• Sonuç bulunamadı

I. BÖLÜM

2.4. Siyasal Güven Teorileri

2.1. Aquisição e manutenção dos peixes

Os exemplares de H. antenori foram coletados em poças temporárias, localizadas no município de Russas-CE (04°57’39.8” de Latitude S e 37°54’26.2”

Longitude W). Todos os testes foram realizados em aquários de vidro, medindo 30 x 20 x 25 cm, com um volume total de água de 12 L. A temperatura da água foi controlada em torno de 27 ºC e 28 ºC, por meio de termostato, o pH foi mantido entre 7,0 e 7,5, o oxigênio dissolvido entre 7,0 e 8,0 mgL-1e o fotoperíodo em 10 horas de luz (08:00h–

18:00h). A alimentação foi realizada com Tubifex sp. duas vezes ao dia, correspondendo a 5% do peso do peixe. O substrato era constituído de turfa proveniente do local de coleta dos peixes, cascalho e filtro de fundo acionado por aerador. As paredes do aquário foram cobertas com adesivo azul, apenas a parte frontal não foi coberta para que os peixes pudessem ser observados.

H. antenori apresenta dimorfismo sexual bem evidente, o que facilitou a identificação dos sexos. Foram utilizados 24 exemplares de H. antenori, com comprimento do corpo variando entre 3,3 e 4,5(3,7 ± 1,7) nos machos. Nas fêmeas o comprimento variou entre 2,8 e 3,7 cm (3,3 cm ± 1,8).

Este estudo foi realizado no Laboratório de Ictiologia, Departamento de Oceanografia e Limnologia, Universidade Federal do Rio Grande do Norte no período de julho a agosto de 2013.

2.2. Procedimentos específicos

2.2.1. Descrição e quantificação dos comportamentos

O período de aclimatação foi de 10 dias, onde os peixes foram mantidos nas mesmas condições de estudo. Os peixes foram submetidos aos seguintes tratamentos (T) com quatro repetições cada um: T1) um macho com um macho; T2, T3 e T4) dois machos com uma fêmea.

Para a descrição dos comportamentos foi realizado um estudo piloto com duração de 8 horas utilizando o método de amostragem focal contínua com os 4 tratamentos em aquários de 30 x 20 x 25 cm (12 L), e uma filmagem de 60 minutos, o que permitiu selecionar e descrever os comportamentos observados.

160

Após a descrição dos comportamentos foi feita a quantificação registrando-se assim o número total de eventos comportamentais apresentados pelos dois machos e uma fêmea. As observações foram feitas através do método focal contínuo e tiveram duração de duas horas pela manhã e duas horas à tarde durante 5 dias, totalizando 20 observações. Foram realizadas também cerca de 120 minutos, o que permitiu selecionar e descrever os comportamentos observados de H. antenori durante a reprodução.

2.3. Análises Estatísticas

Para todas as análises de variância (ANOVA) e testes t de Student efetuados, foram realizados os testes de normalidade (Shapiro-Wilk ) e de homogeneidade das variâncias (Teste de Levene e de Bartlett). Quando os dados não atendiam esses pressupostos de normalidade e homocedasticidade, efetuaram-se transformações pela raiz quarta.

Para verificar diferenças entre os comportamentos por turno e por sexo foi aplicado o teste ANOVA (twoway) seguida por teste de Holm-Sidak. Para verificar se existiu diferenças entre os tratamentos foi aplicada ANOVA (oneway) seguida de teste de Tukey.

A Técnica de análise estatística multivariada de correlação canônica (Rc) foi aplicada para determinar a magnitude da relação entre os comportamentos observados.

3. Resultados

Em oito horas e meia de observações, ocorreram 874 interações sociais, sendo 704 (79%) agonísticas entre machos, 185 (21%) agonísticas e reprodutivas entre machos e fêmeas (Figura 1). Na descrição dos comportamentos exibidos pelos machos e fêmeas de H. antenori foi possível registrar 10 comportamentos agonísticos: ameaça lateral, perseguição, ataque lateral, ataque na cabeça, ataque nas nadadeiras, fuga, permanência, ameaça frontal e posicionamento paralelo. Na tabela 1 consta a descrição de cada comportamento.

Nas relações agonísticas entre machos ocorrem disputas, ataques, ameaças e fugas. Frequentemente um indivíduo foge pela simples presença do adversário, sem que ocorra ameaça ou ataque. As fugas precedidas por ameaças também foram observadas.

