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İBN SENUSİ’NİN BARKA’YI SEÇME SEBEBİ

B. Senusilik Hareketinin Teşekkül Süreci

III. İBN SENUSİ’NİN BARKA’YI SEÇME SEBEBİ

Vieira (2002) afirma que o aprender a ser professor é um processo complexo que atinge fatores afetivos e cognitivos. A transição de aluno a professor encontra-se marcada pelo reconhecimento crescente de um novo papel institucional, bem como pela interação complexa entre diferentes perspectivas, crenças e práticas distintas e, algumas vezes, por conflitos que geram transformação da identidade profissional.

Para Sadalla (1998, p.34), “as crenças representam uma matriz de pressupostos que dão sentido ao mundo, não sendo, apenas, um mero reflexo da realidade, mas sim vão sendo construídas na experiência, no percurso da interação com os demais integrantes desta realidade”. Nesse mesmo sentido, Silva (2005, p.78) também menciona a questão da experiência em relação às crenças, quando diz que “as crenças seriam um acervo vivo de verdades individuais ou coletivas, na maioria das vezes implícitas, (re)construídas ativamente nas experiências, que guiam a ação do indivíduo e podem influenciar a crença de outros que estejam ou não inseridos na sala de aula”. Os professores em formação possuem um conjunto de crenças e de ideias sobre o ensino e sobre o que significa ser professor, que interiorizaram ao longo da sua trajetória escolar, no papel de alunos. Portanto, em relação a profissionais de outras áreas, os professores se diferenciam por já conhecerem exaustivamente o ambiente em que vão trabalhar: a escola e a sala de aula.

O contato com professores e companheiros pode influenciar, de certa forma, no entendimento e na prática dos futuros professores. Guilherme, na entrevista, quando perguntado sobre o que ele achava sobre sua mudança em relação ao modo de agir em sala de aula, relata sobre a importância do papel do “outro” para a melhoria de sua ação como professor e como isso influenciou para que refletisse sobre suas aulas.

“...aprendi também por observação de outros, pois quando eu dava aula com outros professores foi que eu comecei a utilizar coisas que esses outros professores utilizavam também, que eram interessantes. Eu acho que é um amadurecimento meu como professor de reconhecer isso de onde eu estou acertando ou errando, e o aprendizado com os outros.” (Professor Guilherme)

Como no projeto “Práticas Motivadoras nas Escolas Públicas” os professores em formação inicial davam suas aulas em companhia de outros em uma mesma sala de aula e, nas reuniões semanais, eram feitas avaliações compartilhadas com o grupo participante do projeto, Guilherme cita a influência desses companheiros em seu modo de agir em sala de aula. Em alguns momentos um licenciando citava algo feito pelo seu colega, nas aulas e acabava por avaliar o próprio colega.

Baseado em estudos, como os realizados por Quadros et al (2005), Nóvoa (1997) e Lopes et al (2007), entendemos que o desenvolvimento de concepções sobre ser professor é um processo que ocorre ao longo da vida, por um longo caminho que vai das primeiras experiências escolares, passa pelos mestres que fizeram parte deste percurso e pelo curso de licenciatura. Acreditamos que durante a participação em um projeto de iniciação à docência, os professores apresentaram uma evolução na forma de conceber esse papel do professor. Propiciou-se a cada um conhecer suas próprias concepções e o quanto elas interferiam no desenvolvimento das aulas. Guilherme relata:

“Igual eu sempre falo, estarno projeto no primeiro período foi importante porque eu vi minhas dificuldades cedo, pois se eu entrasse em períodos mais pra frente talvez eu não tivesse tempo pra me preparar no meu caminhar pela licenciatura. O projeto me mostrou que eu queria licenciatura”.

Ao que nos parece, Guilherme não entrou no curso totalmente convicto de que queria ser professor. Ao final dessa última fala ele cita que o projeto foi essencial para definir seu caminho na graduação. Foi nele que o licenciando decidiu pela licenciatura. Felipe vai no mesmo caminho que Guilherme. Ele nos relata que iniciou o curso de bacharelado em Química. Apenas mais tarde optou pela licenciatura, mas sem muita convicção sobre o que realmente queria. Sobre a sua participação no projeto de iniciação a docência esse licenciando afirma:

“...ao final da minha participação no projeto foi que realmente eu falei: Quero ser professor!”

Para que seja realizado satisfatoriamente e tenha cumprido seu papel, o trabalho docente requer que sejam estabelecidos vínculos com a escola, com as pessoas da escola, com instrumentos pedagógicos etc. Esses vínculos são entendidos como o conjunto de relações que o professor estabelece com a escola e com o trabalho docente, e tornam-se dependentes da combinação das características pessoais do professor,

englobando formas de organização e funcionamento da escola, do grupo e do contexto social em que ambos (professor e escola) estão inseridos. Quando essa relação estabelecida entre o professor e a escola não atende as expectativas do professor, este vê dificuldades em desenvolver um bom trabalho. Quando o professor recém formado fica inseguro em relação aos caminhos que pode tomar em sala de aula, a tendência dele é de fazer aquilo que já é feito nas escolas. Como nos diz Lima (2005) ninguém abandona facilmente aquilo que sabe para fazer o que não sabe. Os professores usam a prudência, pois “A prudência é orientada pelo medo de errar, pela responsabilidade de acertar” (LIMA, 2005).

O desencanto pela licenciatura, apresentado por Felipe, parece ter relação com a insatisfação em relação a aquilo que ele poderia fazer em sala de aula ou a uma percepção que ele tinha de que pouca coisa poderia ser feita para melhorar a escola ou o ensino de Química. Ao entrar para a iniciação a docência e experimentar outras formas de ensinar, Felipe começou a receber respostas positivas dos estudantes, o que o fez acreditar que essa “outra” forma de ensino poderia torná-lo um professor melhor do que aqueles que ele teve.

Durante a entrevista, o professor Felipe justifica o seu ingresso em um Programa de Pós-graduação. Essa fala do professor já foi destacada (p. 102) e, nesse momento, vamos retomá-la. A tratar do curso de licenciatura e de pouco ânimo para com o curso e a profissão, o licenciando afirma “eu acho que desistiria e acho eu nem teria feito mestrado”. Essa afirmação é um forte indício de que a iniciação a docência vivenciada por Felipe não só consolidou a sua opção pela licenciatura, como o fez buscar novas possibilidades para a própria atuação em sala de aula.

Com a inserção dos professores Felipe e Guilherme na docência ao longo do curso de graduação e com o acompanhamento propiciado no projeto em que participavam ambos argumentam que consolidaram a opção feita anteriormente e que realmente desejam ser professores. O fato de poderem compartilhar com o grupo aquilo que vivenciaram, de serem avaliados, de poderem modificar suas práticas e de receberem incentivos do grupo foi importante para essa opção que ora fazem.

O projeto de iniciação à docência parece ter criado espaços para que a docência fosse experimentada e amplamente discutida. Com isso contribuiu para a formação inicial, ao explicitar as crenças sobre a docência e propiciar a evolução do entendimento sobre o papel do professor em sala de aula.

7.2 Outras ideias que circularam

Passamos, agora, a descrever alguns comentários feitos pelos entrevistados, mas que não são compartilhados por ambos. Isso significa que cada item (entre os quatro que seguem) é a opinião de um ou de outro professor entrevistado e não de ambos. Ressaltamos que, embora apenas um deles tenha feito referência a esses fatores, não há garantia de que isso não faça parte da formação do outro. A opção em descrevê-las separadamente leva em conta exclusivamente a entrevista.