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2. MOBİL TELEKOMÜNİKASYON PİYASALARI ve NUMARA

2.3. Numara Taşınabilirliği

2.3.6. Maliyetleri

Durante e após o surgimento do Nazismo e do Fascismo (1939-1945), intensificou-se o debate sobre o conceito de raça pelos psicólogos, sociólogos, antropólogos e biólogos. Em cenário mundial, o Brasil era visto como o país da harmonia racial. Nas décadas de 1950 e de 1960, os estudos de comunidade sobre relações raciais foram disseminados em diversas instituições de ensino com pesquisadores/as de distintas formações. Essa multidisciplinariedade contribuiu para que se desencadeassem inúmeras divergências e conclusões variadas acerca das relações raciais no país. Naquele mesmo período, intelectuais negros (NASCIMENTO, 1950; RAMOS, 1954), militantes e/ou universitários/as, escreviam ensaios críticos sobre relações raciais no Brasil.

A ONU, por meio da UNESCO, realizou vários encontros para discutir o conceito de raça e buscar estratégias de prevenir conflitos raciais. Antropólogos defendiam a substituição do conceito de raça por etnia, e sociólogos defendiam o uso do conceito raça. Sobre o uso do conceito de raça pelas ciências sociais, Guimarães (1999) aponta que

aqueles que defendem a utilização do termo pelas ciências sociais enfatizam, em primeiro lugar, a necessidade de demonstrar um caráter específico de um sub conjunto de práticas e crenças discriminatórias e, em segundo, o fato de que, para aqueles que sofrem ou sofreram os efeitos do racismo, não há outra alternativa senão de reconstruir, de modo crítico, as noções dessa mesma ideologia (GUIMARÃES, 1999, p.20).

Grandes pesquisas brasileiras sobre relações raciais realizadas na época, destacando-se: o ciclo de estudos da UNESCO (1953-1956); o estudo decorrente de parceria entre Columbia University com a Universidade do Estado da Bahia (1950- 1960) e os estudos da Escola Paulista (1955–1972). Conforme enuncia Guimarães (1999), pode-se considerar os seguintes diagnósticos dessas investigações: nas pesquisas realizadas, principalmente na Bahia e em Recife, os estudos afirmavam que o preconceito no Brasil era fraco, inexistente. Nas investigações que ocorreram no Sudeste e Sul, foram documentadas importantes manifestações de tensões raciais, concluindo-se que no Brasil havia preconceito racial, todavia, negado pelo Estado e por aqueles cuja manutenção do status quo interessava. Enquanto alguns estudiosos teriam “demonstrado a importância crescente do racismo no Brasil, outros teriam se apegado ao credo da democracia racial” (GUIMARÃES, 1999, p.77).

Foram duas décadas, de 1950 a 1970, significativas para o fortalecimento e disseminação das pesquisas sobre relações raciais no Brasil. As pesquisas financiadas pela UNESCO constituíram um marco por referendar o que os estudiosos do movimento negro já afirmavam sobre as desigualdades e as discriminações sofridas pelos negros/as brasileiros. Assim sendo, o projeto, que tinha como objetivo inicial demonstrar que o povo brasileiro tinha lições a dar ao mundo no que diz respeito à cooperação e à harmonia entre as raças, comprovou que o que se pensava sobre a boa relação entre negros/as e brancos/as era uma falácia, e assim

evidenciou-se uma forte correlação entre cor ou raça e status socioeconômico. A utopia racial brasileira foi colocada em questão. Inaugurou-se, dessa forma, no campo das ciências sociais, uma produção acadêmica que julgava como falsa consciência o mito da democracia racial brasileira. (MAIO, 2000, p.106)

Conforme apontam Rosemberg e Pinto (1989), pode-se distinguir três correntes que caracterizam o pensamento social brasileiro. A primeira, por meio da obra Casa

Grande e Senzala, publicada por Gilberto Freyre em 1933, no qual a partir do seu

conteúdo transmite uma ideia da existência de uma democracia racial no país. Naquele contexto, início da década de 1930, são exaltados o samba e a capoeira, dentre outras expressões advindas dos descendentes de africanos, como sendo produtos nacionais. A segunda corrente tem como um dos principais responsáveis

Florestan Fernandes, que questiona a dita democracia racial ao explicitar as desigualdades entre brancos/as e negros/as. Porém, o estudioso considerava que essas desigualdades tenderiam a desaparecer com a industrialização e o desenvolvimento econômico. Segundo os autores, os motivos dessas desigualdades, sendo resquícios do antigo regime escravagista, não sobreviveriam em uma sociedade competitiva e de classes. A terceira corrente tem como um dos principais representantes Carlos Hasenbalg, que considera a análise de raça e classe em uma perspectiva diferenciada de Fernandes. Para Hasenbalg (1979), o componente racial tem sua especificidade e não poderia ser reduzido às diferenças de classe, renda e educação ou diluído em um gradiente de cor.