161

Foi observado que quando um macho percebia a presença de outro macho, o macho dominante se posicionava lateralmente e estendia suas nadadeiras dorsal e anal e ameaçava. Quando este comportamento era respondido pelo outro macho executando os mesmos displays, permanecendo um macho paralelo ao outro, os dois disputavam com o corpo em forma sigmoide e movimentos ondulatórios vigorosos. Geralmente a disputa culminava em um ataque. O macho perdedor fechava suas nadadeiras e foge, permanecendo submisso no aquário. O macho vencedor sempre se tornou o macho dominante, exibindo uma coloração sempre mais vistosa que o macho submisso, que sempre apresentava uma coloração pálida.

Tabela 1. Descrição dos comportamentos exibidos pelos machos e fêmeas de Hypsolebias antenori.

Comportamento Descrição

Exibição lateral O macho inicia exposições do corte com intensos movimentos laterais ondulação do corpo ao redor e ema fêmea, exibindo nadadeiras expandidas e intensificação de cor.

Ameaça lateral O peixe se posiciona lateralmente ao seu oponente, eriça as nadadeiras.

Ameaça frontal O peixe se posiciona de frente ao seu oponente e eriça as nadadeiras dorsal e anal.

Perseguição O peixe acompanha a trajetória do seu oponente enquanto ele foge.

Ataque na cabeça O peixe se aproxima do seu oponente e desfere mordidas na cabeça.

Ataque perpendicular O peixe se aproxima perpendicularmente ao oponente, batendo com a boca aberta no seu corpo, atingindo a região próxima à nadadeira anal e caudal.

Posicionamento paralelo

Os peixes se posicionam lado a lado, voltados para o mesmo sentido ou sentidos opostos, ondulando o corpo vigorosamente até que um deles desista.

Permanência O peixe permanece próximo ao substrato.

162

No comportamento descrito como ameaça lateral o peixe detecta o oponente, o dominante se aproxima exibindo a lateral do corpo em forma sigmoide, com a nadadeiras caudal, anal e dorsal completamente eretas e estendidas, evidenciando assim toda sua coloração com destaque para as manchas brancas iridescentes em todo corpo e o vermelho na nadadeira anal. Esta ameaça não necessariamente culmina em ataque, já que na maioria das vezes é suficiente para que o macho submisso fuja.

O comportamento que mais ocorreu em todos os tratamentos foi a perseguição (Figura 1). O macho dominante perseguia o macho submisso podendo desferir um ataque ou não. Em alguns momentos esta perseguição era intensa e persistia por algum tempo. A perseguição ocorreu logo após a ameaça ou sem ameaça. Não foram evidenciadas diferenças significativas entres os aquários (tratamentos) nem dos aquários 1, 2, e 3 com o aquário controle (p=0.803) (Figura 2). O comportamento agressivo ocorreu no grupo controle, ou seja, sem a presença de fêmea. Isso indica que este comportamento ocorre não apenas para defesa de fêmea, mas também para defesa recursos, como território e alimentação.

Figura 1. Frequência relativa dos comportamentos observados para H. antenori. região lateral com mordidas.

163

Figura 2. Repertório de comportamentos e número de ocorrências de contatos por aquário para H. antenori.

No comportamento reprodutivo o macho ao ver a fêmea movimenta-se de um lado para outro, passando por cima da fêmea, estremecendo o corpo, geralmente em posição oblíqua de cabeça para baixo, com as nadadeiras anal, caudal e dorsal estendidas, apresenta uma intensificação gradativa da coloração(Exibição lateral). Enquanto é seguido pela fêmea, o macho procura um substrato adequado para a desova, enterrando-se em vários locais diferentes. A fêmea penetra no substrato ao lado do macho e o macho pressiona a fêmea contra o substrato, com o seu corpo. O casal permanece nesta posição por alguns segundos, após o qual o macho emerge, enquanto a fêmea permanece enterrada, saindo do substrato após alguns segundos. O macho mantém-se nas proximidades, reiniciando a corte logo que ela emerge do substrato.

Dos dez comportamentos descritos, sete não apresentaram diferenças significativas (p> 0,05) quanto ao turno (manhã/tarde). Os comportamentos de ameaça lateral, posicionamento em paralelo e perseguição foram mais frequentes, significativamente no período da manhã (Tabela 2). Em relação ao sexo comportamentos de quatro comportamentos apresentaram diferenças significativas (p>

164

0,05), Perseguição, Ataque perpendicular, Ataque lateral e Permanência os mais frequentes entre os machos (Tabela 2). Os comportamentos de ameaça lateral, ameaça frontal e posicionamento em paralelo não foram observados entre machos e fêmeas. O comportamento de exibição lateral só foi observado entre machos e fêmeas.

