1. GIRIŞ
2.18. Türk Eğitim Sisteminde Değerler Eğitimi
Inicialmente, é importante estabelecer que não se pretende discutir a questão do significado em arquitetura, mas sim, em primeiro lugar, o que sejam estas
“estruturas significativas” no âmbito da arquitetura. No decorrer do trabalho,
buscar-se-á entender esse conceito em conexão com o ensino, para finalmente associá-lo à prática específica do ensino de projeto arquitetônico, notadamente o ensino da prática projetual, o que também difere - embora tenha pontos de contato - da investigação sobre a questão do significado em arquitetura.
Para que se entenda com maior profundidade o conceito, é importante que ele seja examinado em diversos campos. A abordagem do presente trabalho privilegia aqueles aspectos ligados à psicologia e a pedagogia, em detrimento daqueles ligados à semiologia e à teoria da comunicação, mesmo porque o interesse aqui são os fundamentos básicos das estruturas mentais e da construção do conhecimento. Assim, é intencional o fato de se começar a investigação por uma leitura não “semiótica” de Cassirer (conforme Neumann, 1968, pag. 264), quando ele diz: que “o homem apreende e reconhece o seu
próprio ser apenas até o ponto em que é capaz de fazê-lo visível na imagem de seus deuses”. (fig. 4.1)
Está clara, na fala de Cassirer, a importância que deve ser atribuída aos símbolos no nosso processo de entendimento e aprendizagem do mundo e, por extensão, como primeira fonte para o entendimento do que sejam
“estruturas significativas”. Os símbolos são a grande forma de entendimento
pessoal do mundo, na medida em que eles tem uma função atribuidora de sentido que, combinada com seu forte lado emocional, tem um caráter significativo e ordenador, como mostra Neumann (1968) em sua “História da
Origem da Consciência”. O símbolo funcionaria, portanto como intermediador
com o mundo, com caráter eminentemente ordenador. Esta concepção da importância funcional do símbolo coincide com a de Norberg-Schulz (1986) que discute as necessidades humanas básicas de orientação e identidade. Segundo ele, o homem tem necessidade de adquirir relações vitais com o ambiente que o rodeia para dar sentido e ordem a um mundo de acontecimentos e ações. Assim sendo, desenvolver esquemas perceptivos adequados parece ser tão importante quanto aprender a manejar esquemas simbólicos. Da mesma forma, Lévi-Strauss (1978) mostra que é absolutamente impossível conceber o conceito de significado sem o conceito de “ordem” e que falar de regras e significado é falar da mesma coisa, na medida em que ambos se referem à necessidade básica do homem de ordenar; Lévi-Strauss diz:
“Significar” significa a possibilidade de qualquer tipo de informação ser traduzida numa linguagem diferente” Lévi-Strauss (1978, pag. 24) (linguagem,
aqui, entendida bem mais amplamente que idioma).
Assim, Neumann (1968) ressalta o papel do ego como mediador dessa ordenação, não apenas por sua função sintética com faculdade de objetivação, mas também por ser a consciência situada entre os mundos exterior e interior. A questão da linguagem é exemplar como ordenação do mundo e como sistematização de significados. Vygotsky (1979) se refere ao papel extraordinariamente importante da linguagem na sofisticação cognitiva coerente das crianças, e no correspondente aumento de sua afetividade social, pois a linguagem é o meio pelo qual a criança e os adultos sistematizam suas percepções. O autor se refere, inclusive, à uma evolução do significado das palavras com a idade, o que é perfeitamente compreensível, uma vez que na mente não se encontra a coisa real, mas a representação que se faz dela; e essa representação se altera com o tempo. O mesmo Vygotsky demonstra a intercambialidade dos processos mentais associados à significação e à fala, na medida em que o processo de significação parte do geral para o particular, diferenciando o objeto do todo, ao passo que o processo da fala vai da parte ao todo, com palavras isoladas antes da construção de frases e trechos. Nesse
ponto é interessante perceber que a aquisição da linguagem é, basicamente, um processo de aprendizagem e que, portanto, significação e aprendizagem estão ligados em raiz.
A significação parece ter, então, uma base relacional, o que leva à postulação de que a doação de significado é um processo de relações, que não se refere apenas à esfera racional mas , como processo globalizador, envolve também o afeto e a emoção. Essa base relacional, da mesma forma que, interiormente, não se refere apenas a uma das funções da psique, também exteriormente é múltipla, se estendendo às interfaces entre corpo e mundo, entre o ego e a sociedade, e entre o ser e a cultura. O próprio Vygotsky, em sua postura de análise por unidades, demonstra que existe um sistema dinâmico de construção de significados em que se unem o afetivo e o intelectual. Assim, encontram-se com freqüência, na literatura, reflexões sobre as estruturas significativas aplicadas a cada uma dessas interfaces. Sobre corpo e mundo, por exemplo, Schulz se refere ao entendimento da expressão ou caráter dos objetos percebidos pela criança em função de sua própria estrutura física, tendendo a concluir que, de uma maneira geral, o processo de significação é uma função física que depende da identificação entre o ser e o mundo, e implica em um senso heideggeriano de pertencência. Sobre ego e sociedade, pode-se evocar Vygotsky na sua concepção do significado das palavras como unidade simultânea do pensamento generalizante e do intercâmbio social, onde mostra que essa relação tem valor incalculável para o estudo do pensamento e da linguagem. Sobre ser e cultura, Mauri (1990, pag. 75) constata que “a cultura confere significado à atividade humana” e coloca a definição de cultura como sendo a “ordem comum”; assim, a cultura integraria a personalidade singular em um mundo ordenado, através de certas interações significativas. Independentemente da maneira com que essas relações se procedam, entre ser mundo, sociedade ou cultura, elas se fazem através de estruturas de significação que, segundo Merleau-Ponty (1978) são aquelas que criam vínculos emocionais e liberam a energia do desejo.
O entendimento do autor da presente dissertação é, portanto, que estruturas
significativas são aquelas estruturas mentais que fazem a mediação entre a consciência individual e o mundo. São elas que permitem ao homem uma
resposta interna coerente com os estímulos externos, e que lhe dão segurança de intimamente saber e conhecer, aquilo que verdadeiramente ecoa dentro do si. Thornberg (1979) estabelece no seu conceito de “vazio reflexivo”, uma visão bastante próxima dessa, sugerindo que a significação acontece na
necessidade de se preencher o vazio causado na relação entre corpo e contexto.
No âmbito do presente trabalho nos interessa especialmente como estas estruturas significativas atuam nos processos de ensino-aprendizagem.