1.3. YENİ REKABET ORTAMI
2.1.2. Stratejik Yönetim
Os Reinados e Juizados são atualmente considerados como a festa dos “pretos”, ou uma outra festa dentro da festa do Divino. Possivelmente acontecessem separados dos festejos do Divino, dividindo-se entre uma comemoração a São Benedito, talvez em abril, e uma comemoração a Nossa Senhora do Rosário dos pretos, junto aos festejos da padroeira da cidade, a dos brancos,81em outubro.
Brandão nos sugere duas versões. A primeira é a de que o Reinado já foi uma grande festa, segundo muitos e a maior festa de santo no passado da cidade, e o seu período de apogeu ter-se-ia estendido possivelmente até os anos finais do século XIX. A segunda é a de que à medida que as festas de Nossa Senhora do Rosário e de São Benedito foram “decaindo”, tenderam a passar para o controle dos mesmos promotores, na cidade, dos festejos do Espírito Santo e passaram também para a participação de pessoas sem recursos, terminando, por serem, o cortejo do Reinado e Juizado na Festa do Divino.82
A hipótese de que as festas do Rosário e de São Benedito foram, no passado, muito mais esperadas, pomposas e capazes de envolver toda a cidade do que os festejos do Divino não nos pareceu muito consistente. Em todo caso, algumas festas de Nossa Senhora do Rosário, em Goiás, são muito concorridas, como nas cidades de Goiás e de Catalão. No caso de Catalão, mais conhecida como Congadas de Catalão, é uma das festas que mais envolvem pessoas. Em Minas Gerais, região de onde muitas festas e
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Nossa Senhora do Rosário tornou-se padroeira da cidade, em função de ter sido “descoberta” em 13 de outubro, dia de Nossa Senhora do Rosário.
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costumes foram trazidos para Goiás, Nossa Senhora do Rosário foi e é ainda bastante cultuada, e o número de irmandades que lhe prestaram culto no século XVIII era de 62, em um total de 322 associações.83
As festas de Nossa Senhora do Rosário nasceram sob a influência da Igreja. No entanto, na medida em que a devoção do Rosário circulou entre os negros, seja de maneira imposta seja por simples contato com outros devotos, eles a reelaboraram, nela acrescentando elementos de sua cultura original. E sendo assim, ao se organizarem em irmandades religiosas, produziram um catolicismo alternativo, em relação às determinações eclesiásticas, do qual a própria elite local participou.
Na passagem do domingo para a segunda-feira, a festa do Espírito Santo, em Pirenópolis, é feita de festejos, como cavalhadas, pastorinhas, mascarados, tapuios, contradanças, entre outros. Na manhã de segunda- feira começam os “festejos dos negros” aos seus santos: o Reinado de Nossa Senhora do Rosário e, na Terça, o Juizado de São Benedito. Para muitos, esses momentos para os quais são reservadas as manhãs de segunda e de terça são considerados como uma “outra festa”, ou uma “festa dentro da festa”.
De acordo com Brandão, as festas de Reinado e Juizado, no seu início tinham uma organização distinta da que apresentam nos dias de hoje na festa do Divino. Afirma-nos que na década de 1970, quando visitou esta festa, ela já apresentava características muito parecidas com os cortejos da Festa do Divino, embora possuíssem com distinção suas próprias funções, personagens e símbolos. 84
O cortejo do Reinado, diferente da procissão do Divino, forma-se aos poucos: Da casa do juiz de menor insígnia, o 3º Juiz ou Juíza de flores, ele inicia-se,
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ALISSOM, Eugênio. Lazer e devoção: As festas do Rosário nas comarcas de Mariana e Ouro preto no período escravista. In: Revista Estudos de História, Franca, v. 13, 1996, p. 115.
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acompanhado inicialmente da pequena banda de couro e do andador da irmandade. O cortejo recolhe, em ordem crescente de importância de insígnia, todos os juízes participantes até chegar à casa da rainha e, depois, do rei de Nossa Senhora do Rosário. Eles também são seus representantes transitórios assim como o Imperador o é do Divino.
Pelo que pudemos observar, nunca se usa vestimenta própria durante os cortejos, e os reis de Nossa Senhora do Rosário são coroados com pequenas coroas de prata. O rei carrega o cetro em suas mãos e o andador, a bandeja. Os juízes de cordão trazem sobre suas cabeças pequenas coroas de latão. Quando a missa se conclui, formam-se em frente à igreja os grupos de cortejo de volta, quando é obedecida a ordem de “entrega” das insígnias.
Para Brandão, até o século XIX, dentro das irmandades e nos momentos do Reinado, os negros eram a totalidade dos personagens de cortejo e eram os agentes subordinados às “mesas diretoras”. Dentro das irmandades, de um modo específico, só se aceitavam negros. Os brancos eram apenas o vigário da igreja ou das próprias irmandades e o tesoureiro. Estes exerciam o controle dentro dessas irmandades.