O termo racismo foi conceituado de diferentes modos. Conceituar o racismo de maneira que considere a dimensão estrutural e simbólica na produção e sustentação das desigualdades raciais é a perspectiva de alguns/mas estudiosos/as, tais como Essed (1991), Guimarães (1999) e Rosemberg (2003). É a partir dessa perspectiva que o presente trabalho está sendo desenvolvido. Vale ressaltar que, quando abordamos a dimensão simbólica, consideramo-la no plano da ideologia e não das atitudes interpessoais. E, de acordo com as conceituações de Philomena Essed (1991

apud ROSEMBERG et al, 2003, p. 128), racismo

(..) é uma ideologia, uma estrutura e um processo pelo qual, grupos específicos, com base em características biológicas e culturais verdadeiras ou atribuídas, são percebidos como uma raça ou grupo étnico inerentemente diferente e inferior. Tais diferenças são, em seguida, utilizadas como fundamentos lógicos para excluírem os membros desses grupos do acesso a recursos materiais e não materiais. Com efeito, o racismo sempre envolve conflito de grupos a respeito de recursos culturais e materiais. E opera por meio de regras, práticas e percepções individuais, mas por definição, não é uma característica de indivíduos. Portanto, combater o racismo não significa lutar contra indivíduos, mas se opor as práticas e ideologias pelas quais o racismo opera através das relações culturais e sociais.

Para Guimarães (1999), o termo racismo contempla as seguintes perspectivas: uma ideia de raças biológicas; uma conduta moral ao lidar de maneira diferente com pessoas de raças distintas; e uma “posição estrutural de desigualdade entre raças” (GUIMARÃES, 1999, p. 65).

A história do Brasil marcada pelo racismo no plano material e simbólico, evidencia-se pela sub-representação de negros e negras em espaços de poder, o que

fortalece a ideologia de que espaço de poder é lugar dos brancos/as. De modo que gerou uma sub-representação de negros/as em determinados postos de trabalho, principalmente naqueles que indicasse ter algum tipo de prestígio. Durante muito tempo, essa sub-representação de negros/as foi considerada como algo legítimo, que não precisava ser problematizado, pois havia uma naturalização de que o perfil de pessoas que deveriam circular em determinados espaços e exercer determinadas funções na sociedade brasileira, somando-se à crença de que no Brasil vive-se em uma democracia racial. A naturalização das desigualdades pode ser entendida, de acordo com Moore (2007), como “uma tendência crescente de trivializar o racismo”, seja relegando-o à esfera das relações interpessoais ou reduzindo-o ao plano de meros preconceitos que “todo mundo tem” (MOORE, 2007, p.29).

Porém, o racismo é estrutural, conforme Dijk (1987), atravessa todos os níveis institucionais e pessoais da sociedade. Não se trata, portanto, de localizar o racismo nas instituições ou nos comportamentos individuais e grupais, mas sim de considerá- lo encravado na própria estrutura global da sociedade. E o racismo simbólico se dá na reprodução dessas desigualdades raciais no cotidiano por meio de discursos em diferentes meios.

Segundo Fraser (2009), para combater uma injustiça é necessário atentar-se para as três dimensões: econômica (distribuição), cultural (reconhecimento) e política (representação). Pois, para articular estratégias para combater a falta de distribuição e falta de reconhecimento faz-se essencial apropriar-se da dimensão política, isto é, estar junto na construção das regras de decisão onde são estruturadas as contestações. Quem está legitimado para reivindicar e criar as regras? Fraser (2009) enfatiza que no nosso mundo globalizado essa disputa política não se passa apenas no interior das fronteiras de um determinado país, mas é preciso pensar em coalizões e redes internacionais, inclusive para garantir conquistas relativas à distribuição e a reconhecimentos para um determinado grupo local.