Fonte. O próprio autor
Reação de metanólise CG-EM Ácidos graxos Partição CLAE-EM Chromabrond RH-X CLAE CLAE P1 P6, P8, P9 e P10 A2 A3 A4 A1
Extração (3 x MeOH) com 10 mL Sonicação 15 min Rotaevaporador Ex. MeOH Citotoxicidade Amostras PC / PV CE, RJ, SC HCT-116 PC-3M MeOH n-hexano Networking Agrupamento
4.4 Resultados e discussão
4.4.1 Triagem de bioatividade pelo ensaio do MTT
No que diz respeito a atividade citotóxica (Item 4.2.5, p. 138), os extratos dos espécimes coletados nas praias de Búzios-RJ e Paracuru-CE foram os que forneceram extratos mais ativos nas duas linhagens de células testadas (HCT-116 e PC-3M) para a espécie P. caribaeorum, conforme mostrado na Figura 104. Ainda do ponto de vista da citotoxicidade, as diferenças mais marcantes entre as espécies foram observadas entre os indivíduos coletados na praia da Taíba-CE, onde apenas os extratos oriundos de P. variabilis apresentaram atividade citotóxica considerável (LIMA, 2004). Os resultados observados podem ser justificados pelas diferenças químicas promovidas pelas condições ambientais e/ou influenciadas pela microbiota associada, mas fatores como a ação antrópica, também podem ser responsáveis por esta resposta, uma vez que o local de coleta está situado ao lado do píer da Petrobras.
Figura 104 - Dados de citotoxicidade dos extratos de Palythoa caribaeorum e Palythoa variabilis em HCT-116 (a) e PC-3M (b) testados na concentração de 50,0 g/mL após 72h de incubação.
Fonte: O próprio autor com dados cedido pela equipe do LaBBMar. 4.4.2 Estudo comparativo por CLAE-DAD
Dando continuidade ao estudo, buscou-se conhecer as diferenças e similaridade químicas entre as espécies. A partir da análise das frações A2, obtidas com ACN/H2O 7:3 (Item 4.3.2, p. 140), utilizando os ecdisteroides P6, P8, P9 e P10 como padrão (Figura 105, p. 144),
ecdisteroides (Figura 107, p. 147). No entanto, houve uma pequena diferença entre as espécies no que diz respeito aos ecdisteroide P8 e P9, enquanto em P. caribaeorum o ecdisteroide P8 é muito mais pronunciado, em P. variabilis a proporção dos dois (P8 e P9) é praticamente equimolar. Vale ressaltar que estas diferenças foram observadas em todos os locais de coleta para as duas espécies, conforme exibido na Figura 107 (p. 147). O fato de existir uma diferença, mesmo que pequena, sugere que as espécies têm algumas especificidades seja do ponto de vista alimentar, do próprio metabolismo ou na composição dos simbiontes que os habitam (YELLOWLEES; REES; LEGGAT, 2008).
As frações A3, oriunda da eluição com ACN, foram monitoradas por CLAE usando o
carotenoide peridinina (P1) como padrão (Figura 105). Neste caso, observou-se claramente que as amostras coletadas no Ceará possuem maior concentração do carotenoide quando comparado as amostras do Sudeste e Sul de acordo com apresentado na Figura 108 (p. 146). A produção deste composto está vinculada aos dinoflagelados simbiontes e pode ser influenciado por aspectos ambientais como a luminosidade solar (MAOKA 2011; MAOKA et al., 2011).
Figura 105 - Representação estrutural dos compostos P1, P6, P8, P9 e P10
Fonte. O próprio autor
Resultado similar também é observado para as frações A4, obtidas por eluição com
CH2Cl2/MeOH 9:1, após reação de metanólise foram monitoradas por CG-EM e identificados com
base no banco de dados do NIST (LINSTROM; MALLARD, 2001). De um modo geral, as amostras coletadas nas praias do Ceará, apresentaram um maior número de ácidos graxos poli- insaturados quando comparados com as amostras oriundas das praias do Sudeste e Sul, em compensação, estas amostras apresentam maior percentual nos índices dos ácidos graxos saturados (Figura 106, p. 145; Tabela 28, p. 148).
Figura 106 - Perfil dos ácidos graxos das frações A4 por CG-EM
Fonte. O próprio autor
Legenda das siglas: PC = P. caribaeorum; PV = Palythoa variabilis; C = Ceará; RJ = Rio de Janeiro; SC = Santa Catarina; A = Arvoredo; B = Búzios; P = Paracuru; T = Táiba; A4 = Fração obtida pela eluição com CH2Cl2/MeOH
9:1 por SPE
Nota: * Fazem parte de outros: aldeídos, cetonas, álcoois e esteróis.
É importante destacar que a biossíntese de ácidos graxos poli-insaturados possui rota diferente em animais e plantas. Os animais não conseguem biossintetizar ácidos graxos da série do ácido linoleico (ômega 6, 18:2n-6) e do -linolênico (ômega 3, 18:3n-3) e, portanto, as zooxantelas “plantas” e o coral hospedeiro “animais” contêm diferentes ácidos graxos, que podem servir como biomarcadores entre simbiontes e hospedeiros (IMBS et al., 2014).
Partindo desta premissa, observou-se que os ácidos graxos ômega 3 e 6, estão presentes nas amostras do Ceará (Tabela 28, p. 148), mas não foram identificados nas amostras oriundas do Sul e Sudeste, isto significa que, do ponto de vista químico, os simbiontes do Nordeste são diferentes do Sul e Sudeste ou ainda pode ser uma resposta a fatores de especificidade alimentar atribuída a condições ambientais.
Somente nas amostras do Paracuru foi observado o ácido 6-(E)-7-metilhexadecenóico
P26 (Tabela 28-29, p. 148-149), o qual tinha sido detectado em P. caribaeorum (CARBALLEIRA;
REYES, 1995) e em P. caesia (IMBS, 2014), mas que não caracteriza um lipídeo do próprio
Palythoa. A sugestão de Imbs (2014) é que este ácido poderia ser um biomarcador de alguns grupos
de bactérias específicas associadas aos zoantídeos. Composto semelhante o ácido 12-(E)-11- metilnonadecenóico 132 (Tabela 5, p. 53, Figura 20, p. 54, Item 2.3.9.2, p. 53) foi identificado em bactérias do gênero Pseudomonas associadas à P. mamillosa e P. caribdea (CARBALLEIRA et
al., 1998). Deste modo, podemos sugerir que a presença do ácido graxo P26 nas amostras do
Figura 107 - Perfil cromatográfico CLAE-DAD (245 nm) das frações A2
Fonte: O próprio autor
Legenda das siglas: PC = Palythoa caribaeorum; PV = Palythoa variabilis; C = Ceará; RJ = Rio de Janeiro; SC = Santa Catarina; A = Arvoredo; B = Búzios; P = Paracuru; T = Táiba
A2 = Fração obtida pela eluição com ACN/H2O 7:3 por SPE
Figura 108 - Perfil cromatográfico CLAE-DAD (210-510 nm) das frações A3
Fonte: O próprio autor Legenda das siglas
PC = Palythoa caribaeorum; PV = Palythoa variabilis; C = Ceará; RJ = Rio de Janeiro; SC = Santa Catarina; A = Arvoredo; B = Búzios; P = Paracuru; T = Taíba; P1 = Piridinina