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I. BÖLÜM:

1.3. KarĢılıklı Kalkınma Yardımı

A baixa incidência de trabalhos sobre criança e infância nas décadas de 70, 80 e início de 90 parece acompanhar os achados de outros balanços, como o da “Bibliografia Seletiva e Novas Tecnologias de Comunicação sobre Violência

Doméstica contra Crianças e Adolescentes (VDCA) no Brasil (1973 a 2005)”, realizado pelo Laboratório de Estudos da Criança (LACRI), que foi fruto de balanço dos trabalhos mais significativos, cobrindo o período de 1973 a janeiro de 2005, e que verificou que, dos 420 trabalhos selecionados, apenas 25 foram realizados nas décadas de 70 e 80, com crescimento vertiginoso a partir década de 1990.

O aumento da incidência a partir de meados da década de 1990 deve ter alguma relação com as legislações decorrentes da Constituição Federal de 1988, como o Estatuto da Criança e do Adolescente e da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, bem como das Declarações Internacionais como as de Jomtien e Salamanca.

Com relação ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), implantado em 1990, percebe-se claramente que acompanhando tal documento, houve aumento no número de trabalhos sobre a infância, ou seja, até 1993 o total da produção sobre criança era de 32 trabalhos, saltando para 146 de 1994 a 2004.

Apesar do considerável aumento no número de pesquisas após 1993 e considerarmos como um dos motivos a legislação pelos direitos e deveres da criança e do adolescente, Campos (2005) afirma que talvez seja cedo para avaliarmos os efeitos nas políticas de educação infantil das mudanças legais e institucionais ocorridas a partir de 1988 e, principalmente a partir da LDB e da Emenda 14 do final de 1996.

Quanto à distribuição das teses/dissertações nos programas, é fácil perceber a predominância de trabalhos sobre a infância e a criança nos programas de Psicologia. É importante explicitar que a análise realizada aqui não diz respeito à base teórica utilizada, mas apenas ao Programa de Pós–Graduação em que o aluno desenvolveu sua dissertação / tese. A base teórica utilizada para a realização dos trabalhos será analisada mais adiante nas discussões exaustivas do trabalho.

Constata-se, através dados adquiridos neste levantamento, a afirmação de Pino (2005), pois como está demonstrado nas tabelas é fácil perceber que o número de trabalhos sobre a criança, em todas as áreas, inclusive na psicologia, apresenta um significativo aumento em meados da década de 90, considerando que em todos os programas foram realizados 34 trabalhos até o ano de 1993, e que de 1994 a 2004 o número de trabalhos subiu para 146. Somente nos programas de psicologia também houve um aumento significativo, indo de 18 trabalhos até 1993 para 82 trabalhos de 1994 a 2004.

Uma outra questão interessante a ser observada é o número de trabalhos interessados em estudar aspectos do desenvolvimento das crianças, ou seja, por meio do balanço bibliográfico realizado, foi possível constatar que dos 46 trabalhos inseridos na categoria foco na criança, 16 estudaram questões ligadas ao desenvolvimento, enquanto que o restante dos trabalhos do grupo está dividido nas seguintes categorias: trabalho infantil, leitura e escrita, estudos teóricos, condições sociais e escolarização.

O alto número de trabalhos sobre o desenvolvimento infantil vai ao encontro dos dados analisados por Rocha (1999), afinal a autora também afirma que os trabalhos sobre o desenvolvimento infantil merecem um destaque especial, uma vez que representaram 25% do total de trabalhos analisados.

Quando observamos os programas de educação (Educação: história, sociedade, política e Educação e currículo) constatamos uma baixa incidência de trabalhos sobre a criança e a infância. No entanto, quando analisamos os dados do programa de Psicologia da Educação encontramos uma alta incidência de trabalhos realizados sobre a infância e a criança, mais especificamente trabalhos sobre o desenvolvimento e/ou aprendizagem. Mas, ainda assim, se somarmos o percentual destes programas, o número de trabalhos realizados pelos programas de psicologia será maior.

Quanto à variedade de temas encontrados no levantamento, Rocha (1999) afirma em sua pesquisa que a característica mais marcante encontrada na análise dos trabalhos apresentados nos GTs da ANPEd foi a grande diversificação dos temas pesquisados.

Sobre a predominância dos temas, Warde (1991) constata no balanço realizado na década de 90, abrangendo o período de 1982 a 1991 a predominância de trabalhos abordando questões pedagógicas e também chama a atenção para o baixo índice de estudos teóricos.

Diferente do que constataram Gouveia (1971) e Warde (1991), Campos e Haddad (1992) chamam a atenção para a predominância de estudos na década de 70 sobre a criança em idade escolar e não sobre questões pedagógicas.

