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2. TİCARET ŞİRKETLERİNDE BİRLEŞME VE

2.7. Şirket Birleşme ve Devralmalarının Ekonomik ve

2.7.1. Ekonomik faaliyet alanlarına göre şirket birleşmelerinin

2.7.2.1. Biçimsel birleşmeler

De Araújo, selecionamos um enunciado publicado em 1997: a versão reduzida de uma tese de doutorado e intitulada O lirismo nos quintais pobres: a

poesia de Jorge Fernandes. Nesse enunciado, Araújo traça uma reflexão sobre a

produção literária brasileira da segunda metade da década de 20 do século passado, evidenciando, sobretudo, a poética de autores que, nesses limites temporais, escreveram sob a tensão entre modernismo e regionalismo. Dentre as produções postas em foco, Araújo investiga, de modo mais adentrado, a do poeta Jorge Fernandes, precisamente por ser ela o alvo principal do estudo, o ponto de convergência para o qual se orientam todas as especulações.

Para compor essa panorâmica reflexiva e estabelecer os juízos críticos necessários à consolidação do intento, Araújo (1997) ampara-se, sobretudo, em aportes teóricos da historiografia literária, especialmente no pensamento de Antonio Candido, e constitui, como corpus de análise, poemas de Jorge de Lima, Joaquim Cardozo, Ascenso Ferreira e Jorge Fernandes, poetas nordestinos dos anos 20. No percurso da investigação, Araújo (1997) estabelece confrontos e comparações à procura de diferenças e de identidades que possam nortear o entendimento da efervescente produção poética brasileira do período, mais especificamente da produzida no Nordeste, região periférica em relação aos grandes centros urbanos e, consequentemente, distante de onde, costumamos acreditar, o modernismo se afirmava, ditava valorações e estabelecia um ideário.

Na discussão proposta por Araújo (1997), emerge, de modo claro e incisivo, a imagem do poeta modernista, até mesmo pelo motivo de a construção desse perfil, ancorada na perscrutação da historiografia literária, constituir o cerne da investigação do pesquisador. Para dar sustentação a essa imagem, depreendemos duas asserções que consideramos essenciais: o entendimento de que a produção poética brasileira modernista dos anos 20 do século passado, por ainda não ter assumido um dimensionamento canônico, se encontra em formação, sem, portanto, apresentar uma identidade rigorosamente definida e viabilizadora de juízos discriminativos mais fechados; e o entendimento de que existe uma sintonização no que se refere aos fazeres poéticos dos autores do período referido, não importando se, quanto ao posicionamento geográfico, estejam esses autores no centro ou na periferia do país.

Em relação ao entendimento de que a produção poética brasileira modernista dos anos 20 do século passado se encontra em formação, sem, portanto, apresentar uma identidade rigorosamente definida e viabilizadora de juízos discriminativos mais fechados, Araújo (1997, p. 43) avalia:

[...] não existia ainda no Brasil – como um perene e exemplar conjunto de obras, um “patrimônio” – o cânone moderno nos anos 20, senão a sua formação [...] como uma noção de processo, a partir da qual periferia e centro não parecem tanto uma dicotomia, mas espaços inclusivos de uma experiência coletiva que gerou, naqueles anos históricos, um imagem da realidade multifacetada do país.

Para legibilizar essa compreensão e salvaguardar o perfil modernista de Jorge Fernandes, Araújo (1997) recorre à noção de processo, utilizando-a como ferramenta para entender uma realidade que apresenta duas características consideradas fundamentais: o fato de ser coletiva e composta por vozes não necessariamente situadas, dentro da geografia territorial do país, em um mesmo bloco; e o fato de ser multifacetada, construída, portanto, pelas mais diversas nuanças estéticas e culturais. Nesse sentido, a poética de Jorge Fernandes, segundo Araújo (1997), é, no quadro geral dessa produção literária do período, mais uma possibilidade de constituição do fazer poético tido como modernista, assim

como, ainda no âmbito do Nordeste, a poética de Jorge de Lima, a de Joaquim Cardozo e a de Ascenso Ferreira.

Assim compreendendo, centro e periferia não travam uma relação bifurcada em que, a partir de polo determinado, os arautos pontificam e, em outro polo, os epígonos acompanham, sem identidade própria, exceto a da expressão de um regionalismo preso ao pitoresco local. Nesse séquito processional dos anos 20 do século passado, Jorge Fernandes, portanto, também constitui uma das vozes assinaladoras do processo de formação da poesia modernista brasileira.

Em relação ao entendimento de que existia uma sintonização no que se refere aos fazeres poéticos dos autores do período referido, não importando se, quanto ao posicionamento geográfico, estejam esses autores no centro ou na periferia do país, Araújo (1997, p. 113) esclarece:

Composto de 40 poemas, o livro de Jorge Fernandes responde a um programa modernista: pode-se afirmar que praticamente a metade dos poemas do livro refletem, de forma direta, as questões estéticas levantadas pelo Modernismo no início da década. Questões que diziam respeito à crítica do passadismo (explicitada na Semana de Arte Moderna de 22 e transformada em tensão interna às obras modernistas, na medida em que a dialética entre tradição e inovação passava a ser uma das fontes das próprias obras), e à criação de uma arte da modernização (mais como desejo do que como uma realidade, pois a “consciência moderna” do artista nacional esbarraria em poderosos focos de atraso enraizados na estrutura social).

