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2.4. Örgütün Hedefleri ve Faaliyetleri

2.4.1. Filistin Halkının Sorunu

Em que pese o Brasil ocupar o 7º lugar no ranking das maiores economias globais atualmente (BANCO MUNDIAL, 2014), ainda estamos muito aquém de outros países que ocupam posições bem menos significativas no que se refere ao ranqueamento de inovação e/ou investimento em pesquisa e desenvolvimento.

Nesse sentido, em janeiro de 2014, a Bloomberg, um dos mais relevantes provedores mundiais de informações financeiras, publicou um estudo realizado por Wei Lu e Marcus Chan, denominado “Most Innovative Countries”, no qual o Brasil alcançou a 45ª posição dentre 50 países avaliados. Tal estudo foi realizado através do emprego de metodologia que buscou avaliar a capacidade inovadora de cada país, através da análise de sete fatores: R&D intensity, productivity, high-tech density, researcher concentration, manufacturing capability, tertiary efficiency and patent activity. Nas análises individuais de cada fator estudado, o Brasil não figurou entre os 10 primeiros em nenhum deles. (BLOOMBERG, 2014).

Em outro estudo, denominado Global Innovation Index 2013, copublicado pela Cornell University, INSEAD – The Bussiness Scholl for the World, e WIPO – World Intellectual Property Organization, o Brasil ocupa somente a 64ª posição no ranking de países inovadores. (GLOBAL INNOVATION INDEX, 2013).

Avaliando indicadores internos, podemos compreender a modesta participação do Brasil no cenário de países inovadores e exportadores de tecnologia:

O Brasil tem uma massa crítica de cerca de sessenta mil cientistas, isto é, um para cada três mil habitantes e representa 20% do que o País precisaria para atender às demandas de ciência e tecnologia (C&T). Nos Estados Unidos existe um milhão de cientistas, isto é, um cientista para cada trezentos habitantes. (SENAC).

Referindo-se especificamente ao investimento público em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), no ano de 2000 o Brasil investia 1,02% do Produto Interno Bruto (“PIB”) nesse setor, sendo o investimento atual em torno de 1,2% do PIB. Segundo o Ministro da Ciência e Tecnologia Marco Antonio Raupp, o objetivo era chegar a 2%, “mas ser no mínimo 1,5 em 2014” (O GLOBO, 2012).

Recentes dados demonstram que o objetivo para 2014 ainda não foi atingido. Segundo dados trazidos por Versana Carvalho, constata-se que o investimento permaneceu estagnado ou reduziu. A quantia total de investimento em P&D no Brasil gira em torno de U$ 24,2 bilhões por ano. Em que pese transparecer a impressão de expressividade da quantia investida, tal montante representa cerca de 1,1% do PIB total da economia nacional. Tal porcentagem, em comparação com o investimento médio realizado pelos Estados Unidos da América, por exemplo, representa menos que a metade do que os 2,7% do PIB – cerca de U$ 398,2 bilhões, dispendidos por esse país no setor. (AGÊNCIA SEBRAE DE NOTÍCIAS DO ESTADO DE GOIÁS).

No que se refere à fundamental participação do setor privado na cooperação com o Estado no fomento de P&D, dados do Governo Federal demonstram que ainda estamos muito distantes do ideal, considerando o persistente desinteresse resultante do desestímulo à participação privada, fruto de uma conjunção de fatores (falta de estrutura e morosidade dos atos do INPI – tempo de análise e pedidos de patentes; intervenção do INPI em contratos de fornecimento de tecnologia; insegurança jurídica acerca da matéria). Nota-se grande diferença entre o Brasil e os outros países quanto ao volume de investimento em P&D aportado pela iniciativa privada. Ao se comparar o volume de investimento do Brasil com os números de países membros da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e de outros países da América Latina e do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), percebe-se que o Brasil só está acima de México, Argentina, Chile, África do Sul e Rússia, ficando muito distante de China e Coreia do Sul, por exemplo, nações que iniciaram muito recentemente o salto de desenvolvimento industrial. No Brasil, cerca 0,55% do PIB refere-se à participação privada, número este bem distante dos 2,68% investidos pelo setor privado da Coreia do Sul ou dos 1,22% da China, por exemplo. (SENADO FEDERAL, 2014).

Outro ponto que deve ser destacado no rol de elementos que clareiam o entendimento acerca do baixo potencial inovador do Brasil, principalmente em tecnologias de ponta que envolvam alta complexidade empregado, é o fato de que o Brasil permanece sustentando a base de sua economia na exportação de commodities.

Indicadores recentes apontam que a matriz de exportação brasileira é composta, quase em sua metade, por produtos primários. 48% (quarenta e oito por cento) da exportação brasileira compõe-se de produtos in natura (principalmente produtos agropecuários, minérios, petróleo, gás e madeira). Ao mesmo tempo em que o país é beneficiado por essa produção, contrapõe-se o fato de que essa característica da exportação nacional é muito vulnerável a variações nos preços internacionais e ao padrão de consumo desses produtos por outros

países, via de regra, com altos índices de industrialização e economicamente desenvolvidos. (SENADO FEDERAL, 2014).