A estatística R Canônica expressa a magnitude do relacionamento entre os dois conjuntos de variáveis. Neste estudo foi confirmada a associação entre os conjuntos de variáveis comportamentais, pelo Qui-Quadrado (χ2) igual a 58,1495, com gl = 25, e o

correspondente p-valor igual a 0,0002. A matriz das correlações (Tabela 2) mostra oito correlações significativas entre Ameaça lateral e fuga, Perseguição e Fuga, Ataque lateral e Fuga, Ataque perpendicular e Fuga, Ameaça Frontal e Ataque perpendicular, Posicionamento em paralelo e Ataque lateral, Exibição lateral e Perseguição e entre Exibição lateral e Ataque perpendicular.

Tabela 1. Média, desvio padrão, e significância do teste (p) para diferenças significativas entre os comportamentos por turno e sexo de H. antenori.

Interação Manhã Tarde p MxM MxF p

Ameaça lateral 17 ± 9,75 12,5 ± 5,80 0,015* 14,75 - - Ameaça frontal 1,14 ± 1,46 0,57 ± 1,25 0,315 1,06 - - Posicionamento paralelo 0,71 ± 1,49 0,14 ± 0,37 0,002* 0,71 - - Perseguição 20,2 ± 9,75 13,7 ± 8,63 0,022* 23,5 8,66 0,001* Ataque perpendicular 15,7 ± 8,24 11,1 ± 6,30 0,500 18 ± 6,45 8,75 ± 2,73 0,014* Ataque lateral 6,71 ± 4,11 5,71 ± 3,09 0,093 7,75 ± 3,77 4,16 ± 1,94 0,018* Ataque na cabeça 1,28 ± 1,88 0,14 ± 0,37 0,191 1,12 ± 1,80 0,16 ± 0,40 0,656 Permanência 7,57 ± 5,15 6,42 ± 4,11 0,616 8,12 ± 3,97 5,51 ± 5,12 0,287 Fuga 6,42 ± 7,45 6,44 ± 7,15 0,394 11,3 ± 5,06 0,33 ± 0,51 0,006* Exibição lateral 1,57 ± 2,07 2 ± 3,25 0,670 - 4,86 ± 1,86 -

165

Tabela 2. Matriz de correlação canônica (Rc) entre os comportamentos observados.

Permanência Fuga AmeaçaFrontal Posicionamento em

paralelo Exibição lateral

Ameaça lateral 0,478 ns 0,732 (p<0,01) 0,227 ns 0.476 ns 0,490 ns Perseguição 0,487 ns 0,841 (p<0,01) 0,391 ns 0.454 ns -0,808 (p<0,01) Ataque lateral 0,327 ns 0,590 (p<0,05) -0,187 ns 0.853 (p<0.01) -0,442 ns Ataque na cabeça -0,189 ns 0,044 ns 0,436 ns -0.014 ns -0,322ns Ataque perpendicular 0,373 ns 0,810 (p<0,01) 0,565 (p<0,05) 0.270 ns -0,653 (p<0,05) *ns = não significativo. 5. Discussão

Os peixes anuais foram descritos como um grupo que não apresentava comportamentos agressivos (ROMIE, 1979), porém, um padrão de comportamento agonístico começou a ser observado recentemente. Shibata, 2006 observou o comportamento social do peixe anual Simpsonichthys boitonei evidenciando comportamento agressivo e territorialista. A hierarquia de dominância pode beneficiar tanto o macho dominante quanto o submisso, pois reduz os custos de injúrias sérias aos animais menores, o que pode ocorrer em sistemas sociais mais instáveis (SLOMAN & ARMSTRONG, 2002). Porém, os machos dominantes obtêm outras vantagens em relação aos submissos, como o maior sucesso de acasalamento (WEIR et al., 2004).

Os machos submissos em nossas observações se tornaram muito pálidos, quase sem coloração. Essa estratégia serviu para evitar confrontos com o macho dominante, porém também diminuiu seu contato com a fêmea sendo algumas vezes atacado por ela.

A perseguição foi o comportamento mais frequente durante as observações. Este comportamento está relacionado com territorialidade e com reprodução, já que os machos perseguem as fêmeas e só interrompem o processo se houver uma reação negativa da fêmea aos estímulos sexuais do macho. O padrão do comportamento reprodutivo observado para H. antenori, seguiu o padrão observado por BELOTE & COSTA (2002). A alteração no padrão de colorido do macho durante a corte foi considerado por estes autores como um comportamento comum a 10 espécies do gênero Simpsonichthys. A sequencia de comportamento durante a corte até a desova e fertilização corrobora o que foi observado por GARCIA et al., 2008.

