Standart Normal Da¤›l›m
STANDART NORMAL DA⁄ILIM
Grande parte dos 134 jovens reside nas localidades pesquisadas desde o nascimento e muitas das suas experiências são as vividas e realizadas em seu território de origem. De acordo com os questionários aplicados, 101 jovens vivem por mais de cinco anos no local atual de residência (75,5%); 9 jovens vivem de três a cinco anos no atual local de residência (7%); 5 jovens vivem de um a dois anos (4%); e apenas 8 jovens vivem a menos de um ano na comunidade (6%). Além disso, 8% dos demais não souberam responder.
Quanto ao tipo de pavimentação das ruas dos locais de moradia dos jovens, 51% afirmaram ser de calçamento; 29% vivem em lugar sem pavimentação (ou seja, estradas de terra); 17,1% das famílias contam com pavimentação por asfalto; e 3% não responderam. As ruas de terra, sem pavimentação, são caraterísticas fortes dos bairros e distritos afastados do centro urbano de Ouro Preto.
A maioria desses jovens (85%) vive em casas próprias e as características que melhor descrevem estas casas são: a maioria tem acabamento e possuem condições de saneamento básico, como chuveiro, fossa ou rede de esgoto, banheiro, água encanada e luz.
O tipo de cobertura dessas casas varia entre telha e cobertura por laje. O piso, na maior parte dos casos, é de cerâmica ou cimento (sem acabamento). Em relação à quantidade de cômodos das casas, a grande maioria dos alunos (67%) respondeu que suas casas possuem de 5 a 8 cômodos, ou seja, caracterizaram as suas casas como pequenas; e 33% disseram que suas casas têm de 9 a 12 cômodos7.
Nos distritos, existe a coleta de lixo, mesmo que em dias reduzidos. Assim, apenas 4% dos jovens afirmaram que, no seu local de moradia, não passa o caminhão de coleta de lixo. Nessa situação, os sacos de lixo devem ser levados a um ponto no qual exista a coleta quando a família tem condições para isto ou torna-se necessário queimá-los no quintal.
Os meios de comunicação mais utilizados pelos jovens são a televisão, telefone celular ou fixo, rádios e computadores. O acesso à internet, de acordo com as respostas dos questionários, é o menos usado, pois, dos 134 jovens, 30% relataram não possuir internet em suas casas, o que, muitas vezes, dificulta a realização dos trabalhos escolares, a possibilidade de se manter atualizado ou a socialização através da participação em grupos em redes sociais. Essa
7Alguns jovens não responderam questões em relação às condições de moradia, como se possuem acabamento nas
casas (2%); presença de fossa ou esgoto (2%); presença de banheiro (4%); chuveiro (4%); água encanada (3%) e luz (3%), não sendo possível mensurar se possuem ou não esses serviços e condições de moradia.
limitação ao acesso dos meios de informações pode estar associada aos recursos financeiros limitados para adquirir um bem, à localização geográfica da moradia, a não priorização desse bem, dentre outros.
Gráfico 6 – Disponibilidade de acesso à informação na residência, segundo relatos
dos jovens que estudam no Ensino Médio em uma escola pública de Cachoeira do Campo (2015)
Fonte: Elaborado pela autora
O local de moradia mais mencionado pelos jovens foi Cachoeira do Campo: 65% dos jovens afirmaram morar no distrito em que se localiza a escola e relatam ter o acesso facilitado à escola. O restante dos alunos que responderam o questionário (35%) são moradores de distritos e localidades distantes da escola.
Foram identificados jovens que vivem em distritos afastados da escola, como Santo Antônio do Leite (13%), Bocaina (4%), Glaura (3%), Engenheiro Correia (2%), Rodrigo Silva (2%) e Serra do Siqueira (2%). Os distritos e subdistritos de Amarantina, São Bartolomeu, Soares, Arrozal, Maciel, Miguel Burnier não representaram mais de 1% cada do total de questionários. Três jovens não informaram o local de residência.
Em realidades diferentes dos jovens que vivem próximos à escola, 39 jovens (35%) que cursam o 1º ano vivem em distritos ou comunidades afastadas e enfrentam dificuldades devido à distância da escola. Diante dessas afirmações, percebe-se o elevado número de jovens que precisam se organizar de forma diferente dos demais diariamente para conseguir cumprir suas rotinas escolares, pois precisam acordar mais cedo, deslocar-se até o ponto de ônibus, que, em
muitos casos, está distante de suas casas, para conseguirem chegar no horário de início das aulas. Muitos deles, ao sair da escola, precisam resolver algumas pendências no comércio local antes de ir embora no ônibus escolar.