Ao se analisar as matrizes de exportação de outros países que participam ativamente do comércio internacional, como a China (onde a participação dos produtos intensivos em recursos naturais é de apenas 9,3%), Estados Unidos (15%), México (23%) ou Índia (29%), percebe-se que há um equilíbrio entre esses produtos e os de valor agregado em tecnologia. Só para se ter uma ideia, a participação de commodities em todo o comércio mundial é de apenas 26%, média bastante inferior ao percentual do Brasil. (SENADO FEDERAL, 2014).

A chamada “reprimarização” da pauta de exportação do Brasil já é um fato, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Entre 2007 e 2010, a participação de commodities na pauta de exportações brasileiras saltou de 41% para 51%, depois de ficar em torno dos 40% durante todos os anos 1990. Os dados são do estudo A Primarização da Pauta de Exportações no Brasil: ainda um dilema, dos pesquisadores Fernanda De Negri e Gustavo Varela Alvarenga. (IPEA, 2014).

Hoje, segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), mais de 60% das exportações brasileiras são constituídas de produtos não industriais ou de relativamente baixa intensidade tecnológica (commodities, produtos intensivos em mão de obra e recursos naturais) e menos de 30% são produtos de maior conteúdo em tecnologia. Há sete anos o país detinha a exportação de 3,77% de todas as commodities negociadas no mundo. Em 2009, a participação subiu para 4,66%, índice bastante superior à participação do Brasil no total do comércio internacional, estimado em cerca de 1,5%. (SENADO FEDERAL, 2014).

Ou seja, desde 2005 vem caindo a participação do país nas exportações mundiais em todas as demais categorias. Enquanto em 2005 o país detinha 0,94% do total da exportação mundial de produtos de média intensidade tecnológica, em 2009 o percentual caiu para 0,74%. Já a contribuição do Brasil para o total de exportações mundiais de produtos de alta tecnologia foi de 0,5% para 0,49% no mesmo período, segundo o estudo do Ipea. Como se vê, índice bastante inferior à participação nacional nas relações comerciais internacionais. (SENADO FEDERAL, 2014). Consequentemente, o déficit na balança comercial de produtos dos segmentos de média-alta e alta tecnologia, segundo o MCTI, passou de US$ 10,1 bilhões, em 2007, para US$ 28,4 bilhões em 2010, um aumento de 184%. Os componentes eletrônicos, por exemplo, em especial os semicondutores e displays (optoeletrônicos), com um mercado mundial estimado, em 2010, em US$ 410 bilhões, têm participação de cerca de 80% das importações de componentes eletrônicos (cerca de US$ 6 bilhões em 2010). Outro

setor que importa muito é o da saúde, responsável por um déficit de US$ 10 bilhões na balança comercial do Brasil em 2010. (SENADO FEDERAL, 2014).

Por outro lado, no mercado de produtos de alta tecnologia, Índia, Indonésia, Malásia, Filipinas, Cingapura, Coreia do Sul, Taiwan e Tailândia, na Ásia, alcançaram exportação de mais de US$ 550 (quinhentos e cinquenta bilhões), no período 1998–2010, enquanto a China, sozinha, vendeu ao resto do mundo mais de US$ 450 (quatrocentos e cinquenta bilhões) no mesmo período. (SENADO FEDERAL, 2014).

Nos últimos nove anos, o Brasil manteve a proporção de investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D), em relação ao produto interno bruto (PIB), em torno de 1%, apesar de o governo ter prometido, em 2003, aumentar o gasto para 2%, nível próximo ao da média dos países da OCDE, que é de 2,3%. Quatro anos mais tarde, no esforço para chegar lá, o Plano de Ação 2007–2010 para Ciência, Tecnologia e Inovação (Pacti) fixou uma meta de 1,5% ao final do período, que, porém, não foi alcançada: o investimento total ficou em 1,22% do PIB em 2010. (SENADO FEDERAL, 2014).

A nova meta da recém-lançada Estratégia Nacional para Ciência, Tecnologia e Inovação (Encti) para o período de 2012-2015 é chegar a 2014 destinando 1,8% do PIB para investimento em pesquisa e desenvolvimento. Para isso, os investimentos terão que mudar de comportamento, já que, no Brasil, vêm mantendo média próxima a 1% anualmente desde o início do século. Nesse período, houve queda pronunciada em 2004 e ligeira recuperação a partir de 2009. (SENADO FEDERAL, 2014).