Considerando-se dados de Brandão, em todas as antigas irmandades de “santo de preto”, no Brasil, era recomendação estatutária que o tesoureiro fosse um homem branco e de posição. Estes senhores civis deviam ter, no passado, maior poder de controle do que os próprios padres.85
É apontado que o início das atividades das Irmandades de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e de São Benedito foi no século XVIII. Em nossa pesquisa, os primeiros registros que localizamos são do século XIX. Nesse período, as duas irmandades citadas realizavam suas reuniões juntas, geralmente no consistório da igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, assessoradas pelo pároco local e tendo como
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tesoureiro quase sempre o mesmo que ocupava esse cargo na Irmandade do Santíssimo Sacramento. As reuniões dessas irmandades, na maior parte, eram anuais, para discutirem o seu processo de eleição. Ao contrário do que Brandão afirma a maior parte dos membros não era de negros, em Pirenópolis. Porém em grande parte eram analfabetos e os principais cargos eram ocupados por brancos. Aos negros também era reservado espaço, já que nem todos eram escravos. Muitos dos seus membros durante o século XIX, eram brancos pobres, mestiços e forros.86 As principais receitas dessas irmandades eram, além das esmolas, provenientes do pagamento anual das jóias dos empregados das irmandades. Os valores eram os seguintes: no caso da de São Benedito, o Juiz de Cordão pagava 24.000$00, o juiz de flores 12.000$00, o juiz de promessa 15.000$00, a juíza de flores pagava 15.000$00, a juíza de promessa 2.000$00. As anuidades dos irmãos também eram outra arrecadação, que, porém, não ultrapassava os 1000$00. A taxa de entrada na irmandade era de 2.000$00.87Para a época, esses valores não representavam muito, porém provavelmente nem todos podiam pagá-los.
Quanto às despesas dessas irmandades, a maior parte se concentrava na promoção de missas nas festas de São Benedito e de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Outros gastos também eram feitos com a manutenção e os reparos da igreja deles ( demolida anos depois) . No ano de 1908, como em vários outros, o tesoureiro da irmandade pagou 30.000$00 ao Revmo Vigário Pe Carlos José, pela missa de Nossa Senhora do Rosário e de São Benedito. Pagou ainda 23.000$00 a Joaquim Propício de Pina pela gratificação de sua banda de música, a banda Phoênix, nas missas de Nossa Senhora do Rosário e de São Benedito, nos dias 5 e 6 de outubro. No mesmo ano, desembolsou mais 13.000$00 pelo pagamento do zelador da igreja, 14.500$00 pela cera
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Livro de termos da Irmandade de São Benedito e Nossa Senhora do Rosário dos homens pretos. 1836- 1891.
em vela para a missa e procissão de Nossa Senhora do Rosário e de São Benedito e 12.500$00 pelas sepulturas dos irmãos,88visto que desde o século anterior os irmãos de São Benedito e de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos não podiam ser enterrados no cemitério da paróquia, administrado pela Irmandade do Santíssimo Sacramento.89
A documentação da irmandade não nos dá muitas pistas sobre a relação entre festejos dos negros e festa do Divino, o que nos faz imaginar que só apenas nas primeiras décadas do século XX é que esta festa negra veio a “encostar” ou ser absorvida pelos festejos do Divino. Em todo caso, é possível imaginar que durante esses festejos, os irmãos dos “santos pretos” tivessem algum envolvimento. Essa hipótese é levantada a partir de um trecho do livro de termos dessas irmandades, no final do século XIX:
“Aos vinte e três dias do mês de abril de 1899, reuniu-se mesários da Irmandade de São Benedito sob a presidência do thesoureiro José Basílio de Oliveira...o sr. Thesoureiro declarou que tendo a irmandade de Nossa Senhora do Rosário se comprometido a dar um ajutório de cincoenta mil réis, para despeza da vinda de um padre para fazer a festa do Divino Espírito Santo e que esta irmandade tão bem disso aproveita, por isso achava de razão que tão bem esta irmandade se associasse à Nossa Senhora do Rosário para esse fim...” 90
Diante desse novo dado, é possível levantar duas hipóteses: a primeira é a de que as irmandades dos “santos pretos” já participavam dos festejos do Divino desde finais do século XIX embora continuassem realizando as festas de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e de são Benedito em outubro. A outra hipótese é a de que só a partir dos anos 20, período em que estas irmandades deixam de atuar
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Livro de Conta Corrente da Receita e Despesa da Irmandade de São Benedito desta cidade de Pirenópolis. 1908-1925.
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Idem.
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Livro de Termos da Irmandade de São Benedito e Nossa Senhora do Rosário dos homens pretos. 1836- 1891.
significativamente e intensifica-se a política de romanização da Igreja Católica em Pirenópolis, essas festas dos “santos pretos” passaram a integrar os festejos do Divino, talvez até mesmo como estratégia dos párocos romanizantes para conter os excessos de ambas e não perder o controle da situação, embora durante muito tempo fossem consideradas como festas separadas: a festa dos “pretos”.