I. BÖLÜM:
4. MADAGASKAR’IN DÖRDÜNCÜ CUMHURĠYET DÖNEMĠ (2010-2016)
4.4. Dördüncü Cumhuriyet Döneminde Fransa-Madagaskar ĠliĢkileri
Após a análise dos dados de ambas as etapas da pesquisa, etapa global e etapa exaustiva, foi possível constatar alguns dados bastante semelhantes.
Quanto à distribuição anual dos trabalhos foi possível constatar, na análise global, a divisão de dois períodos bastante distintos, marcados pela baixa incidência de trabalhos entre 1978 a 1992 e depois, o considerável aumento de trabalhos no período de 1993 a 2004.
Na análise dos dados da etapa exaustiva foi possível constatar um quadro bastante semelhante. Na década de 70 não houve nenhum trabalho. Na década de
80 apenas três pesquisas realizadas (uma pesquisa em 1980, 1985 e 1986), sendo duas sobre desenvolvimento. Na década de 90 foi possível constatar também um considerável aumento do número de pesquisas, saltando para 11 pesquisas realizadas (uma pesquisa em 1990 e 1993, quatro em 1994, duas em 1995 e três em 1996).
Importante destacar que na análise exaustiva, os anos que mais chamam a atenção em decorrência do aumento de número de trabalhos são os mesmos que foram apontados na análise global. Ou seja, o ano de 1994 foi ano que marcou o aumento do número de trabalhos, saltando de seis para treze. Na análise exaustiva percebe-se este mesmo fato, quando observamos que de 1990 a 1993 foram realizados apenas dois trabalhos e em 1994 saltamos para quatro pesquisas, ou seja, em um ano foi realizado o dobro do número de pesquisas. Também foi possível observar o mesmo fato no ano de 2001, com a realização de cinco trabalhos.
Também podemos concluir que na década de 90 foram produzidas proporcionalmente menos pesquisas em relação aos anos de 2000 a 2004. Afinal, em toda a década de 90 foram produzidos onze trabalhos, enquanto que em quatro anos foram produzidos nove, confirmando a constatação de um crescente aumento nas pesquisas sobre criança/infância.
Rocha (1999) demonstra por meio dos dados encontrados na análise dos trabalhos apresentados na ANPEd que, de 1990 a 1996, o número de trabalhos que investigam a educação infantil esteve cada vez mais crescente. Apesar de não termos o termo “educação infantil” como descritor deste trabalho, entendemos que o aumento do número de trabalhos sobre educação infantil está relacionado a um maior interesse nas pesquisas sobre criança/infância.
Warde (1992) também aponta em seu levantamento o crescimento contínuo dos trabalhos sobre a pré-escola, destacando também que é como grau de ensino que a pré-escola ganha destaque, mas afirma que é provável que ao longo da década de 90, a pré-escola venha a passar por processo semelhante ao ocorrido com os outros graus da escola básica, que tenderam a não ser eles mesmos objetos de estudo e, sim, suas questões internas.
Assim, os dados encontrados pelas duas autoras confirmam os dados adquiridos nesta dissertação de mestrado, tanto em relação à análise global quanto na análise exaustiva.
No entanto, apesar do aumento do número de estudos na área da infância, Rocha (1999) chama a atenção para o fato de que apesar da quantidade de pesquisas nesta área estar aumentando, a identificação de lacunas e de perspectivas da pesquisa na área continua sendo uma necessidade (1999:80). A autora também chama a atenção para a dificuldade de delinear a trajetória da pesquisa na área, suas perspectivas metodológicas, suas possibilidades e limites (1999: 80).
Sobre os programas em que os trabalhos foram realizados, também constatamos um quadro muito semelhante. Na pesquisa global, foi constatada uma predominância dos programas de Psicologia, com apenas dois trabalhos não vinculados a este programa, mas ao de Educação: Currículo.
Analisando os referenciais teóricos, também foi constatada a maior incidência de trabalhos com referenciais teóricos da psicologia, confirmando o que foi apontado na análise global desta pesquisa. Apesar de termos verificado uma grande variedade de referenciais teóricos, os cinco autores com maior incidência pertencem à Psicologia.
Apesar de estarmos pesquisando os trabalhos produzidos sobre a criança/infância de forma mais genérica, considero importante o fato da psicologia apresentar uma predominância nestes trabalhos selecionados e mais do que isso, da baixa incidência de trabalhos realizados nos programas de educação.
