Cada vez mais a inovação, face aos desafios com que as empresas se deparam, se assume como um fator chave da competitividade empresarial. Ao longo dos últimos anos, muitas abordagens teóricas têm vindo a ser desenvolvidas, suportando que a inovação não é algo que resulta de uma ação isolada dum único interveniente, mas deve ser vista como um processo evolucionário e interativo entre o tecido empresarial e o meio envolvente.
É aceite que no âmbito da inovação, os relacionamentos externos são influenciadores da capacidade inovadora demonstrada pelas empresas.
Nesta dissertação, o conceito de inovação empresarial é entendida como sendo o resultado de um processo interativo existente entre a empresa e o seu meio envolvente, designando-se os resultados deste processo como capacidade inovadora empresarial o, que permite uma vantagem competitiva.
O termo capacidade inovadora empresarial integra as várias componentes que resultam do processo de inovação da empresa ANA, SA, designadamente: inovação no serviço, processo e organizacional. A análise é o estudo da capacidade inovadora da empresa ao nível dos avanços inovadores para os serviços que presta, permitindo-lhe alcançar uma vantagem competitiva.
A dimensão da intensidade competitiva provém da capacidade inovadora da empresa em desenvolver atividades de inovação que resultem em novos serviços ou incrementos nos serviços já existentes. Para a inovação do serviço e, com base no grau de novidade distinguiram-se duas tipologias de inovação: categoria do “novo para a empresa” versus categoria do “novo para o mercado”. Na primeira categoria incluem-se as alterações e melhoramentos nos serviços já prestados pela empresa e, também em serviços nunca
prestados pela empresa, sendo uma extensão ou substituição de determinados itens (Kaufmann et Todtling, 2000). A inovação daqueles serviços engloba uma alteração na diversidade dos serviços prestados pela empresa, melhorias quase impercetíveis pelos utilizadores dos serviços ou alterações mais profundas nas características essenciais de um ou mais serviços, assim como a introdução de novos serviços. Em geral respeitam a inovações incrementais, com pequenas alterações em sequência da aplicação do conhecimento adquirido ao longo dos tempos e globalmente disponível.
A categoria de “novo para o mercado” engloba serviços que, para além de novidade para a empresa também o são para o mercado. Tais serviços oferecem novas qualidades, funções, segurança, facilidade que até o momento do seu lançamento não estavam disponíveis no mercado aeroportuário. Logo, não existe concorrência para estes serviços, conduzindo, mesmo que momentaneamente, a um monopólio temporário, fator chave num mercado tão específico como é o da gestão aeroportuária. Usualmente nestas inovações, os desenvolvimentos incrementais não são o suficiente, sendo necessário ir mais além, contribuindo dessa forma para a ocorrência de avanços inovadores. Pode, então afirmar-se que a empresa produziu avanços inovadores, sempre que introduz novos serviços para utilização tanto na empresa como para os seus concorrentes, obtendo, assim, intensidade competitiva e diferenciadora da concorrência.
Apesar de todos os estudos alusivos à temática da inovação empresarial, existem questões para as quais ou ainda não foram abordadas nas investigações ou ainda não se obtiveram respostas. Deste modo, para além de conhecer quais os principais parceiros no âmbito da inovação empresarial, é fundamental, para compreender o processo de inovação da ANA, SA, investigar: qual a importância dos diversos parceiros externos para a realização de atividades de inovação e qual a contribuição destes para alcançar os avanços inovadores que garantam maior segurança e redução do impacte ambiental. Assim, a proposta é a criação de um modelo que permita a análise se os relacionamentos estabelecidos com parceiros externos (redes de inovação) impulsionam a capacidade inovadora da empresa ao nível dos avanços inovadores, que permitam maior intensidade competitiva e qual a relação ao desempenho da empresa na qualidade, ambiente e segurança. Na figura 21, apresenta-se esquematicamente a proposta de modelo.
