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2. TİCARET ŞİRKETLERİNDE BİRLEŞME VE

2.1. Şirket Kavramı ve Şirket Türleri

2.1.3. Türk ticaret kanununa düzenlenen şirketler

2.1.3.2. Sermaye şirketleri

Ao contrário do que ocorrera com as investigações sobre estilo, os estudos sobre ethos permaneceram, até muito recentemente, presos aos fios traçados pela retórica greco-latina. Por conseguinte, ainda que não recorramos a esse enfoque clássico como suporte teórico para a pesquisa, interessa-nos apresentá-lo, mesmo de forma sucinta, tanto por manter certa atualidade, sobretudo em algumas discussões contemporâneas sobre argumentação, quanto por considerá-lo imprescindível ao entendimento dos posicionamentos assumidos nas duas seções seguintes deste capítulo.

No âmbito específico da retórica clássica, Aristóteles (1964) legitima e sistematiza os três pilares essenciais à persuasão47: o ethos, o pathos e o logos (embora o estagirita não recorra a este último termo). Os dois primeiros são de base afetiva; o terceiro é de base racional.

Aristóteles (1964, p. 22) explicita: “Entre as provas fornecidas pelo discurso, distinguem-se três espécies: umas residem no caráter moral do orador; outras, nas disposições que se criaram no ouvinte; outras, no próprio discurso, pelo que ele demonstra ou parece demonstrar”. Nesse sentido, o ethos é o caráter que o orador deve assumir a fim de inspirar confiança no auditório, uma vez que, quaisquer que sejam os argumentos lógicos utilizados, eles tendem a se desqualificar na ausência dessa confiança. O pathos, por sua vez, corresponde às emoções, aos sentimentos e às paixões que o orador deve despertar, com seu discurso, no auditório. E o logos, por fim, remete às provas presentes no discurso e alicerçadas de modo o mais racional possível.

Assim, o agradar funde-se ao comover e ao convencer. A esses três níveis de persuasão, Cícero, conforme Tringali (1988), chama de tria officia, as três funções da retórica. Toda a força dessa arte, pelo menos na concepção clássica,       

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Entendemos, nesse contexto, persuasão e convencimento como termos equivalentes do ponto de vista semântico.

concentra-se, assim, sobre essas três bases. Sem que elas atuem simultaneamente, não há, portanto, persuasão no sentido retórico. De acordo com Reboul (1998), toda a teoria retórica greco-latina – mesmo a desenvolvida posteriormente a Quintiliano – reconhece esse tripé, muito embora nem sempre se apresentem, de modo nítido, a afetividade associada ao orador e a afetividade associada ao auditório.

Para Aristóteles (1964, p. 23), o ethos constitui a prova mais cabal:

Muito errônea é a afirmação de certos autores de artes oratórias, segundo a qual a probidade do orador em nada contribuiria para a persuasão pelo discurso. Muito pelo contrário, o caráter moral deste constitui, por assim dizer, a prova determinante por excelência.

Focalizando sob esse mesmo prisma da retórica clássica, Maingueneau (2008, p. 15) complementa:

A persuasão não se cria se o auditório não puder ver no orador um homem que tem o mesmo ethos que ele: persuadir consistirá em fazer passar pelo discurso um ethos característico do auditório, para lhe dar a impressão de que é um dos seus que ali está.

É preciso, portanto, mostrar-se, apresentar-se e ser percebido como solidário, equânime, inteligente ou íntegro, em função do que possa melhor interferir positivamente no julgamento do auditório, meta de todo o processo de convencimento. A eficácia do enunciado, desse modo, não depende do que propriamente ele enuncia, mas da imagem daquele que o enuncia, do poder que essa imagem detém diante do auditório. Sendo assim, conforme Aristóteles (1964), o ethos, como tekhnê, é uma imprescindível prova retórica que faz o orador parecer confiável, se este se mostrar submetido, com aprovação, à ponderação (a

phronésis), à simplicidade sincera (a arétê) e à amabilidade (a eunoia).

Problematizar se essa imagem de si é construída no próprio enunciado – no caso, o ethos tido como discursivo – ou se já é construída a priori – no caso, o

ethos pré-discursivo ou prévio – é uma discussão que também remete à retórica

que o ethos é um dado preexistente ao discurso. De outro lado, Aristóteles e seus filiados asseguram que o ethos está inscrito no ato da enunciação. Associa-se, neste último caso, tão somente ao exercício linguageiro e não ao sujeito fora desse exercício.