Esta tendência já era apontada por Orlandi (1969) que chamava a atenção para a grande quantidade de trabalhos com temas ligados à psicologia, apoiando-se em pesquisa realizada por Dinah de Souza Campos, em 1956, em que 48% dos trabalhos se referiam a temas ligados à psicologia, como teste de inteligência, teste de personalidade e psicologia educacional.
Na tentativa de explicitar a incidência de trabalhos na psicologia, Orlandi (1969) apresentava como hipótese o fato “de que para livrar-se de um vago teoricismo e para emancipar-se de um praticismo tradicional, a consciência pedagógica deixa-se levar por uma flutuação psicológica, sociológica, econômica, ou ainda político-administrativa”.
Em estudo bem mais recente, Bueno (2006) realizou levantamento bibliográfico das teses e dissertações brasileiras, nos Programas de Pós Graduação em Educação, com o objetivo de analisar “quais são os ‘alunos’ que a nossa produção científica recente tem construído como objeto de investigação”.
Assim, o autor também constata a grande incidência de trabalhos que apresentam como referencial teórico a Psicologia (60% dos trabalhos), chamando a atenção para a “força da psicologia no campo da pesquisa educacional”, dado muito próximo daqueles encontrados em outro trabalho desenvolvido pelo mesmo autor, em colaboração com Marin e Sampaio (2005). Neste trabalho, sobre a produção de dissertações e teses sobre a escola defendidas nos programas brasileiros de Pós Graduação em Educação observa-se que 50% do total dos trabalhos tinham como base teórica o campo da Psicologia.
Mais do que uma ênfase na psicologia, parece que essa produção se caracteriza por uma “dupla importação: de outras culturas e de outras ciências”. (Gatti, 1983), bem como “a inexistência de esquemas teóricos interpretativos consistentes sobre a natureza de seu objeto de estudo – a educação – leva à adoção de modelos emprestados à psicologia, à sociologia, etc, modelos estes que em geral também produzidos por outras culturas” (Gatti, 1983: 04).
Neste mesmo sentido, Warde (1990: 69) afirma sobre a “dificuldade de construir a pesquisa em educação, dada a dificuldade de construir a educação como objeto de conhecimento, com isso a pesquisa educacional é menos discutida do ponto de vista epistemológico”.
Foi possível perceber que a psicologia continua exercendo um papel quase exclusivo no estudo da infância, no entanto apesar de existirem estudos mais recentes que se utilizam de uma perspectiva sociológica, é possível afirmar que estas novas correntes ainda não estão presentes nos estudos sobre a criança/infância na educação.
Sobre o número de teses e dissertações realizadas, encontramos um total de 17 dissertações e de 06 teses, confirmando os dados encontrados na análise global. Como foi demonstrado anteriormente, não seria possível encontrarmos teses concluídas antes do ano de 1981, já que o primeiro programa de doutorado da PUC- SP começou a funcionar em 1977.
No entanto, não houve nenhuma tese defendida na década de 80 com o tema criança/infância, enquanto que na década de 90 foram defendidas duas e 09 dissertações, e de 2000 a 2004 foram defendidas três teses e seis dissertações. Constata-se então, um crescimento, mesmo que discreto, tanto no número de teses quanto no de dissertações, comprovando mais uma vez os dados da análise global.
Rocha (1999) constata também um maior número de dissertações em relação às teses na sua pesquisa intitulada “A pesquisa em educação infantil no Brasil: trajetória recente e perspectivas de consolidação de uma pedagogia”. Neste caso, a autora afirma que um possível motivo para este maior número de dissertações é o fato dos pesquisadores da área se encontrarem em início de carreira, no entanto, mesmo considerando que houve um considerável aumento do número de trabalhos de doutorado na década de 90, parece infirmar a sua primeira afirmação pois, se o primeiro doutorado da PUC-SP foi criado em 77, não seria possível que a quantidade de pesquisas de doutoramento aumentasse antes da década de 90, independente da área em questão.
Sobre os orientadores, os dados colhidos na análise global se confirmam na análise exaustiva, ou seja, constatamos uma concentração em uns poucos orientadores e uma grande dispersão nos demais.
Na análise global, constatamos um total de 93 orientadores, sendo que apenas 10, ou seja, 10,75%, orientaram de quatro a onze pesquisas. Assim, 10 acadêmicos participaram de 44,44% das pesquisas, enquanto que os outros 55,56% das pesquisas foram orientadas por 83 (89,25%) pesquisadores.
