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Şirket birleşmelerinin işletme içi dezavantajları

2. TİCARET ŞİRKETLERİNDE BİRLEŞME VE

2.3. Şirket Birleşmeleri ve Devralmalarının Avantajları ve

2.3.2. Şirket birleşmelerinin dezavantajları

2.3.2.1. Şirket birleşmelerinin işletme içi dezavantajları

Assim como Bakhtin em relação a estilo, Maingueneau, defendendo um ponto de vista na perspectiva da análise do discurso, também situa o ethos em um quadro geral da teoria enunciativa. Nesse sentido, entende a enunciação como um acontecimento único, condicionada à multiplicidade de suas dimensões sociais e psicológicas e necessariamente presa a uma cena enunciativa48, a cena de produção do enunciado49. Complementando esse quadro, Maingueneau (2001, p. 95) ainda acentua que “toda fala procede de um enunciador encarnado”, pois, “mesmo quando escrito, um texto é sustentado por uma voz – a de um sujeito situado para além texto”. Entram, assim, nos limites desse quadro enunciativo traçado, o enunciador e, no outro polo, o co-enunciador. Este último é visto como foco para onde, grosso modo, converge a orientação do enunciado, uma vez que é necessário mobilizar este mesmo co-enunciador a fim de fazê-lo aderir a certo universo de sentido.

Consideremos que Maingueneau, ao discutir a orientação do enunciado (e, nesse caso, entendamos qualquer enunciado), aponta a necessidade de provocar adesão – e não convencimento – como uma estratégia capaz de mobilizar o ouvinte/leitor. Sendo assim, o ethos, como explicitaremos, está associado a essa condição. Diferentemente, portanto, do enfoque tradicional dominante, Maingueneau tanto dissocia a abordagem do campo restrito da retórica quanto amplia a força da       

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Maingueneau (2001, 2006a, 2006b) entende que a enunciação ocorre em três cenas sobrepostas: a cena englobante (a que atribui um estatuto pragmático ao tipo de discurso a que pertence o enunciado – se poético, religioso ou político, por exemplo – determinando, assim, as coerções e as possibilidades sociocomunicativas daí advindas), a cena genérica (associada ao gênero do discurso particular para cada caso, suas coerções e possibilidades temáticas, estilísticas e estruturais) e a cenografia (associada àquilo com que o ouvinte/leitor se confronta diretamente ao ouvir/ler o enunciado). As duas primeiras cenas definem o quadro cênico, o que permite que a terceira tome forma, uma cena de enunciação instituída pelo próprio discurso. Nessa cenografia discursiva, inserem-se determinados traços definidores do ethos.

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Maingueneau (2001) considera o enunciado em oposição à enunciação, da mesma maneira que o produto se opõe ao ato de produzir. E entende o enunciado como equivalente a discurso: é uma organização para além da frase, é orientado, é uma forma de ação, é interativo, é contextualizado, é assumido por um sujeito, é regido por normas e é considerado no bojo de um interdiscurso.

Nesta pesquisa, optamos, sempre que possível, por enunciado (ou texto) em vez de discurso, enfocando-o tanto no sentido circunscrito por Maingueneau quanto nos parâmetros traçados por Bakhtin. Por outro lado, em determinados momentos, também entendemos discurso, segundo Marcuschi (2008), como aquilo que é produzido por um texto (enunciado) ao se manifestar em alguma instância discursiva. Neste último entendimento, o discurso realiza-se nos textos.

orientação discursiva do enunciado, se considerarmos que a adesão vai se fazer presente, inclusive, nos enunciados ditos retóricos.

Partindo dessa necessidade de adesão a um determinado posicionamento veiculado pelo enunciado, Maingueneau (2005) arrola dois postulados básicos: o primeiro, como já sabemos, é a manifestação do ethos em todo e qualquer enunciado; e o segundo, a diversificação do ethos em função das especificidades dos gêneros discursivos e dos interesses do enunciador.

