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2.1. Cumhuriyetin İlk Yıllarında Türk Ekonomisi

2.1.2. Ekonomik Buhrandan İkinci Dünya Savaşı’na Ekonomi (1929-1939)

2.1.2.2.3. Sanayi Sektörü

Para Freud (1927/1974, p. 50-1), a religião, na forma de uma constituinte cultural, não impediu que a maior parte da humanidade fosse infeliz em sua civilização. Ele julgava que existiam provas convincentes de que os homens mais religiosos não tinham sido nada mais felizes em séculos anteriores. De fato, ela

dominou a sociedade humana por milhares de anos e teve tempo para demonstrar o que pode alcançar. Se houvesse conseguido tornar feliz a maioria da humanidade, confortá-la, reconciliá-la com a vida, e transformá- la em veículo de civilização, ninguém sonharia em alterar as condições existentes. (...) é duvidoso que os homens tenham sido em geral mais felizes na época em que as doutrinas religiosas dispunham de uma influência irrestrita; mais morais certamente não foram.

Tendo em vista os grandes movimentos opressivos da humanidade – a Idade Média representa o seu auge - baseados nas pulsões dos seus executores, suas ações na relação moralidade/imoralidade não se distinguiam muito das ações de outras esferas da sociedade organizada, talvez apenas uma diferença de grau. Esta relação também se expressa na esfera do conhecimento/pensamento, na qual, tendo em vista que o mundo intelectual favorece mais e mais a descrença nos postulados religiosos como normativos para o comportamento humano, a civilização não se tornou mais cruel pelo fato do seu comportamento não estar mais embasado nas motivações religiosas, e sim, nos motivos seculares adjacentes à sua condição de seres sociais em interação.

Pelo contrário, os comportamentos motivados em valores religiosos não garantem a imparcialidade e justiça social democráticas. Via de regra, são justamente estes fonte de escândalos, quando não contribuem ostensivamente para a opressão social e política de povos e nações, como é o caso das guerras santas 33.

33 Guerras Santas: O conflito ideológico-militar da atualidade entre os Estados Unidos e o Iraque

demonstra o quanto motivações religiosas podem ser usurpadas por conflitos bélicos totalitários ou de qualquer outra natureza. Conforme reportagem da revista Veja - Potência Isolada, o presidente George W Bush resolveu fazer uma guerra santa contra o Iraque, sob o pretexto de estar conduzindo uma cruzada do bem contra o mal, da democracia contra a ditadura, de Deus contra Satã; sob o pretexto de que estará realizando um trabalho em benefício da civilização. Evidentemente também são conhecidas as motivações econômicas desta usura em nome do bem, especialmente a transição do dólar para o euro como moeda internacional e todas as perdas daí conseqüentes, além do cobiçado petróleo – o ouro negro

Certamente as experiências de Freud com a primeira guerra mundial – e diante da iminência da segunda - além de sofrer os estigmas de sua procedência judaica, contribuíram para que ele desacreditasse na motivação religiosa como uma inspiração para a civilização moderna, o que levou também a um dos seus biógrafos, Gay (1988, p. 483) a concluir:

[visto que] a religião não tornou os homens mais felizes ou melhores, a irreligião só pode ser um avanço.(...) e se a religião se mostrara um fracasso, conforme acreditava Freud, talvez a ciência pudesse ser um êxito.

Esta perspectiva lhe parecia promissora, pelo menos entre os estratos sociais mais educados, nos quais a razão poderia derrotar a superstição e os dogmas religiosos, e a ciência natural poderia desmascarar os erros que eles contêm. Assim, para Freud (1927/1974, p. 52 e 68) parecia-lhe realista a perspectiva de que o racionalismo secular iria continuar a ganhar adeptos, na medida em que

quanto maior é o número de homens a quem os tesouros do conhecimento se tornam acessíveis, mais difundido é o afastamento da crença religiosa, a princípio somente de seus ornamentos obsoletos e objetáveis, mas, depois, também de seus postulados fundamentais. (p. 52)

(...) a longo prazo, nada pode resistir à razão e à experiência, e a contradição que a religião oferece a ambas é palpável demais. (p. 68)

