Olas›l›kl› Örnekleme Yöntemleri
3. Sistematik örneklemede örnekleme girecek birimler nas›l seçilir, aç›klay›n›z
Geralda é mãe de três filhas, casada e moradora de Bocaina de Cima há 22 anos. Suas filhas, Amanda e Ana Paula, são estudantes da escola de Cachoeira do Campo. Atualmente, trabalha fichada como auxiliar de serviços em Cachoeira do Campo e seu esposo trabalha fazendo “bicos” em Bocaina, pois ele tem deficiência após ter um Acidente Vascular Encefálico.
Ela estudou em Belo Horizonte, em um orfanato, até a 5ª série e não concluiu o Ensino Fundamental. Relatou que seu esposo estudou até a 7ª série e também não concluiu esta etapa da escolarização. Sua história de vida é muito comovente e, durante as nossas duas conversas, me surpreendi com a sua confiança por me contar detalhes tão fortes de sua vida. Fui ao seu trabalho no primeiro dia para convidá-la a participar da entrevista e, no outro dia, a sua casa. Ela, então, me pediu para realizar a entrevista em seu trabalho, pois se sentiria mais à vontade.
Geralda parou de estudar porque a sua irmã foi expulsa do orfanato na época e, por isso, não chegou a conviver com ela nem por três meses. Ela não me contou o motivo deste incidente. Relatou que foi colocada no orfanato por sua madrinha e que, de 15 em 15 dias, saía do orfanato e ia para a casa – mas não para a casa da sua mãe, ia para a casa da sua madrinha, que, em pouco tempo, faleceu, e, assim, ela passou a não sair mais. Em seguida, por volta dos nove anos, a sua mãe a tirou de lá também. Ela contou o quanto gostava de estudar lá, pois tinha horários para tudo, livros e era bem supervisionada. Comentou, com orgulho, que acordava às 5 da manhã e iniciava as suas rotinas, tudo bem regulado.
Contou que tem dois irmãos e que todos se formaram, apenas ela não. Falou que seus pais não a incentivaram a estudar, que foi para o orfanato com dois anos por ter sido abusada em casa, e que não teve contato com sua família de sangue. Quando perguntei se recebia alguma ajuda em casa para realizar as atividades escolares, ela disse:
Não, porque, assim, como eu não fui criada por ela, com dois anos e meio meu pai me estuprou, aí, a partir daí, eu não fui criada por ela, ela me largou lá no IML (Geralda, mãe de Amanda, Ana Paula e Vitória).
Por toda a entrevista, me inquietei em ouvir a sua história de vida, me perguntava os motivos pelos quais ela não ia para a casa de sua mãe, fui, então, entender após o relato mencionado acima. Iara foi abandonada em sua infância após abuso sexual, sua mãe se revoltou contra ela e sempre disse que ela acabou com o seu casamento e, então, preferiu continuar com o marido e deixa-la em um orfanato. Ela dizia também que não teve pai, como na passagem abaixo:
Hum, eu não tive pai não, só mãe, até, quer ver, até uns, até os nove anos mais ou menos... (Geralda, mãe de Amanda, Ana Paula e Vitória).
Então, o tempo se passou e Geralda se casou e se mudou para Bocaina, onde vive até hoje e onde teve suas filhas, Amanda, Ana Paula e Vitória. Suas filhas estudaram o Ensino Fundamental em Bocaina e cursam o Ensino Médio em Cachoeira do Campo.
Quando iniciamos a conversa sobre as suas filhas, pude sentir o quanto isso a abala, pois todas elas possuem problemas gravíssimos de saúde. Sua filha caçula teve que parar várias vezes os estudos por estar em tratamento médico contra leucemia, a do meio teve um tumor no cérebro e a mais velha um câncer na mama.
Ao tratarmos do assunto “escola”, me falou que sempre esteve perto de suas filhas, mas, com as atividades escolares, nunca pôde ajudá-las, então elas faziam as tarefas sozinhas, segundo Geralda, porque a distância é longe da casa dos outros colegas. Quando se tratava de trabalhos escolares em grupo, elas faziam sozinhas, pois eram excluídas na sala de aula, principalmente, a mais nova, que perdia cabelo devido ao tratamento forte de saúde que está realizando. Em relação aos meios de comunicação, como a internet, ela nunca teve em casa. Quando precisavam pesquisar algo, Geralda ia, junto com as filhas, para a biblioteca pública de Ouro Preto, e então, ficava por perto até que elas terminassem suas tarefas.
Geralda se preocupa muito com as filhas por serem sensíveis à doença. Relatou que elas não saem de casa, apenas para a escola ou para o hospital. Contou que a rotina diária não é fácil depois que foram estudar em Cachoeira do Campo, pois precisam acordar mais cedo e chegam mais tarde em casa. Após chegarem, todos os dias, almoçavam e vão fazer a lição de casa.
No início, foi meio difícil, mas, depois, elas viram que era pro bem delas que eu tava explicando, né. Que aí, como se diz, que aí sofre menos. Isso (Geralda, mãe de Amanda, Ana Paula e Vitória).
A mãe das jovens nos contou sobre as dificuldades que passou com as filhas na escola, pois eram reprimidas pelos colegas. Muitas vezes, suas filhas chegavam chorando em casa e aí tinha que conversar muito com elas. De acordo com Geralda, Vitória perdia muito o conteúdo e, quando tinha avaliações, às professoras repetiam para ela, conforme demonstrado na fala abaixo:
Teve problema de saúde. Faltava muito com problema. Perdia, mas aí levava atestado e o professor ia lá e repetia (Geralda, mãe de Ana Paula, Amanda e Vitória).
As mudanças observadas nas jovens após irem estudar foram as já mencionadas: repressão, sentimento de inferioridade e impotência perto dos colegas. Segundo a sua mãe,
a diferença, assim, que elas não tinham muitos amigos, né. Não. Ah, talvez por problema delas mesmo. Ah, acho que sim. E pelos outros também, porque, muitas vezes, né, coordenador, diretor já me chamou na escola. Que, às vezes, algum colega falava alguma coisa, né, que chateava (Geralda, mãe de Amanda, Ana Paula e Vitória).
Hoje, as garotas aprenderam a lidar com a situação, elas têm uma tia em Belo Horizonte que ajuda a cuidar delas quando estão em tratamento. Ela é enfermeira e entende melhor o que fazer. Geralda fala que um ano é diferente do outro, que sempre tem mudanças, seja na escola ou na vida particular, que espera que suas filhas se recuperem e prossigam os estudos.
Relatou que gostam de morar em Bocaina. A casa é herança da família e possui seis cômodos. Recentemente, ficaram sem telhado, pois as telhas de amianto se quebraram em uma chuva de granizo, em 2015, ela contou.
Por fim, Geralda falou que os pais têm que ajudar a educar os filhos e não devem deixar a responsabilidade somente para a escola, como foi a sua história. Ela acredita que a educação vem de casa e a escola é só um complemento. Relatou também que, se tivesse o Ensino Médio em Bocaina, preferiria que as meninas estudassem por perto, pois fica muito preocupada com a estrada e se as meninas estão sempre em sala de aula.