Na análise exaustiva, constatamos um total de 17 orientadores, ou seja, praticamente um orientador por trabalho, sendo que um deles orientou 5 pesquisas, outro orientador apenas duas pesquisas e todos os demais (15) apenas uma, o que mostra uma concentração por um lado e uma extrema dispersão, por outro.
Além disso, pudemos constatar que a orientadora que apresentou maior número de trabalhos orientados na análise global (envolvendo as 143 produções) não teve participação em nenhum trabalho da análise exaustiva. Mais que isto, dos 10 orientadores que apresentaram maior incidência de trabalhos produzidos na área da criança e infância, apenas quatro orientaram trabalhos analisados na etapa exaustiva.
Podemos confirmar estes dados na pesquisa realizada por Bueno, Marin e Sampaio (2005). Os autores constatam uma concentração de alguns orientadores no tema estudado, verificando que 232 acadêmicos foram responsáveis por 60% da produção. No entanto, os outros 40% da produção foram acompanhados por 746 acadêmicos, ou seja, cada um orientou de um a quatro trabalhos.
Embora Warde (1992) chame a atenção de que parecia haver uma tendência a uma certa concentração em torno de linhas de pesquisa mais concentradas, que
poderiam redundar em processos de maior acúmulo de orientadores sobre determinadas temáticas, métodos e referências teóricas. No que tange ao tema em estudo, a dispersão dos orientadores permanece.
Quanto aos temas específicos, constatamos a predominância de temas voltados para estudos da psicologia. Apenas o tema “Infância e processos de escolarização” está voltado para a educação; os demais temas das pesquisas estão todos ligados à psicologia.
Rocha (2001) apresenta em seu levantamento que as pesquisas sobre o desenvolvimento infantil sofreram uma mudança no final dos anos 80. Até então, estas pesquisas eram baseadas nas pesquisas européias ou americanas, brancas e de classe média, ou seja, determinou-se um modelo padrão de criança, independente dos contextos familiar, socioeconômico e cultural (2001:10).
Após o final dos anos 80, as pesquisas sobre o desenvolvimento, passam a estar associadas com a Educação e a Psicologia, e o desenvolvimento infantil passa a ser visto a partir do contexto em que ele ocorre e das relações que o permeiam e não mais como uma questão individual (2001:10).
Foi possível constatar nesta pesquisa a afirmação acima, afinal todos os trabalhos sobre o desenvolvimento infantil foram realizados no programa de Psicologia da Educação, programa este que apresenta um vínculo em ambas as áreas.
Fazendo uma comparação entre os temas específicos trabalhados na análise exaustiva e os temas gerais na análise global, encontramos um dado bastante diferente. Sobre os temas gerais, a maior produção encontrada foi sobre trabalhos de prática/ intervenção/proposta. No entanto, com os temas específicos constatamos uma produção bastante equilibrada sobre os seguintes temas: cognição/desenvolvimento/pensamento infantil, problemas/distúrbios na infância, infância e processos de escolarização e interação social.
Warde (1992), em sua pesquisa sobre a produção discente nos programas de pós-graduação no Brasil (1982 a 1991), chama a atenção para o grande número de pesquisas sobre a pré-escola, sendo que a principal ênfase foi dada nas questões pedagógicas.
A autora aponta para o vertiginoso aumento do número de trabalhos sobre o desenvolvimento (cognitivo e afetivo) de crianças e adolescentes, com um aumento de 143% no decorrer dos nove anos de pesquisa.
Mas, a autora também aponta que o tema que mais se destacou na associação dos temas psicologia e da pré-escola, foi o desenvolvimento infantil da criança e do adolescente com 12,6% da produção.
Quanto aos temas das pesquisas analisados por Rocha (1999), percebemos uma divisão anterior e posterior aos anos 90. Assim, a autora afirma que antes dos anos 90, as pesquisas estavam mais voltadas para temas como a definição do caráter educativo da creche e da pré-escola, estudos históricos, (...), porém o interior das instituições era pouco investigado (1999:87). E após os anos 90, percebe-se uma mudança nos principais temas, ou seja, os aspectos isolados são deixados um pouco de lado e começa-se a dar maior prioridade a temas como desenvolvimento- aprendizagem, interação social, linguagem e a mediação entre sujeitos sociais.
