar diplomatas eram: a família de origem do candidato homens (em alguns casos, a diplomacia era uma forma de inserção profissional para os filhos da aristocracia ligada à falida monarquia), a aparência física (ser branco era essencial para imagem que o Brasil pretendia criar internacionalmente) e os modos e as ideias que os candidatos expressassem no chá com o Barão. Era importante a família do candidato ter uma relação com o presidente ou com o chanceler para a admissão da carreira.
Depois, ao final da década de 1930, criou-se, no Brasil, o Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP), órgão responsável pelos concursos públicos, inclusive pelo concurso admissional para a carreira diplomática, que chamava-se, na época, Exame Vestibular à Carreira Diplomática até 1946, que só acontecia no Rio de Janeiro. No ano de 1946, o concurso passa a ser de responsabilidade do IRBr, que manteve-o, no Rio de Janeiro somente até 1959. Durante esse período, os/as candidatos/as necessitavam ser moradores da região do Rio de Janeiro ou filhos/as de pais muito ricos que tinham condições de pagar todas as despesas para o concurso (MOURA, 2007).
A baiana Maria José de Castro Rebelo Mendes foi a primeira mulher a ingressar na diplomacia. Apesar do seu ingresso ter sido por meio do concurso público, no ano de 1918, a sua inscrição não foi aceita pelo MRE. Somente após o auxílio jurídico do baiano Ruy Barbosa, que alegou a inconstitucionalidade da proibição do Itamaraty, pois o artigo 73 da Constituição de 1891 dizia que “todos brasileiros” sem discriminar sexo, eram elegíveis para cargos públicos. Então Nilo Peçanha, o então ministro do MRE, permitiu a sua inscrição para realizar a prova.
A candidata realizou a prova e ficou em primeiro lugar no concurso, mas casou- se com um diplomata que foi convidado para assumir o cargo de conselheiro na embaixada de Bruxelas, Bélgica, o que aceitou. Maria José teve que se aposentar, pois não era permitido a mulheres assumirem cargos na mesma representação do marido. Maria José de Castro assumiu a carreira diplomática em 1918, casou-se em 1922, em 1934 pediu a aposentadoria e em 1936 morreu aos 45 anos. Schumaher & Brazil (2000), afirmam que, de 1919 a 1938, ingressaram no corpo diplomático 19 mulheres. Segundo Balbino (2011), naquele período as carreiras de cônsules e diplomatas foram unidas e a de oficial de secretaria tinha sido extinta em 1931. O mesmo decreto que uniu as carreiras também determinou que apenas homens poderiam ingressar nessa carreira.
Sendo assim, conforme registrado por Schumaher & Brazil (2000), foi em 1938 que o então ministro do MRE, Oswaldo Aranha, proibiu expressamente a entrada de mulheres na diplomacia. A medida só foi revertida em 1953, após a liminar obtida por Maria Sandra Cordeiro de Melo, posteriormente, aprovada no Congresso Nacional.
Mas, as mulheres que hoje estão na diplomacia, segundo Lima (2005), enfrentam situação de desigualdade. Para ilustrá-la, a autora apresenta as reflexões
da diplomata Thereza Maria Machado Quintella, a qual afirma que, no Itamaraty, as mulheres enfrentam vários obstáculos para chegar à posição de chefia e de poder, acumulando- as nas classes de Primeiro Secretário.
Em abril de 1945, foi criado o Instituto Rio Branco (IRBr), como parte da comemoração do centenário do nascimento de José Maria da Silva Paranhos Junior, o então Barão do Rio Branco. O Instituto Rio Branco tornou-se responsável pela seleção e formação dos diplomatas brasileiros. Em 1946, foi criado Curso de Preparação à Carreira de Diplomata do IRBr. A primeira turma foi composta por 27 Cônsules de Terceira Classe (chamados hoje de Terceiros Secretários). A partir dessa data, também tornou-se obrigatório o concurso público pelo IRBr para o acesso à carreira, ou seja, antes já havia o concurso, todavia não era obrigatório para ingresso na profissão.
