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3. MOBİL NUMARA TAŞINABİLİRLİĞİNİN BAŞARISINI ETKİLEYEN

1.1. Mobil Telekomünikasyon Öncesi Türkiye’de İletişim

A importância da relação com o continente africano para o movimento negro inicia explicitamente a partir dos anos 1940. Entretanto, anterior a esse período, a aproximação e o fortalecimento dos laços com a África já tinham sido propostos em inúmeras iniciativas dos/as negros/as brasileiros/as com iniciativas não institucionalizadas. Isso pode ser visto através dos registros oficiais com essa pauta, como o “Manifesto à Nação Brasileira”, adotado ao final da Convenção Nacional do Negro Brasileiro (1945); o “Nosso Programa”, produzido na sequência da Conferência Nacional do Negro (1948-49) e do I Congresso do Negro Brasileiro (1950); os documentos finais do Encontro Nacional dos Militantes Negros (1984) e do I Encontro Nacional de Entidades Negras (1991), além do Programa de Superação do Racismo e da Desigualdade Racial, preparado para a Marcha Zumbi dos Palmares contra o Racismo, pela Cidadania e a Vida (1995) (GALA, 2007).

Conforme apontado por Pinho (2003), a origem do movimento negro atual se dá por duas frentes históricas, de matrizes histórico distintas, ainda mais no que se refere à relação e referência com a África. No primeiro momento, no período colonial, o movimento era visto como grupo de identidade própria, porém, não totalmente independente, com os protestos dos escravizados, às vezes por meio de suicídio, assassinato dos nascidos escravos e fugas em massa. E a outra frente é vista como os movimentos que intensificaram-se a partir do período da redemocratização iniciado nos anos 1970 e ganhando força após 1985.

No que se refere à primeira frente histórica, mesmo com a proclamação da República e em seguida à Abolição, negros/as ainda continuaram marginalizados da política institucional. Na época, a forma de resistência de negros/as letrados/as se deu por meio do uso da imprensa, nomeada imprensa negra, que privilegiava temas relativos à educação e ao projeto de solidariedade para a população negra. Por meio da movimentação em torno da imprensa escrita negra, criou-se a Frente Negra Brasileira (FNB), fundada em 1931 e considerada como ilegal pelo governo Vargas

em 1937. O propósito da FNB era lutar contra a separação social e espacial dos negros e articular a organização coletiva para defender os interesses do grupo. A FNB tinha um projeto nacionalista com ideal de integração e assimilação dos/as negros/as na sociedade. A FNB64 não defendiam formas culturais de matriz africana,

menosprezando os cultos de Candomblé e Umbanda, pois os considerava heranças primitivas, mesmo sendo eles cultuados pela elite intelectualizada branca do país (GUIMARÃES, 1999).

Após o Estado Novo, nas décadas de 1940 e 1950, com o intuito de destruir o mito da inferioridade racial, organizações negras formavam-se para construir uma identidade racial. Os líderes buscavam ser universalistas e democráticos, estando abertos à participação de brancos, pardos e reforçavam sua independência em relação aos partidos políticos.

Segundo Gala (2006), o fim da era Vargas coincide com a mobilização e ascensão social de negros/as, no que tange ao acesso a cursos universitários, mesmo havendo racismo e a tensão da discriminação racial. Nesse período, ocorriam os conflitos raciais nos Estados Unidos e o início do processo de independência em alguns países do continente africano e os debates sobre o racismo eram motivados por causa do fenômeno fascista que estava acontecendo.

Com a criação do Teatro Experimental do Negro (TEN), em 1945 por Abdias Nascimento65, para além de uma agenda antirracista contrária ao ideal de

branqueamento do povo brasileiro e aos valores estéticos brancos, o TEN também era contra o menosprezo à herança cultural africana. Todavia, ainda predominava uma ideologia integracionista e nacionalista.