166

hierarquia de dominância, como o tamanho dos combatentes, a experiência prévia e a residência prévia (GONÇALVES-de-FREITAS, 2004). Independente de qual fator está influenciando a hierarquia de dominância, o macho dominante apresenta melhor habilidade competitiva em relação ao submisso, uma vez que pode excluí-lo do acesso a alguns recursos (WONG & CANDOLIN, 2005), especialmente na disputa por parceiras (RIOS-CARDENAS, 2005). Uma das formas de disputa é o estabelecimento de hierarquia de dominância, na qual os dominantes têm acesso prioritário aos recursos disputados, aí incluídas parceiras de reprodução (SLOMAN & ARMSNTRONG, 2002). Em poças temporárias, a área de ocupação dos peixes tende a diminuir em decorrência da seca e, como consequência, a densidade populacional aumenta e o alimento disponível diminuir. Possivelmente, até que o a poça esteja completamente seca, apenas aqueles adultos maiores conseguirão manter um território e reproduzir. Provavelmente, devido à capacidade de suporte do ambiente, determinado principalmente pela disponibilidade de alimentos e presença de locais de abrigo e procriação, a territorialidade pode ter um significado adaptativo que restringe e controla o tamanho da população (MANNING, 1977).

Assim, concluímos que o comportamento agressivo do macho de Hypsolebias antenori é uma estratégia importante para a persistência da espécie nas poças temporárias do semiárido brasileiro.

Referências

BELOTE, D. F. & W. J. E. M. COSTA. Reproductive behavior of the Brazilian annual fish Cynolebiasal bipunctatus Costa & Brasil, 1991 (Teleostei, Cyprinodontiformes, Rivulidae): a new report of sound production in fishes. Arquivos do Museu Nacional, Rio de Janeiro, 61 (4): 241-244, 2003.

BELOTE, D. F. & W. J. E. M. COSTA. Reproductive behavior patterns in the neotropical annual fish genus Sympsonichthys Carvalho, 1959 (Cyprinodontiformes, Rivulidae): description and phylogenetic implications. Boletim do Museu Nacional, Nova Série, Rio de Janeiro, 489:1-10, 2002.

CACHO, M.S.R.F.; YAMAMOTO, M.E.; Chellappa, S. Mating system of the amazonian cichlid angel fish, Pterophyllum scalare. Braz. J. Biol., 67(1): 161-165, 2007.

CARDOZO, V. Tasa Metabólica y excreción del nitrógeno em peces anuales Cynolebias viarius (Cyprinodontiformes). Unpublished M.Sc. Thesis, PEDECIBA, Universidad de la República, Montevideo, 1999.

167

CONRAD, J. L.; WEINERSMITH, K. L.; BRODIN,T.; SALTZ, J. B.; SIH, A.Behavioural syndromes in fishes: a review with implications for ecology and fisheries management. Journal of Fish Biology, 78, 395–435.2011.

COSTA, W. J. E. M. Catalog of Aplocheiloid killifishes of the world. Rio de Janeiro, UFRJ, 127p,2008.

COSTA, W. J. E. M. Phylogenetic position and taxonomic status of Anablepsoides, Atlantirivulus, Cynodonichthys, Laimosemion and Melanorivulus (Cyprinodontiformes: Rivulidae). Ichthyological Exploration Freshwaters, v. 22, 2011.

ERREA, A. & E. DANULAT. Growth of the annual fish, Cynolebias viarius (Cyprinodontiformes), in the natural habitat compared to laboratory conditions. Environmental Biology of Fishes, 61: 261-268,2001.

FRICKE, R. & ESCHMEYER, W. N.A guide to Fish Collections in the Catalog of Fishes database. Online Version, Updated 7 August 2012.

GARCÍA, D. LOUREIRO, M. and TASSINO, B. Reproductive behavior in the annual fish Austrolebias reicherti Loureiro & García 2004 (Cyprinodontiformes: Rivulidae). Neotropical Ichthyology, 6 (2):243-248. 2008.

GONÇALVES-de-FREITAS, E.; FERREIRA, A.C. Female social dominance does not establish mating priority in Nile tilapia. Revista de Etologia, 6(1): 33-37.2004.

KIM ,J.W.; GRANT, J.W. Effects of patch shape and group size on the effectiveness of defence by juvenile convict cichlids. Anim. Behav.73: 275–280.2006.