Copit e Patto (1979) apontam dados semelhantes aos constatados por Campos e Haddad (1992): as autoras chamam a atenção que a partir do início da década de 70 começa a se destacar a variável do nível sócio econômico das

crianças, surgindo dentro deste contexto conceitos de “marginalização cultural”, “deficiência” e “carência cultural”.

Com relação aos dados adquiridos neste trabalho, tendemos a concordar com Warde (1991) quanto à predominância de trabalhos com enfoque em questões pedagógicas, somando 39,88% quando agregado a temas semelhantes, pois se formos considerar apenas os estudos que abordaram questões pedagógicas, teremos 40 trabalhos ou 22,47% da produção pesquisada.

Sobre os estudos teóricos, encontramos um quadro semelhante ao apontado por Warde (1991), pois temos um baixo índice de trabalhos desta natureza, sendo apenas 11 trabalhos ou 6,17 % da produção pesquisada. Considero importante esclarecer que destes 11 trabalhos, sete discutem questões diretamente relacionadas à criança e/ou à infância. Cabe ressaltar que apesar dos estudos teóricos terem apresentados um baixo índice, os trabalhos referentes às condições sociais da criança foi o que teve a menor produção, com apenas 5,62%.

Outro dado encontrado é quanto ao número relevante de trabalhos sobre intervenção clínica com crianças. Este grupo, que não se agregou a nenhum outro, possui 15,73% da produção, ou seja, mais trabalhos do que se somarmos os índices de trabalhos sobre as condições sociais e estudos teóricos, comprovando mais uma vez o baixo índice de trabalhos de estudo teóricos e também chamando a atenção para o baixo número de estudos que abordam questões sobre as condições sociais das crianças e adolescentes.

Analisando a Tabela 5 (páginas 12 e 13) é possível perceber de 1978 a 1992 uma pequena produção em todas as categorias, sendo que a categoria que apresentou maior produção, Prática/Intervenção/Proposta, realizou 10 teses/dissertações, e as categorias, que menos produziram foram Teoria de ensino e Políticas Públicas, que desenvolveram uma produção cada. Esta constatação nos leva a concordar mais uma vez com Gouveia (1971:2) quando afirma que apesar das oscilações constatadas, nenhum dos temas assinalados estava completamente ausente.

Quando observamos a tabela nos anos de 1993 a 2004, também é possível perceber uma oscilação entre as categorias, mas um outro fato chama atenção, o possível modismo com relação às mesmas.

Podemos destacar este modismo em algumas categorias, como prática/intervenção/proposta, foco na criança e políticas públicas. Quanto aos

trabalhos com foco na criança a produção há um aumento significativo no ano de 1994, indo de um trabalho no ano de 1993 para seis trabalhos e mantendo, de 1995 em diante, uma média de três trabalhos por ano. Quanto a políticas públicas percebemos este mesmo aumento no ano de 1995, saindo de apenas uma produção no ano de 1994, cinco trabalhos em 1995 e mantendo de 1996 em diante uma média de 3 trabalhos por ano, sendo que em 1999 não houve nenhum trabalho.

O ano de 2001 é o que chama maior atenção, pois das cinco categorias, apenas duas (políticas públicas e teorias de ensino) não aumentaram o número de trabalhos em relação aos anos anteriores. As categorias prática/intervenção/proposta, família e foco na criança apresentaram a maior quantidade de trabalhos em relação a todo o período analisado.

Sobre as pesquisas em educação, Mello (1983:63) apresenta uma discussão sobre os modelos teóricos utilizados pela educação. Assim, a autora afirma que “a dificuldade em elaborar modelos teóricos que articulem as muitas dimensões constituintes da totalidade da educação determinou que ela se reduzisse, ou ao atacado com o sociologismo e o economicismo, ou ao varejo, com o psicologismo, o tecnicismo e o psicopedagogismo”.

Ainda sobre a complexidade da educação, a autora acrescenta que a educação necessita de modelos teóricos “que dêem conta da complexidade concreta do nosso fenômeno e que nos permitam tomar como único bloco de problemas tanto as condições sociais que determinam o acesso, a permanência e a exclusão nas instituições educacionais, como os mecanismos internos pelos quais esse acesso, permanência e exclusão se concretizam”.

Warde (1990:69) também apresenta uma discussão sobre a dependência da educação em relação a outras áreas afirmando a “dificuldade de construir pesquisa em educação, dada a dificuldade de construir a educação como objeto de conhecimento”.

Desta forma, a autora tende a afirmar que é em decorrência desta dificuldade que a educação encontra problemas em entender seu papel, em estabelecer e construir seu modelo teórico; ela passa a necessitar de outros modelos e de outras teorias e para se consolidar.