1. GIRIŞ
2.1. Değer Kavramı ve Değerin Tanımı
Alguns elementos observados durante a coleta de dados foram considerados importantes para os objetivos propostos e o resultado final deste trabalho. O primeiro deles foi a relação entre a professora participante e a pesquisa, na pessoa da pesquisadora. Devido à grande importância dessa relação para o bom andamento desta pesquisa, discorro a seguir sobre como essa relação se desenvolveu. Outro elemento importante para o decorrer da pesquisa foram as contribuições aos alunos. Tais contribuições não foram previstas durante a fase de preparação desta pesquisa, mas com certeza podem vir a transformar os percursos profissionais e acadêmicos de todos os envolvidos.
5.2.1 A relação professor/ pesquisador
Desde meu primeiro contato com a escola, Maria se mostrou muito disponível e aberta a propostas de pesquisa em suas salas de aula. Assim, em nenhum momento a professora apresentou receio em participar da pesquisa e fornecer dados, o que facilitou o contato também com o restante da escola. Como já conhecia Maria antes do início da pesquisa, quando a acompanhei durante meu estágio supervisionado, pude me aprofundar em questões de sua formação docente e sobre o cotidiano da escola, e Maria compartilhou, durante todo o processo de coleta de dados, suas impressões e dúvidas.
Um dos elementos importantes sobre a relação da professora participante com a pesquisa é que, a partir do meu contato inicial com ela, esta foi influenciada a iniciar uma busca por sua própria formação continuada, o que a fez matricular-se no EDUCONLE, programa de formação continuada para professores da escola pública já descrito no capítulo anterior, e buscar outros grupos de estudos para professores de inglês. A formação continuada de Maria, portanto, esteve presente na pesquisa à medida que a professora relacionava acontecimentos da sala de aula ao que vivenciava nos programas de formação continuada de que participava. Dessa forma, assim como a presença da pesquisadora na sala de aula de Maria auxiliou na sua busca por formação profissional, sua formação continuada a auxiliou no desenvolvimento da aplicação das atividades durante a pesquisa.
Borelli e Pessoa (2011) chamam atenção para o papel do professor como pesquisador e a tendência no ambiente escolar à supervalorização da teoria originada no meio acadêmico. Assim, a relação entre professor e pesquisador pode sofrer um processo de hierarquia, o que pode vir a ser problemático e negativo para ambos. Borelli e Pessoa (2011, p. 21) salientam que
é preciso ter cuidado para não continuar considerando participantes como meros fornecedores de dados. Participar de uma pesquisa pressupõe, pelo contrário, envolver-se ativamente com a produção do conhecimento e, além disso, ter suas vivências reconhecidas como válidas e decorrentes de perspectivas nem sempre valorizadas por questões de poder.
Dessa forma, acredito que o contato de Maria com os estudos nos cursos de formação continuada contribuiu de forma significativa para o desenvolvimento desta pesquisa e para seu próprio crescimento profissional e acadêmico. Além disso, sua atual formação acadêmica fez com que a relação entre a escola e a academia não estivesse distanciada e hierarquizada, uma vez que as instituições dialogaram por meio da professora. Acredito ter sido esse um
fator essencial para minha própria formação profissional e pessoal, além de uma grande contribuição para a pesquisa.
Em entrevista com a professora após a última atividade (APÊNDICE 13), Maria falou sobre as contribuições da pesquisa para sua sala de aula:
Você acha que algo das atividades aplicadas para a pesquisa refletirá na sua prática?
Claro! Com certeza. Influencia, modifica. Dá um novo olhar para o jeito de administrar a aula.
Gostaria de acrescentar algum comentário que queira estar presente na entrevista?
...acho que é um caminho muito bom esse que você tá seguindo, tá trilhando. Gostaria só que isso tivesse um alcance maior, chegasse a mais professores. Porque eu vejo com tristeza que muitos professores, muitas vezes culpam a escola, culpam o aluno,culpam a sala de aula, mas muitas vezes, infelizmente, o erro tá com a gente mesmo. Então a pessoa não para pra fazer uma autocrítica do trabalho, da postura, né?
O que você acha que levaria a essa autocrítica?
O professor chega na sala de aula dando a aula que ele preparou, que o currículo básico nacional preparou. Momento nenhum ele para pra pensar o que o aluno gostaria realmente de ouvir.
Você acha que a formação continuada ou o pesquisador vir pra dentro da sala de aula, o pesquisador de fora, igual está acontecendo com a gente, você acha que isso contribui?
Contribui. Acho que contribui sim, acho que traz coisas novas. Porque, por exemplo, tem muito professor que continua fazendo palestra, continua estudando, mas a maioria dos professores forma tem 10 anos e não assiste uma palestra. Se o pesquisador vem pra dentro da sala de aula, automaticamente ele tá trazendo informação. Então se o professor não vai até a informação, a informação vai até ele. A verdade é essa.
Vemos nos excertos acima a necessidade encontrada pela professora de uma formação continuada, e o desejo de que outros professores tivessem a mesma oportunidade de ter o pesquisador presente na escola, assim como de frequentar cursos de formação docente. Parece, então, que tanto a pesquisa quanto a presença da pesquisadora na escola contribuíram
para a formação da professora participante. A seguir, apresento as contribuições da pesquisa para os alunos participantes.
5.2.2 Contribuições para a formação acadêmica dos alunos
O objetivo inicial da pesquisa em relação aos alunos era letrá-los criticamente sobre a questão racial. Porém, além de contribuir para a formação crítica desses alunos, pude concluir que uma contribuição acadêmica e profissional também pode ter sido possível. A partir do momento em que me apresentei como aluna da UFMG e como ex-aluna de escola pública, alguns alunos quiseram saber como ingressei na universidade e mostraram-se interessados em saber mais sobre a vida acadêmica. Então, percebi que esses alunos, cursando a segunda série do ensino médio, não tinham muito conhecimento sobre as oportunidades que poderiam ter, e alguns ainda acreditavam que a universidade não era uma possibilidade na vida deles.
Como o tempo para as atividades era curto, dediquei algum tempo após duas das aulas para falar um pouco sobre como ingressar na universidade e motivá-los a buscar tal oportunidade. Além disso, falei sobre o processo de cotas e sobre o curso pré-vestibular gratuito oferecido pela universidade. Acredito, ainda, que falar da minha própria experiência foi o fator que mais os motivou a pensar na possibilidade da continuação dos estudos na universidade.
Assim, mesmo não tendo proposto esse objetivo para a pesquisa, acredito que foi de grande valia para os resultados dela e uma contribuição valiosa para a formação cidadã desses alunos. Como debatido no capítulo sobre a análise dos resultados da pesquisa, a transformação, etapa do LC proposta por Duboc (2012), não foi analisada como etapa presente durante as atividades, uma vez que pode acontecer fora da sala de aula e em tempo indeterminado. Porém, considero tal contribuição também um possível caminho para a transformação, visto que pode ter sido importante para a visão desses alunos a respeito dos lugares que podem vir a ocupar na sociedade.