Além de outros traços associados a um possível projeto modernista da poesia brasileira, o enfoque dado por Araújo (1997) contempla o estilo individual do poeta Jorge Fernandes, o que especialmente nos interessa. Nesse sentido, podemos depreender, sob certo ângulo, que há o afastamento da possibilidade de indefinição estilística individualizada, uma vez que o estilo individual do poeta não foi sufocado por um modismo despersonalizador. Também podemos depreender, sob outro ângulo, que há o afastamento da possibilidade de consolidação de rigorosa individuação estilística, uma vez que o estilo individual do poeta se apresenta, de certo modo, matizado por uma série de escolhas comuns a um grupo determinado

de sua geração. Nesse entrelaçamento, acreditamos que, na investigação de Araújo (1997), a arquitetação do estilo individual de Jorge Fernandes, sob o efeito de escolhas que refletiam o gosto coletivo de certo grupo, é o diferenciador capaz de promover o poeta como um modernista.

Mantendo a mesmo rota de raciocínio, Araújo (1997, p. 114) avalia: “O livro de Jorge Fernandes é bem característico enquanto reflexo e desejo de afirmação relacionados ao programa modernista”. Os poemas publicados em 1927 encaminham-se, portanto, para além da expressão de um regionalismo insulado nas demarcações caracterizadoras da cultura e da paisagem geográfica locais, ainda que mergulhem nelas ou até mesmo que bebam delas boa parte dos temas postos em foco. Também se encaminham para negar a emersão de um poeta isolado, sem comparações com os demais de sua geração. Para ratificar esses juízos, Araújo (1997, p. 195) explicita:

A leitura da produção poética de Jorge Fernandes, relacionada a uma visão geral sobre a poesia que se publicou na década de 20, na região Nordeste e no Brasil como um todo, confirma os traços essenciais apontados por estudos diversos sobre os principais poetas do país, naquela década, e revela-nos o modo como, através de uma poesia de circulação restrita a um pequeno grupo de leitores, afloraram os mesmos elementos que se valorizaram no cânone nacional moderno, de uma forma distinta e original e, por isso mesmo, fundamental para a compreensão do processo de estabelecimento e consolidação de tal cânone.

Em Araújo (1997), arquiteta-se, pois, a imagem do poeta modernista, construída sem atavios bombásticos e sem alfaias deificadoras. À luz da historiografia literária, o perfil do poeta permanece a distância do alarido envaidecedor da grandiosidade. Não traz as marcas definidoras de um contorno extraordinário nem de um potencial de alcances ilimitados. Para Araújo (1997), a imagem do poeta Jorge Fernandes, alicerçada em um lirismo de cor própria, nem é gigante nem é pequena.

3.3 CONCLUSÕES

No discurso da crítica a respeito de Jorge Fernandes, as vozes dos cinco autores apresentados, devidamente reconhecidas pelo lugar social que ocupam e pela repercussão de seus dizeres na comunidade discursiva local leitora, produtora e crítica de poesia, tanto convergem, no que se refere ao posicionamento do poeta em um determinado patamar qualitativo, quanto, simultaneamente, divergem, no que se refere à precisão desse patamar e às justificativas que o sustentam. E não poderia ser diferente, uma vez que essas vozes assumem posicionamentos exotópicos diversos, condicionados pelos lugares sociais que elas ocupam e, em decorrência, pelos filtros de leitura da realidade disponíveis.

Nessa rota de compreensão, entendemos que existe um ponto bifurcado. Em encaminhamento comum entre as vozes, há a arquitetação de um perfil positivo do poeta Jorge Fernandes, sem máculas denunciatórias de comprometimentos negativos e permissoras de embates virulentos na esfera social da crítica literária. Em encaminhamento não tão comum entre as vozes, há a especificação do contorno em que reside o dimensionamento positivo e, consequentemente, as justificações sustentadoras desse mesmo contorno do perfil do poeta. Variando-se, pois, a oscilação do parâmetro medidor e o grau da lente, o julgamento, em essência, não mudou in totum. Alterou-se, entretanto, a nuança, fazendo vislumbrar, em cada um dos casos, um aspecto diferente de um leque que, embora único, é multifacetado.

De um modo ou de outro, o discurso da crítica atribui ao poeta Jorge Fernandes o perfil, tido como positivo, de quem não se irmanou às forças centrípetas regentes da produção poética lírica local, de quem não se deixou conduzir por um gosto dominante e aprisionado aos ditames do passadismo. Nesse entendimento, constrói-se a imagem de um sujeito cujo fazer poético não seguiu os formulários disponíveis no entorno, não obedecendo, portanto, às diretrizes canonizadas pela comunidade discursiva leitora e produtora de poesia na Natal dos anos 20 do século passado. No discurso da crítica, trata-se de um fazer que, quando submetido à análise, revela sempre o diálogo com as forças centrífugas da modernidade do primeiro quartel do século XX. É um fazer ramificado em dois movimentos complementares: é transgressor e, simultaneamente, desmascarador