Para realizar o concurso, inicialmente não era necessário ser graduado. A partir de 1967, passou-se a exigir que os/as candidatos/as ao concurso estivessem pelo menos no primeiro ano de curso superior. A exigência estendeu-se, em 1968, para o segundo ano e, em 1985, para o terceiro. A partir de 1994 a graduação plena tornou- se pré-requisito.
Alguns estudiosos do tema apontam que a diplomacia sempre foi um espaço fechado, mas que desde a metade da década de 1990 abriu-se para a possibilidade de diversificar o seu quadro (LIMA, 2005; CHADE, 1999; CASTRO, 2009).
A carreira diplomática tem um peso político e simbólico pelo que representa dentro de uma instituição altamente burocrática e que tem a tradição de abrigar uma elite masculina branca em posições superiores da burocracia pública. Para ilustrar como o espaço diplomático foi consolidado sob bases conservadoras, seguindo o fluxo da sociedade brasileira, basta olhar quem são os diplomatas que representam essa sociedade. A tradição de ter pessoas da mesma família e na sua maioria representantes da elite brasileira sempre foi uma constante (MOURA, 2007).
Após ser aprovado/a no concurso, o/a recém empossado/a deve iniciar o Programa de Formação e Aperfeiçoamento – Primeira fase (PROFA 1), esta formação atende o nível de mestrado e tem disciplinas variadas que podem variar conforme o
ano, a turma etc78. Esta formação tem duração de três a quatro semestres, em período
integral.
Após finalizar o PROFA 1, o diplomata pode ser indicado para serviço no exterior ou ocupar alguma outra função no Brasil. Mas, quanto à formação, necessita o Curso de Aperfeiçoamento de Diplomatas (CAD), pré-requisito para promoção de segundo e primeiro secretário e o Curso de Altos Estudos (CAE), cuja aprovação depende a promoção de conselheiros a ministro de segunda classe.
A hierarquia precisa ser respeitada, conforme as regras da hierarquia, a carreira diplomática está estruturada da seguinte forma:
Terceiro Secretário; Segundo Secretário; Primeiro Secretário; Conselheiro79;
Ministro de Segunda Classe;
Ministro de Primeira Classe (Embaixador/a)
Segundo informações oficiais do Itamaraty80, os critérios de promoção da
carreira são o merecimento e antiguidade, contudo para a progressão na carreira é preciso cumprir outros requisitos, referente ao período mínimo de permanência de três anos em cada classe, tempo de serviço no exterior, tempo de carreira e conclusão de cursos específicos para cada classe. Ainda assim, as promoções, exceto a primeira, ficam condicionadas ao voto de seus pares e superiores e à avaliação pelas altas chefias do Ministério das Relações Exteriores, incluído o Ministro de Estado. Para
78 As disciplinas do ano 2014-2015 são: Cerimonial e Protocolo, Desenvolvimento Sustentável,
Diplomacia Consular, Diplomacia e Promoção Comercial, Direito Internacional Público, Direitos Humanos e Temas Sociais, Economia I e II, História da América do Sul, História da Política Externa Brasileira, Linguagem Diplomática I e II, Módulos profissionalizantes, Organização e Métodos de Trabalho do MRE, Organizações Econômicas Internacionais e Contenciosos, Organizações Políticas Internacionais, Orientação Profissional, Planejamento Diplomático, Política Internacional e Política Externa Brasileira I e II, Técnicas de Negociação, Teoria das Relações Internacionais, Teoria Geral do Estado e Direito da Integração, Visões do Brasil I e II, Árabe, Chinês ou Russo I, II e III, Espanhol I, II e III, Francês I, II e III, Inglês I, II e III. Informações retiradas do site do Itamaraty http://www.institutoriobranco.mre.gov.br/pt-br/perguntas_freq%C3%BCentes.xml
79 Segundo informações durante o campo, o cargo de conselheiro está quase se extinguindo da
carreira.