Dados contidos no Gráfico 1 corroboram as afirmativas de que o Brasil persiste como um país iminentemente exportador de commodities primárias, ou produtos que possuem baixa intensidade tecnológica. Para melhor compreensão do Gráfico 1, é importante pontuar que o IPEA classifica os níveis de intensidade tecnológica da indústria em quatro grupos de setores industriais: (i) alta intensidade tecnológica: aeroespacial, farmacêutico, informática, eletrônica, telecomunicações e instrumentos; (ii) média-alta intensidade tecnológica: material elétrico, veículos automotores, química – exceto setor farmacêutico, ferroviário e de equipamentos de transporte, máquinas e equipamentos; (iii) média-baixa intensidade tecnológica: construção naval, borracha e produtos plásticos, coque, produtos refinados de petróleo, combustíveis nucleares, outros produtos não metálicos, metalurgia básica e produtos metálicos e (iv) baixa intensidade tecnológica: outros setores e de reciclagem, madeira, papel e celulose, editorial e gráfica, alimentos, bebidas, fumo, têxtil e de confecções, couro e calçados. (CAVALCANTE; DE NEGRI, 2011).

Gráfico 1 – Participação dos diferentes grupos de produtos, segundo intensidade tecnológica, nas exportações brasileiras, 2000 a 2010 (Em %)

Fonte: A Primarização da Pauta de Exportações no Brasil: ainda um dilema, Fernando de Negri e Gustavo Varela alvarenga, Ipea, 2010

Os números referentes a pedidos de Patentes corroboram a afirmativa de que o Brasil é um país atrasado na produção inventiva em face aos países considerados como referência em inovação tecnológica. Em relatório publicado pela OMPI em 2012, indicando levantamento realizado entre os 20 maiores escritórios mundiais de concessão de patentes, o Brasil ocupou a 19ª posição. Naquele ano, enquanto o crescimento médio de pedidos de patentes cresceu 9,2%, no Brasil o aumento foi de 5,1%. O Brasil, atualmente, conta com 41.453 patentes válidas, enquanto países como os Estados Unidos da América detêm cerca de 2,2 milhões de patentes válidas. (PORTAL DAS INDÚSTRIAS, 2014).

A longa espera pela análise e concessão de patentes no Brasil é outro fator desestimulante no cenário nacional. No período compreendido entre 2003 e 2013, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial – INPI –, concedeu em média 3.108 patentes por ano. Além de o número ser extremamente modesto, incorreu-se no fato de que o tempo de espera pela análise de mérito dos pedidos pelo INPI passou de cerca de 06 (seis) anos, em 2003, para 11 (onze) anos, em 2013. (PORTAL DAS INDÚSTRIAS, 2014).

Outro fato que também demonstra que ainda não temos uma economia tecnologicamente desenvolvida, e ainda incapaz de competir com países desenvolvidos, é de que, além de não figurarmos entre os países que mais depositam patentes no Mundo (criadores de novas tecnologias), o número de depósitos realizados por não residentes (países estrangeiros) junto ao INPI é extremamente elevado. Segundo Zucoloto (2013, p.33), “as patentes de não residentes têm dominado historicamente os depósitos no Brasil...” Corroborando tal assertiva, a autora afirma que países economicamente desenvolvidos, como Estados Unidos, Japão e Alemanha respondem, conjuntamente, por cerca de 50,6% dos depósitos de não residentes realizados no Brasil. (ZUCOLOTO, 2013).

Apontada a realidade econômica nacional em face ao baixo poder inovador da indústria interna e à dependência de tecnologia estrangeira para desenvolvimento de produtos mais elaborados, passemos a analisar os institutos da Inovação Tecnológica e Desenvolvimento Econômico, avaliando as características dos mesmos e analisando a trajetória do que a doutrina atual considera como modelos referentes a serem seguidos na busca pelo desenvolvimento tecnológico.

5 INOVAÇÃO TECNOLÓGICA E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO

O desenvolvimento econômico tem indissociável relação com as inovações tecnológicas. Indubitavelmente, as inovações são a base do efetivo desenvolvimento social e econômico dos países, missão prevista na ordem econômica da enorme maioria das cartas magnas dos Estados. O desenvolvimento tem como força motriz a inovação, em especial a inovação tecnológica.

O panorama econômico mundial confirma essa assertiva. Pode-se constatar que os países que, ao longo da história, mais investiram em inovação e desenvolvimento de tecnologias alcançaram destaque na economia globalizada.

Nos sistemas econômicos hegemônicos, mundialmente, busca-se incessantemente o ganho financeiro, através do desenvolvimento de técnicas de aumento de produção e rentabilidade nas transações. Isso é mais facilmente atingido com a diferenciação dos produtos concorrentes.

Desta forma, pode-se afirmar que o meio mais eficiente de se estimular a criação de inovações pelos agentes econômicos é garantindo-lhes adequada proteção aos investimentos dos agentes inovadores, proporcionando a obtenção de ganhos financeiros de suas invenções, as quais, quase que na totalidade, englobam o desenvolvimento de novas tecnologias, ou ao menos o incremento das já existentes.