Maingueneau (2006a, p. 70) ainda ratifica:

Desde que haja enunciação, alguma coisa da ordem do ethos se encontra liberada: por meio de sua fala, um locutor ativa no intérprete a construção de certa representação de si mesmo, colocando em perigo seu domínio sobre sua própria fala; é-lhe necessário, então, tentar controlar, mais ou menos confusamente, o tratamento interpretativo dos signos que ele produz.

Em relação ao primeiro postulado, Maingueneau (2005, p. 72) afirma:

[...] qualquer discurso escrito, mesmo que a negue, possui uma vocalidade específica, que permite relacioná-lo a uma fonte enunciativa, por meio de um tom que indica quem disse: o termo “tom” apresenta a vantagem de valer tanto para o escrito quanto para o oral [...].

Assim, o ethos escapa da esfera exclusiva dos enunciados propriamente denominados persuasivos e passa, então, a ser constituinte de toda e qualquer cena enunciativa. E, nesse caso, a vocalidade implica sempre – em todo e qualquer enunciado e em maior ou em menor grau – a determinação de uma imagem do enunciador, permitindo emergir uma instância subjetiva que exerce o papel de fiador do que é dito sobre o mundo representado. Tal fiador, figura construída pelo ouvinte/leitor a partir de indícios de diversas ordens50, está investido, portanto, de um caráter, gama de traços psicológicos, e de uma corporalidade, gama de traços       

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Esta pesquisa interessa-se, especificamente, por um desses indícios, o estilo. Abordamos a vinculação entre ethos e estilo na próxima seção deste mesmo capítulo.

que remetem para uma compleição, uma maneira de se vestir e de se movimentar no espaço social.

Maingueneau (2001, p. 99) ainda esclarece retomando indiretamente a necessidade da adesão:

O universo de sentido propiciado pelo discurso impõe-se tanto pelo ethos como pelas “idéias” que transmite; na realidade, essas idéias se apresentam por intermédio de uma maneira de dizer que remete a uma

maneira de ser, à participação imaginária em uma experiência vivida.

O ethos é, portanto, “parte constitutiva da cena de enunciação, com o mesmo estatuto que o vocabulário ou os modos de difusão que o enunciado implica por seu modo de existência” (MAINGUENEAU, 2005, p. 75). É também, nesse sentido delimitado por Maingueneau (2001, 2005, 2006a, 2006b), além de mais extensivo, mais encarnado que o apresentado pela retórica greco-latina, uma vez que açambarca o conjunto de representações psicológicas e físicas do fiador.

Maingueneau (2008, p. 29) esclarece:

Apanhado num ethos envolvente e invisível, o co-enunciador faz mais que decifrar conteúdos: ele participa do mundo configurado pela enunciação, ele acede a uma identidade de algum modo encarnada, permitindo ele próprio que um fiador encarne. O poder de persuasão de um discurso deve-se, em parte, ao fato de ele constranger o destinatário a se identificar com o movimento de um corpo, seja ele esquemático ou investido de valores historicamente especificados.

Ampliando mais ainda o enfoque, Maingueneau (2006a) também concebe a constituição do ethos em duas perspectivas: ethos pré-discursivo e ethos discursivo. No que se refere a este último, Maingueneau (2005, 2006a, 2006b) focaliza-o tanto como mostrado (quando o fiador não faz afirmações a seu respeito, mas tão somente se restringe a demonstrar os traços que respondem pela imagem psicológica e corporal arquitetada pelo ouvinte/leitor) quanto como dito (quando o fiador, direta e explicitamente, faz afirmações a seu respeito no texto; ou quando, indireta e implicitamente, recorre a metáforas ou a alusões a outras cenas de fala

estabelecendo comparações com sua própria enunciação). Essas distinções, entretanto, podem se situar em uma fronteira marcada pela perda de nitidez. Por fim, da interação dos diversos fatores tanto pré-discursivos quanto discursivos, resulta o

ethos efetivo, imagem final construída pelo ouvinte/leitor.

