1.2. Türk Dış Politikasında İslam Dünyası
1.2.2. Soğuk Savaş Yıllarında Türkiye’nin İslam Dünyasıyla İlişkileri
A intervenção estatal nos contratos é doutrinariamente chamada de “dirigismo contratual”, que consiste na intervenção do Estado no domínio econômico, fundamentada nos bons costumes (condição de moralidade social, variável no tempo e espaço) e na ordem pública (conjunto de normas que sustentam a estrutura social, política e econômica do País), prevalecendo a exigência social sobre a liberdade contratual das partes.
Para Diniz (2006, p. 80), é a “intervenção estatal na economia do negócio jurídico contratual”. Para tal autora, pauta-se nos princípios da boa fé contratual, inserida expressamente em nosso ordenamento com o advento do Código Civil de 2002 (artigos 113,187 e 422), e da supremacia do interesse coletivo sobre os interesses privados.
Como exposto, ao avaliarmos a história econômica recente, podemos identificar de forma bastante clara uma alternância entre períodos em que se primou por uma maior intervenção do Estado na economia e na relação entre os seus tutelados e outros em que prevaleceu uma maior flexibilização de regras regulatórias primando-se por uma maior liberdade. Na Idade Média identifica-se o reforço da ideia de obrigatoriedade dos contratos, época em que os contratos, inspirados em práticas e ideais religiosos, incorporam tais aspectos em suas formas. A concepção de consenso nos contratos ressurge na idade moderna.
O Liberalismo atingiu o seu ápice no século XIX, sob a influência dos princípios e ideais inseridos pela Revolução Francesa, sob a égide da filosofia do laissez-faire, laissez- aller, laissez-passer, expressão símbolo da forma mais pura do capitalismo, preceituando que o mercado deve funcionar de forma totalmente livre, sem qualquer interferência do Estado.
No século XIX, surge a fase de primazia do individualismo, fruto das ideias e concepções liberalistas e, a partir da evolução da teoria de Kant, adquire o contrato a característica de acordo de vontades. Assim, passa o contrato a ser capaz de produzir os seus efeitos jurídicos pela simples vontade das partes em acordar uma negociação. Tal teoria dos contratos, denominada teoria clássica, pode ser observada em diversos ordenamentos jurídicos, tais como o Código de Napoleão (1804), o Código Italiano (1865), o alemão (1896) e o Código Civil brasileiro de 1916.
É importante ressaltar que tal intervenção é legítima quando se dá por meio de legislação específica, pois, conforme indicado por Gomes (1979), uma excessiva intervenção estatal na esfera econômica privada pode resultar em distorções a longo prazo. Agindo dessa forma, o Estado passaria a ser o motivador de insegurança jurídica no setor econômico. Nesta linha, Nery Junior (2004) esclarece o caráter relativo da intervenção estatal, afirmando que a intervenção não se dá em qualquer situação, mas somente nas relações jurídicas merecedoras de controle estatal, com vistas à manutenção do desejado equilíbrio econômico entre as partes contratantes.
No contexto proposto, demos relevância ao dirigismo executado na imposição ou proibição de determinadas cláusulas, que, através de Lei específica, serão consideradas como cláusulas abusivas, que prevejam e estipulem qual a visão do Estado sobre o tema em determinado ramo do Direito. Ademais, é importante salientar que a mitigação do princípio da autonomia das partes “não somente impõe aos particulares contratações coativas, mas, por vezes, obriga-os a abster-se de contratar.” (GRAU, 2010, p. 99).
Contudo, tal rigidez se tornou incompatível com a realidade econômica surgida no século XX, transparecendo a prevalência do capitalismo, resultando então na sobreposição do poderio econômico dos mais fortes sobre os mais fracos, possibilitando a imposição de obrigações e condições a estes últimos, fazendo surgir a preocupação acerca da ideia de desequilíbrio dos contratos.
Prevalecia o conceito de que o contrato era o negócio jurídico mais relevante a ser praticado entre os particulares, fruto da acentuação do liberalismo, elevando ao máximo os princípios do pacta sunt servanda e da autonomia da vontade. Contudo, constatou-se que tal exacerbação consistia numa falsa impressão de liberdade contratual, com a constatação do desequilíbrio econômico resultante desses ideais, infringindo a igualdade entre as partes bem como os conceitos de justiça e ética.