80 Informações retiradas do site do Instituto Rio Branco: http://www.institutoriobranco.mre.gov.br/pt-
tornar-se ministro/a de primeira classe/embaixador/a pode levar em torno de 20 anos, no mínimo81.
Qual é especificamente o trabalho do diplomata82, uma vez sendo aprovado no
concurso?
Nos dois primeiros anos da carreira o/a diplomata não vai para o exterior, apenas para atividades pontuais. Esse período o/a diplomata está fazendo a formação PROFA l, no IRBr.
Durante a carreira, após os dois primeiros anos de formação no IRBr, é possível que o/a diplomata possa ficar no Brasil ou para o exterior, no Brasil pode-se trabalhar em cinco áreas diferentes: geográfica, temática, promoção comercial, consular e administrativa.
A área geográfica é responsável pelo acompanhamento e monitoramento de alguns países. Essa área é o contato das missões, consulados e embaixadas desses locais. Alguns continentes são divididos em sub áreas pela diversidade que o compõe, como o caso da África, que é dividido em 1, 2 e 3.
A temática, como o próprio nome já diz, é responsável por temas específicos, os diplomatas responsáveis devem estudar o que há de novo sobre o tema que possa fazer sentido para as negociações brasileiras.
Na Promoção Comercial83, os/as diplomatas relacionam-se com empresários
brasileiros: o objetivo é promover o comércio brasileiro no exterior e também buscar investimentos para o país.
A área consular é a responsável pela assistência aos brasileiros fora do Brasil, acompanhando comunidades brasileiras no exterior, oferecendo suporte de documentos, por exemplo.
E a área administrativa que das questões internas do MRE como a coordenação de licitações, divisão de pessoal, setor de arquitetura etc.
81 Idem anterior
82Informações sobre os postos de trabalho foram retiradas do site do MRE
http://www.itamaraty.gov.br/servicos-do-itamaraty/ do material online http://www.cursoclio.com.br/a- carreira-de-diplomata/sobre-a-carreira-na-abin.asp curso preparatório específico para diplomacia por meio de conversas exploratórias com diplomatas durante o campo.
Os/as diplomatas podem atuar também no cerimonial, que é um setor que contribui na organização de eventos que digam respeito ao relacionamento do Brasil com outros países.
Existem também nove escritórios regionais, conforme informação do site do Ministério das Relações exteriores. No exterior um/a diplomata pode atuar em missões ou escritórios, embaixadas, consulados e vice-consulados ou delegações. As regiões recebem identificações de classes A, B, C e D. Essas classificações são dadas conforme a importância das relações do Brasil com o local e a qualidade de vida naquele lugar. Fora do Brasil, as cidades são chamadas de postos. Nos postos C, o tempo de serviço é contado em dobro e no tipo D, em triplo.
As embaixadas são responsáveis pela relação brasileira com os organismos internacionais. É considerado o nível mais elevado da representação estrangeira. Os consulados e vice-consulados têm como função contribuir com as pessoas físicas e jurídicas brasileiras que estão no país em questão. Existem embaixadas que também contam com setores consulares. Delegações ou Missões atuam em um organismo internacional como, por exemplo, as missões nas Nações Unidas e Comunidade Europeia. Escritórios são representações brasileiras onde não há Embaixadas ou consulados em países que o Brasil tenha algum tipo de interesse.
Quadro 8: Representações do Brasil no exterior, dados de 2008 Órgãos de representação
do Brasil no exterior Quantidade Onde OBS:
Embaixadas 119 Todos os continentes
Delegações permanentes 4
ALADI-MERCOSUL; OACI, GENEBRA,
UNESCO
Missões diplomáticas 5
ONU, OEA, AIEA, Comunidades Europeia, Comunidade dos Países de Língua Portuguesa 2 representações (FAO e Conferência do Desarmamento) Fonte: Castro (2009)