1. GIRIŞ
2.13. Sanat ve Değerler
Na gênese dos conhecimentos científicos encontram-se os saberes. Nem todos eles gestam conhecimentos científicos tais como os conceituamos hoje, no ensinamento de Foucault (1997). Construídos com base na sistematização de experiências singulares de sujeitos, só posteriormente se tornam interpretações consideradas válidas e pertinentes (ALMEIDA, 2010, p. 37).
A ciência é um tipo particular de saber. Pauta-se por métodos, regras, critérios e formas de organização de informações que lhes são próprias e evoluem, no interior da comunidade científica e no decorrer de sua história em grande parte distanciados da história comum da maioria da população do planeta Terra. (ALMEIDA, 2010, p. 35).
No interior da ciência existem muitas especializações distintas (SANTOS, 1989). As ciências ditas exatas constituem uma dessas especializações. A própria ciência é uma subcultura da cultura ocidental ou euroamericana (AIKENHEAD, 2009, p. 95).
Muitas são as tentativas de caracterizar a ciência. A nossa será mais uma a partir das contribuições de diferentes autores (SANTOS, 1987; IRWIN, 1995; BRUNER, 1998; SANTOS, 2000; etc.) que ao se aproximarem dessa questão fazem a crítica à ciência como modo único de explicar o mundo.
Santos (1989) caracteriza a ciência moderna como uma expressão filosófica que nasce a partir do século XVII fundada nas concepções de pensadores como Bacon, Locke, Hobbes e Descartes. Ela é marcada pelo racionalismo, empirismo, pela fragmentação e pelo reducionismo. Desde então, a racionalidade científica vem sendo assumida como um modelo
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Vamos considerar práxis enquanto expressão da relação essencial entre o pensar e o agir do sujeito consciente no seu contexto social (THIERRIEN, 1997:9). Ou ainda, conforme Rossato (2010, p. 325), práxis pode ser compreendida como a estreita relação que se estabelece entre um modo de interpretar a realidade e a vida e a consequente prática que decorre desta compreensão levando a uma ação transformadora .
global e como o conhecimento verdadeiro, chamado por Santos (2000, p. 61) de paradigma dominante. Para o mesmo autor, a ciência estabelece um pensamento abissal que separa o conhecimento aceitável do conhecimento não aceitável (SANTOS, 2007).
Uma adesão cega à ciência moderna possibilita uma e só uma forma de conhecimento verdadeiro, (SANTOS, 1987, p. 11) que desconfia sistematicamente das evidências da nossa experiência imediata (Ibid., p.12), considerando a experiência como um conhecimento vulgar. E, conforme Santos (1987; 2000) este paradigma dominante precisa ser ultrapassado.
Por muito tempo, a ciência foi vista como o conhecimento certo (em oposição à existência de um conhecimento incerto), como a busca da verdade, como verdade absoluta, como atividade de pesquisa e como método de aquisição do saber. Ainda hoje essa visão está presente para aqueles que contrapõem as ciências a todas as outras formas de pensar. A ciência ocidental é, na verdade, uma etnociência eurocêntrica (ALMEIDA, 2010, p. 41).
Irwin (1995), por sua vez, também critica a ciência moderna que se apresenta como modelo de esclarecimento por parte daqueles que a consideram como dotada de uma racionalidade superior às demais, por sua suposta neutralidade, pela suposta verificabilidade de suas asserções que daria origem à construção de certezas.
Dada à aceitabilidade de seus resultados, a noção de verdade com que sustenta suas aproximações à realidade.
A ciência moderna encontra-se estreitamente associada a um poder sobre as coisas e sobre o próprio homem e, por isso, encontra-se ligada à tecnologia ao ponto de não discernir dela. O conhecimento científico, nesse contexto, serviu como pilar de sustentação ao sistema capitalista, dado que assegurou o desenvolvimento de técnicas de absorção, de apropriação e de transformação dos recursos naturais para a produção de bens de consumo. (SILVA, 2010, p. 42)
De acordo com Bruner (1998), a ciência moderna orienta-se dentro do modo paradigmático ou lógico-científico de pensamento. Este modo paradigmático baseia-se na argumentação, visando postular verdades objetivas, provas formais e empíricas, dentro de determinados procedimentos e métodos de investigação, em um sistema formal e matemático de descrição e explicação.
A grosso modo, o modo lógico científico trata de causas genéricas, de seu estabelecimento e faz uso de procedimentos para assegurar a referência comprovável e testar a veracidade empírica. Sua linguagem é regulada por necessidades de consistência e de não-contradição. Seu
domínio é definido não apenas por elementos observáveis aos quais suas afirmações básicas se referem, mas também pelo conjunto de mundos possíveis que podem ser gerados logicamente e testados contra os elementos observáveis – ou seja, é conduzido por hipóteses fundamentadas. (BRUNER, 1998, p. 14)
Neste modo paradigmático busca-se uma forma precisa para se chegar a uma verdade (que é supostamente universal), usa-se uma linguagem de definições em busca da precisão, especializa-se e fragmenta-se o conhecimento, dividindo-o em disciplinas e desintegrando os saberes. Opera na perspectiva cartesiana e positivista que separa o sujeito do objeto do conhecimento e que considera como sendo a forma única e válida de conhecimento aquela que é sujeita à especulação, à observação e ao experimento (SILVA, 2010, p. 43).