Assim, exigiu-se que o contrato passasse a exercer uma função social, voltando-se o foco para a análise dos efeitos resultantes das disposições contratuais, sobremaneira os econômicos, tanto para as partes envolvidas quanto na sociedade, afastando-se a análise exclusiva ao momento de negociação das partes (liberdade e autonomia). Fato é que, como indica Grau (2010), são os contratos instrumentos intrínsecos à circulação e geração de riquezas, atingindo, como fim, a dignidade da pessoa humana e o desenvolvimento econômico e social.
Com efeito, o dirigismo contratual consiste em uma das formas em que o Estado pode, valendo-se de suas atribuições regulatória e fiscalizatória, intervir no domínio econômico. Ao
analisar tal modalidade de intervenção, presta-nos analisar a busca pela manutenção da “ordem pública”. Por ordem pública entende-se o conjunto de normas e regramentos que almejam a manutenção da estrutura econômica, política e nacional de uma nação. (FONSECA, 2010).
Nery (2004) indica cinco diferentes modalidades de dirigismo contratual, as quais, suscintamente, consistem em: (i) imposição de contratação – contratos necessários à execução de determinadas comerciais; (ii) imposição ou proibição de determinadas cláusulas, através de Lei que regule a matéria; (iii) possibilidade de revisão judicial de cláusulas; (iv) possibilidade de concessão judicial de abrandamento de cláusula contratuais e (v) possibilidade de dilação, mediante previsão legal, do prazo de vencimento da obrigação.
Claro é que o dirigismo limita a liberdade contratual das partes, impondo a estipulação de obrigações e prestações à observância de preceitos legais, sempre que o Estado opte por exercer a supremacia do seu poder sobre as individualidades, assumindo assim a posição de regulador legal do contrato, com prevalência de razões morais e econômicas.
Segundo leciona o jurista Gomes (1979):
No século XIX, a disciplina do contrato concentrava-se na manifestação de vontades, no exame dos vícios de consentimento. O que importava era verificar se o consentimento era livre. No contrato de nossa época, a lei prende-se mais à contratação coletiva, visando impedir que as cláusulas contratuais sejam injustas para uma das partes. Assim a lei procurou dar aos mais fracos uma superioridade jurídica para compensar a inferioridade econômica. Nem sempre o Estado se mostrou bem-sucedido na tarefa. A excessiva intervenção na ordem econômica privada ocasiona distorções a longo prazo.
Ocorre então uma prevalência da exigência social sobre a liberdade contratual das partes, através de determinações cogentes quanto às cláusulas que deverão ou são proibidas, ou ainda passíveis de serem consideradas abusivas, nos contratos privados. Atua o Estado, através do dirigismo contratual, em duas esferas: pública, exercício direto, e privada, estabelecendo condições gerais e diretrizes contratuais.
Entretanto, parece-nos fundamental esclarecer que a intervenção estatal na seara particular, no que se refere à mitigação da liberdade contratual e autonomia da vontade, pode ser considerada legítima quando e tão-somente através de legislação específica que trate da matéria em apreço, mitigando-se, assim, o risco de instauração de insegurança jurídica em setores da economia.
Como exposto, independentemente das esferas de operacionalização do dirigismo contratual, faz-se necessário, para a análise da hipótese a ser pesquisada, tecermos algumas considerações acerca do princípio da Legalidade, o qual, como exposto, norteia o instituto do dirigismo contratual eventualmente adotado pelo Estado.
Neste momento, contudo, se faz importante já pontuarmos que, como indica Ana Luiza Nery (2010), agindo de forma diversa, qual seja o Estado intervir sem o necessário aparato legal, o Estado passaria a ser o motivador de insegurança jurídica no setor econômico.
Como o Direito cuidou de restringir o excesso de individualismo nas relações comerciais entre os particulares, também o fez quanto à liberdade do Estado de intervir no domínio econômico. Para este, o Direito atribui o dever de se ater ao princípio da Legalidade, inserido no ordenamento jurídico com a finalidade primária de garantir o Estado Democrático de Direito. Assim, nossa carta magna dispõe, no artigo que trata das garantias fundamentais, que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão em virtude de lei (art. 5º, inciso II da CR/88).
Como já exposto, trabalharemos à frente de forma mais aprofundada o conceito e as implicações do Princípio da Legalidade, atendo-nos, neste momento, a utilizá-los como instituto limitador, norteador da intervenção estatal na economia na esfera particular.