No que se refere especificamente ao âmbito do ethos discursivo em enunciados escritos, alvo principal sobre o qual se debruça esta pesquisa, são muitos os índices da vocalidade que podem apoiar o intérprete: escolha de registro da língua, planejamento textual, ritmo, estilo individual... Já no âmbito da oralidade, na comunicação face a face, outros índices, como gestos, postura corporal, olhar, modulação da fala e adornos, associam-se também na determinação da instância subjetiva do fiador. Considerando ambos os casos, vemos que esses índices se situam em muitas esferas: elocutória, vestimental, simbólica, psicológica, sociológica... Em contrapartida, a interpretação dessas pistas nem sempre atende aos supostos interesses do enunciador. De acordo com Maingueneau (2006b), o

ethos visado pode não corresponder ao produzido: a imagem do fiador pode ser,

assim, confundida, adulterada, de forma que, por exemplo, o “sério” passe a ser o “monótono” ou o “simpático” passe a ser o “doutrinador”.

Em relação ao segundo postulado, a natureza diversificada do ethos, Maingueneau (2005) inscreve a imagem do fiador em certa configuração cultural que, necessariamente, implica papéis os mais diversos e sempre em função dos interesses do enunciador, da representação que ele faz do co-enunciador, das convenções do gênero discursivo e das conveniências da cena enunciativa. Nessa amplitude, ao contrário das possibilidades limitadas da tríade phronésis, arétê e

eunóia, segundo previa a retórica greco-latina, descortina-se um campo vasto de

imagens sociais associadas ao fiador e a serviço da adesão ao mundo representado, uma multiplicidade de ethé: da impetuosidade à fragilidade, por exemplo.

Ainda em referência à natureza diversificada do ethos, as múltiplas imagens prévias que podem ser feitas do enunciador (o ethos pré-discursivo) e as diversificadas imagens de si mesmo que ele constrói (o ethos discursivo) em sua enunciação não podem ser inteiramente sui generis. Em relação a isso, Amossy (2005, p.125) esclarece:

Para parecerem legítimas, é preciso que sejam assumidas em uma doxa, isto é, que se indexem em representações partilhadas. É preciso que sejam relacionadas a modelos culturais pregnantes, mesmo se se tratar de modelos contestatórios.

Caímos, assim, no imaginário sociodiscursivo, autenticador das representações do sujeito que circulam em dado grupo social: a dona de casa, a feminista, a intelectual, o chauvinista, o fleumático, o austero, o pacífico, o aterrador, o sentimental, o conservador, o engenhoso... Não devemos esquecer que essa identidade social – voluntária ou involuntária, consciente ou inconsciente – está a serviço da adesão, favorecendo o estatuto e o papel atribuídos ao enunciador na cena enunciativa.

Amossy (2005, p. 125) vê, em todas as representações desse imaginário, uma operação de estereotipagem: “[...] pensar o real por meio de uma representação cultural preexistente, um esquema coletivo cristalizado”. Dessa forma, os ouvintes/leitores julgam e percebem o enunciador de acordo com um protótipo pré-construído pela comunidade de que fazem parte, por ela mesma difundido e no interior da qual ela o rotula. Trata-se, na visão de Maingueneau (2006a), de um estereótipo ligado a mundos éticos. Em contrapartida, esse julgar/perceber dos ouvintes/leitores não remete necessariamente para uma possível estaticidade irremovível dos rótulos do imaginário sociodiscursivo, uma vez que, ainda segundo Amossy (2005), a construção de um determinado ethos discursivo, na dinâmica da cena enunciativa, pode desestabilizar a imagem pré-concebida do ethos pré- discursivo. Cria-se, dessa forma, outro estereótipo, novo em relação ao anterior. Essa circularidade, em um contínuo de representações de imagens do enunciador, move, pois, o jogo da adesão ao mundo representado e legitimado pelo ethos efetivo do fiador.

2.4 ESTILO INDIVIDUAL, ETHOS DISCURSIVO E AUTORIA: INTER-RELAÇÕES