– e sua demanda internacional, sem esquecer que o domínio sobre estes garante certa supremacia sobre o Oriente e um lugar invejável no controle desse novo mercado, muito embora, o conflito não esteja sendo conduzido em nome dessas motivações. Para o governo de Bush, entretanto, trata-se da promoção de uma guerra contra um homem mau. São igualmente conhecidas as atrocidades do regime sunita de Saddam Hussein, que, conforme o referido artigo, torturou e matou 200.000 iraquianos, com métodos de extorsão de confissões que incluem açoites de crianças na frente das mães, corte de membros do corpo e enclausuramentos de opositores do regime que lembram gavetas de necrotérios, além de ter assassinado seus genros porque o traíram. Bush, entretanto, julga-se superior [em nome de uma suposta superioridade norte-americana] e age diretamente em nome de Deus, com a missão especial de restabelecer a liberdade e a cidadania do povo iraquiano, sem perceber a opressão internacional que o próprio regime da democracia norte-americana impõe aos países sob sua tutela. E entre as motivações que regem suas ações estão também as de ordem religiosa e moral, que se funda no ambiente da Casa Branca, alimentado por

uma visão fundamentalista, na qual impera o mais renitente conservadorismo cristão.[Bush é um

fundamentalista evangélico] (...) Bush cita Deus como estando do lado americano nesta disputa terrena

contra os iraquianos (...) acreditando que os fanáticos islâmicos joguem bombas em recintos públicos ou lançam jatos contra prédios em Nova York e Washington por acreditar também que cumprem uma missão do bem (o ditame radical islâmico) contra o mal (a suposta perversão do Ocidente).Afinal, o terrorista Osama bin Laden (...) é antes um pregador dos mandamentos mais radicais do islamismo. Sua ação sanguinária decorre de suas crenças religiosas e morais. (Veja. Potência Isolada. In: O erro de Bush. Editora Abril – edição 1794, ano 36 – n. 11, 19 de março de 2003. p. 46-50.) Também a socióloga e

psicanalista Caterina Koltai, em seu artigo “A tentação do bem o caminho mais curto para o pior...” resume isto de forma fantástica: “No discurso fundamentalista a palavra se torna sinônimo de Deus e é

evidentemente que este só pode querer o nosso bem, é pois, preciso impô-lo, pela força e azar daqueles que nada querem saber desse bem. Cruzadas ou Jihad, pouco importa, o apelo à palavra divina funciona sempre como motor de massacres e guerras religiosas e é preciso de muito pouco para que o mais fiel dos devotos se metamorfoseie num ‘criminoso sem remorso.’” (Koltai, 2002, p. 9-18)

É nessa perspectiva que a nova visão da ciência, capaz de transpor os limites dessa ingenuidade intelectual, paulatinamente vai tornar-se um agente crítico da religião, até o ponto desta tornar-se verdadeira inimiga.

A esperança é que a própria educação progressiva da humanidade (e conseqüente desenvolvimento cultural, político e econômico do sujeito na modernidade)

libertada do ônus das doutrinas religiosas não cause grande mudança na natureza psicológica do homem. O nosso deus Λογοζ34 talvez não seja um

deus muito poderoso, e poderá ser capaz de efetuar apenas uma pequena parte do que seus predecessores prometeram (Freud, 1927, p. 69)

Essas referências de Freud (1927/1974, p. 69) à ciência, no final do seu texto O Futuro de uma Ilusão, assim como sua conclusão “Não, nossa ciência não é uma ilusão. Ilusão seria imaginar que aquilo que a ciência não nos pode dar, podemos conseguir em outro lugar”, (ibidem, p. 71) entretanto, já mostram alguns limites desse novo saber racionalizado.

Ainda que a ciência – incluindo a psicanálise – inicialmente se propôs isenta de tendenciosidade e livre de distorções ideológicas, Freud percebeu que a própria posição científica não estava invulnerável diante de uma manipulação ideológica, apesar de ser o pré-requisito para uma investigação impiedosa e fecunda do fenômeno religioso. Para Gay (1988, p. 485), talvez esta seja uma das razões pelas quais ele nunca levantou o manto de uma reforma social mais ampla, mas

estava convencido do encargo de empregar suas idéias para o alívio do sofrimento mental, na esperança de que a descoberta e divulgação da verdade acerca da religião possa ajudar a libertar a humanidade dela.