Características marcantes também deste modo de pensar são a reprodutibilidade dos argumentos e as abstrações distanciadas das experiências vividas (ALMEIDA, 2010, p. 36), assim como a assimilação, redução e negação das diversas formas de representação e percepção do mundo (Ibid., p. 58).
O modo paradigmático busca transcender o particular, buscando cada vez mais a abstração, e no final renuncia, por princípio, a qualquer valor explicativo que diga respeito ao particular. (BRUNER, 1998, p. 14)
Assim, o conhecimento adjetivado como científico remete a certo modo de produção e circulação de enunciados que buscam a universalidade como construção geral, independente dos contextos ou realidades locais, estabelecendo leis e teorias universais, fazendo crer na existência de um método seguro para atingir seus fins, chamado ‘método científico’.
De acordo com Almeida (2010, p 118), esse método prioriza propriedades como linearidade, relações de causa e efeito e inferências orientadas pela regularidade, simetria, exatidão e pelo princípio lógico da identidade.
Destaca-se aqui também que a escrita regida por exigências de um argumento científico tende a escolher palavras com o objetivo de assegurar a relação clara e definida e o sentido literal (BRUNER, 1998, p. 23), valorizando, inclusive, uma forma de expressão que contenha apêndices, gráficos, tabelas, cálculos de probabilidades, conceitos (IRWIN, 1995).
Essa ciência valoriza a técnica, e, portanto, o desenvolvimento tecnológico, percebe a natureza como fonte de matéria prima a ser transformada. O desenvolvimento hegemônico da sociedade, baseado no capitalismo, fez perdurar por muito tempo a crença no modelo linear
de progresso, baseado no desenvolvimento científico, o que fez crer que a ciência e a tecnologia seriam aliadas na promoção do desenvolvimento econômico e que, avançada economicamente, a sociedade alcançaria, enfim, o seu desenvolvimento social.
A ciência funcionaria, então, como o principal motor do progresso humano ao consolidar o modelo econômico capitalista (SILVA, 2010, p. 43). Esse modelo começa a ruir e a ciência passa a ser questionada sobre seus rumos e intenções no período entre as duas guerras mundiais, fenômeno que se intensificou após a II Guerra. O desenvolvimento do Projeto Manhattan, em 1945, que culminou, posteriormente, no lançamento da bomba que atingiu Hiroshima e Nagasaki (Japão), os projetos militares que deram origem ao desenvolvimento de armas químicas, bem como o agravamento dos problemas ambientais decorrentes do desenvolvimento científico e tecnológico, levou a vários questionamentos sobre as consequências do uso da tecnologia e sobre os aspectos éticos do trabalho dos ‘cientistas’ (SILVA, 2010a).
A ciência não é uma atividade neutra e o seu desenvolvimento está diretamente imbricado com os aspectos sociais, políticos, econômicos, culturais e ambientais. Portanto a atividade científica não diz respeito exclusivamente aos cientistas e possui fortes implicações para a sociedade. Sendo assim, ela precisa ter um controle social que, em uma perspectiva democrática, implica em envolver uma parcela cada vez maior da população nas tomadas de decisão sobre Ciência e Tecnologia. (SANTOS & MORTIMER, 2001)
Dentro da própria comunidade de cientistas e entre membros da sociedade em geral sempre aconteceram questionamentos a esta ciência como verdade absoluta, como única saída para o mundo, como modelo de esclarecimento e desenvolvimento da/para população.
Os conhecimentos científicos fazem parte da riqueza e capital essencial que sustentam a sociedade globalizada em que vivemos (THERRIEN, 1997). São o polo mais formal e acadêmico dos saberes e são transmitidos por meio do uso de conceitos (SCHWARTZ, 2010). Reconhecemos as grandes contribuições da ciência para a vida. Por meio dela muitas doenças foram conhecidas e tratadas; vacinas foram produzidas; edificações foram feitas, etc. A ciência tem se mostrado útil como conhecimento e tecnologia, a despeito das críticas. Concordamos com Larrosa (2002) quando considera que:
Atualmente, o conhecimento é essencialmente a ciência e a tecnologia, algo essencialmente infinito, que somente pode crescer; algo universal e objetivo, de alguma forma impessoal; algo que está
aí, fora de nós, como algo de que podemos nos apropriar e que podemos utilizar; e algo que tem que ver fundamentalmente com o útil no seu sentido mais estreitamente pragmático, num sentido estritamente instrumental. O conhecimento é basicamente mercadoria e, estritamente, dinheiro; tão neutro e intercambiável, tão sujeito à rentabilidade e à circulação acelerada como o dinheiro. (Ibid., p. 27)
2.2.2.2 SABERES DA EXPERIÊNCIA E A NARRATIVA COMO MODO DE CONHECER O