64 Para mais informações sobre a FNB ler a tese de PINTO, Regina Pahim. O movimento negro em

São Paulo: luta e identidade. Tese (Doutorado em Antropologia) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1993; o artigo de Petrônio Domingues, disponível no http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-24782008000300008&script=sci_arttext e no acervo digital do IPEAFRO http://ipeafro.org.br/home/br/acervo-digital/24/42/58/frente-negra-brasileira/

65 Abdias Nascimento é um dos mais notórios militantes do combate à discriminação racial no Brasil.

Sua história confunde-se com as conquistas sociais dos/as negros/as nos últimos sessenta anos. Foi um dos fundadores da Frente Negra Brasileira, em 1931; criou o TEN em 1944; foi Secretário de Defesa e Promoção das Populações Afro-Brasileiras do Rio de Janeiro; Deputado Federal pelo PDT/RJ em 1983 e Senador da República em 1997, também pelo PDT/RJ. É autor de vários livros e Professor Benemérito da Universidade do Estado de Nova York. Em julho de 2006, recebeu, em Salvador, das mãos do Presidente Lula, durante a II CIAD, a Ordem do Rio Branco, no grau de Cavaleiro. Abdias morreu aos 97 anos em maio de 2011. (http://www.abdias.com.br/biografia/biografia.htm)

Com a ditatura militar, em 1964, as expressões com caráter antirracistas foram abolidas e até o termo raça foi retirado do censo de 1970 pelo governo Médici66.

A partir do final da década de 1970, pesquisadores/as acadêmicos/as, ativistas negros/as começaram a propor interpretações relativas à história das resistências dos/as negros/as no país. E assim, utilizam o marco histórico da morte de Zumbi pelo bandeirante Jorge Velho, em 1695, no quilombo dos Palmares, como um fato que foi ressignificado, considerando o quilombo como um espaço a ser representado como um modelo alternativo de organização da sociedade que desafiou a autoridade do poder colonial e recriou um mundo africano, considerando esse mundo baseado no trabalho livre, valores tradicionais holísticos e o uso comum da terra. No contexto de reorganização dos movimentos negros, Oliveira da Silveira, poeta gaúcho do Grupo Palmares, propôs que o dia 20 de novembro – aniversário da morte de Zumbi – fosse o Dia Nacional da Consciência Negra (PINHO, 2003). Essa proposta foi abraçada por Abdias do Nascimento, juntamente com outros ativistas do movimento negro. O grupo Palmares de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, realizou no dia 20 de novembro de 1971 o primeiro ato público em homenagem a Zumbi.

Após a década de 1980, um dos objetivos do movimento negro era defender a valorização da herança africana, buscando separá-la das modificações, adaptações e misturas com a cultura nacional brasileira (GUIMARÃES, 1999). O movimento negro redireciona temas privados, como cor da pele, racismo e relações interpessoais, religião afro-brasileira para temas da arena pública, como inclusão de “discursividades” negras (PINHO, 2003).

Alguns dos ativistas ainda tinham, como em sua militância, uma perspectiva pan-africanista67, que era comum antes da década de 1970.

De acordo com a perspectiva racialista/culturalista, a utopia dos descendentes da África –afrodescendente - conforme enuncia Pinho(2003), recupera a África e as raízes africanas, ao mesmo tempo em que a ela retorna. Africanos/as e seus descendentes nascidos no Brasil desenvolveram uma referência mítica em relação à

66 No dia 10 de março de 1969, que o governo Médici proibiu a publicação de notícias sobre índios,

esquadrão da morte, guerrilha, Movimento Negro e discriminação racial. (O. SILVA, 2004)

67 Sobre pan-africanismo: ARAÚJO, Kelly Cristina. Áfricas no Brasil. São Paulo: Ática, 2008 e artigo

de LIMA (2011) online

ttp://www.snh2011.anpuh.org/resources/anais/14/1309546368_ARQUIVO_Trabalho_completoANPU HIvaldo2011[1].pdf

África, imaginando até a possibilidade de retorno. O desejo de reconstruir e manter vínculos com o continente africano esteve presente desde a origem dos movimentos negros no Brasil e, mesmo alguns grupos desenvolvendo uma visão crítica em relação a esse possível retorno a África, a ideia de estreitar relações com os povos africanos como possibilidade de reafirmar uma vinculação identitária manteve-se firme. E por mais que as estratégias amadurecessem e mudassem, o ideal de considerar a África como terra mãe e referência permaneceu. Assim, ao formular a proposta Voltar-se a

África, permitiu que pela primeira vez o movimento negro contribuísse ativamente na

construção de um Programa de Governo de combate ao racismo, discriminação e igualdade racial.