O posicionamento de Charaudeau (2006, p. 115), no entanto, parece não só conciliador do antagonismo mas também capaz de entender as duas instâncias como complementares:

O ethos relaciona-se ao cruzamento de olhares: olhar do outro sobre aquele que fala, olhar daquele que fala sobre a maneira como ele pensa que o outro o vê. Ora, para construir a imagem do sujeito que fala, esse outro se apóia ao mesmo tempo nos dados preexistentes ao discurso – o que ele sabe a priori do locutor – e nos dados trazidos pelo próprio ato de linguagem. [...]. O sujeito aparece, portanto, ao olhar do outro, com uma identidade psicológica e social que lhe é atribuída, e, ao mesmo tempo, mostra-se mediante a identidade discursiva que ele constrói para si.

Essa identidade psicológica e social “dá direito à palavra e [...] funda sua legitimidade de ser comunicante em função do estatuto e do papel que lhe são atribuídos pela situação de comunicação” (CHARAUDEAU, 2006, p. 115). O ethos resulta, portanto, do entrecruzamento de imagens duplas (uma, a priori, oriunda de um ouvir dizer; outra, in loco, nascida da interação do ouvinte/leitor com o discurso do enunciador) que terminam por se fundir em apenas uma.

Mesmo que o referencial teórico concebido pela retórica greco-latina permita que ainda o utilizemos na análise investigativa de certos aspectos do enunciado, trata-se de uma abordagem que não nos interessa como ancoragem para nossa pesquisa. Em primeiro lugar, constitui uma diretriz investigativa muito circunscrita à esfera dos gêneros discursivos tidos, tradicionalmente, como retóricos, o que não açambarcaria os poemas líricos, constituintes primordiais do corpus desta pesquisa. Em segundo lugar, não é nosso interesse pôr em visibilidade o convencimento retórico tradicional, mas a adesão, uma relação mais aberta em termos de intenções para com os ouvintes/leitores.

Passada a grande lacuna temporal em que o ethos permaneceu fora das discussões, o século XX o fez emergir e trouxe, seja de modo direto seja de modo

indireto, novas nuanças conceituais para a redefinição da categoria. Dessa vez, à luz das teorias que, de alguma forma, problematizam a enunciação ou a colocam no centro da análise linguística, diferentes correntes da pragmática, da análise do discurso, das teorias da enunciação e da argumentação promovem uma releitura do

ethos e o redesenham nas mais diversas perspectivas das abordagens

contemporâneas sobre linguagem.

Numa amostragem de algumas das investidas que não contemplam o

ethos de forma centralizadora ou que o abordam indiretamente, podemos elencar,

segundo Eggs (2005), o jogo de vozes entre o enunciador e o locutor, de Ducrot; a metáfora teatral, de Goffman; o gerenciamento de faces, de Kerbrart-Orecchioni; o jogo de vozes entre os sujeitos da linguagem, de Charaudeau; a condição de sinceridade, de Searle; e o princípio de cooperação, em Grice. Grosso modo, em todos esses casos, é posta a ênfase, com as devidas diferenciações, em um jogo de imagens entre o enunciador e seus possíveis ouvintes/leitores a partir de elementos construídos pelo discurso. Ducrot, por exemplo, ao criar rigorosas delimitações entre o sujeito histórico e os sujeitos que se manifestam na materialidade constitutiva do discurso, abre espaço para que possamos pensar em um mascaramento facilitador da relação entre o produtor empírico do enunciado e seus possíveis ouvintes/leitores.

Numa amostragem de investidas que contemplam o ethos de forma mais centralizadora, citemos a concepção de convencimento retórico de Reboul (1998). Para esse autor, o ethos e o pathos são postos em uma dimensão dita oratória, na esfera afetiva do convencimento, ao lado do logos, situado em uma dimensão dita argumentativa, na esfera lógico-racional. Ambas as dimensões, todavia, estão, nesse caso, simultaneamente a serviço do convencimento. Esse enfoque também não nos interessa devido às mesmas razões já anteriormente expostas.

Como podemos constatar, não são muitas ainda as variações teóricas e seus possíveis desdobramentos em torno do tema, mesmo se considerando o longínquo momento inicial em que se levantaram os primeiros véus desnudadores. Mais recentemente, Maingueneau (2001, 2005, 2006a, 2006b, 2008) contempla o

ethos, na perspectiva da análise do discurso, como constituinte de toda e qualquer

enunciação. Mas, para isso, revê a formulação greco-latina tradicional e a redimensiona. É esse o enfoque que elegemos como aporte para a sustentação da pesquisa.

2.3.3 O ethos na concepção mangueneauniana: a configuração de uma categoria de