Fig. 21: Relacionamento Externos – Intensidade Competitiva da ANA, SA Fonte: Elaboração própria
De entre os diversos parceiros no âmbito da inovação, considerando a história recente da participação da ANA, SA em projetos comunitários e nacionais desde 2004, nesta dissertação destacaram-se três grupos relacionados com parceiros externos. Um grupo de relacionamento com parceiros de negócio com os quais se potenciam atividades de cooperação, nomeadamente clientes, fornecedores e parceiros industriais. Um outro grupo respeita aos aeroportos concorrentes e parceiros estratégicos, relativamente aos aeroportos concorrentes, destacam-se dos restantes parceiros pois, podem ocorrer comportamentos anti competitivos. Incluído no grupo dos parceiros da ciência destacam-se dois grupos: um relacionado com fornecedores de conhecimento e formação, onde se incluem universidades, institutos e polos tecnológicos. O outro relaciona-se com as redes de inovação, nomeadamente institutos de investigação privados e públicos e empresas de consultoria. Considerando os três grupos de relacionamento com os parceiros referidos como base, e relacionando-os com o desempenho registado na empresa ao nível da qualidade, ambiente e segurança, pode formular-se as hipóteses de seguida indicadas:
Clientes Fornecedores Parceiros Industriais Aeroportos Concorrentes Parceiros Estratégicos Parceiros do Foro Cientifico e Tecnológico Intensidade Competitiva Capacidade Inovadora Avanços Inovadores Qualidade Ambiente Segurança R ed es d e I n o v a çã o
É salientado, em diversos estudos que, o potencial inovador de cada empresa é influenciado pelos relacionamentos instituídos com parceiros de negócio, especialmente com clientes, fornecedores e parceiros industriais (Simões, 1997, Fritsch, 1999, 2001; Kaufmann e Todting 2000, 2002). O objetivo é conhecer se os relacionamentos estabelecidos com clientes, fornecedores e parceiros industriais funcionam como estímulo para a empresa desenvolver avanços inovadores e qual a influência no nível da qualidade, ambiente e segurança, sendo assim, formula-se a hipótese seguinte:
H1: Os relacionamentos estabelecidos com clientes, fornecedores e parceiros
industriais no âmbito da inovação, relacionam-se positivamente com a aptidão da empresa no empreendedorismo de avanços inovadores, aumentando o nível de qualidade, segurança e redução do impacte ambiental da atividade.
Considerando o estabelecimento de relacionamentos no âmbito da inovação entre a empresa e os seus concorrentes e parceiros estratégicos, deseja-se ensaiar teoricamente se a contribuição daqueles relacionamentos faz com que a empresa desenvolva novos serviços que sejam novos para si e para todo o mercado aeroportuário e qual a relação com o nível da qualidade, ambiente e segurança. Assim, a hipótese que se formula é a seguinte:
H2: Os relacionamentos estabelecidos no âmbito da inovação entre a empresa e
os seus aeroportos concorrentes e parceiros estratégicos relacionam-se positivamente com a tendência para a empresa realizar avanços inovadores e, qual o papel desempenhado ao nível da qualidade, ambiente e segurança.
Considerando a revisão da literatura realizada, observa-se que alguns investigadores destacam o papel crucial desempenhado pelas universidades e entidades de ensino como estimulo para os avanços tecnológicos. Para Fritsch e Schwirten (1999) as universidades e outras instituições de ensino superior têm uma importância elevada pois, são um meio privilegiado no fornecimento de “inputs” para as atividades inovadoras. Também os Kaufmann e Todting aludiram que os desenvolvimentos tecnológicos de longo alcance produzidos pelas universidades acontecem porque incidem na criação de conhecimento novo independentemente dos fatores económicos. Face ao exposto, a hipótese a formular é:
H3: A aptidão para empreender avanços inovadores é superior nas empresas que
se relacionam com universidades e outras instituições de ensino superior no âmbito da inovação. Terá esse fator influência no desempenho ao nível da qualidade, impacte ambiental e segurança da empresa.
Os relacionamentos com as redes de inovação centram-se fundamentalmente na produção de conhecimentos científico e tecnológico com alguma facilidade e rapidez de comercialização, estando por esse fato mais dependente de considerações económicas (Kaufmann e Todting). Os relacionamentos com estas entidades funcionam como fontes alternativas de informação e conhecimento tecnológico, no entanto é mais comum, fornecerem competências específicas, conhecimento aplicado e informação (Bruce e Morris, 1998 e Tether, 2002).
As hipóteses formuladas, têm por objetivo determinar em que ponto os relacionamentos firmados com os parceiros no âmbito da inovação, afetam de forma significativa a capacidade inovadora da empresa, ao nível dos avanços inovadores empreendidos pela empresa em matéria da inovação nos serviços, permitindo uma maior intensidade competitiva e um desempenho ao nível da qualidade, ambiente e segurança de excelência.
Os dados utilizados foram recolhidos, durante o segundo semestre de 2012, através de inquéritos por questionário ou reuniões informais.
A população contempla os parceiros mais representativos para a ANA, SA em termos de relacionamentos no âmbito da inovação com pelo menos uma participação num projeto de inovação ao nível comunitário ou nacional. Os inquiridos distribuem-se por universidades, institutos politécnicos, aeroportos europeus, empresas de tecnologia, consultores, universidades, entre outros. A construção da amostra foi através de um método misto, que combina uma abordagem com visões distintas dos fins a alcançar com os avanços inovadores.