Em relação à mobilidade, 73% dos respondentes afirmam possuir transporte público próximo à residência, mas essa não é a realidade de todos, pois 26% dos jovens que vivem em locais afastados não possuem nenhum ponto de transporte público perto da residência e ainda sofrem com a distância e limitação da mobilidade (1% não respondeu a questão). Os jovens que vivem em Cachoeira do Campo e em Amarantina possuem mais mobilidade no que se refere ao acesso aos transportes públicos, pois a principal via de acesso à Ouro Preto e Itabirito corta esses distritos. Os demais possuem um posicionamento geográfico mais afastado do centro urbano.
Essa ausência do transporte público que dificulta a mobilidade, muitas vezes, se torna uma limitação para que esses jovens tenham contato com outros territórios e outras realidades, pois, embora muitos possuam carro em suas famílias, às vezes, não possuem condições socioeconômicas para mantê-lo, assim como realizar passeios frequentes fora do local de moradia.
A sociabilidade desses jovens na comunidade se dá através de visitas na casa de vizinhos e brincadeiras de rua e em casa, porém nem todos frequentam a casa de seus vizinhos. Apenas 60% afirmaram realizar essa prática; 40% relataram não receber seus vizinhos em casa e cinco não responderam.
As atividades de lazer mais realizadas por esses jovens são: assistir televisão, navegar na internet, realizar atividades com familiares (relato muito presente nos questionários das meninas), dormir, praticar esportes, estudar, trabalhar, dentre outros. As atividades extraescolares, para alguns, são estudar e ler.
Apenas 18% dos jovens relataram que, quando não estão na escola, costumam ler ou adiantar as tarefas escolares para não acumular no dia a dia. Os demais, 82% (ou seja, a maioria) variaram entre as outras opções, ocupando o tempo com o lazer e o trabalho.
Sem considerar o trajeto para a escola, foi mensurado o número de vezes que esses jovens saem do seu território de moradia, a fim de verificar quais são os contatos que estes estabelecem com outras realidades e a frequência com que estabelecem essas relações com outras localidades. Os dados evidenciam que 13% dos jovens saem menos de uma vez ao mês de seu distrito sem fins escolares, 11% saem até uma vez ao mês e 26% até três vezes ao mês, demonstrando que 50% desses jovens que vivem em distritos ou subdistritos possuem pouco contato com outras realidades a não ser do território em que vivem.
O contato desses jovens com outros contextos territoriais se dá através das relações que estabelecem no ônibus escolar, na escola e nas poucas oportunidades que têm de viajar para a casa de parentes, além das relações estabelecidas na própria família, no território em que vivem e na comunidade.
As últimas questões do questionário aplicado possibilitaram aos jovens se expressarem em relação a como os mesmos se veem na escola em relação às faltas e reprovações e, ao final, fizeram uma autoavaliação. Optou-se por deixar esta questão aberta, para que se sentissem à vontade para responder de forma mais próxima à suas realidades e vivências.
A grande maioria não se expressou na opção em aberto, mas pretende-se, aqui, demonstrar um pouco dessa análise.
Segundo as respostas dos jovens, 39 faltam frequentemente às aulas, destacando diversos motivos, como problemas particulares, como para ir ao médico, preguiça, dentre outros. Cem jovens afirmam não faltar às aulas para não perderem a matéria e saírem prejudicados no andamento do bimestre.
Para realizar as tarefas escolares, 71% dos respondentes afirmaram receber auxilio por algum componente familiar, os outros 29% não recebem nenhum auxílio. As reprovações e abandonos escolares estão presentes na trajetória de 25% dos jovens, os motivos não foram expostos por eles. Os demais 75% dos jovens não tiveram reprovações ou abandono escolar.
Já em relação às recuperações bimestrais, 31% dos jovens afirmaram ficar em recuperação em mais de duas matérias no bimestre. O restante, 68%, não ficou de recuperação. Percebe-se que, nesta escola, os jovens pesquisados ficam mais de recuperações bimestrais do que reprovam.
Diante de todas as dificuldades vividas por esses estudantes para manter-se no ambiente escolar e na sociedade, a grande maioria, representada por 85% dos sujeitos, se considera bons alunos, por frequentar as aulas, fazer as tarefas rotineiramente e se dedicar aos estudos. Apenas 15% não se consideraram bons alunos, não expressando os motivos.