I. BÖLÜM
2.1. Sosyal Bilgiler ve Öğretimi
2.1.2. Sosyal Bilgiler Öğretimi ve Genel Özellikleri
As medidas socioeducativas privativas de liberdade – semiliberdade e internação – são apli- cáveis perante atos infracionais efetivamente graves, como os de violência à pessoa, grave ameaça física ou reiteração de atos infracionais, ou descumprimento de medidas de meio aberto aplicadas. Sua aplicação deve ser norteada pelos princípios da brevidade e excepci- onalidade previstos no art. 121 do ECA, e respeitada a condição de pessoa em desenvolvi- mento, sendo a última alternativa de socioeducação, conforme disposto no § 2º do art. 122 do Estatuto.
A medida socioeducativa de semiliberdade articula a internação em instituição e a possibili- dade realização de atividades educativas ou de trabalho em entidades externas. Disciplina- da pelo artigo 120 do ECA, a medida prevê a obrigatoriedade de escolarização e profissio- nalização, realizadas, sempre que possível, em entidades externas, sendo as disposições relativas à restrição de liberdade do adolescente as previstas para a medida de internação, dispostas nos artigos 121 a 125 do mesmo estatuto.
Na definição de Liberati (1991) “por semiliberdade, como regime e política de atendimento, entende-se aquela medida socioeducativa destinada a adolescentes infratores que traba- lham e estudam durante o dia e à noite recolhem-se a uma entidade especializada”.
A medida tanto pode ser determinada desde o início pelo juiz como pode ser aplicada por progressão de regime de internação, como benefício, nesse caso, configurando-se como transição entre o meio fechado e o meio aberto.
A medida socioeducativa de internação é caracterizada pela plena restrição de liberdade do adolescente em instituição pública de socioeducação. Disciplinada pelos artigos 121 a 125 do ECA, é reservada aos atos infracionais graves, reiterados ou não, com violência ou grave ameaça à pessoa, é possível a internação:
A medida de internação só será aplicada quando:
I – tratar-se de ato infracional cometido mediante grave ameaça ou violência à pessoa;
II – por reiteração no cometimento de outras infrações graves;
III – por descumprimento reiterado e injustificável da medida anteriormente imposta (BRASIL, 1990).
A previsão legal é taxativa, não cabendo aplicação de internação frente a situações não pre- vistas ou atos infracionais de outra natureza. Nesse sentido, reduz-se o arbítrio do juiz sobre a decisão de internação presente nos códigos de menores anteriores, devendo ser utilizada como “último recurso” à promoção de direitos do adolescente (MENESES, 2006; OLIVEIRA R. L., 2003).
São três os princípios norteadores da aplicação da medida de internação (OLIVEIRA R. L., 2003): a brevidade; a excepcionalidade; e o respeito a condição peculiar da pessoa em de- senvolvimento.
O princípio da brevidade importa que a decisão pela internação deverá pautar um tempo determinado para sua duração, comprometendo ao mínimo a liberdade do adolescente. O artigo 121 do ECA prevê o mínimo de seis meses (BRASIL, 1990, art. 121, §2º) e o máximo de 3 anos (§ 3º). Excepcionalmente, o artigo 122 estabelece o período máximo de três me- ses de internação em caso de descumprimento reiterado e injustificável da medida aplicada, sendo a duração mínima ficando a critério do juiz.
O princípio da excepcionalidade assenta que a decisão pela internação é aplicável nas situ- ações previstas no artigo 122, porém não é obrigatória, não devendo ser aplicada caso haja outra medida socioeducativa menos restritiva da liberdade que a substitua (BRASIL, 1990, Art. 122, §2º).
Os princípios da excepcionalidade e da brevidade já eram tratados pela Convenção Interna- cional dos Direitos da Criança, aprovada em 1989 pela Assembleia Geral das Nações Uni- das e da qual o Brasil é país signatário, assim como as Regras Mínimas das Nações Unidas para os Jovens Privados de Liberdade, aprovada no oitavo congresso da ONU sobre a pre- venção do delito e do tratamento do delinquente, em 1990, e as Regras de Beijing, de 1985, e, contemplados pelos legisladores do ECA, apoiou-se na constatação de ineficácia do en- carceramento como medida de promoção de segurança, especialmente dada a condição de pessoa em desenvolvimento do adolescente. Sobre tal constatação, diz Flávio Frasseto:
Ao reservar para casos excepcionais a aplicação desta medida, em verda- de, o legislador estava partindo da ideia de que a institucionalização total, com a segregação do infrator do meio social, é instrumento totalmente fra- cassado de controle da chamada delinquência juvenil. Pior: além de inefi-
caz, tal sistema tem se mostrado reprodutor e reforçador desta mesma de- linquência. (FRASSETO, 2006, p.27)
Reforça o caráter negativo da privação de liberdade Emilio Mendez, apontando que:
O caráter breve e excepcional da medida surge, também, o reconhecimento dos provados efeitos negativos da privação da liberdade, principalmente no caso da pessoa humana em condição peculiar de desenvolvimento. (MEN- DEZ, 2000, p. 373)
A acolhida da brevidade e excepcionalidade da medida de internação encontra-se ampla- mente amparada nos tratados e convenções internacionais sobre o direito da criança e do adolescente, estando alinhado ao entendimento de postergar a atribuição um caráter retribu- tivo à medida jurídica aplicada e diminuir a discricionariedade do juiz na sua aplicação. Pelo princípio do respeito ao adolescente, dada sua condição peculiar de um ser em desen- volvimento, o estatuto dispõe, no seu artigo 124, extenso rol de direitos ao internado em atenção à dimensão pedagógica da medida a ser aplicada, reafirmando, em seu artigo 125, que é dever do Estado zelar pela integridade física e mental dos internos, cabendo-lhe ado- tar as medidas adequadas de contenção e segurança.
Dada a complexidade da execução das medidas de internação e semiliberdade, a Lei de criação do SINASE incorporou parâmetros de aplicação das medidas em seus artigos 15 a 17, tomando, como referência para execução das medidas em meio fechado as normas pre- vistas no documento do CONANDA de 2006. Salienta que a medida deverá ser cumprida em local exclusivo para adolescentes, observados os critérios de idade, compleição física e gravidade da infração, não podendo o estabelecimento ser anexo a instituição carcerária e estabelecendo formação acadêmica mínima de nível superior para o coordenador do pro- grama.
Por último, a internação provisória, disciplinada no artigo 183, deve ser aplicada quando da apuração do ato infracional, nas hipóteses de prática de atos previstos no art. 122; quando não for possível liberação imediata do adolescente infrator a seus pais ou responsável; ou ainda, se as consequências e gravidade do ato praticado reclamarem a segurança e prote- ção do adolescente.
Para regulamentar a fase de cumprimento da medida socioeducativa, foi instituído o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo, pela Lei 12.594, de 18 de janeiro de 2012, a ser apresentado a seguir.