A amostra inicial 34 empresas inquiridas sofreu alguns ajustamentos em sequência do número de inquiridos que responderam ao questionário de forma válida, totalizando 18 respostas, constituindo a amostra final. Considerado o número de respostas obtidas, a taxa de resposta global foi de cerca 47%.
Quanto à caraterização dos dados, refere-se que uma das questões colocadas aos inquiridos foi: “no período de 2008 a 2012, a empresa introduziu produtos ou serviços
novos ou significativamente melhorados no mercado”. As entidades inquiridas foram classificadas como “inovadoras para o mercado” no caso de a resposta ser positiva e “inovadoras para a empresa” se a resposta foi negativa. Do total de respostas, 7 inquiridos responderam afirmativamente representando cerca de 39%, declararam que introduziram fatores inovadores em produtos ou serviços que são novidade para a entidade, mas que não o são para o mercado. Os restantes inquiridos, 61% referiram que o processo de inovação é contínuo mas também demorado pelo que, apesar de terem alguns projetos a decorrer, no período referido não introduziram qualquer fator inovador.
Entre os dois tipos de inovação existem algumas diferenças a considerar. As empresas que efetuaram inovações incrementais ou seja, novidade para a empresa, os seus parceiros principais são os do foro científico e tecnológico (42,8%), seguindo-se os parceiros estratégicos, clientes, fornecedores, parceiros industriais (30,8%). No que respeita às empresas que têm projetos a decorrer mas não lançaram qualquer inovação no período questionado, os principais relacionamentos estabelecem-se com os concorrentes e parceiros estratégicos europeus (50,2%), seguindo-se as redes de inovação (40, 8%).
Em conclusão, refira-se que, o presente modelo teve por objetivo analisar o relacionamento entre a intensidade competitiva e a capacidade inovadora da ANA, com incrementos possíveis em termos de qualidade, ambiente e segurança face aos relacionamentos estabelecidos com os parceiros de negócios, tecnologias e concorrentes integrados nas redes de inovação em todas as variáveis.
Para se atingir o objetivo pretendido, propôs-se um modelo teórico que é utilizado pelo ser humano, na busca de novos esclarecimentos e conhecimentos, não se identificando somente pelas sensações ou resultados imediatos mas recorrendo à reflexão e ao conhecimento acumulado através da formulação de hipóteses e da construção de modelos, como o caso do modelo teórico antes explanado, permitindo representar uma realidade a fim de torná-la descritível, testando as hipóteses formuladas.
Os resultados obtidos permitiram que se identificasse, ao nível do tipo de inovação:
a) É mais elevada a percentagem dos fatores inovadores em produtos ou serviços que já existem no mercado mas que são novidade para a Entidade.
b) A maior parte das empresas possui projetos a decorrer mas que não introduzem fatores inovadores nas empresas;
Conclui-se que as empresas com a participação nos projetos de inovação experimentam um tipo de inovação mais virada para a empresa “produto ou serviço novo para a empresa” do que virado para o mercado “produto ou serviço novo para o mercado”.
Quanto aos parceiros na questão de inovação, concluiu-se o seguinte, com base nas amostras recolhidas:
a) Os parceiros são na sua maioria do foro científico e tecnológico em detrimento dos clientes, fornecedores ou parceiros industriais.
b) As empresas que têm projetos a decorrer estabelecem essencialmente parcerias com parceiros concorrentes e parceiros estratégicos.
Conclui-se assim, que as empresas verificam nos parceiros de foro científico e tecnológico mais propensão em desenvolver avanços inovadores do que as empresas que não estabelecem tais relacionamentos ou que estabelecem com fornecedores ou parceiros industriais.
As empresas ao estabelecerem relações/parcerias com parceiros estratégicos de negócio, estimulam o desenvolvimento da capacidade inovadora estabelecendo neste modelo relações de win win para a indústria aeroportuária.
Uma das razões para o estabelecimento preferencial com parceiros científicos/tecnológicos/universidades poderá ter a ver com o facto de estas entidades desenvolverem novos conhecimentos, independentemente dos fatores económicos, enquanto nos parceiros industriais, existe uma maior focalização nas soluções que se comercializam mais rapidamente e consequentemente nos fatores económicos.
Posto o referido conclui-se que é mais propensa a relação/estabelecimento de parcerias com empresas de foro cientifico/tecnológico/universidades, e parceiros de negócio, uma vez que conduzem a empresa a avanços inovadores do que com empresas fornecedoras ou parceiros industriais, onde não se incentiva a empreender avanços inovadores mas sim de inovações incrementais (novas para a empresa mas não para o mercado). Pese embora esta última seja a que foi identificada de maior percentagem no estudo efetuado.
O relacionamento externo com parceiros permite avanços inovadores quer num nível incremental quer ao nível de avanços inovadores.