Os dados encontrados neste levantamento caminham na mesma direção dos dados apontados por Rocha (1999) e por Warde (1992), afinal o tema que apresentou maior número de trabalhos realizados na análise global foi sobre o desenvolvimento e/ou aprendizagem. Quanto aos dados apresentados por Rocha (1999) temos que chamar a atenção para o fato de que esta dissertação teve como objetivo realizar um levantamento bibliográfico genérico, não voltado apenas para a educação infantil, constatando outros temas além dos apresentados pela autora, com uma produção bastante equilibrada entre os diferentes temas.
Ainda sobre os temas das dissertações e teses, Warde (1992) chama a atenção para o fato de sua pesquisa realizada nos anos 90 ter confirmado mais uma vez a dispersão e variação presente na pesquisa realizada em 1980. Mas, ainda hoje, com os dados adquiridos nesta pesquisa, podemos constatar que a dispersão e a variação temática ainda são características muito marcantes, tanto na pesquisa em educação, quanto na área da infância.
Quanto ao campo empírico de pesquisa, constatamos que o local mais utilizado para a realização de pesquisas com criança foi a escola, o que chama a atenção para o fato da criança ser vista primeiro na perspectiva de aluno, principalmente os alunos de escola pública.
Copit e Patto (1979) chamam a atenção para o problema da realização de pesquisas em ambientes isolados do contexto de vida das crianças. As autoras alertam que estas pesquisas podem provocar falsas conclusões devido a ambientes artificiais e muito discrepantes de suas condições naturais de vida.
Quanto à metodologia de pesquisa, constatamos dados interessantes que se assemelham aos da pesquisa de Warde (1992). Se dividirmos o período da pesquisa em três, ou seja, o primeiro abrangendo a década de 80, o segundo, a década de 90 e o terceiro, a década de 2000, teremos o seguinte quadro: na década de 80 foram realizados três trabalhos, sendo que cada pesquisa apresentava uma metodologia diferente, sendo uma qualitativo–quantitativa, uma de tipo exploratório e uma experimental. Na década de 90, todos os 11 trabalhos utilizaram uma metodologia qualitativa, abrangendo estudo de caso, história oral e naturalística. E no último período continuamos com uma predominância de pesquisas qualitativas, sendo que das sete, apenas duas não são.
Assim, observamos um aumento vertiginoso de pesquisas qualitativas na década de 90, saindo de um trabalho na década de 80 para 11 na referida década, e a manutenção deste tipo de pesquisa na década seguinte.
No entanto, não constatamos, nesta pesquisa de mestrado, uma predominância de pesquisas do tipo exploratórias como Warde (1992) constata na sua.
Na pesquisa realizada por Bueno, Marin e Sampaio (2005), os autores apresentam que os tipos de pesquisa com maior incidência foram os estudos de caso (278) e a pesquisa qualitativa (204) e também apontam a baixa incidência da pesquisa exploratória (74).
Desta forma, entendo que os dados desta pesquisa mostram semelhança com os resultados das duas pesquisas, afinal constatamos não apenas a alta incidência de trabalhos qualitativos como também o grande aumento na década de 90. E com relação à pesquisa de Bueno, Marin e Sampaio (2005), constatamos a baixa incidência de pesquisas exploratórias e reafirmamos a alta incidência de pesquisas qualitativas.
Quanto aos procedimentos de pesquisa, o que apresentou maior incidência foi a entrevista, com 43,47% e a observação com 30,43%. A pesquisa realizada por Bueno, Marin e Sampaio (2005) confirma os dados desta dissertação. Os autores indicam que os procedimentos com maior incidência foram as entrevistas, seguidas pela observação.
Mello (1983: 68), em sua pesquisa sobre a pesquisa educacional no Brasil, afirma:
Volúvel tematicamente e enviesada metodologicamente, a pesquisa educacional tem se mostrado incapaz de contribuir de modo efetivo para uma real transformação da nossa educação, e conseqüentemente, da realidade social com a qual essa educação interage. Entre as causas mais próximas dessa situação têm sido apontados o modismo, o academicismo dos que fazem pesquisas, e o descompromisso do pesquisador com as questões sociais e políticas.
Após a análise dos dados deste levantamento bibliográfico sobre a criança e a infância, podemos concluir afirmando que a citação acima sobre a situação da pesquisa educacional pode ser pensada também em relação à situação da pesquisa sobre a infância e a criança. Arrisco-me a afirmar que a pesquisa sobre a criança e infância e educação apresentam caminhos muito semelhantes.