• Sonuç bulunamadı

2.4. Örgütün Hedefleri ve Faaliyetleri

2.4.5. İran ve Irak Arasındaki Savaş

Ao avaliarmos a história tecnológica dos países desenvolvidos (no presente estudo nos ateremos à trajetória estadunidense), identifica-se um consenso entre diversos autores que se dedicaram a estudar tal tema: é o século XX o marco do desenvolvimento tecnológico e, consequentemente, do crescimento econômico desses países (MOWERY; ROSENBERG, 2005; WHITEHEAD, 1925; ABRAMOVITZ, 1956; SOLOW, 1957).

Whitehead (1925) destaca que a característica essencial do século XX foi a institucionalização do processo inventivo, transformando-o em um processo muito mais sistemático se comparado ao empregado ao longo do século XIX. Para Mowery e Rosenberg (2005, p. 12), “essa institucionalização da atividade inventiva significou que a inovação ocorreu numa crescente proximidade com a pesquisa organizada do século XX”. Com efeito, tais autores indicam que o resultado da reorganização exigida a partir da institucionalização da invenção no século XX foi a exigência por refinamentos e melhorias nos produtos aos quais os processos produtivos estavam incorporados.

Pontuam Mowery e Rosenberg (2005) que as invenções demandam certo tempo, o que por vezes não se faz breve, para adquirirem a sua forma final, apta à difusão da mesma.

Assim, uma invenção, quando inicialmente introduzida no mercado e, mesmo ainda que protegida através de uma patente, demanda aprimoramentos e refinamentos para possibilitar a oferta ininterrupta e contínua daquele produto. Citam como exemplo o computador digital eletrônico – Eniac, introduzido no mercado em 1945, e que à época tinha 30 metros de comprimento e exigia o funcionamento simultâneo de 18 mil túbuos de vácuo. Esse produto, nos dias atuais, possui tamanho suficiente para se carregar em bolsos ou nas mãos, e, ainda, capacidade muito superior ao produto primogênito.

A compreensão, por parte dos economistas, da extensão do crescimento econômico advindo da inovação tecnológica, para Mowery e Rosenberg (2005, p.13), se deu somente a partir da segunda metade do século XX. Explicam tal demora pelo fato de que a realização de um estudo econômico efetivo acerca de um fenômeno só se faz possível a partir do momento em que “certas magnitudes tenham sido reduzidas a uma expressão quantitativa”.

A busca pela constatação dos impactos econômicos na economia estadunidense advindos da inovação tecnológica iniciaram-se nas décadas de 1930 e 1940, sendo efetivamente possível analisar-se os impactos da mudança tecnológica naquele país a partir da década de 50. Dessa década datam dois dos mais influentes estudos realizados, quais sejam os de Abramovitz (1956) e Solow (1957). Mowery e Rosenberg (2005, p.14) asseveram que tais estudos “empregaram dois métodos diferentes, examinaram dois períodos diferentes e mediram o produto da economia de modos diferentes”. Contudo, para tais autores, ambos os estudos convergiram para uma mesma e relevante conclusão, que foi a constatação de que não mais do que 15% do crescimento econômico auferido no produto norte-americano no final do século XIX e na primeira metade do século XX podia ser atribuído ao incremento de insumos medidos através de capital e trabalho. Os demais 85%, porcentagem extremamente significativa, sugeriram que o crescimento econômico do século XX “resultou predominantemente da extração de mais produto de cada unidade de insumo na atividade econômica, ao invés de mero uso de mais insumo”. Tal resultado indica que a mudança tecnológica (inovação) observada nos EUA nesse período foi a causa principal do crescimento econômico.

Mowery e Rosenberg (2005, p.16) indicam três características inerentes ao processo de crescimento econômico vivenciado pelo estado norte-americano. A primeira, denominada fluxo intersetorial de novas tecnologias, é considerada pelos autores como fundamental para a inovação tecnológica constatada nos EUA na segunda metade do século XX, vez que muitos setores já antigos da economia norte-americana experimentaram significativo crescimento de

produtividade em decorrência dessa característica, a qual resulta, em última análise, em “incentivos adicionais para aumentos de escala e eficiência”

Destaca-se que, em que pese a relevância do intercâmbio intersetorial na economia interna estadunidense como elemento fundamental ao salto tecnológico observado no século XX, deve também ser destacada a relevância do fluxo internacional de tecnologia em tal situação. Para Mowery e Rosenberg (2005, p. 16), “nenhuma abordagem da mudança tecnológica nos Estados Unidos do século XX pode negligenciar a importância das importações e exportações de tecnologia dessa economia” (grifo nosso). É necessário ainda mencionarmos relevante destaque feito por Rosenberg (1972) de que a economia norte- americana, durante o seu processo de fortalecimento e crescimento, alterou de um momento inicial em que era predominantemente importadora de tecnologia estrangeira para um momento posterior, por volta de 1900, em que se firmou como considerável exportadora de tecnologia.

É o investimento em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) a segunda característica da inovação econômica norte-americana no século XX constatada por Mowery e Rosenberg (2005). Apontam que, já no final do século XIX, foi notável o fato de que várias indústrias passaram a criar sistemáticos e organizados programas internos de P&D, ao passo que, paralelamente, ocorreram reestruturações significativas nas disciplinas, principalmente de engenharia e ciências aplicadas, nas universidades. Assim, asseveram como outro fator fundamental ao desenvolvimento tecnológico da economia norte-americana uma “divisão de trabalho mutável entre as empresas privadas, as universidades e o governo no que se refere ao financiamento e à realização da P&D” (2005, p. 20).

Neste sentido, indicam tais autores uma mudança significativa e elementar para a consolidação da inovação nos EUA, composta basicamente por dois elementos distintos e complementares: (i) rápida absorção de tecnologia estrangeira pelas empresas americanas, propiciando o que denominam “invenção da arte de inventar” (p. 24) e (ii) a conjunção da indústria, governo e universidade no papel de realizadores e financiadores de P&D.

A terceira e última característica elencada por Mowery e Rosenberg (2005) na análise da trajetória da inovação norte-americana, com seu ápice no século XX, é a contribuição conferida pela política antitruste vigente naquele país desde o fim do século XIX, com a promulgação do Sherma Act, em 1890. O efeito imediato dessa legislação foi o desencorajamento de fusões horizontais entre grandes agentes econômicos atuantes no mesmo setor, considerando o extenso rol de ilegalidades com fins de controle de mercado, preços e produção, abarcados pelo Sherman Act. Por outro lado, tal situação não afetou a disposição

das empresas norte-americanas de continuarem a realizar o intercâmbio de tecnologia estrangeira, fato que indubitavelmente proporciona, a partir da absorção da tecnologia, inovações dos produtos e processos produtivos.