• Sonuç bulunamadı

3. DENİZYOLU TAŞIMACILIĞINDA BELGE VE MUHASEBE DÜZENİ

3.7. Finansal Tabloların Denetimi ve Döngü Yaklaşımı

3.7.2. Satış ve Tahsilat Döngüsü

Um dos principais motivos que me conduziu a uma investigação científica sobre o problema que enfrentávamos na ONG Guri na Roça foi acreditar que o conhecimento resultante de tal pesquisa pudesse ser construído junto com os seus participantes, e que todos os envolvidos no processo se beneficiassem de tal conhecimento.

Sendo assim, optei por um tipo de procedimento metodológico que envolvesse os participantes de maneira crítica e que criasse condições para analisar problemas sociais revelados na e pela linguagem. Para desenvolver esse tipo de pesquisa, Thiollent (2008, p. 16) propõe a pesquisa-ação, definida como:

um tipo de pesquisa social com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com uma resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo.

Segundo o autor, o objeto a ser investigado é um problema perceptível na sociedade e requer mais do que uma análise teórica de suas peculiaridades. É algo que precisa ser analisado para que haja uma intervenção apropriada. A pesquisa-ação, ainda como vista por Thiollent (2008), espera que o pesquisador e participantes assumam um papel ativo nessa intervenção.

Dionne (2007, p. 35) enxerga a pesquisa-ação como sendo uma metodologia de pesquisa, pois “permite que se adquiram conhecimentos novos” e, também, uma metodologia de ação, por pretender alcançar mudanças. Ainda, assim como Thiollent, caracteriza-a como um processo coletivo:

A pesquisa-ação é principalmente uma modalidade de intervenção coletiva, inspirada nas técnicas de tomada de decisão, que associa atores e pesquisadores em procedimentos conjuntos de ação com vista a melhorar uma situação precisa, avaliada com base em conhecimentos sistemáticos de

________METODOLOGIA DE PESQUISA________

seu estado inicial e apreciada com base em uma formulação compartilhada de objetivos de mudança (DIONNE, 2007, p.68).

O que fica demarcado em ambas as definições é que a pesquisa-ação compreende a participação dos indivíduos envolvidos no problema social sendo investigado. Esse procedimento metodológico diferencia a pesquisa-ação de algumas metodologias em que o pesquisador, sem mesmo conhecer os indivíduos envolvidos na pesquisa e sem ao menos considerar suas perspectivas em relação ao problema vivenciado, propõe mudanças como se fosse o único detentor do conhecimento.

Diante de discussões sobre pesquisa-ação (cf. PIMENTA, 2005; BARBIER, 2007; DIONNE, 2007; THIOLLENT, 2008), percebemos que o pesquisador é um participante engajado na situação problemática para a qual se procura uma solução ou compreensão. Seu papel intervencionista, colaborativo e investigativo é desempenhado com o olhar de quem está dentro do contexto de produção. Sua percepção do problema, com isso, é bem próxima daquela formada pelo grupo social que participa da pesquisa.

De acordo com Dionne (2007, p. 75) o hífen em pesquisa-ação reforça a estreita relação entre pesquisador e atores, neste caso participantes, e esse vínculo se baseia na concepção de pesquisa como técnica19 de ação. Ainda segundo o autor, esse tipo de pesquisa ao mesmo tempo em que se preocupa com uma ação intervencionista na situação que se tornou problemática, também tem a tarefa de desenvolver conhecimentos. Idealmente, o conhecimento que se desenvolve na pesquisa-ação não é monopolizado e restrito à comunidade acadêmica, mas visa essencialmente a fortalecer a ação intervencionista.