Sua experiência no campo da medicina e, em especial, nas explorações neurológicas de sua época, certamente embasam sua posição pró-ciência, ainda na fronteira dos ditames iluministas de uma metodologia de pesquisa que reluzia diante das novas possibilidades de apreensão de conhecimento que ela proporcionava. Afinal, a verdade nunca fora buscada com tanta objetividade, agora reduzida ao plano da consciência [iluminista], ao qual também ele [Freud] tinha sido capturado. Suas

34Λογοζ: Uma referência aos deuses gêmeos Logos: Razão e Ananke: Necessidade, do escritor holandês

experiências clínicas com neuróticos, entretanto, logo lhe mostrariam a relatividade desses pressupostos, na medida em que nem sempre a objetividade do relato factual correspondia aos eventos históricos, isto é, os sujeitos modificavam suas histórias originais, permeando-as com suas fantasias e desejos, por vezes, delirantes.

Essa nova perspectiva de análise levou Freud a reformular conceitos já amplamente difundidos nos meios acadêmicos iluministas, que preconizavam as verdades como eventos estáticos. Freud observava em seus sujeitos as “verdades” se metamorfosearem em constantes novas versões interpretativas a partir da sua dinâmica psíquica, na qual os limites de suas percepções se diluíam em função dessa dinâmica, e o plano conhecido como consciência era insuficiente para contê-la.

Conforme Bezerra (1989, p. 235), os limites temporais estáticos entre passado, presente e futuro são insuficientes para conter a dinâmica psíquica. O sujeito não está mais contido numa ação linear e permanente do passado infantil sobre o presente, mas os acontecimentos do passado são reconstruídos no presente, e podem incorporar significados que não possuíam em sua origem.

[Isso] significa uma ruptura com qualquer concepção realista do inconsciente, que pretendesse ver na história do sujeito um processo cumulativo de experiências e sentidos soterrados pela ação dos mecanismos de defesa, e cuja influência na vida adulta fosse revelada por um processo de recuperação mnésica.

Essa concepção de temporalidade poderia ser vinculada aos processos psíquicos da vida consciente, que pode descrever sentidos antes ocultos pelo esquecimento, revelados então por uma ação de rememoração. Mas a clínica psicanalítica inaugura uma nova articulação do sujeito, no qual este fala do passado em nome do futuro, operando seu passado em função de sua perspectiva de futuro, constituindo assim uma nova noção de realidade psíquica.

O conceito de realidade para Freud, segundo Coelho Jr (In: Pacheco. et. al. 2000, p. 82-3) teve diferentes sentidos no conjunto de sua obra. O conceito de realidade interna [psíquica] se inter-relaciona constantemente e dinamicamente com o conceito de realidade externa [material], mantendo uma constante tensão, da qual se constitui a subjetividade singularizada. Em função disso, esse autor propõe um novo termo que contemple essas duas dimensões, denominado de realidade clínica, como

uma realidade que não é única nem tampouco homogênea. Cada situação clínica é uma nova realidade clínica. As realidades clínicas não se repetem (...) não estão previamente estabelecidas, mas também não são construídas por analista e analisando. Compõe-se de diferentes e múltiplas realidades (...) estão sempre em movimento e em transformação (...) penso que o objetivo do trabalho analítico não é atingir a verdade. Estamos o tempo todo misturados a afetos e representações, colocados diante de expressões verbais e não verbais, de posições objetivas e subjetivas (...) sempre em movimento, sempre em transformação. (...) A realidade clínica constitui-se tanto a partir da presença da realidade psíquica, como da realidade material. Ao mesmo tempo, possibilita um deslizamento constante entre diferentes tipos de realidade [da psíquica à material] e também o contexto onde esta tensão pode ser analisada.

Nesse sentido, mesmo para Freud, a noção de realidade psíquica não tem uma fonte única - a psique, que a constitui - sendo, portanto, uma elaboração interpretativa da realidade histórica de cada sujeito singularizado e corresponde à produção de um saber inconsciente e atemporal. É justamente essa realidade peculiar que se constitui no desejo do sujeito, um desejo que, conforme Bezerra Jr. (1989), não satisfaz e sempre está em busca de uma satisfação absoluta idealizada que nunca encontrará. É pela dinâmica da transferência que se cria essa realidade, composta de um imaginário expresso nos desejos e recriações desses desejos, em direção ao futuro de sua vida, servindo “de alavanca às engrenagens da temporalidade psíquica, e conduz o sujeito de volta ao deciframento de suas próprias interpretações fundantes” (op. cit. p. 237)

Para a psicanálise, esta é uma das formas pelas quais o sujeito pode dar conta de sua divisão e natureza cindidas, em busca de uma existência menos conflituosa na constituição de sua autonomia e independência, como um sujeito capaz de administrar sua própria vida e administrar seus conflitos em direção à maturidade.