LEHTONEN, T.K.; LINDSTROM, K. Density-dependent sexual selection in the monogamous fish Archocentrus nigrofasciatus.Oikos 117:867–874.2008.

MANNING, A. 1977. Introdução ao comportamento animal. Rio de Janeiro, Livros Técnicos e Científicos Editora, 354p.

OLDFIELD, R.G.; McCRARY, J.; MCKAYE, K. R. Habitat use, social behavior, and female and male size distributions of juvenile midas cichlids Amphilophus cf. citrinellusin Lake Apoyo, Nicaragua.Carib. J. Sci, 42: 197–207.2006.

RIOS-CARDENAS, O. Patterns of parental investment and sexual selection in teleost

fishes: do they support Bateman’s Principles? Integrative and Comparative Biology,

45: 885-894.2005.

ROMIE, B. Some personal observation on killifish behavior. Journal of American Killifish Association, New York, 112.1979.

168

ROSA, R. S., LIMA F.C.T . Peixes. In: Machado ABM, Drummond GM, Paglia AP (eds) Livro vermelho da fauna brasileira ameaçada de extinção. Ministério do Meio Ambiente, Brasília, pp 8–258, 2008:

SHIBATA, A. C. Comportamento social do pirá- Brasília Simpsonichthys boitonei Carvalho (Cyprinodontiformes, Rivulidae). Revista Brasileira de Zoologia 23 (2): 375-380. 2006.

SLOMAN, K.A.; ARMSTRONG, J.D. Physiological effects of dominance hierarchies: laboratory artifacts or natural phenomena? Journal of Fish Biology, 61: 1-23.2002. WEIR, L.K.; HUTCHINGS, J.A.; FLEMING, I.A.; EINUM, S. Dominance relationships and behavioral correlates of individual spawning success in farmed and wild male Atlantic salmon, Salmo salar. Journal of Ecology, 73: 1069-1079.2004. WONG, B.B.M.; CANDOLIN, U. How is female mate choice affected by male competition? Biological Reviews, 80: 559-571.2005.

WOURMS, J. P. The developmental biology of the annual fishes. Pre-embryonic and embryonic diapause of variable duration in the eggs of annual fishes. Journal of Experimental Zoology.182, 389-414,1972.

169

O estudo realizado sobre a estratégia de vida do peixe anual Hypsolebias antenori do semiárido brasileiro nos permitiram as seguintes conclusões:

 O levantamento bibliográfico realizado mostra um número significativo de espécies que possibilitam o reconhecimento da fauna ictica do RN e a ocorrência de espécies introduzidas, nativos e os peixes anuais, contribuindo para futuros planos de manejo;

Os machos de H. antenori alcançaram maiores comprimentos e pesos que as fêmeas. A proporção sexual apresentou uma maior proporção de fêmeas diferindo estatisticamente do esperado de 1M:1F. H. antenori apresenta um crescimento alométrico positivo;

O trato digestivo de H. antenori mostra habilidade anatômica e histológica para hábito alimentar onívoro, uma estratégia de alimentação bem adaptada à vida em poças temporárias. O estômago e intestino são adaptados para a digestão e absorção de nutrientes o que favorece o seu crescimento rápido.

 O processo de maturação gonadal é acelerado a fim de completar o ciclo reprodutivo antes do fim da estação das chuvas. Existem cinco fases histológicas de desenvolvimento ovariano e quatro fases de desenvolvimento dos testículos.

 As fêmeas apresentam desova múltipla e os machos desova continua;  Os padrões de história de vida de H. antenori, mostram uma estratégia oportunista ou r, que foi caracterizado por recolonizacão rápida de pequenos habitats sazonais, rápido amadurecimento e com desova múltipla

H. antenori apresenta uma mistura de padrões cariotípicos considerado basal e derivado. Considerando a extensa diversidade cariótipo na família Rivulidae, os dados cariotípicos peculiares identificado para a espécie, que constituem os primeiros

170

registros citogenéticos para o gênero, pode fornecer uma ferramenta útil na análise da evolução cariótipica deste grupo.

A espécie H. antenori esta sofrendo grande pressão antrópica e pode ser considerada vulnerável. Para a conservação desta espécie, a gestão deve centrar-se essencialmente sobre a integridade dos habitats onde eles se encontram, tais como, pequenas poças temporárias, que na maioria dos casos não são considerados prioritários para a conservação.

H. antenori apresenta comportamento agressivo e é uma espécie territorialista.