B. Senusilik Hareketinin Teşekkül Süreci
V. SENUSİ TARİKATINA KATILANLAR
A prática docente está centrada na capacidade do professor em articular os conteúdos apreendidos nas disciplinas específicas do curso com as teorias de ensino e aprendizagem, trabalhadas nas disciplinas de cunho mais pedagógico. O período de estágio vivenciado no projeto de iniciação à docência foi um momento propício para que essa articulação acontecesse, já que os licenciandos vivenciaram situações reais de sua futura profissão docente. Nesse período, os professores em formação inicial tiveram a oportunidade de aprenderem sobre teorias de aprendizagem e vivenciarem, em sala de aula, alguns pressupostos presentes nessas teorias. Com isso puderam problematizar e compreender algumas situações vivenciadas na sala de aula, o que parece ter contribuído para a formação de um professor reflexivo e pesquisador da sua prática.
Um indício de evolução e amadurecimento no papel de professor, proporcionado pela vivência no projeto de iniciação à docência, é relatado por Guilherme, no trecho seguinte:
“Sim, pensar um pouco mais para aproveitar esses momentos de aula melhores. Os experimentos são os melhores momentos que nos dão argumentos para trabalhar, melhor que só teoria, pois os meninos conseguem falar melhor. Passo a pensar mais na turma né, e não só naquele aluno. Minha visão ampliou um pouco porque eu observo o aluno e a cara dele, pra chamar pra participar. Então, abri minha visão para toda a turma e não só pro aluno que ta respondendo. Aqueles que eu não via antes, com as aulas do projeto eu passei a ver”. (Professor Guilherme)
Uma tendência dos professores em geral é de responder uma questão feita por um aluno, se dirigindo apenas a esse aluno, como se a dúvida fosse apenas desse aluno perguntante. Percebemos, no comentário feito por Guilherme, uma atitude diferente e uma ampliação do entendimento sobre o papel do professor. Em seu relato, observamos sua percepção da sala de aula como um espaço social, como o espaço de aprender e ensinar, logo um campo de relações. A sala de aula, como espaço social, representa um campo permanente de construção de saberes a partir de interações e representações. Essas interações incorporam significados pelo discurso dos sujeitos. O trabalho do professor na sala de aula pressupõe um conjunto de relações entre esses sujeitos, saberes e práticas. Ele afirma observar o aluno – “e a cara dele” – nas suas expressões, pois nelas é possível ter uma ideia sobre o entendimento que esse aluno está tendo daquilo que o professor traz para a sala de aula.
Acreditamos que os projetos de iniciação à docência que privilegiam as discussões das teorias de aprendizagem articuladas à prática, estimulam os licenciandos a se desenvolverem como professores a partir da realidade escolar. Nesse espaço de reflexão, discussão e problematização da prática docente, Guilherme buscou repensar seu papel como professor e isso refletiu em suas aulas.
A análise das aulas mostrou melhor desenvolvimento do professor Guilherme, em relação ao discurso dialógico, em sua aula B. Nela os alunos tiveram mais oportunidades para expressarem suas ideias. Isso é um forte indício de que o professor Guilherme passou a entender a sala de aula como um espaço de vivência, de convivência e de relações pedagógicas, espaço constituído pela diversidade e heterogeneidade de ideias, valores e crenças. Durante a entrevista, quando foi pedido para que comparasse episódios semelhantes ocorridos em ambas as aulas (A e B), Guilherme relata:
Na aula A eu quis só saber quem se posicionava pra cada lado, então eu já imaginava que os alunos sabiam a diferença, então era “se aprendeu, aprendeu, se não aprendeu..” então foi mais rápido. Na aula B, mesmo que um aluno respondesse certo, eu buscava outros alunos na tentativa de envolver mais opiniões. Em outras épocas, o aluno que me respondesse corretamente, acabava ali a discussão. (Professor Guilherme)
O entendimento inicial desse licenciando, ao interagir com os alunos, era de que perguntas seriam feitas até o momento em que um aluno fornecesse uma explicação cientificamente aceita. Ao longo das aulas ele foi entendendo que uma resposta adequada não significa que toda a classe compartilhe essa resposta. Ele mostra que percebeu a necessidade de envolver mais alunos, mesmo quando a discussão mostra explicações que estão de acordo com a explicação científica.
Sabemos que a atitude do professor, bem como a forma como ele interage com a classe e como direciona o seu fazer pedagógico está relacionado a suas concepções e crenças. Tais crenças e concepções podem ser repensadas quando há um espaço/tempo para isso. Esse espaço/tempo foi proporcionado pelo projeto “Práticas Motivadoras nas Escolas Públicas”. Guilherme mostra, nesse relato anterior, que a dinâmica do projeto, que englobava discussões e avaliações compartilhadas das aulas, o fez refletir sobre suas ações, auxiliando nesse início de prática como professor.
Fazendo perguntas para os alunos, o professor Guilherme interrompia o diálogo ao surgir a resposta que ele esperava. Após um tempo de vivência no projeto, que lhe proporcionou a experiência de sala de aula como professor, Guilherme percebeu que essa atitude não era a ideal e, então, passou a olhar a sala de aula como um todo, buscando envolver, na discussão, outros alunos que poderiam não estar entendendo o contexto naquele momento, e que poderiam trazer outras contribuições importantes para a discussão.
Buscar mais opiniões, ouvir o que o estudante tem a dizer sobre o que se discute naquele momento, sem constantes avaliações, se trata de momentos de aula interativa e dialógica (MORTIMER e SCOTT, 2002). A iniciação a docência parece ter influenciado no professor Guilherme a reflexão sobre o papel do professor em sala de aula e a ampliação de sua visão sobre a sala de aula.