A pesquisa aqui apresentada, tendo como foco principal a análise do processo de formação do professor-pesquisador20, poderia tornar-se autocentrada e individualista preocupando-se apenas com o desenvolvimento do educador relegando aos alunos o mero papel de coadjuvantes. Caso isso ocorresse, a metodologia tal como aqui definida se tornaria inviável, pois de acordo com Thiollent (2008, p. 19) com a pesquisa-ação “pretende-se aumentar o conhecimento dos pesquisadores e o conhecimento ou o “nível de consciência” das pessoas e grupos considerados”. Por isso, mesmo em momentos em que a construção de

19Cumpre ressaltar, que nesta pesquisa, consideramos pesquisa-ação como mais do que um conjunto de técnicas

desenvolvidas entre participantes com diferentes graus de colaboração. Vemos isso mais claramente na discussão que se segue.

20 Considero importante, neste momento, esclarecer os pronomes que utilizo para referir a mim mesmo. Em

momentos da dissertação utilizo a primeira pessoa do singular e em outros uso a primeira do plural, como feito em grande parte das pesquisas. O que vale ressaltar aqui, é que em alguns momentos utilizo a terceira pessoal do singular (o professor-pesquisador percebe..., o professor procura...). Pelo fato de realizar uma pesquisa na qual preciso olhar para mim mesmo, usar a terceira pessoa do singular permitiu que eu tivesse um maior distanciamento da situação analisada e pudesse descrevê-la de maneira mais objetiva.

________METODOLOGIA DE PESQUISA________

conhecimento durante a elaboração desta pesquisa pareça estar mais voltada para a formação do professor, vale lembrar que o problema que os participantes (professor e alunos) enfrentavam só poderia ter determinado encaminhamento, caso as práticas do educador fossem transformadas. Dessa forma, o envolvimento do professor-pesquisador com atividades e teorias científicas, além de colaborar para sua transformação pessoal, pôde ocasionar criação de espaços na ONG, qualitativamente melhores, para a construção de conhecimento com seus alunos.

Nessa perspectiva, percebemos que temos uma pesquisa-ação multifacetada na construção de conhecimento. Por uma faceta vemos a construção de conhecimento voltada para a formação do professor, envolvendo momentos de pesquisa praticamente invisíveis aos olhos dos alunos participantes. São os momentos em que o professor-pesquisador cursa as disciplinas do programa de mestrado, investiga na biblioteca maneiras de elaborar materiais didáticos, recebe orientação de sua orientadora, discute com o seu grupo de pesquisa possíveis maneiras de conhecer melhor as necessidades dos alunos, realiza leituras, etc. Por outra faceta, vemos o professor-pesquisador construindo conhecimento junto com seus alunos no período de elaboração do material didático. Durante a aplicação do mesmo, os alunos têm voz para expressar suas críticas e opiniões e podem contribuir para elaboração de outras unidades. Dessa forma, os alunos têm a possibilidade de se desenvolver desde o momento em que opinam ativamente na elaboração do material, até o momento em que o mesmo é utilizado em sala.

Diante do exposto, percebemos também uma pesquisa-ação em que a construção de conhecimento ocorre com uma ação intervencionista de diferentes graus. Em um primeiro instante, professor-pesquisador e alunos se inter-relacionam e sofrem transformações durante o processo de elaboração e utilização do material. Em um segundo momento, após a utilização do material coletivamente elaborado, o professor-pesquisador individualmente, ao analisar os dados coletados durante o processo, tem a oportunidade de olhar, retrospectivamente, suas práticas e sobre elas refletir. Nesse momento, as ações intervencionistas voltam-se para o professor-pesquisador, não de forma direta e natural, mas no sentido de que o processo de análise de suas práticas dá a ele a possibilidade de reflexões que lhe permitem engatilhar transformações subjetivas.

Portanto, vale ressaltar que a pesquisa-ação aqui descrita, visando à construção de conhecimento e a medidas intervencionistas, só se torna possível com o engajamento do pesquisador na situação investigada e com a colaboração de outros indivíduos, pois é na

________METODOLOGIA DE PESQUISA________

interação com o outro que a transformação ocorre. Dessa forma, a pesquisa-ação que aqui defendo é a Pesquisa-Ação-Colaborativa.